↫─Capítulo 75
Capítulo 75
O tom dele era tão frio que chegava a ser constrangedor ter se preocupado. Moon Do-heon tinha um talento para ferir gravemente os sentimentos de quem o ouvia, o suficiente para ganhar o prêmio principal se houvesse uma competição de eloquência desagradável.
Cheongyeon amassou o canto da página do roteiro estendida sobre a mesa, rangendo os dentes por dentro.
Mas não estava exatamente errado, então era difícil argumentar.
— …….
Cheongyeon, sem palavras, fechou a boca, e um momento de silêncio fluiu.
Rompendo o silêncio, o som das gotas de chuva caindo, toc, toc, toc, do lado de fora atravessou a janela. A audição de Cheongyeon tornou-se agudamente sensível.
Mesmo nessa situação, ele teve o pensamento tolo de que Do-heon parecia mais abatido hoje, talvez por causa do clima.
Ele queria perguntar se ele estava bem, como era seu hábito, mas esse já não era mais o seu lugar. Foi só agora que ele percebeu, novamente, que ele e Do-heon estavam completamente separados.
— Acho que você está certo.
Cheongyeon murmurou de forma autodepreciativa.
Ele precisava quebrar esse hábito inútil de observar ansiosamente cada movimento de Do-heon. Depois de três anos estando tão acostumado a isso, quando falava com Do-heon, seu processo de pensamento continuava fluindo de volta para os velhos hábitos sem que ele sequer percebesse.
— Não liguei para falar sobre isso. Eu originalmente liguei por causa do carro. O que é isso de repente?
Cheongyeon apagou seus sentimentos amargos e mudou rapidamente de assunto.
— Eu te dei para dirigir. Que outro propósito um carro teria?
— Eu nunca pedi para você me dar, então por que traria algo assim sem dizer uma palavra?
Desta vez, sua voz foi bastante afiada. Ele não tinha a intenção de estourar daquele jeito, mas talvez por estar com o estômago revirado pelo que Do-heon dissera antes, seu tom tornou-se naturalmente ríspido.
Do ponto de vista de Cheongyeon, era uma situação que não podia ser bem aceita, não importa como se olhasse. A atitude de Do-heon de entregar um presente com preço excessivo que ele nunca quis não era diferente de colocar um preço em cada momento passado com ele e pagar por isso.
— Você vai ficar andando a pé mesmo depois que o drama começar?
Do-heon retrucou como se não entendesse a reação de Cheongyeon.
— Eu tenho um empresário.
— Eu só vejo ele quando você vai para os seus compromissos.
— Isso é verdade, mas mesmo assim…
— Por quê? Você quer me ver fora dos seus compromissos?
Os lábios de Cheongyeon tremeram diante do tom claramente sarcástico.
— Quem disse isso? Por que você sempre distorce as minhas palavras desse jeito?
— Então aceite sem reclamar.
— Como posso simplesmente aceitar alegremente algo tão pesado quando nem preciso disso? Isso realmente parece apenas uma reclamação para você, diretor?
— Mesmo que você não goste, finja que gosta na minha frente e aceite.
— Você me disse para não mentir!
— Ah, é mesmo. Então use mesmo que odeie.
O tom arrogante e desrespeitoso, admitindo prontamente seu erro e mudando suas palavras, era claramente uma ordem. Como se nenhuma outra opinião de Cheongyeon fosse necessária.
— Pelo menos você deveria ter me avisado antes de me dar.
— Se eu fosse te dar uma escolha, teria te perguntado diretamente.
Significava que Cheongyeon não tinha escolha, então deveria apenas aceitar o que quer que recebesse.
Cheongyeon tentou manter a compostura, reprimindo o desagrado que surgia de dentro. Mas suas emoções não eram facilmente controladas e borbulhavam.
Cada palavra que Do-heon dizia esmagava seu orgulho. Por que ele estava falando assim? Ele originalmente era um homem egoísta e arrogante, mas hoje parecia ainda pior.
— Você sabe que estou de saco cheio de você ser tão unilateral, diretor?
— Yoo Cheongyeon.
A voz grave de Do-heon ecoou pelo receptor. Era uma voz insensível que contrastava fortemente com a de Cheongyeon, infinitamente emocional.
— Eu decido o que te dar e como.
— …….
— Não vá me dizer que você está sob a ilusão de que pode escolher o que quer neste relacionamento?
Ah, essa doeu um pouco. Cheongyeon pressionou o peito dolorido e mordeu o lábio inferior. Mas ele respirou fundo baixinho para que Do-heon não o ouvisse, tentando ao máximo não ser abalado.
— E se você está sendo patrocinado, comporte-se no set. Não dê esperanças desnecessárias a ninguém.
A testa de Cheongyeon se franziu com as palavras que se seguiram.
O que aquilo deveria significar? Comportar-se? Ele se perguntou a quem havia dado esperanças para que isso surgisse de repente.
— Não sei por que tenho que ouvir você me dizer para me comportar, diretor. E não há estacionamento na minha casa agora, então como vou dirigir por aí em um carro tão caro na minha situação? Você sequer sabe o quanto os preços dos combustíveis subiram hoje em dia?
— Isso é bom. Mude de casa enquanto faz isso. Tenho andado preocupado com você morando em um lugar com uma segurança tão ruim.
— O quê?
Por que a conversa estava pulando de assunto daquele jeito de novo?
— Eu realmente tenho que ir agora. Vou desligar.
— Diretor, espere…
Bem quando Cheongyeon ia dizer algo mais, Do-heon desligou o telefone unilateralmente.
— Não. Diretor?
Ele agarrou o telefone às pressas e chamou por Do-heon, mas a ligação já havia terminado completamente. Cheongyeon olhou fixamente para a tela escurecida por alguns segundos.
— Ah, Moon Do-heon! Seu… seu insuportável…!
Ele ia dizer para ele levar o carro de volta porque não precisava dele, mas acabou com a conclusão absurda de que deveria mudar de casa.
Cheongyeon, que estava com os nervos à flor da pele, ligou imediatamente para Do-heon de novo. Mas apenas o som mecânico e vazio de telefone desligado retornou.
— …….
Tudoc, tuduc. As gotas de chuva, mais grossas do que antes, ecoavam estranhamente no quarto enquanto batiam na janela.
No silêncio que se seguiu, Cheongyeon foi dominado por um sentimento desconhecido. Ele originalmente era autocrático e extremamente egocêntrico, mas era a primeira vez que cortava uma conversa com Cheongyeon desse jeito e até desligava o telefone.
— Hã.
Cheongyeon, que ficara paralisado como se estivesse quebrado por um momento, logo guardou o telefone e esfregou o rosto com força.
Não havia necessidade de ficar tão chocado pelo fato de a atitude de Do-heon ser diferente de antes. Não importa o quão indiferente Do-heon fosse a tudo, sua atitude em relação ao marido e sua atitude em relação aos outros inevitavelmente seriam diferentes.
Assim como ele havia traçado uma linha de que ele e Do-heon estavam completamente separados, ele também poderia traçar uma linha mais clara diante dele. Não retornar a ligação mesmo depois de ver uma chamada perdida, declarar que estava em uma posição superior neste relacionamento contratual e desligar sem se despedir, como se não precisasse ouvi-lo até o fim, eram todos direitos dele que ele poderia exercer em relação a um completo estranho.
— Mantenha o controle, Yoo Cheongyeon.
Cheongyeon repetiu para si mesmo, pegou a caneta novamente e, após recuperar o fôlego, começou a ler o roteiro que estava espalhado em sua mesa.
Alguns dias depois, pouco antes de partir para a primeira locação de filmagem do drama. Cheongyeon recebeu uma chave mestra e um cartão de crédito de um officetel recém-construído de seu empresário.
Cheongyeon, que estava prestes a entrar na van, olhou para o empresário perplexo.
— O chefe me pediu para te entregar isto. Ele disse que seria inconveniente você dirigir seu próprio carro porque não há estacionamento na sua casa agora.
Cheongyeon olhou em silêncio para a chave e o cartão que recebeu do empresário. Talvez por já ter ouvido falar sobre isso de Do-heon, ele não sentiu nenhuma emoção específica mesmo quando viu a chave mestra com o número do officetel e a senha escritas nela.
— Por que o cartão de crédito?
— É para a manutenção do carro e despesas cotidianas no futuro. É comum que os atores recebam um cartão de crédito de sua agência como uma consideração, já que os acertos são feitos trimestralmente.
O empresário falou como se Kim Kyung-seop tivesse lhe dado tanto o officetel quanto o cartão de crédito, mas Cheongyeon sabia que Do-heon havia enviado tudo.
— O diretor disse que vai providenciar pessoas para cuidar da mudança dos seus pertences. Apenas me avise qual data é conveniente para você e eu contratarei a empresa de mudanças imediatamente. E me avise se houver algo que você queira retirar com antecedência.
— …Não há nada disso. Apenas mude tudo como está.
Cheongyeon respondeu com um sentimento de resignação enquanto ouvia a explicação gentil do empresário.
Parecia cansativo demais ligar para Do-heon novamente e discutir sobre gostar ou não, e ele realmente não tinha energia para fazer isso agora. Hoje era o primeiro dia de filmagem do drama, então ele já estava atordoado e nervoso o suficiente.
— Você provavelmente precisará de um lugar para guardar seus figurinos e adereços, e os roteiros vão ocupar bastante espaço e peso conforme você os trouxer e empilhar toda vez que for revisá-los. Quanto maior a casa do ator, melhor. Acima de tudo, o officetel tem uma boa segurança. Então não se preocupe muito e aceite.
O empresário acrescentou uma explicação em seu tom gentil de sempre, talvez percebendo a expressão sombria de Cheongyeon. Ouvindo-o, Cheongyeon de repente se lembrou do que Do-heon havia dito alguns dias atrás.
— E se você está sendo patrocinado, comporte-se no set. Não dê esperanças desnecessárias a ninguém.
Depois de pensar cuidadosamente sobre isso, a única pessoa com quem Do-heon poderia ter implicado diretamente era o homem que sabia sobre suas atividades como idol. O ator ex-trainee que ele conhecera no dia da leitura completa do roteiro.
Ele havia conversado brevemente com aquele homem sobre coreografia e desafios, mas as únicas pessoas ao redor que viram foram seu empresário e Min Hyerin. Min Hyerin queria que o desafio desse certo mais do que ninguém, então a única pessoa que teria contado a Do-heon sobre aquele dia era seu empresário.
— Ator? Você está se sentindo mal?
O olhar de Cheongyeon, que estivera perdido em pensamentos por um tempo, logo alcançou o empresário, que exibia um sorriso gentil.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna