Deseje-me se puder - Capítulo 127
Dane que continuava com a testa franzida enquanto olhava para Grayson perguntou:
— Então quer dizer que você sempre dá um presente pra quem passa o rut com você?
— Ah… isso…
Grayson gaguejou, sem conseguir responder de imediato. Com certeza ele tinha tocado em algo que irritou Dane. A felicidade que sentia até poucos segundos atrás sumiu como poeira ao vento, e foi substituída por uma sensação de medo.
‘E se Dane parar de falar comigo de novo?’
‘E se ele mandar eu sumir da frente dele agora mesmo?’
‘O que eu devo responder?’
— Miller.
— O-O quê?
Dane o chamou de novo. Grayson, assustado, virou o rosto para ele, que ainda franzia a testa, mas falava no tom indiferente de sempre.
— Só estava perguntando por curiosidade. Não estou bravo com você.
A voz dele parecia sincera. Mas Grayson não conseguia ignorar que a testa de Dane ainda estava franzida.
— …Mas você está franzindo a testa.
— Esse é meu rosto normal. Se você não gosta, azar o seu.
O tom de Dane continuou inalterado. Pensando bem, Grayson percebeu que ele sempre mostrava essa expressão. Quando estava trabalhando, costumava parecer ainda mais carrancudo, mas isso não queria dizer que estava irritado de verdade. Ao perceber isso, Grayson relaxou um pouco e, finalmente, respondeu:
— Não é como se eu desse algo para todo mundo que passa o rut comigo.
Dane viu a cor voltar ao rosto de Grayson e perguntou:
— Então porque quer fazer isso por mim?
— Porque você me ajudou.
A resposta era simples. Era um agradecimento, um pagamento pelo que recebeu. Dane percebeu que esse era o jeito que Grayson lidava com o mundo: pagando de volta por qualquer favor recebido.
‘Provavelmente foi assim que ele conquistou a simpatia das pessoas até agora.’
Dane suspirou e disse:
— Não precisa me pagar por algo que eu fiz porque quis.
Seu tom era casual, mas Grayson travou por um instante, levantando os olhos para ele. Mas não acabou aí. Dane pegou o prato vazio que estava na frente dele e, antes de se afastar, bagunçou o cabelo de Grayson com a mão. O gesto foi natural, como se estivesse acostumado a fazer isso – como sempre fazia com Darling.
Grayson, chocado, arregalou os olhos e tocou o local onde a mão de Dane havia passado.
— …Dane, eu…
Ele abriu a boca, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, Dane acertou um tapa na outra bochecha dele.
***
Quando Grayson Miller chegou para trabalhar, os colegas se surpreenderam com duas coisas. Primeiro, suas bochechas estavam inchadas e vermelhas. Segundo, ele estava sorrindo como se tivesse ganhado na loteria.
— Miller, o que aconteceu com o seu ros…?
— Bom dia! Olá para todo mundo!
Ezra perguntou, espantado, e Grayson respondeu animado, dando um oi caloroso para todo mundo. Isso deixou os bombeiros ainda mais chocados. Grayson Miller cumprimentando os outros com tanta alegria? O que diabos tinha acontecido?
Mas a surpresa não parou por aí. Logo depois, Dane apareceu – e sua expressão era exatamente o oposto da de Grayson. Com olheiras profundas, os olhos pesados de cansaço e um andar lento e desanimado. Ele parecia estar mais esgotado do que nunca.
— Parece que o Miller sugou toda a energia do Dane.
Ezra ouviu alguém cochichar ao lado e imediatamente sacudiu a cabeça, negando em voz baixa:
— Deve ter acontecido alguma coisa durante a folga. Se ele tirou alguns dias assim do nada, é porque não foi pouca coisa.
‘Será que aconteceu alguma coisa com a família dele?’
Ezra ficou preocupado, mas não era algo que ele pudesse perguntar diretamente. Só ficou de olho, observando, até notar outro detalhe estranho: Dane tinha vindo trabalhar já vestido com o uniforme. Por causa disso nem se deu ao trabalho de trocar de roupa, só abriu o armário, pegou o crachá e enfiou no bolso.
— O que aconteceu?
Ao ouvir a pergunta, Dane finalmente olhou para Ezra, que fez um gesto indicando a roupa dele. Dane respondeu com indiferença:
— Preguiça de trocar.
Ezra franziu a testa, achando estranho, mas Dane já tinha fechado o armário e começado a se afastar. Foi nesse momento que um dos colegas entrou no vestiário falando alto:
— Ei, todo mundo, chega mais! O Wilkins trouxe cachorro-quente pra todo mundo! Vamos comer juntos, venham logo!
— Ooooh!
A equipe se animou e se reuniu num instante. O único que não se mexeu foi Dane. Ele ficou parado, fazendo uma careta, como se não gostasse nem um pouco da ideia. Ezra, confuso, perguntou:
— O que foi? Não vai comer?
— Tô de boa.
Dane desviou o olhar e recusou. Aquilo era estranho. Muito estranho. Dane, que nunca recusava comida de graça, dispensando um cachorro-quente? Alguma coisa estava errada.
Enquanto Ezra ainda tentava entender, alguém lhe entregou um cachorro-quente. Ele aceitou com um “obrigado” e, logo depois, viu Grayson um pouco afastado e foi até ele, oferecendo o lanche:
— Aqui, Miller.
Grayson piscou, surpreso, e pegou o cachorro-quente, mas, em vez de comer, ficou só segurando, abrindo a embalagem devagar. O olhar dele foi atraído pela salsicha entre o pão. Por algum motivo, a visão parecia estranha.
‘O quê…?’
Ele franziu a testa e, no mesmo instante, uma memória esquecida voltou à sua mente.
‘…O quê?’
Grayson piscou rápido, forçando o cérebro a resgatar a memória nebulosa. Foi um esforço, mas, de repente, tudo ficou claro. Uma imagem avassaladora surgiu diante dos seus olhos.
— Vênu… HMPH—!
No instante em que Grayson começou a gritar, alguém tampou a boca dele por trás. Todos os olhares se voltaram para a cena. Atrás dele, Dane murmurou num tom ameaçador:
— Vem comigo.
Sem soltar a boca de Grayson, ele o arrastou para fora. Os colegas de equipe ficaram paralisados, assistindo incrédulos, enquanto Grayson se debatia e era arrastado para longe, por Dane que desapareceu com uma expressão sombria.
***
— Eu lembrei! Vênus, entre Vênus você colocou Virgínia…!
Assim que Dane soltou sua boca, Grayson começou a berrar. Dane já sabia que isso ia acontecer, mas não pôde evitar que seus ouvidos zumbissem com o grito. Ele massageou a têmpora, irritado, e em seguida voltou a tapar a boca de Grayson.
— Cale a boca e se acalme.
Dane lançou um olhar assustador para Grayson e murmurou com a voz baixa e irritada:
— Cale a porra da boca. Antes que eu decida calar sua boca enfiando meu pau nela.
Qualquer um ficaria horrorizado ao ouvir algo assim e fecharia a boca na hora. Mas Dane escolheu a pessoa errada para intimidar. No mesmo instante, Grayson abriu um sorriso extasiado, soltando um aroma denso de feromônio. Dane sentiu um arrepio frio percorrer sua espinha e, suando frio, afastou a mão da boca de Grayson, passando a outra pela própria testa antes de soltar um suspiro cansado.
— Esqueça o que aconteceu.
— Impossível.
Era óbvio que Grayson não aceitaria. A simples ideia de quase ter perdido aquela lembrança para sempre era terrível.
— Eu nunca mais vou esquecer isso. Se desse para escanear meu cérebro e salvar as memórias, eu faria na hora. Assim eu poderia dar um zoom em Vênus e guardar esse detalhe, salvar umas cem imagens do momento em que Virgínia ficou no meio dos seus peitos… E, para garantir que nada se perdesse, eu faria um backup de mil imagens de você enfiando a Virgínia entre Vênus e lambendo o meu—
— Chega.
Dane o interrompeu, sentindo o cansaço bater. Grayson obedeceu, cerrando os lábios, mas sua agitação transbordava – como se não conseguisse conter a euforia.
Se mandasse Grayson ficar calado, ele não sairia espalhando aquilo para qualquer um. Mas essa excitação precisava ser contida. Se continuasse nesse estado, os colegas de trabalho iam começar a desconfiar.
Infelizmente, Dane só tinha uma carta para jogar naquela situação.
— Se você se comportar direitinho, eu faço de novo. — Grayson congelou no mesmo instante. Mal respirava. Dane aproveitou e completou: — Mas só se você ficar quieto até meu peito melhorar.
Grayson continuou imóvel. Um segundo. Dois. Três.
Exatamente cinco segundos depois, ele soltou o ar preso nos pulmões e perguntou, alto e claro:
— Sério mesmo? Você vai colocar a Virgínia entre Vênus e me chupar? Mesmo quando eu não estiver no meu rut? Quando eu estiver totalmente consciente?
Ele despejou as perguntas sem parar. Dane só deu uma resposta curta:
— Sim.
— Então eu-
— Não.
Dane cortou na hora.
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Continua…
Duda
Mano,chego me contorcer de vergonha com esses nomes ridículos kkkkkkkk