Capítulo 18
Deep Pivot — Capítulo 18
Depois disso, um silêncio estranho pairou sobre o lugar. Enquanto bebia sua comida líquida, Seojoon observava Yeonwoo comer com prazer, como se estivesse curtindo um mukbang.
Cada vez que Yeonwoo colocava algo na boca, uma das bochechas inchava. O jeito como ele mastigava lembrava Seojoon de um bebê. Talvez seja por isso que os pais dizem que se sentem satisfeitos só de ver os filhos comerem.
— O sabor está bom?
— Seria mais saboroso se o tenente comesse comigo.
Yeonwoo disse isso enquanto colocava na boca uma salsicha vienense, cortada para parecer um polvo.
— Isso é gostoso…
— …
— A salsicha vienense é realmente boa.
Com uma salsicha enfiada na bochecha, ele pegou outra com os hashis e olhou para Seojoon. Ele riu da expressão óbvia.
— Yeonwoo, você é inesperadamente brincalhão.
— Eu? …Eu sou?
Seus olhos se arregalaram como se tivesse ouvido algo inacreditável. Ele parecia muito fofo. Mesmo que isso pudesse constrangê-lo, Seomjoon não resistiu à provocá-lo por causa da reação encantadora de Yeonwoo.
— Você não estava só brincando? Eu quase caí nessa.
— Não, eu só…
Os olhos e orelhas de Yeonwoo ficaram vermelhos quando ele baixou o olhar.
— Achei que seria legal se você comesse comigo.
— Então, me dá um. – disse Seojoon, abrindo a boca. Yeonwoo hesitou por um instante, mas então, cuidadosamente, o alimentou com a salsicha. Agora, suas bochechas, pescoço e até as pontas dos dedos que seguravam os hashis estavam vermelhos.
— É… saboroso.
— Tenente, sua expressão agora é como a de uma criança sendo forçada a comer cenouras.
— Você me pegou.
— Se não gosta, não se force a comer. Eu termino a sua porção também.
Criaturas jovens são geralmente fofas, como cachorrinhos ou gatinhos. Naturalmente, um jovem de 20 anos com cara de criança que ainda não deu o primeiro passo na sociedade também ficaria adorável.
Seojoon explicou por que achava Yeonwoo particularmente cativante: assim como gatinhos e cachorrinhos são fofos, o jovem Cha Yeonwoo também é.
— Já terminei de tomar banho, Tenente.
Seojoon, que havia terminado seu banho há algum tempo, estava colocando os pratos da lava-louças no escorredor. Virou-se distraidamente e deu um pequeno sorriso ao ver Yeonwoo.
Como ele não tinha roupas que servissem, eles tiveram que se contentar com uma calça de moletom cinza que Cheong-oh havia deixado para trás. Mesmo assim, a calça terminava nos tornozelos de Yeonwoo, o que parecia um tanto cômico.
— Pelo menos a cintura serve.
— O Capitão Jin lhe visita com frequência?
Seo-joon respondeu à pergunta de Yeonwoo enquanto organizava os pratos.
— É, Cheong-oh vem, Chaewon também, e Yeong-gyo também. Os membros da equipe SAU costumam visitar as casas uns dos outros, então costumamos deixar roupas extras na casa uns dos outros.
Enquanto Seojoon guardava o último copo, ele sentiu um cheiro do seu sabonete líquido atrás das suas costas.
— Precisa de ajuda?
— Não, estou bem—
Virando-se sem pensar, Seojoon prendeu a respiração instintivamente. Yeonwoo, que havia se aproximado, recuou imediatamente quando se viram cara a cara.
— …Desculpe. Eu só queria ajudar.
— Está tudo feito.
A distância era curta demais. O nariz de Seojoon quase roçou no peito de Yeonwoo. Mesmo entre homens, o contato é feito com cautela se uma pessoa estiver sem camisa. Seojoon sorriu propositalmente para amenizar o constrangimento.
— Venha por aqui, Yeonwoo. Seu quarto é no segundo andar.
Enquanto subiam as escadas, Yeonwoo hesitou como se quisesse dizer algo. Ele olhou para Seojoon como se estivesse prestes a falar, mas sempre que ele olhava para trás, Yeonwoo desviava o olhar. É raro alguém ser tão transparente com seus sentimentos.
— Você não precisa se sentir desconfortável. Este é o quarto onde os membros da equipe às vezes dormem, então minha tia o mantém sempre limpo. O banheiro é ao lado, então você não precisa descer até o primeiro andar para usar um.
— …Obrigado.
Após alguns segundos de resposta tardia, Seojoon se virou para encará-lo.
— Você tem algo a dizer? Você está abanando o rabo desde mais cedo.
— Abanando o rabo?
— Deixa pra lá. Você tem algo a dizer ou não? Senão—
— Tenente, hum… isso…
Quando Seojoon estava prestes a sair da sala, Yeonwoo hesitantemente pegou seu dedo mindinho e então falou timidamente.
— …Tem certeza de que não precisa de orientação?
Seojoon não conseguiu evitar rir.
— Há quanto tempo você quer perguntar isso? Quando terminou de tomar banho? Ou quando a gente ia subir para cá?
Ele provocou, e Yeonwoo imediatamente abaixou o olhar como um rabo sendo encolhido.
— Eu estava pensando em perguntar desde que estava tomando banho.
Eu não deveria me divertir muito provocando-o. Seojoon sorriu e balançou a cabeça.
— Se eu precisar, te aviso primeiro. Mas hoje não. Normalmente não peço orientação, porque não quero me apegar muito.
Quando Seojoon tentou sair, a mão que segurava seu mindinho se moveu para agarrar delicadamente seu pulso.
— …Eu já estou apegado.
As pontas dos dedos tímidos roçaram a parte interna do pulso de Seojoon. Ele franziu a testa levemente e perguntou:
— O que você quer dizer com isso?
— Você cuidou de mim o dia todo hoje. Você é a primeira pessoa de quem tive tanta proximidade na SAU. Você é basicamente meu melhor amigo, então foi isso que eu quis dizer com estar apegado.
— Ah.
Por um breve momento, Seojoon interpretou mal o significado de apego de uma forma nada pura e se viu sem palavras ao olhar para Yeonwoo. Ele se referia a um apego físico, mas Yeonwoo era tão puro que o fez sentir como se só ele tivesse sujado as coisas.
— …Certo. Acho que já estamos apegados, Yeonwoo.
Seojoon sorriu e respondeu tardiamente. A mão em volta do seu pulso estava quente. Não como uma chama ardente, mas como um raio de sol aconchegante. Aquele pequeno toque espalhou calor sob sua pele, fazendo-o querer se inclinar sem parar.
— Então, me avise sempre que precisar de ajuda. …Farei o meu melhor, sem cometer erros como no primeiro dia.
Seojoon impulsivamente estendeu a mão. Sentiu o pescoço de Yeonwoo ficar tenso sob seu toque. Com um braço, ele o abraçou gentilmente e sussurrou com um sorriso:
— Yeonwoo, nossa taxa de pareamento é alta.
Quando Seojoon finalmente puxou Yeonwoo completamente para seu abraço, o peito que ele segurava inchou muito.
— Até mesmo um abraço leve como este é mais eficaz do que beijar dezenas de outros guias.
Era mesmo. Seojoon sentiu a dor que latejava em suas articulações desaparecer momentaneamente. Se conseguisse ficar assim por mais tempo e tocar mais, seria uma sensação incrível.
Mas é sensato não desejar mais. Independentemente de quem seja a outra pessoa, se as coisas derem errado…
— Não ter um guia exclusivo é um problema meu, então você não precisa ser perfeito, Yeonwoo. Não se sinta tão pressionado.
Seojoon soltou o abraço e deu um passo para trás. Yeonwoo ficou paralisado, com os lábios ligeiramente entreabertos, como se o tempo tivesse parado.
— Boa noite, Yeonwoo.
Seojoon sorriu e saiu da sala.
Clique. A porta fechada apagou a luz tênue que permanecia no quarto. Na escuridão total, o corpo de Yeonwoo afundou lentamente no chão.
— Boa noite, Tenente…
Sua saudação tardia escapou como um fio fino enquanto ele cobria o rosto com as duas mãos.
Yeonwoo não conseguiu se mover daquele lugar por um bom tempo.
*
Ao abrir os olhos, deparou-se com um teto desconhecido. Em vez de um teto marcado por antigas manchas de água e leves vestígios de mofo, era limpo e alto.
A manhã havia chegado e, à medida que a luz inundava o quarto, o ambiente se tornava mais claro após uma noite de sono atordoado. Apesar de conter apenas uma cama de solteiro e um pequeno criado-mudo, o quarto não parecia vazio, provavelmente devido à luz do sol que entrava pela janela.
Ao ver seu uniforme escolar cuidadosamente dobrado no criado-mudo, Yeonwoo cobriu o rosto com as mãos. Quando pegou a camisa do uniforme dobrada, ela ainda estava quente, como se tivesse acabado de sair da secadora.
Será que o tenente fez isso por ele? Se sim, sentiu-se envergonhado e arrependido. Perto dali, notou balas de geleia e caramelo que havia enfiado nos bolsos e esquecido.
Depois de tomar banho e se trocar no banheiro do segundo andar, ele desceu para o primeiro andar, onde ouviu alguém se movimentando na cozinha.
— Ai meu Deus, você está acordado, querido?
Yeonwoo presumiu que seria Seojoon, mas, em vez disso, uma mulher desconhecida o cumprimentou.
— Olá.
— Venha sentar. A sopa acabou de esquentar.
Sorrindo, ela pousou a tigela de sopa e gesticulou para a mesa. Ele estava prestes a perguntar onde estava o tenente quando ouviu uma voz atrás dele.
— Você dormiu bem?
Seojoon, que parecia ter acabado de tomar banho, estava secando o cabelo com uma toalha e sentou-se em frente a Yeonwoo.
— Sim, você também dormiu bem, Tenente?
O aroma sutil de xampu se espalhou pela mesa até Yeonwoo, que respirou fundo e sentiu uma pontada no peito. Embora fosse o mesmo aroma de xampu que ele usava, por algum motivo parecia diferente vindo de Seojoon.
Yeonwoo recebeu os utensílios da mulher e fez uma reverência.
— Obrigado pela comida.
— Sim, sim. Seojoon, você não está comendo, certo?
A mulher cutucou o ombro de Seojoon, quase como se quisesse informar Yeonwoo.
— Ele está sempre bebendo coisas como leite de soja. Você ainda não viu o Seojoon comer, né?
Estendendo a mão por cima do ombro com um sorriso, Seokoon gentilmente pegou a mão da mulher.
— Graças a você, tive um ótimo jantar ontem à noite. O refogado de linguiça estava ótimo.
Seu cabelo molhado e despenteado, seu moletom casual e sua expressão relaxada fizeram Yeonwoo sorrir, sentindo como se estivesse vendo um lado de Seojoon que os outros não conheciam.
— Sério? Você também gosta dessas coisas? Igualzinho à minha filha. – A. mulher, enxaguando recipientes vazios de acompanhamento e colocando-os diligentemente na lava-louças, perguntou a Yeonwoo.
— Você também é um Esper, querido? Mas se você está no ensino médio, ainda não foi para o campo de treinamento?
— Não, estou repetindo de ano, então tenho 20 anos.
— Ah, entendi.
Ela secou as mãos úmidas, tirou o avental e pegou a bolsa que havia guardado.
— Vou sair. Não tem muita coisa para limpar hoje. – Ela deu um tapinha nas costas de Seojoon e Yeonwoo antes de sair, deixando sua energia alegre a seguir.
Com apenas uma pessoa ausente, a casa caiu em um silêncio.
— Ela é a senhora que ajuda a administrar a casa. Toda essa comida é feita por ela. Ela vem uma vez por semana limpar e reabastecer a geladeira. Não deveria ter vindo tão cedo, mas hoje teve que sair mais cedo para a competição de piano da filha.
Sentindo-se estranho, Yeonwoo comeu em silêncio. Ficou impressionado com a realidade de fazer parte do cotidiano mundano de uma pessoa que ele só conhecia por meio de vídeos.
— Por que você está sorrindo?
— …Porque estou feliz.
Diante da resposta simples de Yeonwoo, Seojoon riu casualmente e se levantou. Quando ele terminou de comer e pousou os talheres, algum tempo já havia passado.
— Se você já terminou de comer, prepare-se para a escola. Eu te dou uma carona.
Yeonwoo se perguntou se ainda estava sonhando. Mas o cheiro de xampu que Seojoon exalava enquanto ele passava agitou seus sentidos.
Não era um sonho.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna