↫─Capítulo 90
Capítulo 90
Cheongyeon só conseguiu abrir os olhos ao meio-dia de quinta-feira.
Normalmente, a pessoa deveria se sentir pelo menos um pouco revigorada após dormir, mas talvez porque sua energia tivesse sido minuciosamente drenada por Do-heon durante seis dias, ele se sentiu cansado desde o momento em que recuperou a consciência.
— Tenho um assunto urgente, então preciso ir trabalhar hoje. Descanse bastante.
Ele ouviu vagamente Do-heon saindo para o trabalho enquanto estava meio dormindo, e parece que não foi um sonho. As chaves do carro e a pasta que ele sempre levava ao sair não estavam em lugar nenhum.
— Graças a Deus.
Moon Do-heon finalmente tinha ido para a empresa. Essa foi a primeira vez que Cheongyeon ficou tão feliz com a ida dele ao trabalho.
Cheongyeon saiu direto da cama vestindo um roupão e pegou o celular colocado sobre a mesa. Bem ao lado do telefone, as roupas que ele havia usado originalmente estavam ordenadamente lavadas e dobradas.
Sem hesitar, ele tirou rapidamente o roupão e vestiu suas roupas normais, planejando deixar aquela casa o mais rápido possível enquanto Do-heon estava no trabalho. Se ele enrolasse e topasse com ele de novo, poderia ser arrastado de volta para o quarto.
A propósito, vendo que ele até foi trabalhar, o ciclo do rut teria terminado completamente?
— Depois de fazer tudo aquilo, já deve ter acabado. Se ele for humano…
Cheongyeon balançou a cabeça enquanto descia as escadas. Um aroma saboroso vinha da cozinha, como se alguém estivesse cozinhando.
— Oh puxa, você acordou? Como está se sentindo?
A governanta aproximou-se rapidamente após ouvir os passos dele.
— Não pergunte.
Cheongyeon acenou com a mão como se dissesse para ela nem tocar no assunto. A governanta que trabalhava na cozinha examinou a aparência de Cheongyeon com um olhar que dizia que ela entendia sem precisar ouvir os detalhes.
— Você parece metade de uma pessoa. Meu Deus… O diretor foi longe demais.
Ela não era de comentar sobre as ações de Do-heon, então o fato de ter dito uma coisa dessas significava que Cheongyeon devia estar com uma aparência terrível.
— Gostaria de comer? Posso arrumar a mesa para você agora mesmo.
A governanta limpou as mãos úmidas no avental e explicou o cardápio sem que lhe perguntassem.
— Fiz mingau de entranhas de abalone e costela cozida que você gosta. Chegaram uns cogumelos pinheiros silvestres muito bons desta vez, então adicionei também. O aroma está intenso.
Cheongyeon, que estava prestes a ir direto para a porta da frente, parou.
— Mingau de entranhas de abalone…?
E costela cozida além disso?
— Sim. Recebemos direto da fonte esta manhã, então estão incrivelmente frescos. Mesmo fervido no mingau, o aroma é completamente diferente dos congelados.
A governanta naturalmente guiou Cheongyeon até a sala de jantar. Seguindo-a um pouco atordoado, Cheongyeon ficou dividido.
Ele não podia perder mais tempo aqui. Se era para ir embora, agora era a sua chance.
No entanto, ele não tinha certeza se conseguiria chegar em casa em segurança com aquelas pernas trêmulas. Acima de tudo, estava com tanta fome que simplesmente não conseguia se forçar a ir embora.
— Cof. Bem, então vou comer só um pouquinho.
Cheongyeon sentou-se à mesa, fingindo ceder, e a governanta começou a arrumar a mesa rapidamente com movimentos eficientes.
O mingau de entranhas de abalone que ela fazia era uma das comidas favoritas de Cheongyeon. Ela costumava fazer para ele sempre que ele não estava se sentindo bem, e ele frequentemente pensava nisso mesmo após se divorciar de Do-heon.
Mas não importava o quanto ele tentasse fazer sozinho ou comprasse algo semelhante em lojas de mingau, ele nunca conseguia recriar aquele gosto de que se lembrava.
— Eu estava desejando muito isso.
Ver o mingau verde-escuro e encorpado fez sua boca encher de água. O rosto da governanta iluminou-se com as palavras dele.
— Vou estocar os ingredientes para que você possa comer até a semana que vem.
Cheongyeon, que estava prestes a pegar um pouco de mingau, olhou para a governanta enquanto segurava a colher.
— Por que até a semana que vem?
— Bem… Você não vai ficar aqui agora?
A governanta perguntou como se fosse óbvio. Pensando bem, ele havia ficado aqui por quase uma semana, então para os outros poderia parecer que as coisas haviam se acertado com Do-heon novamente.
— Não. Vou voltar para casa hoje.
Cheongyeon traçou uma linha clara para esclarecer sua relação com Do-heon e pegou uma colherada grande de mingau.
O sabor do abalone era primoroso. A textura mastigável do abalone que preenchia sua boca sem ser muito forte, junto com o gosto saboroso das entranhas. O mingau de entranhas de abalone feito pela governanta estava ainda mais gostoso do que Cheongyeon se lembrava, a ponto de ser emocionante.
— É mesmo? O diretor me disse para preparar os seus pratos favoritos para o jantar…
A governanta, que vinha observando de lado, fez uma expressão preocupada.
Por um momento, Cheongyeon quase deixou escapar que Do-heon era um desgraçado sem vergonha. O que ele planejava fazer depois de lhe dar uma boa refeição?
— Vou apenas comer isso e ir embora. Ah, por favor, chame um táxi para mim mais tarde.
— Por que chamar um táxi? Há muitas pessoas aqui que podem dirigir para você. Vou entrar em contato para deixar um carro pronto com antecedência.
— Obrigado.
Cheongyeon não recusou a oferta dela. Afinal o carro dirigido por um motorista particular era definitivamente mais confortável e tinha um trajeto mais suave do que um táxi.
— Então, vou embalar um pouco de mingau e costelas para você levar quando for. Fiz bastante, então você deve conseguir comer por alguns dias.
— Moon Do-heon realmente foi para a empresa hoje, certo?
Quando Cheongyeon mencionou casualmente o nome de Do-heon, os olhos da governanta vacilaram de surpresa.
— Sim. Mas ele disse que voltaria para casa cedo.
Preciso escapar rápido antes disso.
Cheongyeon pensou enquanto checava as horas. Era apenas 12h30, então havia bastante tempo.
Ele rapidamente colocou o mingau na boca enquanto pegava os acompanhamentos à sua frente. Embora já conhecesse o sabor, não conseguia parar de maravilhar-se internamente durante toda a refeição.
Ele costumava comer aquilo quase todos os dias e ficava enjoado, mas depois de deixar a casa de Do-heon e morar sozinho, estava percebendo intensamente a importância de refeições caseiras.
Havia limites para comer fora. Não importava a qual restaurante de comida coreana ele fosse, não conseguia encontrar esse sabor. O gosto limpo, porém apropriadamente saboroso, a qualidade e o frescor dos ingredientes, e os temperos caseiros em vez de comprados prontos.
Era impossível encontrar acompanhamentos feitos com tanto cuidado do lado de fora.
— Ah, é verdade, o corpo de Moon Do-heon está bem?
— Sobre isso… Fui estritamente instruída novamente a manter silêncio desta vez, então não posso responder.
— …
Cheongyeon assentiu rapidamente em compreensão, não tendo esperado obter a resposta que queria de qualquer forma.
Mas ele não pôde deixar de pensar descuidadamente que Do-heon deveria estar bem, dado que ele tinha dinheiro mais do que suficiente e, pelo que havia confirmado desta vez, não parecia ter problemas com sua virilidade.
Afinal, a princípio Cheongyeon estivera preocupado ao ouvir que Do-heon estava tomando remédios porque estava doente, mas a causa acabou sendo o seu ciclo do rut, e ele havia passado por esse rut espetacularmente bem, então o problema fundamental poderia ter sido resolvido até certo ponto.
— Fico feliz em ver você comendo bem. Vou trazer mais para você.
Conforme as tigelas de acompanhamentos esvaziavam, a governanta rapidamente trazia acompanhamentos frescos.
— Ah. Em vez disso, vou embalar todos os acompanhamentos que temos para você levar quando for. Você tem espaço na sua geladeira, certo?
— Eu estou bem, mas não deveríamos deixar um pouco para Moon Do-heon comer?
Sentindo-se culpado por levar tudo da geladeira de outra pessoa como se fosse um mendigo, Cheongyeon recusou educadamente uma vez por cortesia.
— O diretor não tem feito as refeições em casa ultimamente.
Cheongyeon inclinou a cabeça com curiosidade diante da voz preocupada dela.
— Sério? Imagino que ele almoce na empresa… Mas ele não costumava tomar café da manhã e jantar em casa antes?
— Ele diz que está ocupado demais para comer direito. Mesmo quando preparo a comida por garantia, ela acaba sendo jogada fora… Então não se sinta sobrecarregado e leve com você.
Ela desapareceu na cozinha, dizendo que embalaria o mingau e os acompanhamentos enquanto Cheongyeon terminava sua refeição.
Enquanto isso, Cheongyeon checou as notificações em seu telefone que não tinha conseguido olhar por seis dias.
— Uau, o que é tudo isso?
Havia tantas mensagens acumuladas que era difícil ler todas de uma vez. A maioria delas eram mensagens de surpresa e parabéns sobre a série que teve sua primeira transmissão ontem.
[— Que série foi aquela ontem??? Você é ator?? Desde quando?]
[— Parabéns Cheongyeon kkkkk fiquei surpreso de ver você na TV de repente ^^]
[— Ei, ei, o que está acontecendo, por que você não disse nada? Aquele era você, certo?!! (emoticon)]
[— Ooh você não disse que tinha se casado, de repente seu nome surgiu na internet e realmente era Yoo Cheongyeon;]
Várias pessoas, desde amigos próximos até conhecidos com quem ele havia perdido o contato, haviam deixado ligações e mensagens.
Cheongyeon checou a mensagem de seu empresário primeiro entre elas.
[— Empresário Park Yongjoon: Ator-nim. Ouvi dizer que você estava doente ㅠㅠ Não se preocupe. Eu reorganizei todas as suas agendas e as adiei ^^]
[— Empresário Park Yongjoon: Há uma sessão de fotos leve na sexta-feira à tarde (amanhã), então por favor, tome cuidado para o seu rosto não ficar muito inchado ^^]
[— Empresário Park Yongjoon: Reorganizei a agenda e enviei para você em um arquivo~]
[— Empresário Park Yongjoon: E parabéns pela exibição do primeiro episódio da série^^ Começou com 8% de audiência!!]
Como esperado, quer Do-heon tivesse intervindo separadamente ou não, as agendas que estavam chegando haviam sido adiadas sem problemas. Embora isso fosse uma sorte, Cheongyeon estava preocupado com a sessão de fotos agendada para amanhã. Seria possível?
Cheongyeon suspirou ao olhar para seu rosto abatido refletido na tela do telefone.
A propósito, 8% de audiência para o primeiro episódio. Aquele era um desempenho muito bom nos dias de hoje.
Junto com uma sensação de alívio, ele ficou curioso sobre as reações das pessoas à sua atuação. Enquanto pensava sobre isso, Cheongyeon pesquisou seu nome em um site de buscas.
— Yoo Cheongyeon (Ator)
Havia informações breves sobre ele junto com uma foto de perfil que ele havia tirado recentemente. Agora ele era um ator, não um ídolo.
E abaixo disso, artigos relacionados à série de ontem surgiram. Com sentimentos mistos de preocupação com artigos que o ligavam a Do-heon e antecipação sobre as reações à série, Cheongyeon rolou a tela para baixo.
Bem quando estava prestes a tocar em um artigo que havia sido postado recentemente, uma nova mensagem chegou.
— Moon Do-heon: Amanhã às 20h, restaurante do 27º andar do Hotel A.
A testa de Cheongyeon franziu-se ao ler a mensagem imediatamente.
— O que ele está dizendo do nada.
Que dia era amanhã mesmo? Se hoje era quinta-feira…
— …De jeito nenhum?
Percebendo que amanhã era a sexta-feira em que originalmente havia concordado em se encontrar com Do-heon, os lábios de Cheongyeon se torceram.
Esse cara tem mesmo alguma consciência? Ele enlouqueceu?
Ele ficou tão embasbacado que não conseguia nem rir amargamente. Imaginando se havia lido errado, ele checou a mensagem novamente, mas o conteúdo era o mesmo.
Fumegando de raiva, Cheongyeon não conseguiu se conter e apertou o botão de chamada na mesma hora. Desta vez, a ligação conectou imediatamente.
— O senhor enlouqueceu?
Cheongyeon disparou sem preâmbulos.
— Não sei do que você está falando.
— A mensagem que o senhor acabou de enviar. O senhor quer mesmo se encontrar amanhã?
— Há alguma razão para não podermos? O contrato deve estipular que nos encontramos toda sexta-feira.
— Se uma pessoa tem consciência… Não, deixa para lá. Tenho uma sessão de fotos amanhã à tarde, então não posso. Vamos pular até a semana que vem, não, a outra semana.
No entanto, não houve resposta do outro lado da linha. Provavelmente significava que ele não gostou daquilo.
Cheongyeon tamborilou nervosamente as pontas dos dedos na mesa.
Por que ele era quem estava sendo cauteloso quando deveria ser o irritado?
— Se o senhor precisa absolutamente me ver por causa do contrato, então o senhor que venha até a sessão de fotos, diretor.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna