Deseje-me se puder - Capítulo 125
Aquele incidente deixou um enorme trauma em Ashley. Descobrir que seu próprio filho tentou matar a pessoa que ele mais amava no mundo… Para Ashley, isso tinha sido mais terrível do que ser lançado no fogo do inferno. Se ele perdesse Koy, não haveria mais razão para continuar vivendo neste mundo.
— Eu sei.
Koy falou com carinho, puxando-o para um abraço apertado. Sentindo o corpo grande de Ashley tremendo levemente, ele sussurrou suavemente:
— Mas podemos encontrar uma solução.
Ashley ficou em silêncio por um tempo antes de erguer a cabeça devagar. Koy olhou para o seu rosto e falou com um tom confiante:
— Vamos pensar nisso juntos, a partir de agora.
Ainda sem responder, Ashley refletiu sobre aquelas palavras. Grayson sentindo emoções? Aquele olhar frio e vazio, que nunca demonstrava nada, agora poderia refletir algo diferente…?
Ele simplesmente não conseguia acreditar. Admitir que estava errado não era um problema. Na verdade, ele aceitaria isso com alegria.
Mas alimentar esperanças e depois vê-las desmoronar era outra história. Já tinham passado por isso inúmeras vezes, alternando entre expectativa e decepção. Koy, como sempre, parecia estar se agarrando a uma nova esperança, mas Ashley era diferente. Ele sempre foi um pessimista, o completo oposto do marido. E talvez fosse exatamente essa diferença que o fazia se sentir tão atraído por ele…
— Ahhh…
Ashley soltou um suspiro curto e, como sempre, chegou à mesma conclusão: o tempo dirá. Se Koy estava certo ou se era apenas mais uma ilusão, cedo ou tarde isso ficaria claro.
‘Dane Stryker.’
O nome daquele homem veio à sua mente. Até o momento, não havia recebido nenhum relato de que Grayson estivesse com um novo parceiro, então significava que Dane ainda estava com ele.
‘Então, talvez… Dane Striker…’
Esse pensamento fez sua cabeça girar.
‘Depois de eu ter sido gentil o suficiente para contar tudo sobre o meu filho, ele ainda não fugiu?’
Dane tinha uma aura completamente diferente de todos os outros que Grayson trouxe como seu “destinado”. Por isso, Ashley o avisou, mas, pelo visto, o homem ainda estava por perto.
‘Por quê? Ele realmente acreditava que não corria perigo?’
‘Preciso descobrir mais sobre esse homem.’
Ashley decidiu. Mesmo que Grayson começasse a sentir algo por alguém, a forma como isso se manifestaria era outra questão. Se, por acaso, ele acabasse machucado, Dane Stryker…
— Ash?
Koy o chamou, percebendo que havia algo estranho em seu silêncio. Ashley rapidamente esboçou um sorriso, fingindo que nada estava acontecendo. Mas, por dentro, mil alarmes disparavam em sua mente.
‘Isso não pode acontecer de jeito nenhum.’
Até agora, ele não confiava em Grayson o suficiente para colocar guarda-costas, mantendo assim o mínimo de pessoas ao seu redor. Mas se Dane continuasse perto dele, a situação mudaria. Havia apenas uma solução.
‘Preciso contratar guarda-costas para proteger Dane Striker.’
***
— Hmm…
Grayson soltou um gemido preguiçoso enquanto esticava os braços e as pernas. A luz do sol atravessava suas pálpebras fechadas, iluminando tudo ao seu redor. ‘Que manhã agradável… Quando foi a última vez que acordou assim?’ Um sorriso involuntário apareceu em seu rosto. Ele não precisou forçar a expressão, apenas… sorriu naturalmente. Foi uma experiência incrível sorrir sem precisar forçar.
Ainda sorrindo, ele rolou para o lado na cama… e, de repente, sentiu que havia algo errado. Com os olhos ainda fechados, passou a mão pelo colchão, tateando o espaço ao seu redor. Mas não encontrou nada.
‘…O quê?’
Levou alguns segundos para ele entender a situação. Então, num instante, seus olhos se arregalaram, e ele se sentou na cama como se tivesse levado um choque. A enorme cama, feita sob medida para seu corpo alto, estava completamente vazia. Exceto por ele.
— …Dane.
Grayson murmurou, perdido em pensamentos. No momento seguinte, ele pulou da cama e correu para fora do quarto. Seu primeiro destino foi o quarto de Dane, logo ao lado.
— DANE!
Sem nem bater, ele escancarou a porta e, num instante, sentiu um choque tão grande que quase desmaiou. O quarto estava vazio. Nem mesmo Darling estava lá. Ele sentiu como se o mundo estivesse desmoronando.
‘O que aconteceu? Foi tudo um sonho?’
Sua mente estava um caos. Mas não… na cama ainda restavam marcas evidentes do que tinha acontecido na noite anterior. E mais do que isso: a sensação dos toques, dos peitos de Dane, da pele quente contra a sua, ainda estava gravada em suas mãos. Não podia ser um sonho. Não fazia sentido.
‘Então… para onde ele foi?’
‘Onde Dane está?’
‘Não… Não me diga que ele foi embora?’
— DANE! DANE!
Feito um louco, Grayson correu pela casa, gritando seu nome.
‘Será que ele ficou cansado de mim? Só pode ser isso. Eu estava no meu rut… Eu devo ter sido insuportável, me agarrando a ele o tempo todo. Dane odeia pessoas pegajosas e insistentes. Aposto que agora ele não quer mais me ver.’
‘O que eu faço?’
‘O que eu faço agora?!’
As lembranças do rut vinham em flashes, confusas, desconexas. Mas de uma coisa ele tinha certeza: eles ficaram juntos.
‘Então… eu forcei Dane a fazer isso comigo?’
Não havia outra explicação.
Em pânico, Grayson correu pelo corredor como um desesperado. Sua mente só pensava em Dane.
‘Preciso ligar para a equipe de secretários agora. Preciso encontrá-lo. Não, talvez ele tenha ido trabalhar? É, eu nem sei quantos dias se passaram. Dane deve ter voltado ao trabalho. Droga, então onde está Darling?!’
— DAAAAANE!
— O que foi?
Foi justo quando ele gritou e corria descontroladamente que uma voz respondeu de repente atrás dele. Grayson ficou tão surpreso que tentou parar de correr bruscamente, mas acabou tropeçando e quase caiu.
Ele se virou rapidamente, desesperado. Grayson congelou no lugar, como se tivesse virado gelo. Seus olhos arregalados viram Dane, com metade do corpo para fora da porta da despensa. Ele estava na área dos lanches.
— Ah…
A única coisa que saiu da boca de Grayson foi um murmúrio idiota e surpreso.
‘O quê…? Ele não tinha ido embora?’
‘Então onde está Darling…?’
Seu olhar desceu e, só então, ele viu Darling jogada no ombro de Dane, dormindo tranquilamente.
Seu corpo inteiro relaxou, a tensão começou a se esvair como se tivessem arrancado um peso gigantesco de seus ombros. Mas, no mesmo instante, com uma expressão distorcida, como se visse algo terrível, ele olhou para entre as pernas de Grayson e, sem dizer uma palavra, voltou para dentro da despensa.
— Da-
Grayson quase o chamou, mas, de repente, sua voz morreu.
‘Ah.’
Só então ele percebeu por que Dane tinha olhado para ele daquele jeito. Desde o momento em que saiu correndo da cama até agora… Ele estava completamente nu.
— Você tem algum problema de exibicionismo?
Dane resmungou irritado, enquanto virava o ovo frito na frigideira.
— Por que diabos você tem que ficar andando pelado toda hora, seu maluco?
Grayson, que havia rapidamente vestido um roupão, ficou encolhido no balcão da cozinha, murmurando:
— Achei que você tinha ficado de saco cheio de mim e ido embora…
Ele parecia completamente abatido… mas, ao mesmo tempo, o canto da sua boca insistia em se curvar para cima. O alívio e a felicidade de ver Dane ali estavam estampados na cara dele. Dane, por outro lado, ignorou-o completamente e continuou fazendo o que estava fazendo: preparando o café da manhã.
Ele estava sem camisa, vestindo apenas uma calça de moletom, como de costume. Mas, dessa vez, dava para ver claramente que ele não estava assim por escolha. Seu peito estava completamente marcado, cheio de hematomas roxos e avermelhados, e os mamilos estavam inchados e doloridos, um verdadeiro desastre. Grayson os havia apertado tanto que pareciam maiores do que o normal. Levaria dias para o inchaço diminuir.
Até o vento do ar-condicionado ardia ao tocar sua pele.
O peito latejou, e Dane franziu o cenho por reflexo.
— Tsk.
Ele estalou a língua e terminou de fritar os ovos e o bacon, colocando-os no prato. Bem na hora, o alarme da torradeira soou, e as fatias de pão saltaram para fora. Pegando os pratos, ele se virou e colocou um na frente de Grayson.
— Come. É o seu.
A voz dele era seca enquanto olhava para Grayson, que só fazia encará-lo de boca aberta, o queixo caído. Sem dar a mínima, Dane colocou o próprio prato sobre o balcão e começou a comer de pé, de maneira casual.
Grayson ainda parecia não acreditar, alternando o olhar entre Dane e a comida na sua frente. Dane ignorou e pegou o suco de tomate na geladeira, bebendo um gole enquanto cortava os ovos com o garfo.
Foi só então que Grayson finalmente se mexeu.
— Ei, Dane.
Dane nem levantou o olhar.
— Hm?
— Você pode me dar um tapa na cara?
Dane colocou um pedaço de ovo na boca, sem nenhuma expressão.
No segundo seguinte…
PLAFT!
O tapa estrondoso ecoou pela cozinha, e a cabeça de Grayson girou com o impacto.
°
°
Continua…
Duda
KKKKKKKK mto bom
•°Simp_Koynue°•
Mano kkkkkkk