Deseje-me se puder - Capítulo 112
Dane parou de andar e se virou.
— Ah…
Grayson sentiu como se tivesse sido atingido por um balde de água fria. O rosto de Dane já estampava um claro e evidente “Que saco”. Se ele pressionasse mais, Dane provavelmente ficaria irritado. Consciente do que estava por vir, Grayson hesitou e acabou recuando.
— Não, é só que… eu estava curioso.
Sua voz soou consideravelmente menos firme. Dane respondeu sem muito interesse:
— Foi só uma coisa que aconteceu no passado.
Exatamente a resposta que Grayson esperava. E, claro, não era nem de longe a resposta que ele desejava ouvir.
Dane retomou a caminhada, mas quando percebeu que não havia nenhum som de passos atrás dele, olhou por cima do ombro. Grayson continuava parado no mesmo lugar, imóvel.
Dane olhou para ele com as sobrancelhas franzidas, como se estivesse perguntando o que ele estava fazendo ali parado.
Grayson abriu a boca para falar… e a fechou logo em seguida. Ele repetiu esse movimento algumas vezes, como se tentasse decidir se deveria ou não dizer o que estava pensando.
Dane ficou em silêncio, observando, parecia estar esperando que Grayson finalmente dissesse algo.
O silêncio, de alguma forma, encorajou Grayson que perguntou:
— Você dormiu com Yeonwoo?
— …O quê?
Dane imediatamente franziu o rosto. Mas Grayson nem lhe deu tempo para processar a pergunta e continuou:
— Dormiu com ele ou não? Foi isso, não é? Eu acertei, não foi?
— …Haa.
Dane soltou um riso breve, quase incrédulo. Ele ficou ali, esperando pacientemente, só para ouvir esse tipo de merda? A raiva era evidente em sua expressão, e Grayson mordeu os lábios por um instante. O lábio mordiscado, vermelho e úmido de saliva, chamou a atenção de Dane por um instante.
— Você pode pensar que não importa porque já passou, mas eu me importo.
Grayson sabia que aquilo soava como um adolescente fazendo cena. Também sabia que aquilo era patético. Mas, por algum motivo, não conseguia parar.
— Yeonwoo é totalmente o seu tipo, não é? Você gosta de pessoas pequenas e magras que cabem perfeitamente nos seus braços. E ele se encaixa perfeitamente nisso. Não tem como não ter acontecido nada. Você transa com qualquer um.
‘…Mas que porra?’
Dane arqueou uma sobrancelha.
O filho da puta que passou os primeiros meses no corpo de bombeiros dormindo com metade da equipe agora vinha dar sermão nele?
A audácia era tanta que Dane ficou sem palavras. Já Grayson, completamente alheio ao absurdo do que estava dizendo, foi quem elevou a voz:
— Você é muito promíscuo!
Diante da acusação absurda, Dane ficou sem palavras. Ele nem se daria ao trabalho de negar. Mas Grayson Miller realmente achava que tinha moral para apontar o dedo para ele?
Ele cerrou os punhos com tanta força que os nós dos dedos ficaram brancos, mas Grayson ignorou e continuou falando.
— Mesmo depois de começar a namorar comigo, você ainda foi para a balada tentar ficar com alguém por uma noite. Você não sobrevive sem sexo. E quer que eu acredite que você não tocou em Yeonwoo? Eu vi com meus próprios olhos o quão libertino você é…
Grayson sabia muito bem o quão ridículo era um homem com ciúmes. E, ainda assim, mesmo vendo Dane avançar até ele com uma expressão nada amistosa, não conseguiu se calar. Dane deu mais um passo, esticou o braço.
Grayson viu o punho vindo em sua direção e fechou os olhos, antecipando o impacto. Mas…
— …?
Ao invés de um soco, sentiu a mão de Dane segurando firme a parte de trás de sua cabeça. E então foi puxado para frente.
A mente de Grayson mal teve tempo de processar o que estava acontecendo. Primeiro veio o impacto. Depois, o calor. E por fim, a pressão macia contra seus lábios.
Atordoado, ele abriu os olhos. Dane estava o beijando.
Grayson ficou completamente paralisado, com os olhos arregalados. O que diabos…? O que está acontecendo agora?
Antes que pudesse reagir, Dane pressionou os lábios contra os seus, forçando-os a se abrir, e empurrou sua língua para dentro. O músculo quente e firme se movia sem hesitação, explorando sem pudor. O contato úmido se intensificou conforme suas línguas se enroscavam e se deslizavam uma contra a outra, misturando suas salivas.
Grayson fechou os olhos, finalmente recuperando o controle do próprio corpo, e agarrou a cintura de Dane, puxando-o para mais perto.
Surpreendentemente, Dane não se afastou. Mesmo quando Grayson deixou as mãos descerem, apalpando sua bunda sem cerimônia, ele não reagiu. Pelo contrário, continuou chupando seus lábios, passando os dentes pela carne macia e explorando o céu de sua boca com a língua, como se aquilo não fosse nada demais.
O cérebro de Grayson parecia estar pegando fogo, um clarão explodindo atrás de seus olhos. Ele podia sentir Virgínia ficando dura. E, por um breve momento, imaginou empurrar Dane no primeiro lugar plano que encontrasse e fodê-lo ali mesmo.
Ahh…
Dane afastou os lábios, respirando tão pesado quanto Grayson. Seus rostos estavam vermelhos, o calor pulsava sob suas peles.
— Satisfeito?
Sem esperar resposta, Dane o empurrou para trás. Grayson, ainda desnorteado, recuou sem resistência. Dane limpou os lábios com o antebraço e lançou um olhar impaciente.
— Para de ter crise de ciúmes atoa, seu idiota.
— …Uhum.
Ainda meio atordoado, Grayson apenas assentiu. Dane o encarou por mais alguns segundos antes de continuar, num tom seco:
— Josh me pediu para cuidar dele por um tempo. Não houve nada do que você está pensando.
Grayson piscou. Sua mente estava se organizando aos poucos.
‘Josh? Que Josh? Espera… Joshua Bailey? Por que caralhos ele teria pedido para Dane cuidar de Yeonwoo? Então eles ficaram morando juntos esse tempo todo?’
Havia muitas perguntas, mas todas desapareceram como poeira diante de um único fato. ‘Meu Deus, ele está me dando uma explicação.’
E não parou por aí. Como se quisesse ter certeza de que Grayson não voltaria a encher o saco, Dane ainda reforçou:
— Yeonwoo só respirou no mesmo espaço que eu, entendeu?
Para dar mais ênfase, ele pressionou o dedo no peito de Grayson, empurrando-o levemente para trás. Grayson piscou mais algumas vezes, ainda processando tudo.
— …certo.
Dane suspirou, satisfeito com a resposta, e relaxou a expressão. Em seguida, virou-se e acenou com os dedos, sem nem olhar para trás. — Anda logo.
Grayson ficou parado por um instante antes de finalmente reagir, correndo para acompanhá-lo.
Dane lançou um olhar discreto por cima do ombro e viu Grayson sorrindo, seguindo-o feito um cachorrinho feliz. Sem pensar, um riso breve escapou de seus lábios. ‘Até que é meio fofo,’ ele pensou.
Claro, esse pensamento não durou muito.
***
— Valeu por hoje, Dane. Bom trabalho.
— Até mais.
Dane acenou para Ezra e entrou no carro.
Era um dos raros dias de folga de Grayson. Estranhamente, ele não tinha sincronizado a folga com a sua dessa vez, o que fez Dane se perguntar o motivo por um segundo… antes de decidir que não importava. Era um raro dia de liberdade.
Ele dirigiu para casa tranquilamente, aproveitando o silêncio e a liberdade momentânea. No caminho, pegou o celular e enviou uma única mensagem para Grayson: [.] Claro, ele ignorou completamente a pilha de mensagens que o outro já tinha mandado antes disso.
♬♬♪♬♩♪…….
Sem perceber, ele notou que estava assobiando e parou por um instante. Mas logo entendeu o motivo. Afinal, sair do trabalho depois de um dia exaustivo é sempre algo extremamente prazeroso. O assobio voltou a escapar de seus lábios e não parou até que a mansão apareceu no seu campo de visão.
Quando abriu a porta da frente e entrou, tudo parecia normal. A única coisa estranha era o silêncio. Provavelmente porque Grayson, que costumava tagarelar sem parar ao seu lado, não estava por perto.
‘Será que ele está dormindo?’
Pensando nisso, Dane subiu as escadas de dois ou três degraus por vez, indo direto para o andar de cima. A essa altura, todos os funcionários da casa já teriam ido embora. Ele sabia disso porque, naturalmente, acabou aprendendo o ritmo da casa. Os empregados vinham duas ou três vezes por semana, preparavam a comida, faziam a limpeza e desapareciam como a maré recuando. Como chegavam depois que Dane saía para o trabalho e iam embora antes que ele voltasse, os encontros entre eles eram raros.
Por isso, o silêncio total da casa era algo esperado.
Mas…
Estava silencioso demais.
Dane franziu o cenho, sentindo uma estranha inquietação. De repente, parecia que todos os sons ao redor haviam sumido. ‘Um silêncio assim… não é normal.’ Estava tão quieto que a casa parecia estar vazia.
‘Mas hoje é o dia de folga daquele idiota.’
Dane parou por um instante, ponderando. ‘Será que ele saiu?’
Se fosse esse o caso, fazia sentido que estivesse tão silencioso. Ainda assim, enquanto caminhava, ouviu o eco solitário de seus próprios passos ressoando pelos corredores. ‘Que estranho.’ Era a primeira vez que ficava sozinho naquela casa enorme, e talvez fosse esse o motivo da inquietação. Na sua casa, menor e mais aconchegante, nunca sentiria algo assim.
Provavelmente era só isso. Não podia haver outra explicação…
Foi então que abriu a porta.
Justamente quando ele abriu a porta do quarto. De repente, as luzes do interior acenderam, e Dane, surpreso, parou no lugar.
— Mas que porra é essa?
°
°
Continua…