Deseje-me se puder - Capítulo 120
No momento em que esse pensamento passou pela cabeça de Dane, Grayson piscou os olhos entreabertos e… sorriu. Um sorriso fraco, meio desfeito.
E então, ele sussurrou:
— …Dane.
O tom de voz sem forças fez Dane hesitar. ‘Mas que porra é essa…?’
— O que aconteceu? Você não tinha ido para a festa de feromônios?
O cheiro impregnado em Grayson não deixava dúvidas. O aroma de ômegas estava entranhado em cada fibra do seu corpo. Se ele não tivesse ido a uma festa dessas, simplesmente não teria como estar assim.
Diante da pergunta, Grayson soltou uma risada abafada.
— Eu fui, sim.
Ainda com a expressão fechada, Dane esperou que ele continuasse. Grayson então começou a murmurar, como se estivesse apenas desabafando.
— Eu ia tirar os feromônios com a injeção… mas aquele desgraçado do Steward não estava lá. No lugar dele, mandaram um funcionário qualquer para aplicar a droga, mas puta merda… — Ele deu uma risadinha. — O cara era um desastre. Ele derramou tudo para fora da veia. Depois ficou choramingando, dizendo que meu braço podia apodrecer… E eu pensando, caralho, por que ele estava chorando? O braço nem era dele…
Ele riu outra vez, a risada estava rouca e arrastada.
Dane ficou parado, encarando ele sem acreditar.
‘O que diabos esse filho da puta está falando?’
Era óbvio que Grayson não estava em sã consciência, parecia totalmente dopado. Era um milagre ele ter voltado inteiro. Provavelmente foi o instinto de voltar para casa que o trouxe, mas ele nem teve forças para entrar no próprio quarto.
Dane tentou juntar as peças, mas uma coisa ainda não fazia sentido.
— Você foi a uma festa, então o que quer dizer com ‘extrair os feromônios com uma injeção’?
A pergunta saiu carregada de ceticismo.
Grayson, por sua vez, respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo:
— Eu não queria transar, então usei a droga.
— …Por quê?
Ainda assim, Dane não conseguia entender. Por que caralhos ele faria algo assim quando existe uma maneira infalível e mais fácil de remover feromônios? Depois de ir até a festa.
Grayson piscou devagar, olhando pra ele.
— Como assim, “por quê”?
Grayson respondeu com um sorriso inocente, como se estivesse falando a coisa mais natural do mundo:
— Como eu poderia dormir com alguém que não fosse você?
Dane ficou sem palavras. Só conseguiu encará-lo, paralisado. A chuva forte do lado de fora preenchia o silêncio entre eles. Grayson continuou a encará-lo e, como se estivesse confessando algo, continuou falando:
— Eu até pensei em não extrair os feromônios… Mas se eu não fizesse isso, o meu pai ia ficar bravo. — Ele riu baixinho, mas logo sua expressão ficou um pouco mais vazia. — E se eu perdesse o controle e… te machucasse? Eu não podia deixar isso acontecer, não é? Por isso, eu…
As palavras saíam sem filtro, como se ele nem tivesse consciência do que estava dizendo. Dane não sabia se aquilo era efeito do rut, da droga ou dos dois juntos. O que ele sabia com certeza era que Grayson não estava em um estado normal.
O que ele deveria fazer agora? Ele conhecia uma porção de procedimentos de emergência, mas nenhum deles parecia útil para essa situação. O que os alfas dominantes fazem quando algo assim acontece? Aliás, um alfa dominante sofrendo efeitos colaterais de drogas… Isso sequer fazia sentido!
Enquanto Dane tentava processar tudo aquilo, Grayson olhava ao redor com os olhos turvos, como se estivesse procurando algo.
— Que estranho… Por que você tá aqui? Eu… eu tinha certeza que estava na festa…
Ele franziu o cenho confuso. Parecia estar misturando realidade e ilusão. Será que estava começando a sair do efeito da droga? Ou era só um delírio causado pela febre do rut? Dane não sabia como reagir.
E então, de repente, a situação mudou drasticamente.
— Urgh…! Hgh…!
— Grayson?!
De repente, ele se contorceu e começou a engasgar, tomado por ânsia de vômito. Dane, alarmado, correu para segurá-lo, mas os espasmos não pararam. O corpo de Grayson tremia violentamente enquanto ele tentava desesperadamente puxar o ar, mas sua respiração vinha entrecortada e irregular, como se estivesse prestes a falhar. Se continuasse assim, ele poderia simplesmente parar de respirar.
Algo precisava ser feito. Dane, tomado pela urgência, se preparou para se levantar e agir, mas, antes que pudesse fazer qualquer coisa, sentiu um aperto repentino em seu braço.
Surpreso, ele olhou para baixo.
Grayson, mesmo em meio às convulsões e à falta de ar, havia estendido a mão e segurado firme o braço de Dane.
— O que…?
Dane tropeçou, surpreso, e ao se virar, viu Grayson olhando para ele.
— Onde você vai?
A voz rouca e fraca escapou no meio da respiração ofegante. Dane piscou algumas vezes antes de finalmente responder.
— Me solta, eu só vou pegar um pouco de água…
— Não vá!
Grayson gritou, com o rosto pálido de desespero.
— Não vá, Dane. Por favor, não me deixe.
— Espera só um pouco, me solta por um segundo. Eu vou voltar, juro que volto rápido…
Dane tentou se soltar, mas quanto mais ele tentava, mais forte Grayson segurava seu braço com uma força absurda. De repente, um grito dilacerante ecoou:
— Eu estava errado!
Dane congelou no lugar. Grayson ainda o olhava com aquele rosto tomado pelo pânico, sua voz estava carregada de desespero.
— Eu não vou perguntar… Não vou perguntar mais nada pra você… Não preciso saber de nada, nunca. Você não precisa me contar nada, eu juro que não me importo…..
— Grayson…
— Por favor, Dane. Por favor.
O tom de Grayson trêmulo, era quase irreconhecível. Ele agarrou o braço de Dane como um náufrago à tábua de salvação e suplicou:
— Então, por favor, não me abandone…
Dane não respondeu. Só ficou ali, parado, olhando para aquele homem adulto que o implorava como uma criança desesperada.
Ah…
O cheiro doce de feromônio estava em toda parte. Grayson não era o único com o cérebro derretendo. Dane soltou um suspiro lento. Seu reflexo preenchia as pupilas dilatadas de Grayson com uma expressão tão complexa que era impossível decifrar – um turbilhão de emoções: raiva, incredulidade, frustração, algo mais…
E então.
—……Hã?
Sem aviso, Dane agarrou a gola da camisa de Grayson e puxou. Antes que ele pudesse reagir, os lábios de Dane se chocaram contra os seus. Grayson arregalou os olhos, completamente atordoado.
‘O que é isso? Eu ainda estou sonhando?’
Era inacreditável – mas o calor da boca de Dane era real. E não era só isso. Com um movimento brusco, a língua de Dane invadiu sua boca, explorando, dominando o local. A surpresa inicial deu lugar a um choque elétrico quando a língua habilidosa envolveu a dele. Era real.
De verdade, Dane estava mesmo o beijando. Inacreditavelmente, mas estava.
A sensação molhada da língua percorrendo o interior de sua boca fez com que Grayson sentisse um arrepio na espinha. Sem perceber, seu corpo reagiu, se contraindo de forma instintiva.
‘Por quê? Como assim? Por que Dane está fazendo isso…?’
A mente dele estava cheia de perguntas, mas seu corpo já tinha escolhido um caminho. Ele simplesmente fechou os olhos e se entregou ao beijo. O sabor doce da saliva se misturava com a sua própria. Com um braço, ele agarrou a cintura de Dane com urgência, enquanto a outra se enterrou em seu peito.
‘Meu Deus.’
Ele conseguia sentir Dane inteiro na palma da mão, e, mesmo assim, ele não o afastou. Pelo contrário, Dane continuou ali. Apenas aprofundou o beijo, como se nada mais importasse.
‘Isso… só pode ser um sonho.’
‘Isso não pode estar acontecendo de verdade. Não tem como… não tem como…’
— O que foi?
Dane perguntou em um tom baixo, mal tirando os lábios dos dele. Talvez fosse o efeito do beijo intenso de agora há pouco, mas a respiração dele também estava ofegante. Grayson olhou para ele e finalmente abriu a boca:
— Isso é um sonho?
— O quê?
Dane franziu a testa, e Grayson respondeu com um sorriso amargo.
— Você nunca seria tão carinhoso comigo. É isso… só pode ser um sonho.
Ele puxou os cantos da boca para cima em um sorriso.
— Você nem estava falando comigo antes.
Dane ficou em silêncio por um momento. Levou uma das mãos à testa e soltou um longo suspiro, encarando o teto.
— Ha…
Por alguns segundos, ele não se moveu. Muitos pensamentos passaram por sua mente, mas foi apenas um instante. Ele nunca hesitava nem voltava atrás quando já havia tomado uma decisão. E agora não seria diferente.
— Ugh!
De repente, Dane agarrou Grayson pela gola e o puxou para cima. Grayson soltou um grito curto, pego de surpresa. Sem perder tempo, Dane o arrastou até a cama e o jogou lá sem cerimônia. O colchão afundou sob o peso do corpo de Grayson, e Dane logo subiu em cima dele, agarrando a camisa pela parte de trás do pescoço e puxando-a para cima, arrancando-a sem aviso.
Os olhos de Grayson se arregalaram enquanto Dane, já em cima dele, começava a abrir o cinto da calça.
— Vamos transar.
— O-o quê?!
Ainda tentando entender o que estava acontecendo, Grayson ficou completamente sem reação.
— Vou te ajudar a se livrar dos feromônios.
E, antes que Grayson pudesse sequer processar a situação, Dane agarrou sua mão e a levou até o próprio peito.
— Pode tocar à vontade.
No mesmo instante, o coração de Grayson disparou, ultrapassando os 200 batimentos por minuto.
°
°
Continua…
Duda
Oh glória