Ato 3, 04
⚠️ Aviso: Todos os fatos, personagens e situações retratados nesta obra são inteiramente fictícios. Não contendo nenhuma relação com a realidade.⚠️
Ato 3, Esper Ash 04
✦•┈๑⋅⋯ ⋯⋅๑┈·✦
Um cheiro acre roçou a ponta do nariz de Ash.
Bip, bip, bip.
O som constante de máquinas e um teto de um branco sepulcral. Assim que ele abriu os olhos, o que apareceu em seu campo de visão foi um soro na metade e uma cortina improvisada separando o seu espaço do restante do quarto.
— …
Ash franziu a testa. Tão logo se sentou, removeu irritado os tubos presos ao seu corpo e abriu a cortina de uma vez com um movimento brusco.
A equipe médica próxima, que estava verificando o retorno de sua consciência, fugiu sobressaltada. Não muito depois, Daniel, o médico encarregado de Ash, aproximou-se calmamente para cumprimentá-lo.
— Dormiu bem? Você acordou cedo.
Ignorando as palavras, Ash fechou os olhos e resmungou enquanto reprimia a tontura.
— Quanto tempo se passou?
— Cerca de uma semana?
Ash franziu a testa diante da resposta.
— Não é de admirar que me sinto fraco.
— Não se preocupe, você perdeu alguma massa muscular, mas não o suficiente para precisar de reabilitação.
— Perda muscular…
— Falando esse tipo de bobagem, acho que você está realmente bem. Deveria ser grato por ter parado por aí.
O médico riu e o repreendeu. Era compreensível, visto que Ash tinha ficado inconsciente como um cadáver por uma semana. No entanto, considerando o quão sério seu estado devia estar, a mente de Ash parecia notavelmente clara agora. Usualmente, após acordar, ele sentiria náuseas e uma dor de cabeça dilacerante.
— …
Enquanto o olhar de Ash vagava obliquamente para cima em direção ao soro, Daniel disse apressadamente:
— É só glicose!
— Você está agindo de forma suspeita.
— Levando em considerando seu comportamento habitual.
Daniel murmurou com uma expressão aparentemente chocada. Ele clicou no topo da caneta para expor a ponta, depois olhou para uma lista de verificação e fez algumas perguntas a Ash.
— Nome.
— Ash Blank.
— Quantos anos você tem agora? Qual é a última data de que se lembra?
— Vinte e quatro. A data… eu não sei. Eu entrei por volta do fim do ano, então quando saí provavelmente era início de janeiro.
— Prosseguindo, qual foi sua última missão?
— Resgate de pessoal em portal do tipo corredor.
— Você parece bem. Sem confusão mental.
Após marcar “Sem problemas” para a pergunta final, Daniel assentiu. O olhar de Ash desviou-se para a mesa de cabeceira ao lado de Daniel. Ele notou um vaso tão cheio de flores brancas que mal conseguia contê-las todas. Era uma cena que ele nunca tinha visto antes. Ash encarou a cena com o olhar vago por um momento, sem saber por que tal coisa estaria em seu quarto de hospital.
— O que é aquilo?
Não havia ninguém neste centro que lhe enviaria flores estando em seu perfeito juízo. Seguindo o olhar de Ash, Daniel olhou para cima e explicou sobre as flores com uma pequena exclamação.
— Foram enviadas pelo “órfão espacial”.
Flores? Diante da expressão confusa de Ash, Daniel riu baixo.
— É um pouco demais. Há um cartão ao lado também, você deveria ler.
Em vez de responder, Ash imediatamente estendeu a mão e pegou o cartão rosa.
[Desejando-lhe uma rápida recuperação.]
Ao contrário das expectativas, não havia muito conteúdo. No verso do cartão havia apenas o texto “Floricultura Rusty”, junto com a rede social da loja. Não havia nenhuma outra informação, como um nome. Após encarar a caligrafia arredondada por um tempo, Ash ergueu o olhar.
— Como ele me conhece para mandar algo assim?
— Ahn?
— Ele se lembra?
Os olhos de Ash tremeram levemente. Estavam cheios de uma emoção indecifrável. Era uma expressão desconhecida que Daniel nunca tinha visto antes.
— Do que você está falando? Ouvi dizer que o órfão espacial esteve inconsciente desde o início quando você saiu do portal. Não dizem que pouquíssimas pessoas conseguem manter a sanidade dentro de um portal do tipo corredor para começo de conversa?
— …
— Não é que o órfão espacial se lembre de você. Ele só ouviu de algum lugar que você o resgatou do portal, então parece considerar você como seu salvador ou algo assim. É por isso que disse que estava grato.
— Ah.
Então era por isso… Ash murmurou baixinho e soltou um breve suspiro. Embora Daniel achasse a atitude não familiar de Ash estranha, ele não apontou isso diretamente . Em vez disso, folheou o prontuário que estava segurando e falou:
— A propósito, esse portal foi um pouco menos intenso?
Ash respondeu friamente com um rosto inexpressivo.
— Estou acostumado com isso, então não sei dizer direito. Por que você não entra comigo na próxima vez?
— …
— O quê? Quer que eu te leve?
— …Ah! Você me assustou! É uma piada, é uma piada, certo? Haha!
— Ter um médico seria bom. Raramente desmaiaríamos assim depois de sair e, na hora do aperto, eu poderia simplesmente te jogar como isca e correr…
— I-isca?
— Você deveria se candidatar. Não sei se será aprovado, mas se for, eu te levo comigo.
— …
Daniel ficou em silêncio, seu rosto subitamente desprovido de todo humor, parecendo chocado. Aquilo não era uma piada. Era 100% sério. Além disso, os portais para os quais Ash costumava ser enviado não eram portais perigosos comuns.
“Sem chance. Um civil como eu morreria se entrasse em um portal. Eu com certeza morreria!”
Ele tentou ignorar a sugestão assustadora de Ash e mudou de assunto.
— N-não, eu só quis dizer que os resultados foram bons… Haha.
Daniel forçou uma risada exagerada. Logo limpou a garganta e tentou mudar o tópico lendo em voz alta os resultados impressos no prontuário.
Normal, normal, normal, médio, normal…
— O nível de orientação interno é de 17 por cento… Isso é um pouco baixo, mas similar ao habitual, então vamos em frente. O que estou falando é desta parte.
Daniel segurou o prontuário na frente dos olhos de Ash. Um gráfico estava impresso no papel branco. Na parte inferior do gráfico estavam as palavras “Onda de Habilidade”.
— Costumava ser uma bagunça, lembra? Mas desta vez, o gráfico saiu com um formato tão estável.
Ele bateu no gráfico com o dedo, mostrando uma expressão excessivamente animada.
— Olhe para isso. O formato é regular e a amplitude não é muito grande. A princípio, pensei que a folha de resultados tivesse sido trocada com a de outro esper. Ash, você não teria por acaso recebido orientação de alguém…
A voz animada de Daniel foi sumindo ao ver o olhar desinteressado de Ash.
— Claro que não, né? Eu sei que você não faria isso… Ha, haha…
Ele realmente não sabe aceitar uma piada. Sentindo-se constrangido, Daniel ajustou os óculos e resmungou.
Independentemente do que qualquer um dissesse, Daniel estava de bom humor. Seu paciente, que costumava estar sempre se queixando, estava em uma condição surpreendentemente boa, apesar de ter sido trazido de novo cuspindo sangue. Seja lá o que ele tivesse feito, um braço estava quebrado, mas era uma fratura limpa e fácil de tratar. Curaria rapidamente em apenas um mês. Desde que ele não usasse o corpo de forma inadequada durante esse tempo…
De qualquer forma, não apenas o nível de orientação estava baixo, mas até a onda de habilidade — que costumava ser errática e fazia de Ash uma bomba-relógio ambulante — estava estável, apesar de ele ter acabado de sair de um portal. Era raro, ou melhor, sem precedentes até agora.
Ash, que estivera sentado perdido em pensamentos, de repente teve um brilho nos olhos. Ele abriu a boca.
— Onde está o garoto que eu trouxe de volta?
— O órfão espacial? Por quê?
— Quero ver o rosto dele.
— Você vai vê-lo pessoalmente? Isso é incomum vindo de você.
Daniel perguntou, aparentando surpresa.
— Aconteceu alguma coisa?
— Ele de repente segurou minha mão.
— E daí?
— Isso me fez sentir um pouco…
— Um pouco?
— …estranho.
— …?
Daniel ficou sem palavras enquanto Ash continuava a falar encarando fixamente a própria mão, como se estivesse hipnotizado por algo.
O que ele quer dizer com sentir-se estranho? Ele provavelmente só sentiu nojo quando alguém segurou sua mão. Embora não tivesse visto a situação diretamente, era óbvio. Ash teria puxado a mão antes mesmo que a mão do órfão espacial tocasse sua pele.
“Mas por que ele está de repente dizendo coisas que nunca diz… É a influência do portal?”
Daniel inconscientemente beliscou o antebraço oposto com força usando a mão direita. Ah, merda…! doeu o suficiente para trazer lágrimas aos seus olhos, então aquilo não era uma alucinação ou sonho.
— Quero checar.
Ao murmúrio de Ash, Daniel olhou para ele com uma expressão perplexa. Ele não tinha certeza do que exatamente queria checar, mas tinha um mau pressentimento. Parecia que não devia deixar Ash ir assim.
— O órfão espacial também estava bem preocupado com você.
— …
— Ei, não se levante, fique sentado. …Assim que souber que você acordou, ele certamente virá procurar por você primeiro, então para que se dar ao trabalho de descer você mesmo? Não gaste energia, apenas descanse mais um pouco e espere entrar em contato.
As sobrancelhas de Ash se contraíram para cima com aquelas palavras. Ele perguntou a Daniel com uma expressão confusa:
— Do que você está falando? Como ele me encontraria aqui?
— Ah, certo. Você não saberia… Esse órfão espacial trabalha na recepção do primeiro andar. Então, toda manhã, recebemos uma ligação no ramal interno.
— …Todo dia? O que você quer dizer?
— Apenas perguntando quando você vai acordar. Embora eu tenha dito a ele que não era necessário, ele liga diligentemente toda manhã para perguntar sobre o seu estado. Parece realmente preocupado. É raro hoje em dia ver alguém tão educado…
Daniel deixou a frase morrer no meio ao sentir um desconforto inexplicável vindo de Ash. Ele olhou para cima para ver Ash cobrindo a boca com sua mão grande, a testa franzida. Se fosse só isso, poderiam pensar que ele estava tentando abafar um bocejo, mas quando Daniel notou a vermelhidão subindo até as orelhas de Ash, o arrepio subiu por seus braços.
↫ ࣭ ⭑๋ ࣭ ⭑Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna&Yuki