↫─☫ Capítulo 63
↫─Capítulo 63
Quando era jovem, ele costumava passar o tempo do Natal ao Ano Novo consecutivamente na Coreia. Conforme foi envelhecendo, esses momentos diminuíram, mas enquanto seus avós estivessem vivos, era algo natural. Por causa disso, Ko Woonha considerava algo garantido ir à catedral no Natal e fazer a confissão.
Na véspera de Natal, Ko Woonha perguntou enquanto mastigava o macarrão de trigo sarraceno que Cha Gyuwon lhe entregou:
— Você não vai se confessar?
— Ah… eu deveria ir, mas.
Vendo-o desconversar, parecia que ele não estava com a menor vontade de sair. Bem, naturalmente. Era um dia para ficar na fila para fazer a confissão equivalente a um ano inteiro. Era claramente uma multidão assustadora para Cha Gyuwon.
— Já que posso apenas rezar em casa.
— Hum. Entendi.
Ko Woonha sorriu de forma brincalhona enquanto olhava para Cha Gyuwon. Porque era óbvio que ele estava com preguiça e usando um truque ao mesmo tempo.
— E a sua família?
— Meu hyung e meus pais são budistas.
— É mesmo?
Um gângster sendo budista. Não importava o quanto eles tivessem mudado a imagem, não combinava de jeito nenhum com o budismo, que se foca em evitar matar e acumular méritos em vez de karma. É claro que essa imagem também poderia ser um preconceito que Ko Woonha sentia vagamente.
— Como está? Devo colocar mais óleo de gergelim?
— Está ótimo. Coloque bastante alga para mim.
— Sim.
Cha Gyuwon assentiu enquanto esmagava mais alga. Ele tinha ótimos antebraços e bíceps. Embora, neste exato momento, estivesse usando-os para pulverizar alga desidratada. Ko Woonha estalou os lábios. Cha Gyuwon vinha melhorando tanto ultimamente que, a cada dia, o sexo ficava cada vez mais do seu agrado. Estava ao ponto de ele ter o pensamento completamente inútil de se preocupar que sua libido pudesse desaparecer porque o sexo estava se tornando ideal demais. Tudo isso graças ao fato de ter encontrado um aluno diligente que revisava e se empenhava bem em suas lições. Ko Woonha se sentou enquanto imaginava como seria vestir Cha Gyuwon com um uniforme escolar para um roleplay.
— O senhor vai à catedral amanhã, hyung?
— Sim. Provavelmente.
— Isso é inesperado…
— É? Eu sou diligente do meu jeito.
Ele não disse devoto, disse diligente. Até a resposta era a cara de Ko Woonha.
— Pensando bem, Senhor Cha Gyuwon, como o senhor acabou usando um anel de castidade?
— Como assim “como acabei usando”. Eu só usei.
— Como se tivesse sido forçado a isso?
— Não. Eu estava falando sério.
Cha Gyuwon protestou como se estivesse ofendido.
— Eu realmente pretendia oferecer o meu começo e o meu fim para a pessoa que amo.
— E esse pensamento mudou agora?
Ele perguntou isso sabendo exatamente o que se passava no coração do homem. Cha Gyuwon evitou o olhar dele e resmungou. Ele achava Ko Woonha realmente detestável em momentos como esse.
— Não é exatamente algo que funcione de acordo com a minha vontade… Eu quero, mas a outra pessoa tem que sentir o mesmo…
— Isso é pesado.
— O quê? Você se sente pressionado?
— Não. Quero dizer que o macarrão está pesado.
Ko Woonha fingiu demência e se fez de inocente enquanto pegava um porção enorme de macarrão.
— A porção é grande. Vamos dar uma caminhada depois de comer isso.
Cha Gyuwon silenciosamente lhe entregou o chá de cevada preparado.
— Coma devagar…
Recentemente, nos dias em que Ko Woonha se encontrava com Cha Gyuwon, ele sempre saía com ele. Pode-se dizer que ele tinha forçado Cha Gyuwon a entrar em sua rotina original. Ko Woonha era uma pessoa solar e preferia se exercitar ao ar livre do que em locais fechados. Como Cha Gyuwon ainda não conseguia jogar tênis lá fora, ele se juntava a ele para caminhadas por enquanto. Por causa disso, ir para a rua estava gradualmente encolhendo de um evento massivo que exigia preparação mental para apenas mais uma parte da rotina diária, tornando-se algo mais leve. Sem que Cha Gyuwon sequer percebesse, a porta não era mais uma muralha que ele tinha que quebrar, mas sim uma passagem para ir e vir com Ko Woonha, retornando ao seu significado original.
— Vamos caminhar um pouco mais hoje. Antes que fique mais frio.
— Sim.
Cha Gyuwon, que tinha hesitado no início, agora assentia com calma.
Enquanto o trabalho estava em sua maior parte se encerrando, as cerimônias de encerramento de fim de ano tinham terminado, e eles seguiam em direção a um fim de ano empolgante, porém exaustivo, seus encontros com Cha Gyuwon continuavam sem fim. Eles não tinham definido que tipo de relacionamento tinham, mas ele se perguntava se havia mesmo necessidade disso. Ko Woonha sabia que essa sua atitude era um pouco demais para Cha Gyuwon. Mas ele tinha suas próprias circunstâncias inevitáveis. Ele tinha consistentemente mostrado a imagem de um adulto relaxado para Cha Gyuwon até agora, mas como este também era o seu primeiro romance de verdade, como ele poderia pedir um momento para tomar um fôlego antes da enorme reviravolta que encontrou em seus meados dos trinta anos?
Por isso, Ko Woonha continuava sendo detestável, transando com Cha Gyuwon todos os dias e mantendo a boca fechada.
A confissão deste ano vai ser realmente cheia. O que é realmente pesado é o seu sentimento, que ele ainda guarda como um segredo.
Voltando para casa, Ko Woonha olhou para sua bagagem ao lado do sofá e fez “Ah”.
Pensando bem, parecia que ele não ia à sua própria casa há bastante tempo. Era porque ficar ali tinha se tornado, de alguma forma, mais confortável. Bem, Cha Gyuwon cozinhava para ele em casa e, depois de comerem, eles jogavam videogame, assistiam a animes, ficavam deitados, tiravam as roupas e se agarravam. Depois eles se lavavam, sentiam sono e dormiam. Por causa disso, ele continuava se esquecendo de ir para casa. Ele estava pegando as chaves do carro pensando que deveria ir hoje, mas de alguma forma, como se tivesse ouvido, Cha Gyuwon veio correndo.
— Não corra dentro de casa…
— Vamos comer um lanche da madrugada.
Cha Gyuwon falou sem nem tomar fôlego.
— Vamos comer frango cozido hoje.
Ko Woonha era um fã roxo de comida coreana. Além disso, ele comia bem, já que era muito ativo.
Apenas cerca de duas horas tinham se passado desde a refeição deles, mas ao pensar no jjimdak apimentado e no macarrão de vidro macio, ele lentamente colocou as chaves do carro de volta no lugar.
— Posso pedir com o nível de pimenta do meu gosto?
— Sim.
— Senhor Cha Gyuwon, você vai ficar fazendo “ss-ha, ss-ha” de tão apimentado que vai estar.
— Vamos sair agora mesmo e comprar um pouco de iogurte também.
“Nós acabamos de entrar e você já quer sair de novo?” As intenções dele eram transparentes. No entanto, por ser algo tão atrapalhado, seu esforço parecia louvável, e ele queria atender ao pedido. O frio Ko Woonha, que costumava mandar as crianças de volta para os quartos, não importava o quanto chorassem ou implorassem durante seus dias de babá, agora tinha se tornado mole com um homem grande e sombriamente lindo.
— Tudo bem.
Só então o rosto de Cha Gyuwon se iluminou.
A este ritmo, parecia que ele estaria recebendo o Ano Novo aqui também. No entanto, Ko Woonha sentiu que aquilo também não era nada mau, então perguntou enquanto caminhava em direção à entrada:
— Senhor Cha Gyuwon, por acaso o senhor sabe como fazer sopa de bolo de arroz?
Cha Gyuwon, que estava apenas feliz pelo fato de que estaria com Ko Woonha novamente hoje, não sabia o significado oculto, pensou sobre isso por um momento e depois assentiu.
— Acho que consigo fazer. Devo colocar guiozas também?
— Hum. Sim.
— Vou colocar bastante alga por cima para o senhor também.
Enquanto conversavam animados, Cha Gyuwon já tinha dado um passo para fora da porta da frente. A passos largos. Tão facilmente, sem que ele ao menos percebesse.
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Desde as primeiras horas da manhã, Cha Gyuwon estava perdido em pensamentos profundos. Na cozinha, ele já tinha terminado de preparar tudo para fazer panquecas, já que era Natal à sua própria maneira. Ko Woonha tinha lhe dito com antecedência para não o acordar porque ele iria dormir até mais tarde. Enquanto deixava seu “ficante” dormindo (Cha Gyuwon agora o tratava como um ficante e aumentava as apostas com cuidado), o que ele estava encarando não era uma receita, mas a tela do seu celular.
Era um convite inesperado para uma reunião de ex-alunos. Era uma reunião do ensino médio, para completar. Como ele tinha frequentado a escola por apenas um ano, não conseguia entender de jeito nenhum por que estavam procurando por ele em um lugar que mal podia chamar de sua antiga escola. Cha Gyuwon não percebeu que um convite deslizando de repente para suas informações de contato tão perto da data do encontro era muito suspeito. Era natural. Que tipo de encontros sociais teriam existido em sua vida? Cha Gyuwon, que nunca tinha ido nem a um casamento, tomou o convite literalmente como um convite.
— Por que de repente?
Ele murmurou, e a foto de perfil da pessoa que ele checou era definitivamente o rosto que ele tinha encontrado na empresa de Ko Woonha.
“Sinto muito sobre o outro dia. Foi só porque fiquei muito feliz em te ver. Agora que sou adulto, não há nada como velhos amigos. Quero esclarecer qualquer mal-entendido…” O texto, começando assim, mergulhou Cha Gyuwon em pensamentos ainda mais profundos.
Ele estava passando por muitas mudanças graças a Ko Woonha. Acima de tudo, o mais importante era que ele próprio queria mudar. Ele queria ir para a rua com mais conforto e queria fazer com facilidade as rotinas diárias que os outros faziam. Ficar menos nervoso, menos cansado, menos diminuído e com menos medo. Só assim ele poderia passar mais tempo com Ko Woonha.
Por causa disso, Cha Gyuwon se agonizava sobre a resposta para aquele contato, o qual, no passado, ele teria apagado imediatamente e até deletado a memória de ter visto.
— Dia 30…
Faltava menos de uma semana.
Cha Gyuwon se agonizou e se agonizou antes de soltar um “Ops” e se virar de volta para a massa.
Nesse meio-tempo, ela tinha ficado grossa. Com uma expressão sombria, ele jogou a massa fora e fez uma nova remessa. Mesmo enquanto a despejava em uma forma em formato de urso e assava três panquecas bonitas e douradas, aquele convite não saía de sua cabeça.
E por volta do momento em que a quarta panqueca ficou pronta, a porta do quarto se abriu.
— O cheiro está delicioso.
Com os olhos fechados, Ko Woonha vinha pisando pesado para fora.
Ele estava vestindo apenas calças, então os vestígios que Cha Gyuwon tinha deixado em seu tronco ficaram expostos sem nenhum disfarce. Cha Gyuwon ficou envergonhado e limpou a garganta sem motivo. Ele estava preocupado com as marcas fracas de mãos deixadas no pescoço de Ko Woonha. Ele tem que ir trabalhar… Como esperado, ele não deveria ter feito aquilo, não importava o quanto o hyung implorasse. Se apenas pressionar levemente por vinte segundos deixava marcas assim, como diabos ele poderia realizar as ações que o hyung queria? Por outro lado, se ele não fizesse, o hyung queria.
— Por que seu rosto está assim desde de manhã?
Ko Woonha se aproximou e tocou a bochecha de Cha Gyuwon com a ponta do dedo.
— No que você está pensando tanto de novo?
— …O senhor sabe que há marcas de mãos no seu pescoço, hyung?
— É mesmo?
A reação de Ko Woonha foi, na verdade, bastante indiferente.
— O senhor tem que ir trabalhar.
— Eu posso só usar uma blusa de gola alta.
Uma solução muito simples foi apresentada.
Cha Gyuwon ficou ainda mais confuso sobre se deveria ficar aliviado ou não com a reação dele, que era mais do que familiar e na verdade calma.
— De novo, de novo. Emburrando as bochechas.
— …Não estou.
↫─☫ Continua….
ᯓ★ Nenhuma das situações apresentadas neste capítulo referem-se/ se baseiam em fatos reais.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr