↫─Capítulo 33
Capítulo 33
Doheon franziu o cenho, tocando a própria testa e balançando a cabeça.
— É tudo por culpa de quem que minhas costas e estômago estão me matando agora. Me deixe beber em paz.
— O que devemos fazer, Diretor-nim?
— …Deixem-no.
Aproveitando a oportunidade, Cheongyeon se inclinou em direção a Doheon, pressionando-o.
— Será que só eu estou com dor assim? Isso é normal?
— O que é.
— É normal que meus ossos ranjam toda vez que ando?
— Se está tão ruim assim, você deveria ter dito que estava com dor em vez de beber. Teria te levado ao hospital imediatamente.
A voz de Doheon suavizou um tanto com as palavras de Cheongyeon de que estava com dor pelas sequelas da noite passada.
— O que eu diria ao Médico? “Fiz sexo demais com meu ex-marido durante meu ciclo de calor, e meu corpo inteiro dói. Acho que minha bunda desapareceu”, algo assim?
— Hm. É verdade. É melhor tomar um analgésico quando estiver sóbrio.
Ele estendeu a mão e tocou a testa de Cheongyeon. Surpreso com o contato físico inesperado, Cheongyeon recuou.
Conseguia sentir levemente seus feromônios Alfa no ar, o que era perturbador. Não estava ao ponto de seu corpo esquentar ou de não conseguir controlar seus feromônios como ontem, mas talvez por hábito antigo, ainda estava um pouco desconfortável com o toque.
— Talvez seja por causa do álcool, mas me sinto um pouco melhor do que antes. Mas realmente não posso ir embora hoje?
— Você ainda parece instável, então vá amanhã. Você não tem academia hoje de qualquer forma.
— Isso é verdade, mas…
Ele estava declarando com muita casualidade que não poderia sair desta casa hoje. Sua atitude era tão despreocupadamente confiante que Cheongyeon não pôde deixar de concordar.
Cheongyeon foi perdendo o fio da fala, incapaz de terminar a frase.
Pensando bem. Por que diabos deveria ficar nesta casa até hoje, como ele diz? Isso não é exagero demais?
Além disso, também estava curioso como Doheon sabia que estava frequentando a academia. Ele teria visto a notificação porque pagou com o cartão? Não achava que verificaria os extratos tão minuciosamente.
Cheongyeon olhou de soslaio para Doheon com um olhar suspeito. Naquele momento, o celular de Doheon começou a tocar.
Fosse uma ligação da empresa ou não, ele atendeu e se levantou do lugar, saindo da sala de jantar. Mesmo ao sair, não esqueceu de gesticular para o funcionário retirar o vinho.
Cheongyeon assistiu o funcionário correr para limpar a mesa e tomou o vinho restante direto da garrafa.
— Nossa…! O que vai fazer depois se beber tudo assim?
O funcionário ficou surpreso e perturbado com sua atitude, movida por uma frenesi para terminar a garrafa inteira aconteça o que acontecer.
— Que importa? Moon Doheon não está aqui.
Talvez porque havia enchido o estômago com álcool, não havia espaço para arroz. Cheongyeon, que havia esvaziado uma garrafa de vinho, se levantou do lugar sem vergonha.
— Ah! Fiz a cama no segundo andar. Também tirei uma escova de dente nova e produtos de banho no banheiro, os que você sempre usava, então por favor verifique e me diga se precisar de mais alguma coisa.
Cheongyeon sentiu sonolência por causa do álcool e momentaneamente teve o pensamento ingênuo de subir ao quarto e tirar uma soneca, como ela havia sugerido. No entanto, logo sentiu uma sensação de desconforto e parou seu corpo, que estava se dirigindo para o quarto.
Ela fez a cama e encheu o banheiro com os produtos que ele sempre usava?
Ele não era mais membro desta casa, nem morava aqui. Agora estava em um estado em que era ambíguo até chamá-lo de hóspede.
Mas por que as pessoas desta casa continuavam a tratá-lo como sempre haviam feito? Como se nada tivesse mudado.
O quarto estava igual a quando costumava morar lá, e nenhuma das suas roupas ou pertences pessoais havia sido jogado fora, permanecendo em seus lugares originais. Era um espaço que era ao mesmo tempo muito familiar e que queria esquecer.
Será que era realmente o único nesta casa que sentia que a situação era estranha?
Cheongyeon mudou de ideia e decidiu não subir ao quarto. Por alguma razão, dava-lhe arrepios voltar obedientemente para lá e dormir.
Sua visão estava levemente turva, então parecia impossível ir para casa imediatamente. Não precisava ficar até amanhã como Doheon disse, mas precisava de tempo para se recuperar do álcool.
Depois de ponderar por um tempo o que fazer, Cheongyeon decidiu assistir a um filme e se virou, entrando na cozinha. Quando abriu o armário, encontrou os salgadinhos que costumava comer com frequência, empilhados como estavam.
Sabia que os funcionários limpavam meticulosamente a cozinha e a geladeira pelo menos duas vezes por semana, mas não haviam limpado aqui. Não, parecia até que havia mais salgadinhos do que quando deixou a casa. Não havia como Doheon, que não comia salgadinhos a não ser em refeições, ter mudado seu gosto nesse meio tempo.
— De qualquer forma, essa maldita casa. Como está funcionando assim…
Cheongyeon murmurou para si mesmo com uma pronúncia ligeiramente arrastada. Então, pegou uma coca cola zero e alguns salgadinhos e foi para a sala de estar.
Sentando no sofá da sala, rasgou todos os pacotes de salgadinhos e os espalhou, comendo sem se importar se migalhas caíam, e começou a escolher um filme para assistir na TV.
— Ele não está bêbado demais?
— Não deveríamos dizer ao Diretor-nim…?
Os funcionários, com rostos perturbados, começaram a sussurrar com a atitude incomum de Cheongyeon, que nunca haviam nem imaginado antes.
Pareciam achar que Cheongyeon estava agindo assim porque estava bêbado, mas Cheongyeon estava mais lúcido do que nunca, mesmo que seu corpo estivesse cansado.
Estava simplesmente tomado pela injustiça de por que nunca havia conseguido assistir a um filme confortavelmente na sala de estar, mesmo tendo morado nesta casa por três anos. Estava ressentido por ter ficado tão ansioso sobre como Doheon o veria nesta casa grande e bonita, e nunca ter conseguido relaxar e ficar à vontade como quisesse.
Ele me disse para ficar aqui e ir, então. Ele não diria nada se eu assistisse a um filme na sala de estar, diria? Se disser alguma coisa, é só eu ir embora. Não estou mais em posição de me preocupar em ser expulso.
Cheongyeon escolheu um filme de romance que havia sido lançado recentemente. Lembrou que o Professor da sua academia de atuação o havia elogiado tanto, dizendo que seria bom assistir para fins de estudo.
Era um filme sobre a vida do protagonista dos onze aos dezoito anos, e a história se desenrolava com o cenário de uma escola. Ouviu dizer que três atores, dois atores infantis e um ator adulto, interpretaram o crescimento de um único personagem.
Era um romance calmo e leve, longe de ser uma obra séria, mas tinha uma boa recepção pela crítica.
Para criar uma atmosfera de cinema, Cheongyeon apagou todas as luzes da sala de estar. A TV era tão grande que realmente parecia estar em um cinema.
À medida que a história da infância do protagonista começou, Cheongyeon arregalou os olhos para afastar o álcool e se concentrar na tela.
Naquele momento, Doheon, que parecia ter terminado a ligação, saiu do escritório para a sala de estar. Ele descobriu Cheongyeon sentado no sofá escuro da sala, comendo salgadinhos e assistindo a um filme do nada, e se aproximou.
Em vez de perguntar o que ele estava fazendo, sentou-se a uma distância razoável de Cheongyeon e começou a assistir ao filme silenciosamente.
— ……
Cheongyeon fingiu não vê-lo e continuou comendo seus salgadinhos.
O protagonista do filme era um Ômega de uma família bastante rica e havia frequentado uma escola privada desde o ensino fundamental. Havia uma cena em que crianças de famílias ricas estavam usando uniformes e tagarelando, compartilhando suas preocupações umas com as outras.
Além das preocupações sobre desempenho acadêmico, caminhos profissionais e romance que eram comuns entre seus pares, também tinham discussões bastante sérias sobre negócios, como convinha a filhos de famílias ricas.
— Não tenho interesse no negócio dos meus pais. Também não quero segui-los para Yale.
— Então o que você vai fazer?
— Vou abrir meu próprio caminho! Espere só.
— Não seja ridículo. Abra seu próprio caminho no romance primeiro.
— É isso mesmo, Jason o covarde. Como pode abrir seu próprio caminho na vida quando não consegue nem se confessar para a pessoa que gosta?
— Estou falando sério!
…Que crianças bem-humoradas. Estar tão confiantes assim.
Cheongyeon deu uma risadinha enquanto assistia às crianças em uniformes de escola privada na tela. A atuação era tão natural para atores infantis que ele continuava focando na história em vez dos atores.
Depois de ficar imerso demais no filme em seu estado levemente embriagado, de repente se perguntou como eram os dias de escola de Doheon. Pensando bem, mal havia ouvido Doheon falar sobre sua infância.
Cheongyeon virou a cabeça em direção a Doheon, que estava sentado ao lado, e o fitou intensamente.
— O quê.
Ele perguntou depois de um momento, sentindo seu olhar.
— O Diretor-nim também foi a uma escola assim quando era jovem?
— Uma escola como qual?
— Um lugar onde filhos de ricos vão. Onde usam uniformes desde o ensino fundamental, e as instalações da escola são incríveis.
— Parecido. Mas não desperdicei meu tempo com romances tão triviais.
Ele deu de ombros e respondeu como se estivesse falando sobre o assunto de outra pessoa. Cheongyeon colocou mais um salgadinho na boca e inclinou a cabeça como se não pudesse entender.
— Romance é trivial? Então com o que você gastou seu tempo?
Normalmente, todo mundo tem esse tipo de preocupação nessa idade, não é? Bem, Moon Doheon se preocupando com romance. Não combinava com ele.
Mesmo que fosse jovem, se tivesse sido desesperado quanto ao romance, de alguma forma ele também não teria gostado…
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna