Capítulo 62
Deep Pivot — Capítulo 62
Seojoon escondeu-se atrás de uma grande pedra, rangendo os dentes em desespero. Houve momentos durante a estadia no esconderijo em que se sentiu grato por Yeonwoo estar com ele. Se estivesse sozinho, não teria conseguido suportar o isolamento.
Mas agora, naquele momento, ele se ressentia profundamente da presença de Yeonwoo ao seu lado. A situação era horrível.
Ele não sabia como proteger alguém. Apesar de já ter salvado inúmeros civis antes, sentia-se perdido. Haveria mesmo uma maneira perfeita de proteger alguém desses Espers?
Era doloroso para ele ver até mesmo o menor arranhão em Yeonwoo.
Os tiros cessaram. Seojoon olhou para Yeonwoo, que lhe mostrou o ombro.
— Eu consigo me mexer. Acho que só me arranhou. Está tudo bem…
— Pare de dizer que está tudo bem!
Seojoon o interrompeu bruscamente.
— Você disse que não gosta de se machucar. Você não quer morrer, né? Então… então…
Culpe-me, por favor. Ele não conseguiu terminar a frase, engolindo as palavras e agarrando a gola de Yeonwoo.
— Tenente.
Yeonwoo envolveu a mão de Seojoon, que segurava seu colarinho. Seojoon olhou para a mão maior que cobria a sua com facilidade. Uma leve cicatriz permanecia na mão de Yeonwoo, de quando ele protegera a cabeça dele durante o último incidente no portal.
— Não fique bravo. Normalmente sou chorão, mas desta vez está realmente suportável…
Seojoon olhou para as mãos de Yeonwoo enquanto esfregava cuidadosamente os dedos e o dorso da mão dele. Cada pequeno arranhão era suavemente apagado com seu toque.
— Não se preocupe. Se doer muito, eu te conto.
Sangrando por causa do tiro, mas ainda assim o tranquilizando. O que eram aqueles pequenos arranhões comparados àquilo, e ainda assim ele o guiou em um momento tão crítico?
Sua devoção cega começou a comover o coração de Seojoon. O que antes parecia irritante e tolo agora só lhe trazia dor.
— …Vamos.
Seojoon pegou a mão de Yeonwoo e o guiou para longe. Como os tiros haviam cessado, os agressores provavelmente estavam se aproximando deles. Precisavam se proteger rapidamente.
Então um telefone vibrou no bolso de Seojoon.
— Coronel Jin.
— Tenente Ji, estamos quase lá. Chegaremos em 15 minutos. Você consegue aguentar até lá?
— Estamos na encosta da montanha, perto da entrada dos fundos do esconderijo. Vamos resistir o máximo que pudermos.
— Você tem rádio? Deixe-o ligado e, se tiver sinal, atenda imediatamente. Seremos nós.
— Entendido. E…
Seojoon olhou para Yeonwoo enquanto falava.
— Há um guia ferido. Enviem o equipamento de transporte primeiro.
Após encerrar a ligação, Seojoon olhou para Yeonwoo com o coração pesado. Se estivesse sozinho, aguentar 15 minutos teria sido fácil. Mas com Yeonwoo ao seu lado, mesmo um único minuto parecia precário.
— …Eu sou apenas um fardo, certo?
Yeonwoo perguntou cautelosamente, encontrando o olhar de Seojoon.
— Do que você está falando? Não existe fardo tão bonito quanto você.
Seojoon o abraçou, mas um longo suspiro escapou de seus lábios.
— …Se eu pudesse, eu te engoliria inteiro e te carregaria na minha barriga.
Ele fez uma piada cruel, esboçando um sorriso fraco.
— Eu também.
Yeonwoo retribuiu o abraço.
— Eu também gostaria de estar dentro de você, Tenente.
O abraço firme aqueceu um ao outro. Seojoon se afastou e colocou a mão de Yeonwoo em seu próprio ombro. Não havia tempo para sentimentalismo desnecessário. Quanto mais tarde enfrentassem seus perseguidores, maiores seriam as chances de proteger Yeonwoo.
— Pare bem o sangramento. Aguente firme mais um pouco.
Seojoon agarrou a mão de Yeonwoo e eles dispararam morro acima. Em poucos minutos, o som de tiros e passos se aproximava lá de baixo. Ele não tinha certeza de quantos, mas parecia mais do que o número que tinham visto dentro do prédio.
No final, Seojoon deixou Yeonwoo assumir a liderança.
— Isso não vai funcionar.
— O que?
— Vá, Yeonwoo. Corre direto morro acima.
Seojoon colocou um rádio na mão de Yeonwoo. Quando ele balançou a cabeça em descrença, Seojoon bagunçou seu cabelo de brincadeira e sorriu.
— Você confia em mim, certo?
Ele deu um leve tapinha na mão de Yeonwoo.
— Só me dê uma boa orientação depois.
A expressão de Yeonwoo era indescritivelmente sombria.
Não havia tempo para hesitar, e não era o momento de discutir. Yeonwoo sabia que seria pior para Seojoon se ele ficasse, então finalmente se virou e correu.
Tiros se aproximavam por trás. Yeonwoo olhou para trás e viu Seojoon em prontidão, com as mãos erguidas, encarando os perseguidores abaixo. Naquele momento, Yeonwoo sentiu a profunda dor de não poder ajudar como um Esper.
Fugir e deixar Seojoon para trás foi horrível. Se ao menos ele pudesse protegê-lo, se ao menos tivesse essa habilidade. Mas, na realidade, ele não passava de um guia novato sem experiência em combate.
Yeonwoo se virou e correu novamente. O sol já estava se pondo. Folhas secas e galhos quebrados sob seus pés o fizeram escorregar várias vezes.
Ouvia-se um estalo no rádio, mas não havia sinal claro. Ele precisava encontrar um lugar mais alto e obter um sinal para retransmitir a situação imediatamente. Enquanto corria morro acima, alguém de repente se colocou na frente de Yeonwoo.
[Você é o Sem Nome ou é o outro cara?]
Um homem loiro, vestido com uma roupa tecnológica preta, aproximou-se de Yeonwoo. Instintivamente, ele estendeu a mão para o revólver nas costas, mas imediatamente estremeceu e caiu de joelhos.
— Ugh….
[Relaxa, amigo. Estou desarmado. Sacar uma arma não é justo.]
Todo o seu corpo estava preso ao chão sob imensa pressão. O aprisionador, que normalmente continha aberrações com telecinese, agora continha um humano. Yeonwoo estava deitado de bruços, com os braços torcidos para trás, debatendo-se desesperadamente para avaliar a força do inimigo.
Lembrando-se de como o Segundo-Tenente Yoon Doyoung, da SAU, certa vez amassou um papel como um fantasma no ar, ele percebeu que a contenção deste aprisionador não era tão forte ou precisa. As folhas caídas ao seu redor estavam achatadas e esfareladas. Não tão refinadas.
Na melhor das hipóteses, uma classificação A ou abaixo de B.
Se estivesse abaixo do nível B, ele poderia se libertar com bastante esforço. Enquanto isso, o rápido tiroteio vindo do prédio ecoava lá de baixo.
[Ah, então esse é o Sem Nome.]
O homem disse enquanto chutava Yeonwoo nas costas.
[Então você é o guia, hein.]
Yeonwoo rolou pelo chão, ainda imobilizado pela telecinese do homem, tossindo um gemido. O revólver e o rádio escorregaram de sua cintura enquanto o homem o chutava repetidamente.
O homem se aproximou lentamente e montou em Yeonwoo. Embora tivesse alegado não ter nenhuma arma antes, sacou o revólver de Yeonwoo do próprio cinto e apontou para a testa dele.
Bang! O tiro bem acima de sua cabeça fez os ouvidos de Yeonwoo zumbirem. Ele agarrou o pulso do homem e tentou empurrá-lo.
— Urgh…
[Forte, hein?]
O homem riu.
[Você está bem treinado.]
Estática crepitava a uma curta distância.
— Bebê, responda.
Bang! Outro tiro foi disparado para o ar. O homem se distraiu com a voz no rádio, dando a Yeonwoo a chance de torcer o pulso do homem e forçar seu corpo a se virar.
Apesar de sua luta, Yeonwoo não conseguia se levantar devido à contenção telecinética do aprisionador, o que fazia com que sua nuca batesse repetidamente no chão. Então, uma voz veio do rádio do homem.
— Qual é o seu status?
[Um guia. Eu cuido dele e desço.]
— Ugh, ah…!
Yeonwoo agarrou o pulso do homem e lutou desesperadamente. Bang, bang! Mais dois tiros foram disparados contra o chão. Risadas foram ouvidas do outro lado da linha.
— Ei, como um guia pode dominar um rank B? Precisa de ajuda?
[Cale a boca, estou só me divertindo.]
Bam, bam! Smack! O homem golpeou o rosto de Yeonwoo com o revólver, quase como se estivesse extravasando sua frustração. O metal frio atravessou sua bochecha e deixou o interior de sua boca rasgado e sangrando.
Um lado do rosto de Yeonwoo inchou instantaneamente, e sangue jorrou de seus lábios e pálpebras. Em meio ao som desconhecido em seus ouvidos, ele ouviu as palavras “Nível B”.
[Uma classificação B…]
Quando o homem balançou o punho novamente, Yeonwoo torceu o pulso do homem para trás.
— Aaagh!
O pulso do homem estalou ao se dobrar para trás. A contenção telecinética que prendia Yeonwoo desapareceu. Com o pulso torcido a ponto de os nós dos dedos tocarem o antebraço, o homem gritou de agonia.
[Seu maldito…!]
O revólver estava muito fundo na encosta para ser agarrado. Yeonwoo estendeu a mão desesperadamente para o rádio que estava ali perto.
Bang! Com a mão direita quebrada, o homem disparou com a esquerda, errando Yeonwoo e caindo no chão. Yeonwoo agarrou a perna do homem, derrubando-o.
Os dois caíram juntos ladeira abaixo, rolando um sobre o outro.
— Urgh…!
As costas do homem bateram em um toco de árvore afiado, deixando-o sem fôlego. Ele gemeu e o empurrou para longe. Ele se levantou cambaleando, franzindo a testa, e apontou o revólver para Yeonwoo caído no chão.
Bang!
— Ah, argh…
O corpo de Yeonwoo se contraiu, esparramado no chão. O homem tentou puxar o gatilho novamente.
Clique, clique.
O revólver estava vazio.
— Bebê, responda. Bebê, responda.
A voz de Cheong-oh soou através do rádio caído no chão. O homem olhou para o rádio, confuso, antes que uma sombra enorme avançasse em sua direção.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna