Capítulo 45
↫─Capítulo 45
— Realmente faz diferença se chover?
Lau disse com indiferença enquanto abria o portão e saía. O motorista, que chegara mais cedo e estava carregando as malas dos outros, aproximou-se rapidamente e pegou a bolsa de viagem de Lau.
As obras e equipamentos para a feira de arte já haviam sido enviados como carga, então bastava que cada um levasse apenas seus pertences pessoais. As roupas de todos também eram confortáveis. Por causa disso, pareciam mais um grupo de pessoas saindo de férias do que em uma viagem de negócios.
— Há notícias de temporal. Se cair um pé d’água, o trânsito vai ficar caótico.
Yuni, que respondeu brevemente, despediu-se de Yihyun e entrou no carro primeiro.
O motorista ainda estava carregando a bagagem. Ainda restava tempo para mais uma despedida.
Lau segurou a mão de Yihyun com uma das mãos e acariciou sua bochecha com a outra.
— Se qualquer coisa acontecer, entre em contato com os vizinhos imediatamente.
— O que poderia acontecer?
— É a sua primeira vez morando aqui sozinho. Quando se está só, até as pequenas coisas podem ser embaraçosas e tudo mais.
— Se algo acontecer, não serei tolo e contatarei os vizinhos na hora.
— E a mim.
— Sim, eu contatarei o Kūn também.
— Se você não me disser porque acha que vou me preocupar…
— Eu sei. Isso é mais preocupante, certo?
Foi uma série de respostas corretas. Lau teve que admitir que não tinha com o que se preocupar. Ele relaxou, sorriu e abriu os braços para Yihyun.
— Venha aqui. Vamos nos abraçar uma última vez.
Lau, que envolveu a cintura de Yihyun enquanto este se aproximava, encostou as costas na porta do passageiro da van. Ele sentiu o calor do corpo de Yihyun tocando seu abdômen inferior de forma agradável, beijou sua testa e a ponte do nariz, e então desceu para lhe dar um beijo curto no lábio superior.
Zheeeng.
A janela da segunda fileira baixou e Yuni, com uma expressão amarga, mostrou o rosto. Ela apoiou o braço no batente da janela e deu tapinhas na lataria do carro com a palma da mão, dizendo:
— Ei, casal. Mantenham a moderação.
Yihyun tentou sair dos braços de Lau empurrando seu peito, mas a tentativa falhou.
Lau esfregou o nariz no de Yihyun e disse a Yuni sem olhar para ela:
— Eles ainda estão carregando a bagagem.
— Se você está falando do nosso motorista, ele já terminou de carregar tudo e está sentado no banco do motorista, sabia?
— …….
Só então Lau olhou para o interior do carro. Como Yuni dissera, o veículo estava pronto para partir.
Lau, que apertou os olhos embora não houvesse luz solar, disse a Yihyun com uma voz carregada de amargura:
— Eu tenho que ir.
— Tudo bem, volte em segurança.
Lau entrou no banco do passageiro, baixou a janela e acenou. Yihyun também acenou de volta, dando um passo para trás para que a van pudesse se mover facilmente. E ele seguiu lentamente a van enquanto ela saía de ré do terreno vazio.
A van entrou na estrada e seguiu em frente sem demora. E parou em um semáforo no primeiro cruzamento, a cerca de 30 metros de distância. Yihyun, parado em frente à galeria, olhou para a traseira do carro com as duas mãos nos bolsos traseiros do jeans.
De repente, um braço comprido saiu pela janela do passageiro e acenou. Era Lau. Yihyun riu e balançou a cabeça.
Logo o sinal mudou e a van não era mais visível. Yihyun esfregou a nuca e virou-se lentamente.
Eles nunca haviam passado um único dia separados nos meses após o casamento. Era impossível para Yihyun não sentir nada com essa separação. Mas graças à expressão exagerada de arrependimento e tristeza de Lau primeiro, as emoções de Yihyun não transbordaram. Por causa de Lau, que reclamou diretamente que não queria ir, seus sentimentos ficaram mais leves e ele acabou rindo. Como sempre.
Ele passara por inúmeras despedidas enviando Lau de volta para Seul quando estava em Paris. Agora eles tinham anéis nos dedos anulares esquerdos e eram legalmente casados. Ele estava confiante de que não se deixaria abater por ficar separado por cerca de 5 noites e 6 dias.
— Quando você estiver passando por um momento difícil, mental ou fisicamente, o melhor é tentar manter o mesmo padrão de sempre. —
Era o conselho de Lau que ele repetira como uma diretriz sempre que sentia que estava prestes a desabar desde seus dias em Paris. Ele não pensa profundamente sobre outras coisas. Ele silenciosamente faz o que pode fazer hoje. Nesta casa onde começou sua vida de casado com ele, tudo o que precisava fazer era manter firmemente seu lugar como sempre.
Yihyun, que entrou pelo portão e trancou a porta com segurança, seguiu direto para o ateliê.
Ele se preparou para o trabalho como de costume. O trabalho do dia sempre começava soltando as mãos com um desenho enquanto se sentava à mesa da janela. Era a maneira do próprio Yihyun de reviver e continuar as emoções e a imersão do trabalho que fizera ontem.
Yihyun, que estava desenhando a cadeira vazia colocada à sua frente, às vezes mordia o lábio inferior com força e sacudia o pulso. Ele também mudava a posição de sentar na cadeira.
Era um sinal de que algo não estava saindo como ele queria.
Ele se sentia sufocado por algum motivo, então verificou a temperatura configurada no ar-condicionado. Estava na mesma temperatura de sempre.
Claro, havia dias assim. O trabalho não podia fluir perfeitamente todos os dias. Ainda assim, se ele continuasse desenhando persistentemente por uma ou duas horas, haveria um momento em que seus sentidos seriam liberados. Ele ia mover as mãos silenciosamente enquanto esperava por esse momento.
Mas hoje não parecia fácil. Em um instante, sentiu como se a energia estivesse se esvaindo do centro de seu corpo, e sua coluna sentiu um calafrio. Suor brotou em suas têmporas. Era incomum.
Não era apenas um dia em que o trabalho não ia bem; ele sentia que não estava passando bem de saúde.
Yihyun largou o lápis.
Ele o tranquilizara dizendo que não o preocuparia, mas estava nesse estado assim que ele partiu.
Se fosse o normal, ele teria ignorado esse sinal. Teria tomado um remédio e se forçado a trabalhar. Mas ele se sentia incomodado com a promessa que fizera a Lau de não exagerar e não deixá-lo preocupado. Quer ele soubesse ou não, não queria fazer nada que o deixasse apreensivo e triste.
Pingo, pingo.
O som de gotas grossas de chuva caindo uma a uma foi ouvido e, logo, transformou-se em um temporal que embaçou o mundo do lado de fora da janela, shwaaaaa. Foi instantâneo.
Yihyun fechou o caderno de desenhos. Pegou o guarda-chuva que estava sempre preparado no ateliê e voltou para casa.
A casa que Lau deixara estava silenciosa. Originalmente, Yihyun também estava programado para acompanhá-lo a Hong Kong, então ele deu férias à governanta para coincidir com o período. Yihyun estava completamente sozinho por 5 noites e 6 dias.
Ele tomou um remédio forte para resfriado na cozinha e foi direto para o quarto. Pensou que ficaria bem se tirasse uma boa soneca. Quando Lau chegasse a Hong Kong, ele já teria recuperado sua condição e seria capaz de atender o telefone com uma voz normal.
Dirigiu-se ao closet para vestir o pijama. Tirou a camiseta, jogou-a no cesto de lavanderia e virou-se para procurar o pijama.
Naquele momento, de repente, um aroma fez Yihyun parar.
Esquecendo por um instante que não estava se sentindo bem, Yihyun aproximou-se da fonte do perfume. Como se atraído por algo invisível.
O closet fora o lugar onde tivera seu primeiro heat com Lau. Como não fora na cama onde sempre faziam sexo, a experiência ali ficou guardada como uma memória mais intensa.
Enquanto ansiava por sexo com ele, Yihyun fugira para cá porque o desejo constante era doloroso. Mas fora inútil.
— João e Maria? —
Lau, que afastara as camisas penduradas no cabide, agachou-se e inclinou a cabeça, dizendo aquilo.
Yihyun cerrou e abriu os punhos porque suas mãos pareciam dormentes.
As camisas de Lau estavam densamente penduradas no primeiro e segundo níveis do cabideiro. Agora, cinco delas estavam vazias. Porque ele as levara consigo.
Ele mexeu em uma camisa branca limpa, então agarrou a manga e a levou ao nariz. Foi uma ação não intencional.
Aquele foi o momento.
Whoosh.
Uma grande quantidade de suco do amor jorrou de entre suas pernas. Literalmente, como se estivesse despejando.
Do lado de fora da janela, o temporal dançava como ondas.
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A sala de espera perto do portão de embarque no Aeroporto Ngurah Rai.
Lau, parado junto à janela, encarava o pátio onde o avião esperava e a pista além, com as mãos nos bolsos da calça. Uma garoa, com sua força enfraquecida, voava sobre o chão brilhante e encharcado pela chuva.
Não muito tempo depois de sair de casa, o temporal começara a cair e, como Yuni previra, o trânsito ficara mais pesado conforme desciam de Ubud e se aproximavam do centro. Mas eles saíram com bastante antecedência, então conseguiram chegar ao aeroporto sem dificuldades.
Ele estava preocupado com a possibilidade de um atraso, mas, felizmente, a chuva diminuíra em Denpasar, onde o aeroporto se localizava, embora não soubesse sobre outras áreas. Não houve atraso.
Lau e seu grupo, que descansaram um pouco no lounge, dirigiram-se ao portão no horário de embarque.
Os funcionários, animados com a viagem de negócios ao exterior, conversavam alegremente nas cadeiras ao fundo. Falavam principalmente sobre restaurantes famosos, pubs com boa atmosfera e clubes em Hong Kong. Também havia conversas ocasionais sobre as grandes galerias participando desta feira. Todos, exceto Yuni, incluindo Michelle, estavam visitando Hong Kong pela primeira vez, então pareciam ter grandes expectativas. Lau sorriu levemente ao ouvir as histórias deles.
Ele se lembrou das memórias de visitar Hong Kong com Yihyun.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna