Capítulo 29
↫─Capítulo 29
3. Lua de Mel
— Kūn, Kūn! Vamos fazer ditado!
Uma criança correu até Lau, que estava pegando uma fatia de bolo e um pouco de leite na cozinha. O menino, agarrado à perna de Kūn, segurava um caderno fino em uma das mãos.
— Ditado? Tudo bem. Vá sentar-se à mesa.
A criança prontamente subiu na cadeira, ficando de joelhos.
O menino, chamado Leo, era vizinho de Lau e Yihyun. Filho de pai chef coreano e mãe pintora australiana, Leo nasceu em Bali e viveu aqui a vida toda. Graças a isso, ele falava coreano, inglês e até balinês.
Tendo começado a aprender a escrever recentemente, o garoto estava obcecado por ditados. De certa forma, era mais fácil do que antes, quando ele precisava que brincassem com ele fisicamente.
Lau colocou o bolo e o leite ao lado do caderno da criança e sentou-se à frente dele. O menino ergueu o lápis bem alto e gritou.
— Número um!
— Certo, número um. O que devemos fazer…. Hum, bolo.
A criança, que estivera encarando apenas os lábios de Lau com olhos brilhantes, moveu o lápis com uma expressão confiante assim que a palavra foi dita. Apoiando o queixo nas mãos com os cotovelos sobre a mesa, Lau sorriu em silêncio enquanto olhava para o topo da cabecinha pequena e brilhante do menino.
Após o casamento, Lau e Yihyun se mudaram para cá, para Bali, especificamente para Ubud, exatamente como haviam planejado. Isso já fazia cinco meses. Leo, que nem conseguia cumprimentá-los direito e se escondia atrás das pernas dos pais quando se conheceram, agora era um amigo próximo de Lau e Yihyun.
— Bolo!
O menino mostrou a Lau as letras escritas de forma torta.
— Correto! Leo, você é incrível. Bolo era uma palavra difícil.
— Não é difícil. Bolo é fácil.
— Aqui, já que você acertou, coma um pedaço de bolo.
Lau pessoalmente pegou com um garfo um pedaço do bolo que trouxera para o lanche e o colocou na boca da criança. Lau estava um pouco surpreso com o garoto, que estava tão focado no ditado mesmo com seu bolo favorito à frente.
— Tudo bem, a próxima é a número dois…. O que devo te dar para a número dois?
— Dê uma palavra difícil! Uma difícil!
Que palavra poderia satisfazer o desejo da criança de conquistar um problema difícil, mas não ser tão difícil a ponto de ele não conseguir acertar…. Lau olhou ao redor e ficou pensativo.
Foi então que se ouviu uma vozinha choramingando.
— Acho que o Parang acordou!
Leo gritou antes que Lau pudesse. Os dois se levantaram de seus assentos quase ao mesmo tempo.
No tapete e no acolchoado que ocupavam o centro da sala de estar, um bebê pequeno chorava, agitando os braços e as pernas enquanto estava deitado de bruços.
— Parang-ah, nosso Parang, você dormiu bem?
O choro do bebê silenciou ao ouvir a voz de Lau. Lau baixou o corpo para primeiro mostrar o rosto ao bebê. Olhos escuros e úmidos piscaram e estudaram o rosto de Lau.
— Você dormiu bem e até virou sozinho?
— O Parang quer ir nadar?
Leo, que se aproximara de Lau, perguntou enquanto observava o bebê com olhos cheios de interesse.
O bebê sabia rolar, mas ainda não conseguia engatinhar. A visão dele agitando os braços e as pernas de bruços deve ter parecido que ele estava tentando nadar para Leo.
— Não é isso, é porque ele quer engatinhar para frente. Ele estará engatinhando por todo lado logo. Certo, Parang-ah?
Como o choro do bebê aumentou novamente, Lau ergueu o corpinho em seus braços. Desta vez, Leo falou com voz preocupada.
— Acho que o Parang ficou com medo porque não havia ninguém aqui.
— Eu sei. Ele deve ter se assustado.
Lau acalmou o bebê com bastante habilidade. Normalmente ele já teria parado de chorar agora, mas, por algum motivo, sua agitação não diminuiu mesmo com o balanço suave.
— Parang-ssi, você dormiu bem, então por que está de tão mau humor? Hum?
Enquanto balançava o bebê e encostava o nariz em seu cabelo perfumado, Lau verificou a fralda primeiro. A estrela amarela na parte externa da fralda tinha ficado azul. Era o sinal de que o bebê tinha feito xixi.
— Então o problema era a fralda. Vou trocá-la para você agora mesmo.
— Uma fralda? Devo ir pegar uma fralda?
Leo perguntou, com os olhos brilhando como se estivesse esperando por isso. O menino sempre queria fazer algo pelo bebê. Leo, que costumava ser um pequeno tirano, era muito cuidadoso quando se tratava do bebê.
— Você faria isso?
De uma bolsa de fraldas não muito longe dali, Leo rapidamente tirou uma fralda nova e a trouxe.
— Obrigado, Leo.
Deitando cuidadosamente o corpinho de novo, Lau entregou ao bebê um boneco que estava jogado no acolchoado. O coelho azul-celeste de orelhas longas era o objeto de conforto do bebê. Desde que aprendera a rolar, ele se esforçava para virar o corpo assim que era deitado, então algo era necessário para prender a atenção do bebê enquanto sua fralda era trocada.
Leo ajoelhou-se calmamente ao lado de Lau, com os olhos fixos no bebê.
— Ele fez cocô? Parang, você fez cocô?
— Não. Ele fez xixi.
— Ah, que chato.
Lau caiu na gargalhada diante do Leo decepcionado.
— Leo, você gosta mesmo de falar sobre cocô, não gosta?
— É engraçado.
Lau não conseguia entender que parte disso era engraçada, mas sentia que sabia bem o suficiente que crianças em todo o mundo eram entusiastas desse tipo de assunto.
Após colocar uma fralda nova sob o bumbum do bebê, Lau tirou a que ele estava usando, fazendo contato visual com o pequeno e sorrindo afetuosamente.
— Será que este Parang fofo também vai gostar de falar sobre cocô quando for grande como o Leo?
— Claro!
Leo respondeu com orgulho, como se fosse algum rito de passagem glorioso. Com isso, Lau não pôde evitar rir novamente.
Depois de tirar a fralda pesada e antes de colocar a nova, Lau abanou o bebê por um momento. Era para evitar assaduras.
— Eu posso fazer isso também? Posso fazer?
— Você quer tentar?
— O Parang vai ficar bem se eu fizer?
Leo parecia preocupado em machucar o bebê, mas também parecia querer tentar.
— Isso é algo que você pode fazer, Leo. Quer tentar?
— Sim!
Segurando o cabo com sua mão pequena, Leo balançou o leque com muito cuidado.
— Kūn, quando o Parang vai poder falar?
— Bem, ele só consegue balbuciar por enquanto. Teremos que esperar um pouco mais, eu acho.
— Quero que ele cresça logo para podermos brincar juntos.
— Você vai cuidar bem dele, certo, Leo?
— Claro! Vou mostrar a ele todos os lugares divertidos para brincar e todos os lugares perigosos para não brincar!
— Você parece tão confiável. O Parang tem tanta sorte. Por ter um hyung como o Leo.
— Sim, eu sou o hyung dele. Então eu tenho que proteger o Parang.
Lau acariciou o cabelo macio de Leo e olhou para ele com carinho.
— Eu vou dar meu bolo, meus brinquedos, tudo pelo Parang!
Era incrível que até uma criança tão pequena pudesse ter tais pensamentos pelos outros. As palavras do menino, ditas com sinceridade e sem qualquer cálculo de ganho pessoal, emocionaram Lau.
Lau depositou um beijo gentil no cabelo de Leo.
— O Parang é o menino mais sortudo de toda Bali.
— Por causa do Leo?
— Sim, por causa do Leo.
A criança olhou para Lau, encontrou seus olhos e sorriu brilhantemente sem qualquer hesitação.
Depois que terminou de abanar, Lau colocou cuidadosamente a fralda nova no bebê. Ele verificou se a cintura não estava muito frouxa e ajeitou as bordas das pernas corretamente para evitar vazamentos. Mesmo para si mesmo, parecia que agora ele estava bastante acostumado com este procedimento.
— Minha mãe e meu pai disseram que você cuidar do bebê é ilhuilbi.
— Ilhuilbi?
Os olhos de Lau se arregalaram com as palavras de Leo enquanto ele perguntava de volta.
— É, melhorando a cada dia.
— Ah…
Sendo ainda jovem e usando uma mistura de várias línguas, Leo às vezes cometia erros fofos que alegravam os adultos.
— De qualquer forma, isso significa que eu melhorei em cuidar do Parang, certo?
— Sim!
— Então a palavra que sua mãe e seu pai provavelmente usaram foi ilchwiwoljang, não acha?
— Isso! Foi essa!
Ilchwiwoljang, ilchwiwoljang…. Depois de repetir a palavra algumas vezes, Leo inclinou a cabeça e olhou para Lau.
— Então o que é ilhuilbi?
— Hum, é uma palavra um pouco difícil…. Ilhuilbi é um sentimento de estar feliz, mas também triste. É também quando coisas felizes e coisas tristes acontecem uma após a outra. Pode ser um pouco difícil para você entender, Leo.
— Eu sei o que é.
— Você sabe?
— Quando eu como bolo, fico feliz porque é delicioso, mas também fico triste porque ele está sumindo aos pouquinhos.
— Isso mesmo. É exatamente isso que é ilhuilbi. Leo, você é tão esperto.
Quando Lau acariciou sua cabeça com uma expressão surpresa, Leo sorriu orgulhoso.
Quando chegou a hora de vestir a calça após a troca de fralda, o bebê começou a ficar agitado de novo. Parecia que sua paciência havia acabado. Lau apressou o passo enquanto acalmava o bebê.
— Nosso Parang estava tão entediado. Já acabou, já acabou…. Pronto!
Quando Lau o ergueu após vestir a calça, o bebê chutou as pernas e deu risadinhas. Seu humor parecia ter se recuperado completamente após a troca de fralda. Lau ajustou o modo de segurá-lo para que o bebê ficasse confortável e levantou-se.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Othello&Belladonna