Capítulo 27
“O fato de um Gamma estar grávido… isso é extremamente perigoso.” O médico continuou a falar rapidamente, com o embaraço visivelmente estampado no rosto. “Você não sabe? Além do Gamma ter sofrido uma mutação, se ele chegar a dar à luz um filho… a pior situação possível vai acontecer. Devemos tomar uma decisão antes disso. Rápido.”
Dominic também sabia o que o médico estava pensando. Se um Gamma sofresse uma mutação e ainda desse à luz um filho…
A maioria morre.
Dominic já sabia disso. Era um fato que todos sabiam. Por mais que tentassem disfarçar com as palavras ‘pior situação’, a palavra ‘morte’ não podia ser escondida.
Um Gamma que sofreu mutação e engravidou, na maioria das vezes, morre.
“Mesmo se for possível manter a gravidez, a probabilidade de surgir um problema no parto é alta demais. Se não desistirem do bebê agora, e caso a vida dele corra perigo durante o parto, você precisa decidir com antecedência quem irá escolher.”
Dominic olhou em silêncio para o rosto pálido do médico, que esperava por uma resposta.
Tudo o que ele disse estava dentro do esperado. No entanto, como não havia a intenção de desistir da criança desde o início, o parto estava decidido. O fato de que a chance de Juliet correr perigo no momento final era muito alta também era algo bem sabido.
A única coisa que saiu diferente do esperado foi que um fato do qual ele nunca tinha se dado conta de repente se tornou realidade e desabou sobre ele.
Juliet vai morrer.
Essa única frase esmagou o coração dele muito devagar e pesadamente. Com uma probabilidade altíssima, Juliet deixará este mundo. O próprio fato de um Gamma mutante ter engravidado já era quase um milagre. Não seria possível esperar por mais milagres.
Se for assim…
A pergunta que o médico fazia era exatamente essa.
Escolher a criança ou escolher o parceiro dele?
“Se eu disser que quero salvar o Juliet, as chances são altas?”
“Sim… O quê… O quê?”
A voz de Dominic não estava diferente do normal. Como se estivesse falando sobre o tempo, ele usou um tom tão calmo que o médico gaguejou, confuso, e rapidamente limpou a garganta. Sua voz estava repleta de constrangimento.
“Bem… Na verdade, isso também não é muito alto, mas se você escolher o seu parceiro, ainda assim é melhor do que manter a gravidez…”
Como se fosse difícil dizer para tirar a ideia de ter a criança, ele não conseguiu terminar a frase e desviou o olhar.
“Entendo”, disse Dominic, e fechou a boca.
Juliet vai morrer.
Juliet vai morrer.
Juliet vai morrer.
Juliet.
Vai morrer.
Naquele instante, foi como se uma onda intensa e fria como gelo tivesse sido jogada sobre todo o seu corpo.
…Ah, então era isso.
Só então Dominic percebeu.
Agora ele entendia. O motivo pelo qual aquela pessoa se matou seguindo o jovem amante.
Ele agora conseguia entender o que era o amor.
Se o sentimento que ele tinha por Juliet agora não era amor, então o que era?
O amor é outro nome para a obsessão. É o desejo por alguém que você não pode soltar nem mesmo na morte. Eu agora sei. Eu agora sei muito bem o que é o amor.
Pois eu também farei a mesma escolha que ele.
“……Faremos o seguinte.”
Dominic abriu a boca devagar. E o médico, ao ouvir a escolha dele, ficou sem palavras por um momento, mas acabou não tendo outra opção a não ser assentir com a cabeça.
***
……Dá para ouvir o choro de um bebê.
Juliet queria abrir os olhos que estavam fechados, mas não era fácil. Desde quando as pálpebras eram tão pesadas? Juliet tentou de tudo para levantar o corpo, mas não conseguia mover um único dedo. Enquanto engolia um gemido que saía pelos cantos dos lábios e arfava, a voz de um homem familiar chegou aos seus ouvidos.
“Acordou.”
Era a voz que ele menos queria ouvir neste momento. Também era o que lhe dizia que ele ainda estava vivo.
“Ugh…… ugh……” Juliet soltou um gemido com dificuldade.
Era estranho.
Como podia não ter força alguma em seu corpo inteiro? Era difícil até mesmo se virar para deitar. Para ele, que estava exausto num piscar de olhos após fazer um esforço enorme, o homem disse: “Já terminou?”
Era um tom de voz que não dava para saber se ele estava debochando ou se estava realmente curioso. Juliet, ainda com a respiração curta e o peito subindo e descendo, mal conseguiu abrir os olhos.
Demorou um pouco mais de tempo até que a visão turva ganhasse foco.
Lentamente, o homem entrou em seu campo de visão ampliado. O rosto descarado que ele nunca mais queria ver. Ele olhava para Juliet enquanto segurava algo nos braços.
O rosto de Juliet enrijeceu lentamente e todo o seu corpo começou a tremer. Observando aquela expressão em que se misturavam medo, nojo e horror, Dominic abriu a boca.
“Ashley Dominic Miller.”
Sua voz estava cheia de orgulho e satisfação.
Dominic se inclinou em direção a Juliet, que olhava para o embrulho com um olhar vago, como se ainda não tivesse caindo na real. Dentro do embrulho que Dominic segurava, um pequeno bebê se contorcia e chorava com uma voz fraca.
“Olha, é o nosso filho.” Com as palavras de Dominic, Juliet transferiu seu olhar vago para o rosto dele.
Dominic sorriu, estreitando seus longos olhos.
“Foi você quem deu à luz.”
“Ah……” Da boca de Juliet saiu um som bizarro, que não se sabia se era um gemido ou um soluço.
Dominic começou a rir debochadamente. Aquela risada dele que Juliet ouvia o tempo todo no porão. Aquele riso bizarro, desagradável, de dar arrepios e terrível.
“Ah, ah, ah……”
Juliet queria gritar, mas tudo o que saía de sua boca era apenas um som fraco e vazio de dor. Longe de conseguir se levantar, ele não conseguia mover um único dedo. Tudo o que ele podia fazer era ficar ali deitado e chorar.
Provavelmente, assim.
Pela vida toda.
“Eu te amo.”
Dominic sussurrou. Segurando o bebê, ele se curvou e beijou os lábios de Juliet.
Como se fosse algo natural, ele entrelaçou as línguas e lambeu o interior da boca dele, mas Juliet, que já estava sobrecarregado apenas por respirar, não conseguia nem mesmo recusar. Dominic, que mordeu e sugou os lábios dele suavemente, deu um breve suspiro e de repente se levantou. Parecia que ele ia se virar e sair, mas é claro que isso era apenas um desejo de Juliet.
Entregando o bebê ao segurança que guardava a frente do quarto do hospital, ele trancou a porta e voltou para a cama.
No momento em que Juliet engoliu em seco, aterrorizado, Dominic subiu na cama sem se importar e desfez o cinto da calça acima da cabeça dele. Em seguida, Juliet o viu tirar o pênis semiereto.
“Está tudo bem, Juliet. Como a sua ferida ainda não cicatrizou, não vou usar a parte de baixo.”
Dominic fez uma voz extremamente carinhosa e acariciou a cabeça de Juliet, que estava pálido como um cadáver. Em vez disso, Juliet sabia muito bem onde ele pretendia usar. Porque ele já tinha passado por isso inúmeras vezes.
“Ugh, ugh, ugh.”
O pênis grosso e longo preencheu sua boca. Um gemido doloroso e sufocado vazava por baixo, mas a penetração não parou.
“Haaah……” Dominic soltou um longo suspiro de satisfação.
Com quase metade do pênis inserido na garganta de Juliet, ele parou.
“Muito bom, você é o melhor, Juliet……”
Dominic permaneceu imóvel por um momento, como se estivesse apreciando o momento. Os tremores do esôfago apertavam o pênis grosso de forma irregular, fazendo o seu sêmen subir e induzindo a ejaculação.
“É, eu sei. Vou gozar assim mesmo. Vou gozar tudo na sua garganta.”
Dominic continuou sussurrando. Juliet estava meio inconsciente, mas para ele isso não era problema algum. De qualquer forma, Juliet estava vivo, estava em suas mãos e jamais conseguiria fugir para lugar nenhum.
Apenas esse fato já era suficiente para levar Dominic ao ápice quantas vezes quisesse. Várias e várias vezes.
“Eu te amo.” Sussurrou Dominic, beijando o rosto de Juliet sujo com seu próprio sêmen. “Agora ficaremos juntos para sempre.”
Juliet não disse nada. As palavras dele não estavam erradas. Não, como ele poderia deixar esse homem? Se ele não conseguia nem se virar sozinho. Junto com isso, o desespero preencheu completamente o seu peito.
Não posso escapar.
Longo pranto escorria, mas ele não conseguia sequer limpar as próprias lágrimas. Ele apenas assistia passivamente enquanto Dominic lambia e enxugava suas lágrimas com a língua.
Eu nunca vou conseguir escapar deste homem por toda a minha vida.
Ele quis chorar e gritar bem alto, mas novamente era impossível. Tudo o que ele podia fazer era chorar.
Provavelmente, pela vida toda.
Nas garras deste homem.
*
< Fim >