Deseje-me se puder - Capítulo 126
Grayson segurou a bochecha com uma das mãos e olhou para Dane com uma expressão magoada. Diante daquela reclamação silenciosa, Dane apenas pegou um pedaço de bacon e colocou na boca, sem demonstrar interesse. Quando viu a bochecha de Grayson ficando vermelha e inchada, por um breve momento, ele sentiu um leve peso na consciência, pensando que talvez tivesse batido forte demais. Mas logo afastou esse pensamento.
Olhando para o próprio peito, completamente destruído, ficou claro que a compensação já tinha sido mais do que paga. Aliás, se fosse pensar bem, um soco em cada lado do rosto de Grayson ainda seria pouco.
Dane teve um pensamento amargo e suspirou.
‘Por enquanto, vou ter que evitar trocar de roupa no vestiário…’
Ele franziu a testa e colocou o último pedaço de pão inteiro na boca, mastigando devagar. Até aquele momento, Grayson parecia estar perdido em pensamentos, mas então abriu a boca para falar:
— Ei, Dane…
O jeito hesitante de falar fez Dane apenas lançar um olhar de canto para ele enquanto tomava o suco. Grayson engoliu em seco, o som audível ecoou no silêncio da cozinha, e então perguntou com a voz trêmula e o rosto pálido:
— Por acaso… eu… você…
— Eu que te ataquei.
Dane respondeu sem expressão e colocou o copo vazio sobre o balcão. Grayson ficou paralisado por um momento, como se não conseguisse processar a informação.
Vendo aquela reação, Dane repetiu de forma bem clara:
— Eu que te ataquei. Você estava fora de si por causa do rut.
Dane estalou a língua, irritado, e começou a juntar os talheres. Grayson continuou imóvel por alguns segundos até murmurar baixinho:
— …Ah.
O canto da boca dele se curvou devagar, em um sorriso leve e relaxado. Dane então olhou fixamente para Grayson.
‘Como ele pode ficar tão feliz ao ouvir que foi atacado?’
Era um sentimento complicado, mas antes que pudesse pensar muito sobre isso, Grayson perguntou de novo:
— Ei… E o seu peito? Fui eu que fiz isso?
Dane o encarou por um instante sem responder.
‘O que esse idiota está sentindo agora? Culpa? Arrependimento? Ou…’
Antes que pudesse terminar o pensamento, Grayson, com o rosto vermelho e os olhos brilhando, perguntou:
— Os seus peitos ficaram maiores, Dane. Que tal experimentar o sutiã que eu comprei pra você?
Dane levantou o punho sem dizer nada. Felizmente, o instinto de sobrevivência de Grayson era aguçado o suficiente para fazê-lo se calar na mesma hora.
‘Claro. O que mais eu esperava desse imbecil?’
Dane respirou fundo, segurando a vontade de socá-lo, e apenas fez um gesto com o queixo para o prato dele.
— O que você está fazendo? Coma logo.
Grayson pegou o garfo com relutância, mas hesitou antes de levar a comida à boca. Vendo que ele só ficava encarando o prato sem agir, Dane decidiu tomar uma medida drástica.
— …Hã?
Grayson ficou chocado quando Dane pegou o pão do prato e enfiou direto na boca dele. O pão, que ocupava um lado do prato, desapareceu em um instante na boca de Dane, Grayson ficou pálido, olhando para ele como se tivesse acabado de presenciar um crime hediondo. Dane mastigou tranquilamente e disse:
— Se não comer rápido, é isso que acontece.
Grayson queria protestar, mas nem teve tempo. Assim que abriu a boca para falar, Dane pegou o bacon com a mão e comeu sem hesitar. Sem outra escolha, Grayson agarrou o prato e começou a devorar os ovos antes que fosse tarde demais. Depois de confirmar que ele finalmente tinha começado a comer, Dane se virou e começou a colocar os pratos na lava-louças.
‘Agora… o que vem depois?’
Por ter sido arrastado para o rut de Grayson, Dane acabou precisando tirar dois dias de folga. Por causa disso, o chefe estava só esperando para explorá-lo assim que voltasse. Só de pensar na quantidade de trabalho que o aguardava, ele soltou um suspiro.
‘Mas não há como evitar.’
Dane Striker não era do tipo de pessoa que ficava remoendo situações inevitáveis. Em vez disso, ele tinha outra preocupação mais urgente no momento: o almoço. Ao abrir a geladeira e examinar os ingredientes, encontrou algumas salsichas de ótima qualidade.
‘Talvez faça cachorro-quente…’
Mas, no instante em que estendeu a mão para pegá-las, ele parou no lugar. Uma pontada de dor irradiou dos peitos e dos mamilos ao mesmo tempo. Ao se lembrar daquilo, ele desviou os olhos das salsichas e procurou outros ingredientes. Logo vegetais e carne chamaram sua atenção.
‘O que eu posso fazer com isso? Sanduíche, hambúrguer…’
……
— Merda.
Dane passou a mão no rosto com força, frustrado.
Sempre que estava prestes a esquecer, a dor nos mamilos e no peito voltava implacavelmente, tornando impossível ignorar. Ele cerrou os dentes e virou a cabeça na direção do responsável por tudo isso. Grayson, que encarava o prato vazio como se estivesse genuinamente lamentando o fim da refeição, ergueu a cabeça, no momento em que seus olhos encontraram os de Dane, ele congelou.
Dane não hesitou:
— Você.
— Ahn, s-sim?
Grayson respondeu na hora, parecendo um pouco nervoso. Dane, com a voz dura, jogou um aviso:
— Até isso aqui sarar, você não chega perto de mim.
— Ah…
O sorriso dele murchou imediatamente.
‘Dane-se. Essa expressão provavelmente é só mais uma de suas encenações.’
Ignorando-o, Dane pegou o peito de frango da geladeira, temperou com sal e pimenta e colocou no forno. Depois, foi até a despensa, pegou um pacote de biscoitos e deixou sobre o balcão. Foi então que sentiu um olhar mal-intencionado sobre ele.
— O que foi?
Quando se virou, Grayson já parecia ter se recuperado e perguntou com uma expectativa evidente:
— Então… depois que você melhorar, tudo bem?
Dane apenas franziu as sobrancelhas. Grayson, ainda que hesitante, não desviou o olhar cheio de expectativa, esperando uma resposta. Diante daqueles olhos brilhantes fixos nele, Dane suspirou e olhou para o nada.
Então, aceitando seu destino, respondeu com resignação:
— Faça o que quiser.
— Dane, eu te amo!
Grayson gritou, emocionado, deixando transbordar um amor sem fim. Dane, por outro lado, manteve-se indiferente:
— Tá, obrigado.
Depois da resposta seca, ele voltou a preparar o almoço. Dane nunca dizia “eu te amo”. Mas isso não importava. Grayson realmente acreditava nisso. O fato de Dane estar ali, dividindo o mesmo espaço com ele e respondendo suas perguntas, já era suficiente.
Sim, isso já era um presente inestimável.
Dane estava falando com ele. Aceitando sua presença. E mais: tinha dado permissão a Grayson para tocar nos seus peitos.
‘Isso, essa sensação…’
— Eu me sinto feliz.
Grayson murmurou, tomado pela emoção.
Isso era felicidade. Isso era amor. O sentimento que ele tanto desejou agora pulsava vivo diante dele. Dane olhou de relance para trás antes de virar o rosto de novo. Mas Grayson viu com clareza: o canto de seus lábios se curvou em um sorriso leve.
‘…Hã?’
Por um instante, Grayson ficou paralisado.
‘O que foi isso? Que tipo de reação foi essa?’
Ele sempre teve talento para ler as emoções e pensamentos das pessoas. Nunca errou uma vez sequer – suas previsões sempre estavam certas. Então, desta vez não seria diferente.
Mas o que aquele sorriso significava?
Se fosse qualquer outra pessoa, Grayson teria apenas uma resposta: ‘Essa pessoa me ama.’
Mas o problema era que o homem na sua frente era Dane Striker. Um cara que, mesmo se Grayson fosse o último homem vivo na Terra, nunca o amaria.
Ao pensar nisso, seu coração, que antes estava eufórico, começou a se acalmar.
‘Que besteira eu estou imaginando?’
Rindo de si mesmo, ele afastou aquele pensamento absurdo. Agora não era hora de ficar preso em uma ilusão idiota. Ele tinha algo a dizer para Dane.
— Dane, o que você quer ganhar?
— O quê?
Dane virou a cabeça, encarando-o com expressão confusa. Ao mesmo tempo, sem interromper o que fazia, pegou alguns sacos ziplock e começou a jogar alguns vegetais dentro deles de qualquer jeito.
Grayson continuou, animado:
— Você passou o meu rut comigo. Quero te agradecer. O que quer de presente? Pode ser algo para a darling também. Te dou o que quiser.
Grayson acrescentou um sorriso malicioso. Para ele, isso era o mínimo que podia fazer. Só de lembrar tudo que Dane fez por ele, sentia o peito apertar de emoção.
‘Ele ficou comigo no rut, drenou meus feromônios, fez café da manhã… ficou com os peitos naquele estado e ainda disse que eu posso tocá-los de novo depois… O Dane Striker, aquele individualista egoísta, fez tudo isso…!’
— Por quê?
A pergunta seca de Dane o trouxe de volta à realidade.
— Hã?
Grayson sentiu como se tivesse levado um balde de água fria. Dane, com a testa franzida, o encarava diretamente. Ele ficou sem palavras e, vendo isso, Dane repetiu a pergunta:
— Por que você quer me dar um presente? Do nada. Não tem um motivo.
Grayson, pego de surpresa, só conseguiu encará-lo, sem saber o que dizer.
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Continua…
Lee joobim
Eu venho aqui cinco vezes por dia pra ver se tem atualização kkkkkk
Duda
Entra no telegram da Scan amg,eles avisam lá