Capítulo 72
Deep Pivot — Capítulo 72
No chão bagunçado, algumas garrafas de soju estavam espalhadas.
Mesmo que um ladrão tivesse invadido a casa, Yeonwoo achava que seria difícil sair daquela bagunça. Mas sempre que seu pai chegava, a primeira coisa que acontecia era que o lugar inteiro virava de cabeça para baixo.
As pessoas podem dizer que ninguém mais guarda dinheiro em casa, mas Yeonwoo viveu com dinheiro durante anos porque a presença de seu pai o impedia de usar uma conta bancária.
De vez em quando, seu pai aparecia sem avisar, vasculhava a casa inteira e pegava qualquer dinheiro que encontrava, sem pensar duas vezes.
As taxas hospitalares que Yeonwoo havia economizado para Jeongwoo, o aluguel devido na semana que vem e dois meses de contas de gás atrasadas — tudo isso desapareceria sem deixar vestígios após uma visita de seu pai.
Não importava quantas vezes se mudassem, seu pai sempre conseguia encontrá-los. Depois de se mudar para a casa de Choi Jeong-sook, Yeonwoo desistiu de tentar se esconder dele.
Como resultado, as marcas da última visita do pai ainda perduram na porta de vidro. E hoje, como se seguisse uma rotina, o pai quebrou o vidro coberto com fita adesiva e visitou novamente.
— Por que um homem adulto como você não guarda nem uma garrafa de soju em casa?
Cha Kyungsoo reclamou enquanto desatarraxava uma garrafa nova de soju deixada na pia da cozinha. Perto dali, salgadinhos secos comprados na loja de conveniência estavam espalhados.
— …Eu ainda sou um estudante.
— Estudantes não bebem? Você tem 20 anos e já é adulto.
— Não tenho dinheiro para álcool… Realmente não tenho um centavo agora.
— Droga…
A mão de Cha Kyungsoo subiu em direção à cabeça de Yeonwoo, e Yeonwoo reflexivamente cerrou os dentes.
— Você acha que eu sou um idiota, seu pirralho?
Por sorte, seu pai parecia ainda estar de bom humor. Sua mão apenas imitou um movimento de ataque antes de se afastar, jogando a tampa da garrafa de soju na pia.
— Você vai ganhar muito dinheiro agora, não é? Já que virou guia, né?
— …
— Me dê seu cartão.
— Eu não tenho nenhum.
O olhar de Cha Kyungsoo percorreu Yeonwoo, o frio gélido em seus olhos enviando um arrepio pelo ar. Tomando um gole direto da garrafa de soju, ele falou em voz baixa.
— Como assim, você não tem nada? Vai mesmo me fazer repetir o que disse, Cha Yeonwoo?
Ele tentou soar como um pai preocupado. Mas Yeonwoo sabia que aquilo era apenas o prenúncio da violência. O cheiro de álcool no quarto, a voz baixa e a maneira gentil como o pai o chamava pelo nome eram todos sinais do aviso final.
Yeonwoo odiava ouvir seu nome sair da boca do pai, pois isso sempre resultava em insultos e abusos. Mesmo agora sendo mais alto que o pai e não tendo motivos para ter medo, o medo ainda estava profundamente enraizado.
O medo deixa uma marca mais forte do que qualquer outra lembrança. Certa vez, Yeonwoo mal conseguiu impedir que seu pai jogasse Jeongwoo pela janela. Ele temia que um dia seu pai fizesse o mesmo com ele.
Quando as garrafas vazias de soju se acumulavam e o cheiro de álcool se intensificava, ele permanecia quieto e imóvel para evitar o olhar do pai. Dias em que desejava desaparecer como poeira para evitar os passos do pai que assombravam suas memórias. Ele se aconchegava com Jeongwoo em um canto para evitar tropeços.
— …Eu realmente não tenho dinheiro. Nem um centavo para você. É tudo para as contas médicas do Jeongwoo.
— Droga, sempre com aquele Jeongwoo…
O cheiro de álcool acompanhava os palavrões.
— Quem se importa se um órfão morre ou não? Você se importa mais com ele do que com seu próprio pai?
Foi o próprio Cha Kyungsoo quem incluiu Jeongwoo no registro familiar, pois queria os benefícios sociais destinados às crianças. Yeonwoo, que nunca recebeu nem um pouco desse apoio, ficou com a responsabilidade de arcar com os fardos do pai.
— Você prefere que seu pai morra de fome do que se preocupar com aquele pirralho?
Agarrando Yeonwoo pelo capuz, Cha Kyungsoo o sacudiu. Embora Yeonwoo fosse forte o suficiente para não ser arrastado, ele não conseguia se livrar da mão do pai.
— Pare com isso. Vou chamar a polícia.
Yeonwoo disse suavemente.
— O quê? Chamar a polícia? Com que fundamento? Por que você vai denunciar seu pai, seu pirralho?
Tapa. Uma dor lancinante percorreu o rosto de Yeonwoo. Cha Kyungsoo praguejou baixinho enquanto atacava a cabeça de Yeonwoo, fungando com frequência.
— Você acha que já é adulto e pode me enfrentar, hein? Seu pai está morrendo de fome e você não tem nem dinheiro para gastar? Seu pirralho ingrato.
A mão se levantou para atacar novamente, mas foi repentinamente interrompida por Yeonwoo.
— …Não me bata. Se fizer de novo, eu chamo a polícia.
Cha Kyungsoo olhou para a mão de Yeonwoo segurando seu braço. Franziu a testa por um momento e então soltou uma risada irônica.
— Você tem permissão para tocar em civis, como um desperto?
Yeonwoo hesitou, afrouxando o aperto. Sentindo a hesitação, Cha Kyungsoo se aproximou, ameaçadoramente.
— Vai lá, me denuncie, seu pirralho. Imagine denunciar seu próprio pai. Acha que a polícia vai acreditar que um sujeito desperto como você, que é do tamanho de um touro, foi agredido por um civil, principalmente pelo pai?
Uma garrafa vazia de soju caiu da pia com um estrondo. Pegando outra garrafa ainda pela metade, Cha Kyungsoo bebeu profundamente e cutucou o ombro de Yeonwoo com a ponta da garrafa.
O recente ferimento à bala não havia cicatrizado completamente, e Yeonwoo cerrou os dentes de dor. Mas seu corpo, que havia desistido de resistir, continuou recuando para o canto.
Seus pés tropeçaram em pertences espalhados no chão e, quando ele caiu para trás, uma longa sombra surgiu sobre seu rosto.
— Vá em frente, me denuncie, seu pirralho arrogante.
Cha Kyungsoo se moveu em direção a ele, parecendo pronto para atacar.
— Criei um filho de graça, só para ser traído. Esse pirralho não conhece gratidão.
Pancada, pancada, pancada. Os golpes choviam sobre a cabeça e os ombros de Yeonwoo. Enquanto ele instintivamente se encolhia e cobria a cabeça, uma voz subitamente quebrou a tensão.
— O que você pensa que está fazendo?
O ataque cessou. Yeonwoo abriu lentamente os olhos bem fechados. Através da visão turva de medo, viu a silhueta de alguém segurando o pulso do pai.
— Quem diabos é você?
Com a luz do teto atrás dele, seu rosto ficou obscurecido, mas Yeonwoo reconheceu Seojoon instantaneamente.
— E quem é você para invadir a casa de outra pessoa sem permissão?
— E quem é você para entrar na casa de outra pessoa e agredir um jovem estudante?
O olhar de Seojoon varreu a sala caótica.
— Quem é você para invadir a casa de alguém e atacar um jovem estudante?
Yeonwoo rapidamente se recompôs e se levantou, seu corpo tremendo.
— Tenente, estou bem…
— Sou o pai deste aluno. O que você tem a ver com isso?
Pigarreando, Cha Kyungsoo zombou, com uma carranca sinistra contorcendo seu rosto. Ele desviou seu olhar severo de Seojoon para Yeonwoo. Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, Cha Kyungsoo bufou, balançando a cabeça.
— É melhor você cuidar da sua vida e ir andando, enquanto eu falo com jeitinho. Entendeu?
Os olhos de Seojoon, que estavam fixos em Yeonwoo, voltaram-se para Cha Kyungsoo. Seu rosto endureceu.
— É difícil seguir em frente quando você não me permite.
— E quem é você? O que isso tem a ver com você?
— Cha Yeonwoo.
Seojoon perguntou sem tirar os olhos de Cha Kyungsoo.
— Essa pessoa é realmente seu pai?
— S-Sim. Tenente, estou bem. Desculpe, mas talvez você devesse…
— Esse homem acabou de agredir você?
— Seu pirralho, já chega…
Cha Kyungsoo torceu o pulso que Seojoon segurava enquanto tentava balançar a outra mão, que segurava uma garrafa de soju. Em um movimento rápido, Seojoon conteve o outro pulso, imobilizando Cha Kyungsoo.
Soju derramou da garrafa tombada, e Cha Kyungsoo, agora completamente subjugado pela força avassaladora de Seojoon, olhou para ele com espanto.
— Você… Você é um dos despertos, hein?
Seojoon o encarou em silêncio. Fungando como sempre, Cha Kyungsoo curvou os lábios em um sorriso irônico.
— Você sabe o que acontece se um desperto colocar as mãos em um civil, certo?
— Você não sabe que civis não têm permissão para atacar os despertos?
— Seu desgraçado! Quem te deu o direito de me impedir de disciplinar meu filho? Me solta! Me solta!
Segurando o braço de Cha Kyungsoo atrás de si, Seojoon o pressionou contra a parede e procurou em seus bolsos. Pego de surpresa, Cha Kyungsoo se debateu e gritou com raiva.
— Seu desgraçado! Você vai se dar mal hoje! O mundo inteiro vai saber como um desperto atacou um civil! Me ajude! Meu filho, Yeonwoo! Você vai deixar seu pai morrer?
Ignorando os gritos, Seojoon ergueu entre os dedos um pequeno saco ziplock contendo um pó branco.
— Isto é cocaína?
— Você… O quê? Seu desgraçado! Me solta!
Mas sua luta não adiantou nada sob o domínio dele. Seojoon se virou para Yeonwoo, que parecia horrorizado com a visão inesperada. Ele disse baixinho:
— Detesto interferir nos assuntos dos outros, mas simplesmente possuir drogas já é um crime grave, e ignorar isso é cumplicidade.
— Seu desgraçado! Me solta! Isso não é droga!
— Podemos descobrir na estação de polícia.
Com uma das mãos segurando os pulsos de Cha Kyungsoo atrás das costas, Seojoon pegou o celular. Ao começar a discar, o rosto de Cha Kyungsoo empalideceu e ele se debateu freneticamente.
— Me solta! Você está errado!
De repente, Seojoon o soltou. Caindo no chão, Cha Kyungsoo rapidamente se levantou. Seojoon o observava calmamente, segurando o celular no ouvido.
— Seu desgraçado…!
Recuando, Cha Kyungsoo arrancou a sacola da mão dele e saiu correndo de casa, chutando móveis e garrafas de soju. O som de seus passos ecoou escada acima antes de desaparecer no silêncio.
— …
— Tenente, eu… isso…
— Ah, Dr. Kang.
Uma voz do outro lado perguntou algo.
— Não, liguei para o número errado. Desculpe.
Após um breve pedido de desculpas, ele encerrou a ligação e olhou para Yeonwoo. Seu rosto marcado pelas lágrimas havia empalidecido. Seojoon rapidamente se adiantou e o abraçou.
— Eu não sabia, Tenente. Me desculpe. Eu não quis… Eu…
— Você está bem? Está machucado?
A divagação frenética de Yeonwoo foi silenciada pela pergunta gentil. Seus joelhos cederam e ele afundou lentamente no chão. Seojoon agachou-se ao lado dele, acariciando seus cabelos suavemente.
— Está tudo bem agora. Vai ficar tudo bem.
Yeonwoo, tremendo, inclinou-se pesadamente no abraço de Seojoon.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna