↫─Capítulo 21
Capítulo 21
Enquanto Cheongyeon começava a andar, Doheon o seguia devagar com as mãos atrás das costas.
— Os dois.
— Você colecionou bastante peças também. Lembro que tinha um interesse considerável.
— Eu só fingia gostar porque não queria parecer um Ômega Recessivo sem cultura. Se eu tivesse algumas pinturas caras, as pessoas poderiam pensar: “Ah, ele entende de algo”, e me achariam um pouco impressionante, mesmo que fosse só aparência.
Levando em conta que estava revelando um segredo que havia guardado por três anos, Cheongyeon estava surpreendentemente calmo. Não sentia nenhum alívio em particular, nem se sentia culpado.
Doheon, que vinha seguindo atrás de Cheongyeon, havia se deslocado para o lado dele e começado a caminhar ao seu lado.
— Se está dizendo tudo isso porque não quer ir comigo, pode ir sozinho.
Essa consideração, embora tocante, fez Cheongyeon querer rir.
— Não. Realmente não tenho nenhum interesse. Naquela época, eu queria impressionar o Diretor Doheon e chamar sua atenção, então fingia gostar de coisas que odiava. Até menti dizendo que odiava coisas de que realmente gostava.
Cheongyeon não gostava de caminhar ao lado de Doheon, então parou por um momento para deixá-lo passar à frente.
— E achei que era pelo bem do Diretor Doheon. A verdade é que não entendo nada de arte.
— Por quê?
Doheon, tendo cedido a dianteira, virou-se abruptamente e olhou para baixo, encarando Cheongyeon.
— Por que você mentiria pelo meu bem?
— ……
No momento em que seus olhos se encontraram, seu rosto pareceu tão bonito que Cheongyeon sentiu náusea.
Cheongyeon era fraco diante de rostos tão limpos e precisos. Era um rosto perfeito, sem nenhuma falha a ser encontrada.
Sentiu-se tolo e patético por ter tais pensamentos naquele momento, mesmo depois de estar tão cansado de viver com Doheon a ponto de chegar ao divórcio.
— Diga-me. Eu nunca pedi que fizesse isso, então por que fez?
Certo. Ele sabia que diria algo tão grosseiro. Talvez porque não tivesse expectativas, Cheongyeon nem mesmo ficou com raiva das palavras frias de Doheon.
— O Diretor Doheon está certo.
Em vez de ficar com raiva, Cheongyeon deu uma gargalhada.
— Olhando para trás, acho que menti para mim mesmo, não pelo Diretor Doheon.
Doheon ficou momentaneamente sem palavras diante do sorriso inocente de Cheongyeon. O cabelo de Cheongyeon brilhava como ouro sob o sol forte. Seu rosto pálido e esguio parecia de cera.
Quando estava prestes a abrir a boca para dizer algo, um funcionário se aproximou deles.
— Ela acordou.
Cheongyeon verificou a hora. Já havia trinta minutos desde que a Avó havia adormecido.
Para ver a Avó, Cheongyeon voltou rapidamente pelo caminho que havia percorrido.
Desta vez, não ouviu nenhum passo o seguindo.
—
— Me deixe aqui, por favor.
Cheongyeon apontou para a estação de metrô que estava começando a aparecer à vista.
— Sua casa fica em frente à estação?
— Tenho que caminhar uns quinze minutos daqui.
O caminho até sua nova casa era tão sinuoso e estreito que era impossível chegar de carro. Era mais rápido ir a pé do que de carro.
— É bem longe.
Doheon, que estava prestes a girar o volante, parou diante das palavras de Cheongyeon.
— Pode me deixar aqui mesmo. De qualquer forma, não dá para chegar de carro.
— Qual direção é?
Doheon perguntou teimosamente pela direção exata.
— Ali, aquela rua estreita.
O lugar que Cheongyeon apontou era muito mais isolado e apertado do que o beco que levava à casa de Kim Ji-han.
Cheongyeon pensou que ele desistiria e iria embora se mostrasse que não era possível ir de carro, mas Doheon olhou para a estrada escura sem dizer uma palavra.
Contrariando o pedido de Cheongyeon, ele estacionou o carro em frente a um prédio comercial na via principal. Era uma noite de fim de semana, então o espaço em frente às lojas fechadas era amplo o suficiente para estacionar vários carros.
— Por, por que está saindo?
Cheongyeon olhou ao redor, confuso, enquanto Doheon saía do carro sem dizer nada. Um momento depois, ele contornou o carro e abriu a porta do passageiro dianteiro onde Cheongyeon estava sentado.
— Vou te acompanhar até sua casa. Parece perigoso, não posso deixar você ir sozinho.
— …Tem tanta gente aqui, o que é perigoso?
Cheongyeon franzio o cenho ao sair do carro, como se não entendesse. Doheon apontou com o queixo para o beco que Cheongyeon havia mencionado.
— Ali não tem ninguém.
— ……
Só então Cheongyeon fitou a estrada sombria. É claro que havia postes de luz, mas como não estava familiarizado com aquele bairro, ainda relutava em caminhar sozinho à noite.
Além disso, sua casa não ficava naquele beco, mas mais para dentro. E os arredores ficavam cada vez mais escuros e sinistros conforme ele avançava. Cheongyeon não conseguia negar as palavras de Doheon, pois havia se assustado e olhado para trás toda vez que entrava em sua nova casa depois do pôr do sol.
Quando foi ver a casa pela imobiliária, era sempre durante o dia, então não havia considerado como seria o caminho à noite.
Doheon abriu o porta-malas e retirou os pacotes de vários suplementos nutricionais e medicamentos à base de ervas que a Avó havia preparado para Cheongyeon. Conhecendo a personalidade de Doheon, ele não conseguiria deixar Cheongyeon carregar tudo sozinho. Por mais que Cheongyeon se recusasse, ele era o tipo de pessoa que de alguma forma carregaria tudo até a porta da casa.
— Me dê um.
Cheongyeon foi até o lado de Doheon e estendeu a mão.
— Não há necessidade.
Doheon recusou com firmeza. Os olhos de Cheongyeon se estreitaram.
Está fazendo alarde mesmo quando estou tentando ajudá-lo. Agora que penso bem, não há nada que eu goste nele. Exceto o rosto, o corpo e o dinheiro.
— …O Secretário Shim não veio hoje.
Cheongyeon abriu a boca sobre um assunto trivial porque não gostava do silêncio constrangedor enquanto caminhava ao lado dele.
— Dei a ele férias esta semana.
— Ah.
— Por quê? Sente saudade dele?
— Eu, saudade do Secretário Shim?
— Pensei que você pudesse ter criado um vínculo depois de passar um dia juntos.
Cheongyeon se surpreendeu e virou a cabeça em direção a Doheon. Olhou para o rosto dele, mas era difícil ver sua expressão porque o beco estava escuro.
Ele estava brincando ou era sério? Era bastante embaraçoso porque ele não era do tipo a dizer coisas frívolas. As pessoas dizem que quando alguém muda repentinamente, é sinal de que está prestes a morrer.
— Os arredores estão muito escuros. Seria perigoso caminhar sozinho à noite.
Independentemente de Cheongyeon estar horrorizado ou não, ele murmurou enquanto observava os prédios sinuosos e densamente construídos.
— Já estamos quase lá.
A cada passo, o caminho parecia ficar mais escuro. Isso porque havia postes antigos que não funcionavam em alguns lugares.
— Ah, Diretor Doheon! Cuidado com o cocô aqui.
Cheongyeon, que havia estado caminhando diligentemente, gritou quando algo de repente veio à mente. Doheon parou abruptamente ao ouvir isso.
— Cocô?
— É. Alguma pessoa sem consideração passeou com o cachorro e não recolheu o cocô, então está aqui há dias.
— Tem cocô no beco?
Doheon perguntou novamente, como se não conseguisse acreditar.
— São completamente sem consideração. Quem acham que vai limpar depois do cachorro deles? Está vendo aquilo? Aquele caroço preto é cocô de cachorro.
— ……
De fato, havia fezes, presumivelmente de um cachorro grande, no local que Cheongyeon estava apontando. A boca de Doheon ficou tensa como se estivesse um tanto chocado. Como se estivesse enojado, ele rapidamente desviou o olhar para outro lugar.
Cheongyeon, que percebeu os músculos da mandíbula dele se contraindo de forma estranha, sentiu vontade de rir.
— Diretor Doheon, nunca pisou em cocô de cachorro antes?
Cheongyeon, que mal conseguiu conter o riso, perguntou em um tom calmo. E os dois começaram a caminhar novamente.
— Não sei.
Doheon ficou em silêncio por alguns segundos, como se estivesse tentando se lembrar com seriedade.
— Acho que não.
É. Sabia. Deve ter pisado apenas em estradas de seda a vida toda.
Cheongyeon zombou interiormente.
— E você?
— Eu o quê?
— Já pisou em cocô na rua?
Cheongyeon ficou envergonhado de ele estar fazendo tal pergunta, mas respondeu com honestidade.
— Já pisei muitas vezes.
— Deve ter estragado bastante sapato.
— Por que eu jogaria fora sapatos perfeitamente bons?
— Você não joga fora?
Ah, devo explicar isso em detalhes? Devo? Preciso descrever a situação depois de pisar em cocô passo a passo?
Um breve conflito surgiu, mas logo o lado que queria explicar venceu. Quando mais teria a oportunidade de agir como se o conhecesse bem, se não agora? A reação incomumente ativa dele também era interessante.
— Se for demais ou se o sapato já estiver velho, posso jogar fora… mas não jogo fora sapatos que têm só um pouquinho. Todo mundo lava no banheiro da escola e vai para a aula. Ou coloca num saco plástico e lava em casa.
Depois de terminar a explicação, a nova casa finalmente apareceu à vista.
— Já estamos quase chegando.
— Você disse isso antes também.
— Desta vez é de verdade.
Em pouco tempo, os dois chegaram ao destino. Assim que ficaram em frente à entrada do apartamento, Cheongyeon estendeu a mão para Doheon como se pedisse a bagagem. Não tinha intenção de deixá-lo entrar na casa.
— Obrigado por me trazer até aqui. Vou entrar sozinho agora. Dirija com cuidado na volta… Ugh!
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna