Deseje-me se puder - Capítulo 110
— Entendi. Então, posso sugerir algo primeiro? Por coincidência, acabamos de lançar uma nova linha da nossa série de produtos para gatos…
— Ei, ei, espera aí.
Dane interrompeu apressadamente o funcionário, que falava com um tom educado e solícito. Ele não podia simplesmente ser arrastado pela situação assim. Como se tivesse levado um balde de água fria, seu cérebro despertou para a realidade. Ele se esforçou para manter a razão e disse:
— Eu preciso conversar com o Miller. Você pode nos dar um minuto?
— Ah… Claro, entendi.
O gerente lançou um olhar rápido para Grayson antes de sair sem questionar. Em poucos segundos, restaram apenas os dois na sala. Com os braços cruzados e a perna batendo no chão em um ritmo impaciente, Dane olhou fixamente para Grayson.
— Que diabos você está fazendo?
Seu tom era quase um rosnado. Grayson inclinou a cabeça de leve, como se não entendesse a pergunta.
‘Esse desgraçado… Será que acha que piscar esses olhos bonitos vai me fazer esquecer isso?’
Dane sentiu sua veia na têmpora pulsar de irritação, mas se obrigou a manter a calma.
— Para começo de conversa, pra que merda você me trouxe aqui?
Tudo tinha acontecido tão rápido que ele nem teve tempo de processar. Ele deveria ter feito essa pergunta antes mesmo de entrar na loja. Agora já era tarde para arrependimentos, mas ainda dava para consertar a situação. Com uma expressão carregada de suspeita, ele pressionou Grayson, que respondeu, confuso:
— Eu te trouxe aqui porque você disse que queria comprar coisas para gatos.
—É, mas por que aqui?
Grayson piscou algumas vezes e então sorriu. Era um movimento automático, como se estivesse acostumado a usar esse recurso sem nem pensar. Mas, diante do olhar afiado de Dane, ele hesitou e desfez o sorriso.
Dava para ver que ele não sabia qual expressão deveria fazer. Seus olhos se moveram de um lado para o outro, a boca se abriu e se fechou algumas vezes, como se estivesse decidindo o que dizer. No fim, ele murmurou:
— Se não gosta desse lugar, podemos ir para outra loja.
— Que loja?
— A que fica bem ao lado…
— Chega.
Dane cortou o assunto na hora. Sua expressão ainda estava fechada, mas agora ele entendia a situação. Resumindo: o padrão de lojas que Grayson conhecia era esse. Para qualquer coisa, por mais insignificante que fosse, ele vinha a lugares assim, onde bastava abrir a boca e os produtos apareciam diante dele.
— Você disse que tem um cachorro, certo?
— Sim.
Grayson acenou com a cabeça sem hesitar.
Dane decidiu testar:
— Você também apara as unhas dele? Onde você comprou o cortador de unhas?
— Aqui.
É claro. Dane teve a certeza de que estava certo. Agora tudo fazia sentido. Era por isso que esses lugares vendiam todo tipo de coisa absurda, desde borrachas a lápis. Porque existiam clientes como ele.
— Miller.
— Sim?
Mais uma vez, Grayson respondeu imediatamente, sem hesitação. Dane respirou fundo, reunindo paciência, e começou a lhe ensinar uma lição sobre a vida real:
— A maioria das pessoas não entra assim, de boa, nessas lojas para comprar um simples cortador de unhas de cachorro. Antes de me trazer aqui, você deveria ter perguntado se eu queria comprar algo neste lugar.
Diante dessa explicação, Grayson franziu as sobrancelhas, parecendo insatisfeito. Ele claramente queria dizer algo, então Dane estreitou os olhos, dando permissão silenciosa para ele tentar.
— Mas…
Grayson continuou com um tom de voz que parecia relutante.
— Você disse que eu não deveria gastar dinheiro. Então, você tem que comprar, o que mais podemos fazer?
A perna de Dane, que até então subia e descia impacientemente, congelou no ar. Seu rosto se contorceu de incredulidade enquanto ele encarava Grayson. A expressão dele gritava: Você está falando sério?
— Haah…
Como já havia feito tantas outras vezes, Dane soltou um longo suspiro e passou a mão pelo rosto. Isso era frustrante, mas ele sabia que não adiantava se irritar. O problema era simplesmente a diferença de realidades em que os dois cresceram. Diante de situações assim…
— Enfim, eu não tenho dinheiro nem para comprar uma coleira aqui, entendeu?
— Então eu posso…
— Vamos para outra loja, um lugar que eu conheço.
Antes que Grayson pudesse ultrapassar mais uma linha, Dane o cortou sem rodeios. Sair daquela loja seria a coisa mais fácil do mundo, mas ao olhar para o café e a sobremesa que já tinham comido, algo o incomodou. Sentiu que não deveria ter comido, mas já era tarde demais. De qualquer forma, se ele começou algo, tinha que assumir a responsabilidade.
Grayson Miller.
— Você.
Grayson imediatamente virou o rosto para ele. Dane teve um momento estranho de déjà vu, como se estivesse lidando com um golden retriever muito bem treinado.
— Você precisa de alguma coisa? Compre qualquer coisa. Sair sem comprar nada depois de comer aqui pega mal.
— Podemos só sair.
Dane franziu as sobrancelhas e usou um tom de ameaça discreto:
— Compre algo, qualquer coisa, a mais barata que encontrar
Grayson ficou um momento parado, franzindo a testa como se levasse aquilo a sério. Depois, sem pressa, levantou-se do sofá e saiu. Quando voltou, carregava uma pequena sacola de compras.
— Comprei.
Ele exibia um sorriso satisfeito, e Dane se levantou sem mais delongas. Nem tentou adivinhar o que o outro havia comprado. Também não importava. De qualquer forma, ele havia comprado algo, então a dívida estava paga.
Finalmente, Dane sentiu o peso da consciência aliviar e saiu da loja, seguido por Grayson. O gerente os acompanhou até a porta com um sorriso profissional.
— Me dê a chave.
Dane estendeu a mão, sem sequer olhar para Grayson. Assim que recebeu a chave do carro, ele se jogou no banco do motorista sem hesitar. Dessa vez, foi Grayson quem teve que aceitar ser o passageiro.
O carro seguiu pela estrada, mas o destino era bem diferente do bairro luxuoso onde estavam antes. Dane estacionou em frente a um comércio pequeno e gasto pelo tempo, ao lado de uma caminhonete velha, cuja traseira parecia um remendo improvisado.
Sem perder tempo, ele saiu do carro, Grayson o seguiu, saindo da posição de passageiro. Dane trancou as portas do carro e, sem olhar, jogou a chave para Grayson com um movimento rápido do polegar. Grayson pegou a chave no ar com uma mão e seguiu Dane que caminhava à frente.
— Ora, ora, Dane! Quanto tempo!
Uma mulher mais velha, que limpava o balcão, abriu um sorriso caloroso ao vê-lo. Eles trocaram um abraço rápido e algumas palavras, e então Dane foi direto ao assunto.
Enquanto ele analisava as opções de caixas de transporte, Grayson aproveitou para explorar o lugar. As prateleiras estavam lotadas de tudo que um dono de pet poderia precisar, desde brinquedos a rações. Mas o mais impressionante era a variedade: além de cães e gatos, havia produtos para répteis, anfíbios e até animais exóticos.
Curioso, ele se inclinou para espiar um terrário vazio. Quando desviou o olhar, encontrou uma fileira de aquários. A água estava cristalina, e parecia que os peixes haviam acabado de ser alimentados, pois eles se aglomeravam na superfície, abrindo e fechando a boca.
Grayson se abaixou um pouco, aproximando o rosto do vidro. Seus olhos se fixaram nos olhos vazios de um peixe dourado. E ele ficou ali, imóvel, apenas observando os peixes. Até que Dane chamou por ele.
— Miller.
Ao ouvir seu nome, Grayson lentamente endireitou a postura e se virou. Dane estava parado ali, olhando para ele. O homem fez um leve movimento de cabeça, chamando-o.
— Terminei. Vamos.
Dane se despediu da dona da loja com um aceno simples e, como antes, saiu na frente. Grayson o seguiu para fora, mas quando estavam do lado de fora, percebeu que Dane havia parado para encará-lo.
Havia algo naquela expressão que parecia hesitante, como se ele estivesse considerando dizer algo. Grayson piscou.
— Que foi?
O sorriso no rosto de Grayson era automático, um reflexo condicionado. Dane já sabia disso, mas não comentou, apenas continuou olhando para ele em silêncio.
‘O que você estava pensando enquanto olhava para aquele aquário?’
A maioria das pessoas, se perguntadas, responderia que queria um peixe de estimação. Ou que estava apenas matando o tempo. Mas Grayson Miller não era a maioria das pessoas. Dane quis perguntar, mas não disse nada.
Em vez disso, apenas estendeu a mão e entregou algo a ele.
— Toma.
Grayson, confuso, abriu a palma para receber o objeto. Dane soltou o item sobre a sua mão e recuou. Grayson abaixou os olhos para ver o que era. Uma lata de petiscos para cachorro.
Ele piscou, claramente sem entender, e olhou de volta para Dane, que explicou de forma casual:
— É um presente. Tem um monte de nutrientes que fazem bem para cães mais velhos.
— …Presente?
Grayson repetiu a palavra como se fosse algum conceito alienígena. Dane, sentindo-se um pouco desconfortável com a reação, coçou a nuca.
— Sim. E só que… Já que você está me fazendo um favor e tudo mais…
Talvez devesse ter colocado aquilo em um papel de presente? Ele pensou nisso mas já era tarde demais. E então percebeu que Grayson o olhava de um jeito… estranho. Os olhos dele estavam ligeiramente arregalados.
— Essa é a primeira vez que você me dá um presente…
Grayson falou com uma voz que Dane nunca tinha ouvido antes. A voz levemente trêmula parecia carregada de emoção. Não, não era só impressão. Seus olhos brilhantes, as bochechas levemente coradas e a voz vibrante eram a prova disso.
— Obrigado. Vou guardar com muito carinho.
Com a declaração absurda. Dane franziu a testa e repreendeu com aspereza:
— Seu idiota, isso é para o cachorro. Você vai guardar pra quê?
Grayson deveria, no mínimo, ter ficado sem graça com o comentário. Mas não, sua expressão não mudou nem um pouco. Ao ver aquele rosto, Dane sentiu-se inexplicavelmente culpado e suavizou o tom de voz ao acrescentar:
— Nem foi caro. Não precisa agradecer tanto assim.
Mas, mesmo depois disso, Grayson continuou parado ali, segurando a lata com tanto zelo que parecia conter algo muito mais valioso do que simples petiscos caninos. Suas mãos grandes envolviam o pequeno objeto com um cuidado quase exagerado. Ele o encarava, e depois olhava para Dane, como se quisesse dizer algo, mas não soubesse como.
Foi então que aconteceu.
Suas orelhas se mexeram.
Foi um movimento sutil, rápido, mas Dane percebeu imediatamente. Ele arregalou ligeiramente os olhos, surpreso. Grayson percebeu o olhar e, no mesmo instante, levou as mãos às orelhas, como se quisesse impedir que se mexessem de novo.
— Não, isso é… só um hábito.
— Suas orelhas se movem sozinhas?
Dane ergueu uma sobrancelha. Grayson hesitou, depois assentiu, parecendo um pouco desconfortável.
— Não sei o motivo, mas às vezes elas se movem sozinhas.
Dane ficou em silêncio, observando-o. E então, aconteceu de novo. Dessa vez, um movimento ainda mais perceptível.
E foi ali que ele entendeu.
Talvez Grayson não soubesse o que estava sentindo. Talvez ele não compreendesse as próprias emoções. Mas seu corpo sabia. Mas precisamente suas orelhas sabiam.
Essa constatação fez algo se agitar dentro de Dane. Seu coração começou a bater mais forte, em um ritmo pesado e deliberado.
Um leve rubor se espalhou nas bochechas de Grayson, era como um botão de flor se abrindo. Sem pensar, Dane ergueu a mão e cobriu aquele calor com sua palma.
Grayson arregalou os olhos, surpreso, mas Dane não recuou. Em um movimento lento, deslizou a mão para a nuca dele e puxou-o para mais perto. Grayson hesitou por um breve instante. Mas não resistiu. A distância entre os dois diminuiu, pouco a pouco.
As pálpebras desceram lentamente até se fecharem completamente. O calor de suas respirações se encontrou. Logo, seus lábios se tocariam. Ambos sabiam o que aconteceria a seguir e nenhum dos dois recuou.
°
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Continua..
Jujuba
Kkkkkkk a não dane, já se rendeu por causa de uma única coisa fofa
•°Simp_Koynue°•
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
Não Acreditoooooo! 😆😆
Duda
Soldado abatido com sucesso