↫─Capítulo 52
Capítulo 52
— …….
Cheongyeon nunca tinha imaginado que Doheon exigiria sexo como compensação pelo patrocínio. Mesmo que, como ele disse, o sexo fosse uma condição básica de um patrocínio.
Era uma linha de raciocínio excessivamente ingênua, mas Cheongyeon tinha seus próprios motivos válidos para pensar daquela forma.
Porque os dois sempre tiveram encontros estéreis.
— Você não gosta muito, não é? De fazer isso comigo.
Cheongyeon enfrentou a vergonha e lembrou Doheon da verdade que conhecia.
— Eu alguma vez disse que não gosto?
— Você não disse diretamente, mas desde a primeira vez, sua reação foi… daquele jeito…
Enquanto falava, aquele dia humilhante naturalmente veio à mente.
O dia em que ele mostrou a Doheon pela primeira vez os sintomas claros de seu ciclo de cio. E os encontros dolorosos e infrequentes que se seguiram.
Deixando a frase inacabada, Cheongyeon abaixou a cabeça. As mesas do restaurante eram distantes o suficiente para que ninguém mais pudesse ouvir aquela conversa, mas ele não pôde deixar de se sentir pequeno.
— Você parece estar enganado sobre algo, mas eu queria segurar você em um estado perfeitamente racional, não porque eu não goste de dormir com você.
Doheon corrigiu os fatos em uma voz monótona. As costas de Cheongyeon endureceram porque eles raramente tinham conversado sobre dormir juntos.
— Para alguém que não desgosta, nós não fizemos isso com tanta frequência, fizemos?
— Então eu deveria ter segurado alguém que chorava de dor todas as noites e aliviado minha luxúria?
— …….
— Eu não tenho hobbies tão sujos.
Ouvindo-o, Cheongyeon perdeu as palavras porque as palavras de Doheon faziam sentido. Ao mesmo tempo, ele ficou confuso.
Era a primeira vez que ele aprendia esse fato, três anos após se casar com ele. Ele tinha assumido naturalmente que ele não gostava. Não, para ser mais preciso, Cheongyeon sentia que, em vez de não gostar, Doheon estava próximo de ser indiferente a fazer sexo com ele.
— Você não está tirando sarro de mim agora, está?
— De forma alguma.
Ele não desgostava de fazer sexo com ele. Cheongyeon, que ficou bastante chocado quando a verdade em que acreditara sem dúvidas foi negada, amassou o lenço inocente em seu colo, sem saber como reagir.
Doheon cruzou os braços sem pressa e esperou que Cheongyeon respondesse. Embora Doheon tivesse proposto o patrocínio primeiro e a decisão dependesse de Cheongyeon, Doheon era quem estava infinitamente relaxado.
Antes de ele exigir sexo como compensação pelo patrocínio, Cheongyeon claramente estivera disposto a aceitar aquela oferta. Mas agora….
— Você não precisa decidir imediatamente. Eu lhe darei até a próxima semana para pensar sobre isso.
Doheon acrescentou quando o silêncio de Cheongyeon se prolongou. Só então Cheongyeon soltou o lenço que vinha segurando com força e abriu a boca.
— Para ser sincero, eu não entendo.
Agora que eles estavam tão facilmente divorciados, por que ele de repente se ofereceria para patrociná-lo agora que eram estranhos? Que ele queria passar um tempo com ele? Mesmo com a condição de que incluísse relações físicas.
Ele estava em uma posição onde poderia conseguir um parceiro sexual sempre que quisesse. Ele estava frustrado porque ainda não conseguia entender por que tinha que ser o próprio Yoo Cheongyeon.
— Talvez.
Cheongyeon engoliu em seco e olhou diretamente para ele. As palavras que vinham flutuando em sua cabeça desde mais cedo estavam formigando em sua boca.
— Talvez você goste de mim?
Quando Cheongyeon deu voz à pergunta que vinha guardando, Doheon ergueu uma sobrancelha como se tivesse ouvido algo estranho.
Ele sentiu que já tinha ouvido a resposta daquela expressão, então Cheongyeon balançou a cabeça e evitou o olhar dele.
— Não. Por favor, finja que não ouviu essa pergunta. Eu só estou envergonhado demais com esta situação…
— Por que você está perguntando isso? Eu nunca deixei de amar você.
Cheongyeon parou diante da resposta de Doheon.
— Eu não sei o que dizer se você me perguntar agora se eu gosto de você.
Após um momento de silêncio, Doheon continuou em uma voz baixa. E Cheongyeon encarou Doheon, esquecendo-se de respirar por alguns segundos.
Ele nunca deixou de amá-lo.
Enquanto repetia as palavras que ele havia proferido, ele sentiu como se seu coração estivesse afundando.
Mas pelo que Cheongyeon tinha vivenciado, o significado de “amar” de que Doheon falava era mais próximo da responsabilidade de uma pessoa forte protegendo a fraca. Era um tipo de sentimento completamente diferente da maneira como ele tinha gostado de Doheon com um olhar sexual.
Mesmo sabendo que a diferença era clara, seu peito agitou-se com as palavras gentis de Doheon. Cheongyeon percebeu novamente que não tinha se livrado completamente dos sentimentos que tinha por ele, como se tivesse cortado todos com uma faca.
No entanto, ele sabia melhor do que ninguém que não deveria se deixar cativar por ele de novo.
— Diretor, desculpe interromper. Só um momento…
Enquanto sua mente estava complicada pelo impacto das palavras que ele havia proferido inadvertidamente, seu assistente de repente apareceu de algum lugar.
O assistente, que se aproximou de Doheon de perto sem fazer barulho, sussurrou algo em seu ouvido, e ele assentiu brevemente com um rosto seco. E ele imediatamente se levantou de seu assento.
A cabeça de Cheongyeon acompanhou os movimentos dele.
— Eu tenho que ir primeiro.
— Você vai embora agora?
Está brincando comigo? Nós nem terminamos de conversar ainda.
Cheongyeon piscou com uma expressão abobalhada, e ele deu a volta na mesa e moveu seus passos.
— Algo surgiu na empresa, então preciso entrar.
Ele olhou de relance para Cheongyeon, que estava com os olhos arregalados.
— Pense na resposta até a próxima semana.
Ele parou brevemente na frente de Cheongyeon, disse o que tinha a dizer como se estivesse dando um aviso, e deixou o restaurante.
— Não, espere…
Cheongyeon encarou fixamente as costas dele enquanto ele passava pela saída com seu assistente. Então, quando não conseguia mais ver os dois, ele virou a cabeça e olhou para a comida na mesa como se tivesse desistido.
O assento vazio de Doheon à sua frente e a comida fria. Era uma cena familiar, então não era nova. Tinha acontecido frequentemente quando ele era casado com Doheon.
As pessoas não mudam. Cheongyeon pegou seu garfo novamente com um sorriso autodepreciativo.
Se tivesse sido antes, ele teria perdido o apetite e terminado sua refeição também naquela situação em que ele tinha saído no meio da refeição como se não se importasse com ele de forma alguma. Ele sabia muito bem que era apenas uma perda para ele ser influenciado pela indiferença consistente de Doheon.
Ainda assim, ele não pôde deixar de ficar irritado com a atitude imutável de Doheon de dizer o que queria e ir embora de um jeito desagradável. É claro que ele não o odiava tanto quanto antes. Ele nem sequer ficava mais desapontado.
— Por favor, traga-me mais vinho aqui.
Cheongyeon comeu seu bife com o vinho que o funcionário tinha despejado para ele, não se rendendo ao fato de ter sido deixado sozinho. E ele começou a ponderar seriamente sobre a conversa que tinha tido com Doheon hoje e as condições que ele tinha estabelecido.
Cheongyeon terminou sua refeição como se nada tivesse acontecido hoje e deixou o restaurante.
Estava bastante tarde quando ele voltou para casa.
Tudo tinha acontecido de forma tão repentina que era difícil parecer real.
Mas assim que ele parou na frente dos móveis que Doheon tinha dito que estavam podres, ele de repente começou a sentir a situação em que se encontrava vividamente em sua pele.
Uma oferta de patrocínio que a maioria das celebridades recebe pelo menos uma vez. Mas a pessoa que fez a oferta era seu ex-marido.
Doheon tinha agido como se tivesse certeza de que ele aceitaria durante a curta refeição, mas Cheongyeon honestamente não tinha a confiança para aceitar a oportunidade que ele tinha oferecido como se estivesse lhe fazendo um favor.
Teoricamente, não era o mesmo que vender seu corpo?
“Nós estamos trocando o que cada um quer. Como um tipo de acordo.”
Doheon disse isso como se fosse um assunto muito simples. Não, talvez realmente não fosse nada para ele. Ele era um homem de negócios e um materialista que distinguia minuciosamente entre lucro e perda.
— Eu deveria ter despejado um balde de xingamentos?
Cheongyeon murmurou enquanto virava a água fria que tinha tirado da geladeira.
Era uma coisa extremamente rude de se dizer, o suficiente para virar a mesa na mesma hora, mas, estranhamente, naquele momento, a oferta dele não foi apenas desagradável.
— Mas não é isso.
Cheongyeon concluiu após uma longa deliberação. Era uma oferta bizarra que era difícil de aceitar de qualquer maneira, agora que tudo tinha acabado.
Cheongyeon relembrou os dias em que tinha gostado sinceramente dele. Cada dia era como um sonho e ele estava feliz por estar ao seu lado, mas, paradoxalmente, doía exatamente na mesma medida.
Ele não deveria se envolver mais com ele aqui. Quanto mais envolvido ele ficasse, mais acabaria se machucando de novo.
Então ele ia parar por aqui. Mesmo que sua carreira de ator fosse empurrada para a beira do abismo.
Cheongyeon prometeu a si mesmo que deixaria sua recusa clara quando o encontrasse na próxima semana.
O dia seguinte.
Cheongyeon chegou ao escritório e entrou na sala do presidente como de costume e sentou-se no sofá. Ele tinha entrado e saído daquele lugar com tanta frequência devido aos eventos recentes que tinha se tornado tão confortável quanto sua própria casa.
— Eu vou recusar.
Cheongyeon disse a Kim Kyungseop assim que se sentou no sofá. Mesmo que não soubesse os detalhes, Kim Kyungseop teria adivinhado o que Doheon tinha dito a ele ontem.
— Ah, uh. Tudo bem.
— …….
— Então você encerrou completamente aquela história ontem?
— Nós decidimos nos encontrar na próxima semana e dizer com certeza.
Kim Kyungseop suspirou profundamente e olhou de relance para Cheongyeon.
— Tudo bem. Se você diz, é isso.
— …….
— …….
Os dois ficaram perdidos em seus próprios pensamentos por um tempo.
Cheongyeon estava ciente de que Kim Kyungseop estava secretamente lamentando sua atitude obstinada. Kim Kyungseop tentou agir de forma indiferente o máximo possível, mas ele conseguia adivinhar vagamente os sentimentos dele a partir de suas ações, como acariciar o queixo ou engolir um suspiro.
Mas Cheongyeon não queria ressentir-se com ele. Ele também tinha sido abalado pelo que Doheon tinha dito.
“Eu posso levar você não apenas para o lugar que você quer, mas também para o topo se você quiser.”
Seria uma mentira se dissesse que não ficou animado com as palavras de Doheon, que eram tão confiantes que chegavam a ser arrogantes. Cheongyeon sabia melhor do que ninguém que ele era um homem que poderia levá-lo ao topo, o que ele nunca tinha sequer imaginado.
— Ah, o ambiente está pesado demais? Sss. Sua opinião é a mais importante, então você fez bem.
— Você me chamou para me perguntar isso?
Cheongyeon inclinou a cabeça, perguntando-se por que Kim Kyungseop tinha se dado ao trabalho de chamá-lo ao escritório quando poderia ter se comunicado por telefone.
Só então Kim Kyungseop estalou os dedos como se tivesse se lembrado de algo. Ele se levantou de seu assento e começou a vasculhar as gavetas no canto da sala.
— Eu não chamei você para lhe perguntar isso. Eu por acaso consegui alguns roteiros. Queria que você viesse e os avaliasse.
Ele tirou vários roteiros grossos envoltos em envelopes pardos e os colocou sobre a mesa.
Quatro roteiros foram espalhados na frente de Cheongyeon. Os olhos de Cheongyeon brilharam com um olhar confuso.
Roteiros chegaram a esta altura? Neste ponto, ele estava lutando para conseguir até mesmo um papel menor sem falas?
Como diabo.
— Você está dizendo que todos estes chegaram sob o meu nome?
Cheongyeon abriu os envelopes e começou a verificar os roteiros como se não pudesse acreditar.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna