↫─☫ Capítulo 49
↫─Capítulo 49
[—Chatooooo.] Ko San arrastou as palavras, soltando uma breve exclamação como um latido. Ko Woonha assentiu. Certo. Era uma história entediante. Ao contrário de Ko San, ele usou a mão para abrir habilidosamente a garrafa de cerveja. Aquela era uma escrivaninha de madeira maciça muito cara, e ele não queria usá-la para tal propósito.
[— Desde quando você se importa com coisas assim? Considerando que você entrou em contato comigo só porque não tinha um único amigo para conversar sobre esse assunto. Além disso, você nem se importa com isso. Sobre não ter amigos.]
Ko San mexeu no celular. O que ele estava olhando era a tela de uma câmera doméstica instalada em um aparelho secundário. Através da tela, seu cônjuge podia ser visto se revirando na cama. Como se tratava de um hotel de alto padrão, era impossível para alguém subir pela janela, e também era impossível entrar sem passar pela sala onde ele estava, mas mesmo assim ele agia obsessivamente como se houvesse um invasor.
Será que Ko Woonha conseguiria entender esse Ko San? Ko Woonha não conseguia entender de forma alguma a saga excessiva de primeiro amor de seu irmão e essas emoções, nem jamais havia tentado entender.
Veladamente, havia um cara azarado que, sob os critérios de qualquer um, havia me marcado como seu primeiro amor.
Provavelmente não é a primeira vez. Deve ter havido outros. Não tem como não ter havido caras que balançaram seus paus nunca antes tocados enquanto imaginavam a mim. Mas esta era a primeira vez que tal coisa me incomodava.
Ko Woonha admitiu isso.
Os sentimentos de Cha Gyuwon pesam em sua mente. Cha Gyuwon pesa em sua mente. Para Ko Woonha, que havia vivido a vida inteira leve como uma pluma, aquelas emoções eram muito desconhecidas e pesadas. Se você quer voar, só precisa jogar as coisas fora. É muito simples, mas, como um pelicano estúpido, ele estava agonizando sobre soltar ou não o que estava em sua boca.
[— Por quê? Depois de só ver caras que não tinham nada a lamentar de repente se tornarem patéticos por sua causa, você de repente pescou um garoto fodidamente piedoso de algum lugar? Seu gosto mudou?]
Ko San fez barulho além da tela. O que ele pegou então foi água gaseificada. Parecia que ele queria beber mais álcool, mas estava se segurando por causa da competição.
— ……
[— Estou curioso sobre o rosto dele, só para ver que tipo de garoto piedoso ele é para fazer Ko Woonha se preocupar com esse tipo de coisa. Não é um animal de verdade, é?]
Ko San soltou uma gargalhada alto. Ele parecia se divertir com a visão de Ko Woonha, que mantinha a boca fechada, incapaz de refutar o que ele estava dizendo.
[— Ele não é um garoto compassivo.]
Ko Woonha o corrigiu com uma risada.
Ele havia ouvido todas as circunstâncias de Cha Gyuwon. Sem intenção. Mesmo assim, não era como se ele de repente sentisse pena dele ou algo do tipo. Ele não sentia simpatia por Cha Gyuwon desde o começo. Se sentisse, teria sido mais fácil.
[— Se não é assim, então aja como de costume.]
— De costume?
[— Sabe, a coisa em que você é bom. Dizer coisas que são tão certas que não podem ser refutadas, mas fazendo a pessoa se sentir uma merda para que ela morra de raiva.]
O cabelo de Ko San havia crescido um pouco nesse meio tempo. Parecia que era hora de um corte. Talvez o cabelo que ele não cortava desde o casamento estivesse um pouco incômodo, disse Ko San enquanto amarrava o cabelo além da tela.
[— Lembro-me de ver um cara que se agarrava a você a um nível devoto.]
Ko San, que se assemelhava a Ko Woonha, mas exalava um ar muito mais bruto e intenso, massageou as têmporas e caiu em memórias que não eram bem memórias.
Então, como se algo lhe ocorresse, ele estalou os dedos com um som de “clack” e apontou para Ko Woonha além da tela.
[— O cara que se ajoelhou diante de você, chorando e lamentando, agarrando-se a você. O que ele disse? “Vou preencher o espaço vazio no seu coração”? “Vou entender que você está quebrado”? Acho que foi algo assim.]
Embora houvesse caras o suficiente que disseram tais coisas a ponto de dobrar todos os cinco dedos, Ko Woonha raramente conseguia se lembrar de um imediatamente.
Um homem que havia suplicado enquanto divagava palavras estranhas, como se estivesse iludido pensando que eles tinham estado em um relacionamento que nunca tiveram.
Ele se lembrava de esbravejar dessa forma porque, raramente, o incômodo e a raiva haviam surgido dentro dele.
— O quê? Você queria que eu fosse um prostituto trágico? E estava esperando se ver me salvando? Você gosta de mim ou está inebriado por si mesmo? O que você quer dizer com “motivo”? Eu simplesmente nasci extraordinário e tenho muito dinheiro, então minha vida é tão fácil que chega a ser entediante, e só estou tentando encontrar alguma diversão. Se estudar combinasse comigo, eu teria morrido estudando. Se fazer exercícios combinasse comigo, eu teria morrido se exercitando. Eu só gosto disso. Deu para entender? E, acima de tudo, não preciso do seu corpo no meu “espaço vazio”. Então, porra, pare de incomodar os outros e suma.
A razão pela qual ele se lembrava do que tinha dito com tanta clareza era porque aquilo o fez perceber um lado de si mesmo em que nunca havia pensado. O que aconteceu depois disso? Ele achava que tinha conseguido uma ordem de restrição. Por quanto tempo tinha sido… Não. Quando foi que aquilo aconteceu?
[— Aja como de costume. Fique irritado. Não atenda às ligações, ignore-o.]
Ko San parecia farto agora. Ele claramente parecia querer encerrar a conversa.
Mas o peito de Ko Woonha ainda não parecia aliviado.
— Considerá-lo um incômodo?
O problema é que ele não é um incômodo.
Ko San, que vislumbrou o olhar pensativo de Ko Woonha, engoliu um suspiro. Seu peito, com pulmões desenvolvidos como os de um tubarão, estufou. Aquela visão era ameaçadora, como se guelras estivessem se abrindo. Cruzando os braços sobre ele, falou com indiferença:
[— Ei. Eu sentia que, se aquele cara conhecesse outro cara além de mim, eu cometeria um crime e iria para a prisão. Mas, mesmo assim, ele não era um incômodo.]
— ……
[— É. Ele não era um incômodo. Não importa a merda que ele faça, ele não é um incômodo. Isso é o suficiente?]
As pessoas acham que Ko San é um lixo apenas olhando para o seu exterior, mas a realidade de que Ko Woonha é o pior deles se revelava em partes como essa. Ko Woonha não respondeu. Independentemente disso, Ko San rosnou, aproximando o rosto da tela enquanto se preparava para encerrar a chamada.
[— Eu te dei tempo para caralho hoje. Sinto que te dei o equivalente a uns três anos. Então não ligue mais para o meu marido.]
Ele se perguntou por que estava sendo generoso, então era por isso. Conversar com Geumseo tinha sido há apenas alguns dias. Não, tinha sido há uma semana? Ou tinha sido há várias semanas? Ele não conseguia se lembrar. Ko Woonha de repente checou a data e ficou internamente surpreso. O tempo havia voado. Durante esse tempo, ele não esteve vendo Cha Gyuwon. Como se tivesse fugido e estivesse se esquivando dele. Ele nunca havia sido assim. Ele não era uma pessoa bem resolvida sobre começar e terminar as coisas?
Olhando para o celular, havia apenas registros de respostas esporádicas aos contatos de Cha Gyuwon e, mesmo por mensagem, ele conseguia ver que o grande Cha Gyuwon estava abatido e intimidado. Bem naquele momento, como se estivesse esperando, uma nova mensagem chegou dele.
[Cha Gyuwon (Tomate)]
O tempo estava avançando em direção às 2h da manhã. Era o momento exato para os pensamentos se multiplicarem. E havia sido ninguém menos que ele mesmo quem tinha jogado fertilizante no campo de pensamentos de Cha Gyuwon.
Mas não se podia dizer que Ko Woonha tinha apenas o evitado de forma egoísta.
Durante esse tempo, Ko Woonha não tinha se encontrado com ninguém, nem sentia vontade de se encontrar com alguém. Ele apenas trabalhou.
— …Como você soube?
Ko Woonha perguntou enquanto olhava para a mensagem de Cha Gyuwon. Então Ko San cuspiu as palavras de forma irritada:
[— Porra, onde é que existem segredos entre um casal casado? Se você entrar em contato com ele, eu te mato.]
E a ligação foi encerrada unilateralmente.
Olhando para a tela escura, Ko Woonha esfregou lentamente o celular. Então, exalando um suspiro esmagado, ele se inclinou para trás em sua cadeira. Enquanto bebia mais, Ko Woonha pensa em Cha Gyuwon. Ele não conseguia imaginar aquele garoto se encontrando com outra pessoa. Para começar, Ko Woonha raramente usava sua imaginação. A imaginação de Ko Woonha, que tinha um histórico baixo de uso, conseguia apenas cuspir a duras penas um vídeo de baixa qualidade com uma resolução muito ruim.
Em vez disso, Ko Woonha considerou inúmeras possibilidades. A maior possibilidade era o apego físico devido ao clímax intenso e à compatibilidade sexual que ele havia experimentado pela primeira vez em sua vida. O chamado “apego pelo bolo” — surgiu a questão de se ele havia se acostumado tanto a isso a ponto de até mesmo desafiar o incômodo.
“Certo. É o meu erro. Eu julguei mal de novo desta vez.” Assim como ele havia repetidamente encontrado bastardos persistentes, Ko Woonha subestimou a persistência de Cha Gyuwon. No entanto, enquanto antes ele tinha escolhido a dedo com quem se encontrar, desta vez Cha Gyuwon foi jogado em cima dele.
Ele se lembra do olhar de Cha Gyuwon, que não havia mudado mesmo depois de ele ter estraçalhado todas as fantasias do garoto sombrio que rastejou para a sua cama. Era difícil para Ko Woonha imaginar aquele olhar sendo tingido de decepção e, subsequentemente, se transformando em aversão. Embora ele só precisasse substituir pelos olhares das muitas pessoas que já havia visto.
Ko Woonha, que estava girando a tampa da garrafa de cerveja que estava dobrada quase ao meio em sua mão, colocou-a na unha do polegar. Logo, ele dá um peteleco com a mão, jogando-a no ar e pegando-a. Frente, verso. Ele não consegue distingui-los. Porque ele já a havia dobrado.
O contato veio de Cha Gyuhan. Ko Woonha não ficou desconsertado com o pedido para conversar. Foi porque ele já havia adivinhado de antemão que aquilo viria.
Não havia necessidade de adiar a data também. Ele disse que eles deveriam se encontrar imediatamente após o trabalho. Mesmo com as notícias de uma onda de frio, as pessoas se reuniam em grupos, com seus corpos envolvidos em casacos acolchoados como gimbap, bebendo e comendo.
↫─☫ Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr