Capítulo 46
Deep Pivot — Capítulo 46
Depois de comer e fazer compras, eles acabaram assistindo ao filme que tinham perdido da última vez. Felizmente, desta vez não era um assento de casal, e nenhum portão se abriu inesperadamente. À medida que o dia chegava ao fim, Seojoon olhou para o relógio, apoiando a mão no volante enquanto olhava para Yeonwoo.
— Passamos quase 24 horas juntos.
Ele se perguntou se Cha Yeonwoo já estaria cansado dele, dado o tempo que passaram juntos.
— Nunca senti 24 horas passarem tão rápido.
…Aparentemente, não pareceu muito tempo para Yeonwoo. Seojoon riu e perguntou.
— Foi tão divertido assim?
— Bem… ontem foi estressante, mas hoje foi divertido.
— Fico feliz que tenha gostado. Fiquei com medo de ter te arrastado demais.
Seojoon parou o carro na entrada do beco estreito, além do qual o carro não conseguia passar. Ele estendeu a mão para pegar as sacolas de compras no banco de trás. Yeonwoo as pegou com uma reverência de gratidão.
— Obrigado. Vou usá-las bem. Vou me certificar de usá-las sempre que o encontrar, Tenente.
— Boa noite, Yeonwoo.
Seojoon acenou para Yeonwoo ao sair do carro. Yeonwoo retribuiu o aceno com uma leve reverência antes de desaparecer no beco. Depois de se despedir dele, Seojoon foi embora.
Ele nunca havia se aventurado tão profundamente no bairro de Yeonwoo antes e não tinha percebido o quão complexas eram as ruas. Seguindo o GPS, Seojoon navegou pelas ruas estreitas e finalmente chegou a uma rua mais larga.
Foi então que ele olhou pelo retrovisor e percebeu: Aquele carro estava me seguindo. Na estrada estreita, antes, só um carro conseguia passar de cada vez, então não havia muita escolha, mas mesmo nesta estrada mais larga, o carro não tentou passar.
A estrada mal iluminada estava silenciosa, com alguns postes de luz quebrados projetando sombras.
— …
Seojoon olhou para o lado. O carro que o seguia estava agora bem ao seu lado. Quando o vidro escuro baixou, um homem de terno preto se tornou visível.
Parecia que o homem tinha algo a dizer, então Seojoon abaixou o vidro da janela.
— Como chego ao Dugaero Mart?
O sotaque do homem era uma mistura incomum de dialeto coreano padrão e yanbian.
— Não tenho certeza. É a minha primeira vez na região.
Enquanto Seojoon respondia, ele viu de relance a tela do GPS no outro carro.
O Dugaero Mart não está aparecendo no GPS deles? Esse pensamento mal lhe passou pela cabeça quando o homem de repente deu um sorriso irônico, revelando um aparelho colorido.
Bang! Antes que Seojoon pudesse reagir, o tiro foi disparado. Seu carro derrapou no asfalto, deixando marcas de freadas ao desviar e bater em um poste de luz inclinado.
A fumaça começou a subir lentamente do capô amassado. A poucos metros de distância, três homens emergiram do veículo parado.
O carro semidestruído permaneceu em silêncio. Um homem, segurando uma arma com silenciador, aproximou-se da janela do motorista e disparou vários outros tiros para dentro.
No antigo bairro, com seu emaranhado de casas decadentes, o som dos tiros, apesar de ecoar fortemente nos ouvidos do atirador e da vítima, mal chegava longe o suficiente para ser ouvido por qualquer outra pessoa.
✽✽✽
Àquela hora, o bairro estava geralmente tranquilo, exceto pelos gritos ocasionais de algum transeunte bêbado.
Ao voltar para casa, Yeonwoo largou as sacolas de compras e abriu a janela. Mesmo àquela hora tardia, ele precisava arejar o ambiente por um instante.
Ele se virou para olhar as cinco ou seis sacolas de compras e soltou um pequeno suspiro, como se lembrasse de algo esquecido.
— Oh.
Seu uniforme. Ele havia deixado a camisa que havia tirado durante o passeio no carro do tenente. Yeonwoo pegou o celular.
Cha Yeonwoo
[Eu sou um idiota?]
[Deixei meu uniforme no seu carro, Tenente.]
[Deixe aí.]
[Eu pego na próxima vez.]
23h14
[Muito obrigado por hoje.]
23h15
Ele quase escreveu: Espero poder ir a um encontro como esse com você novamente, antes de apagar rapidamente.
Um encontro? Devo estar louco.
Felizmente, as mensagens podem ser editadas antes de serem enviadas. Ele não conseguia imaginar o que teria acontecido se tivesse dito aquilo em voz alta na frente do tenente.
Toc, toc, toc. Ele digitou cuidadosamente no teclado: “Podemos passar mais tempo assim juntos na próxima vez, Tenente?” Mas apagou a mensagem antes de enviá-la.
Suspira…
Yeonwoo cobriu o rosto com as duas mãos e soltou um longo suspiro.
Grito! Bang!
De repente, um barulho alto veio da janela aberta. Parecia um acidente de carro, não muito perto, mas também não muito longe.
— …
Yeonwoo olhou a hora. Não fazia muito tempo que ele se separara de Seojoon. Com a complexa configuração da área, o tenente levaria um bom tempo para se orientar.
Depois de pensar por alguns momentos, Yeonwoo verificou seu aplicativo de mensagens.
O “1” que indica mensagens não lidas ainda não havia desaparecido.
✽✽✽
— Você acha que esse cara está realmente morto?
Dói. Dói tanto…
Seojoon desabou sobre o volante, rangendo os dentes. Sangue jorrava de seu ombro, peito, flanco e costas. Os homens do lado de fora discutiam se deveriam queimar o carro primeiro ou lidar com o corpo.
— Espere um segundo.
Uma voz baixa de barítono parecia ecoar em seus ouvidos, causando arrepios em sua espinha com seu tom monótono e assustador.
Ainda curvado sobre o volante, Seojoon estendeu a mão e abriu o compartimento abaixo, sacando sua arma. A dor era excruciante, como se seu corpo fosse se despedaçar ao menor movimento. O sangue borbulhou em sua garganta e encheu sua boca com um gosto metálico.
Tosse! Ele não conseguiu conter a tosse, e ela o deixou engasgado. As vozes lá fora silenciaram. Os nervos em sua carne e órgãos dilacerados se contraíram e se inflamaram. Passos se aproximaram.
Clique. Suas mãos trêmulas carregaram o revólver. No momento em que a figura se aproximou do lado do motorista, Seojoon ergueu o tronco e puxou o gatilho.
Bang! Através de sua visão turva, ele pôde ver a bala voando pelo ar. Vislumbrou os dentes do homem sorridente antes que a bala parasse bem em frente ao seu nariz e caísse inofensivamente no chão.
Um Controlador, um Esper que podia manipular telecineticamente qualquer objeto metálico, especialmente balas. Um Classe S.
— Ugh…
Seojoon gemeu de dor ao abrir a porta do motorista e sair cambaleando. Tentou acionar o alerta de emergência no relógio, mas a moldura amassou instantaneamente e a tela se estilhaçou.
— Argh!
Estilhaços cravados em seu corpo começaram a se mover, causando uma dor excruciante. Ele cuspiu sangue e caiu no chão, com o corpo dilacerado pela agonia. Mal conseguia respirar, e cada respiração trazia um gemido doloroso. Quase parecia que ele estava soluçando, o que fez o homem à sua frente rir ironicamente.
Um dos homens ajoelhou-se ao nível de Seojoon, inclinando a cabeça enquanto sorria, expondo seu aparelho colorido. Ele juntou as mãos e murmurou algo em chinês.
Alguém ao lado dele falou com o homem em chinês, e uma discussão acalorada se seguiu.
— Ugh….
Gavinhas saíram do corpo de Seojoon, perfurando as testas e os pescoços dos dois homens. Em um instante, eles caíram sem vida no chão.
O movimento torceu dolorosamente as articulações de Seojoon, que se contorceu em agonia. Aglomerados de nervos se contorceram para fora de seus ferimentos e expeliram os fragmentos de bala misturados com sangue.
— …Sem Nome.
Uma voz falou um pouco mais distante. Era a mesma voz de barítono que havia chegado aos ouvidos de Seojoon antes.
— Implacável, seja aqui ou ali.
A voz monótona era tão assustadora que não dava para entender se ele estava falando com Seojoon ou consigo mesmo. Seojoon se esforçou para levantar o olhar e enxergar o homem.
Em sua visão turva, ele conseguia distinguir uma cabeça com cabelo curto. Dói. Dói… Um fragmento preso perto de seu coração apertou-se como um nó em sua garganta.
Toc, toc. Os sapatos limpos se aproximaram de Seojoon.
— Vamos ver se você consegue sobreviver com a cabeça explodida.
O homem murmurou lentamente, apontando sua arma para a cabeça de Seojoon.
Bang!
Um tiro alto ecoou.
O homem alto cambaleou para trás, fazendo uma careta enquanto agarrava o ombro.
Bang! Bang! A cada tiro, o corpo do homem se desmanchava lentamente. Ao contrário de antes, os tiros eram altos o suficiente para ecoar por todo o bairro.
Atingido no ombro, na coxa e na panturrilha, o homem instintivamente se virou.
— Não se mova.
Seojoon não conseguia ver claramente, mas reconheceu a voz.
…Cha Yeonwoo.
Ele havia chegado. Antes que percebesse, uma grande mão se estendeu em sua direção.
Baque. Seojoon caiu para frente e enterrou o rosto naquela palma.
— …
Ah, ele finalmente conseguia respirar.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna