Capítulo 65
Deep Pivot — Capítulo 65
— O inchaço diminuiu, então você parece melhor agora. Quando te vi pela primeira vez, pensei que algo sério tivesse acontecido.
Songhee disse enquanto ajustava o acesso intravenoso para Yeonwoo. Ocupada escrevendo no prontuário, ela continuou falando.
— Felizmente, não houve danos aos órgãos ou nervos, e tanto seu ombro quanto seu flanco foram arranhados, não atingidos diretamente. Está tudo tratado agora, e… vamos ver. Sem problemas de visão, sem dentes soltos. Assim que os ferimentos dentro da sua boca e o arranhão acima da pálpebra cicatrizarem, você ficará bem.
— E o Coronel Jin?
Seojoon perguntou secamente. Songhee deu de ombros.
— Quem sabe? Ele parece super ocupado. Mas disse que vocês dois deveriam ficar aqui por enquanto. É como um novo esconderijo.
Ela examinou Seojoon de cima a baixo.
— Certifique-se de descansar, e você também precisará de orientação, certo?
Seus ferimentos claramente não estavam totalmente curados. Seojoon franziu a testa e deu uma risadinha. Cobrindo o rosto com uma das mãos, murmurou para si mesmo, resignado.
— Como posso obter orientação quando meu guia está deitado ali desse jeito?
— …
O rosto de Songhee, agora sem humor, estava tomado pela pena. Ela claramente cometera um erro. Independentemente da natureza da relação entre Espers e guias, tal observação era imprudente na situação atual.
Ela tocou gentilmente o ombro de Seojoon.
— Yeonwoo vai acordar logo. Não se preocupe tanto, Tenente.
Um suspiro escapou por entre seus dedos enquanto cobriam o rosto. Agarrando seu prontuário, Songhee saiu silenciosamente do quarto. Mesmo depois que ela saiu, Seojoon não conseguiu olhar para cima por um tempo. Quando finalmente o fez, encarou Yeonwoo.
Embora não estivesse no mesmo estado horrível de quando foi carregado pela primeira vez, os ferimentos ainda eram visíveis. Seojoon segurou delicadamente a mão de Yeonwoo apoiada no lençol e acariciou sua bochecha com cuidado.
A mão com a agulha intravenosa estremeceu e agarrou suavemente os dedos entrelaçados de Seo-joon.
— …
Uma profunda sensação de impotência o dominou. Por sua culpa, Yeonwoo acabou assim, e Seojoon sentiu que não podia fazer nada por ele.
Segurar a mão de Cha Yeonwoo, acariciar sua bochecha, até mesmo abraçá-lo, não mudava o fato de que Seojoon só podia tirar dele e não dar nada em troca.
Apesar disso, Cha Yeonwoo sempre tentava entrar em contato com ele.
✽✽✽
— …Tenente.
Uma voz fraca ecoou através da névoa da consciência exausta.
— Tenente…
Seojoon abriu os olhos no escuro. Sentou-se rapidamente e olhou para Yeonwoo.
— Yeonwoo, você está acordado? Você está bem?
Piscando sonolentamente, Yeonwoo murmurou.
— Estou com sede…
— Aguenta.
Quando Seojoon se levantou para buscar água, ele olhou para a mão que segurava a sua.
— Não vá…
À tênue luz da lua que entrava pela janela, a expressão de Yeonwoo era visível. Seu rosto não estava mais inchado e seu sorriso era claro, mesmo na escuridão.
Seojoon soltou um suspiro, parcialmente divertido.
— Mas você disse que está com sede. Preciso ir buscar água.
— Vamos ficar assim por três segundos, juntos…
Ele não sabia o que Yeonwoo achava tão engraçado enquanto sorria alegremente. Seojoon suspirou e olhou para ele.
— Você segurou minha mão o tempo todo em que eu dormi?
— Parece que você está se sentindo bem o suficiente para ser atrevida. Qual é a graça?
— Acordei e você está aqui, Tenente. Isso me deixa feliz.
— …Três segundos se passaram. Agora, solte.
Seojoon colocou a mão de Yeonwoo de volta nos lençóis e despejou água em um copo. Quando se virou, viu ele tentando se sentar sozinho. Seojoon rapidamente se aproximou e apoiou suas costas.
— Beba devagar.
Ao levar o copo aos lábios de Yeonwoo, este bebeu obedientemente, fazendo uma careta enquanto soltava um gemido suave. Deitando-o de volta, Seojoon instintivamente também franziu a testa, como se sentisse sua dor.
— Sem danos aos seus órgãos, sem perda de visão, sem dentes faltando. Concentre-se apenas em se recuperar dos seus ferimentos, então não se preocupe.
Sem saber o que mais dizer, Seojoon repassou o que Songhee lhe contara. Yeonwoo sorriu e entrelaçou os dedos delicadamente com os dele.
— Devo ter sorte. Desviei de balas duas vezes.
Seojoon suspirou.
— …Se você estivesse comigo, nem a sorte teria ajudado. Você estava sozinho, e é por isso que tem tanta sorte.
Seojoon havia levado sete tiros e sido esfaqueado e cortado repetidamente com lâminas afiadas. Ele não conseguia nem imaginar o que teria acontecido se Yeonwoo estivesse lá com ele.
— Eu aguentei bem, não é?
Seojoon olhou para Yeonwoo com um olhar deliberadamente mal-humorado e respondeu depois de alguns momentos.
— Desculpe-me por ter chegado tão atrasado… Quase te matei.
— Mesmo que você tivesse vindo mais tarde, eu não teria morrido.
Seojoon agarrou a mão de Yeonwoo com mais firmeza e respondeu em tom resmungão.
— O que te dá tanta certeza disso?
— Não vou deixar que se arrependa de nada, Tenente.
Ele puxou a mão de Seojoon até o rosto e olhou para ele com um sorriso suave. Sua expressão era tão amorosamente terna que Seojoon doeu ao vê-la.
— …Você está falando bobagem só porque está tomando remédios?
— Sim… Isso mesmo…
Yeonwoo puxou a mão de Seojoon para um abraço, e a postura desajeitada dele o puxou para mais perto, apoiando a palma da mão no pescoço quente de Yeonwoo. Seojoon se apoiou ao lado da cabeça dele.
— …
Seus olhares se encontraram no ar sombrio. Seojoon olhou para Yeonwoo, que o observava, antes de desviar o olhar.
— …Você não pretende dormir assim, pretende? Esta posição é realmente desconfortável.
— Durma ao meu lado, Tenente.
Yeonwoo se mexeu para abrir espaço ao lado dele. A cama, que havia sido preparada para os dois, não era particularmente pequena.
Sem muita escolha, Seojoon subiu cuidadosamente na cama, ajustando o acesso intravenoso para não se deitar sobre ele. Apoiou a cabeça em um travesseiro. No escuro, seus olhares se encontraram silenciosamente.
Seojoon estendeu a mão para acariciar delicadamente a bochecha de Yeonwoo. Ele fechou os olhos e sorriu.
— Você está me guiando?
…Quem me dera poder, Yeonwoo. Quem me dera poder curar você.
Seojoon engoliu a resposta pungente, forçando um sorriso.
— Sentindo-se um pouco melhor?
— Sim… me sinto ótimo…
A voz de Yeonwoo foi sumindo lentamente enquanto ele oscilava à beira do sono. Uma respiração suave pairava entre eles. Depois de encará-lo por um longo tempo, Seojoon beijou delicadamente a testa de Yeonwoo.
— Boa noite, Yeonwoo. Tenha bons sonhos.
✽✽✽
— Então, esses dois estão melhores agora?
— Como eu saberia? Não os vejo desde então. – respondeu Cheong-oh, tirando um cigarro do maço de Min-gun. Young-gyo, que chegou atrasado, pegou o maço e disse:
— Me dá um também!
Em frente ao restaurante de kalguksu (macarrão cortado à faca), eles se reuniram no terraço ao ar livre preparado para fumantes, acendendo seus cigarros e suspirando quase simultaneamente.
— O que o Coronel Jin tinha a dizer?
Chaewon perguntou. Cheong-oh deu de ombros.
— Não faço ideia. Não vejo meu pai desde então.
Min-gun franziu a testa e cruzou os braços.
— Então, qual é a situação de tudo? E aquelas pessoas com as cabeças estouradas? Eram Yanbian?
— Os que atacaram desta vez não eram Yanbian, mas… apenas estrangeiros. É difícil dizer a nacionalidade deles com as cabeças estouradas.
— Então como eles conseguiram entrar?
Young-gyo perguntou enquanto apagava o cigarro no cinzeiro.
— Os despertados não podem deixar o país.
— Hipoteticamente?
Young-gyo cantarolou e apoiou o queixo na mão, olhando para o outro lado da rua.
— Talvez eu também devesse deixar o país secretamente. Sempre quis conhecer Boracay.
Com o aeroporto próximo, pessoas com bagagem frequentemente passavam por ali. Para os que despertaram, viajar para o exterior era um sonho inatingível devido à proibição de viagens.
— Quando eu era criança, fui ao Japão com meus pais, mas mal me lembro agora.
Min-gun fez um comentário casual sobre o lamento de Young-gyo.
— Já estive em Boracay.
— Sério? Como foi? Não foi ótimo?
— Eu também não me lembro.
A proibição de viagens estava em vigor há mais de dez anos, o que significa que indivíduos despertos de longa data estavam presos no país por mais de uma década.
— Você quer mesmo viajar, Young-gyo? Que tal irmos para a Ilha de Jeju quando isso acabar? – sugeriu Cheong-oh.
Young-gyo fez beicinho:
— A Ilha de Jeju é chata.
— Com licença.
Naquele momento, um estrangeiro se aproximou deles. Vestido com roupas de trilha e carregando uma mochila, ele parecia estar em uma viagem de mochilão pela Coreia.
— Como posso chegar ao Mercado de Seongyeong?
Ele mostrou um aplicativo de mapa para pedir direções.
— Não aparece nos resultados da pesquisa.
Cheong-oh olhou para a tela e respondeu:
— Ah, é porque o Mercado de Seongyeong mudou de nome há algum tempo. Tente pesquisar por “Mercado Central do Distrito 2”.
— Obrigado.
Young-gyo, curvado sobre a mesa, observou o estrangeiro se afastar.
— Cara, eu invejo ele. Quero fazer uma viagem para o exterior também.
Mas o homem foi na direção oposta do Mercado de Seongyeong enquanto fazia uma ligação.
[Sim, tudo foi esclarecido.]
Ele falou ao telefone.
[Eu os vi.]
Ao atravessar a faixa de pedestres, ele continuou:
— O Sem Nome aqui é bem rápido. Você precisaria de pelo menos um Blinker Classe S com bons reflexos para enfrentá-lo.
Quando lhe fizeram uma pergunta, ele riu baixinho.
[Bem, comparado a outros Sem Nome, este parecia excepcionalmente bem treinado… Mas quem sabe. Poderíamos ter tido sucesso se a operação não tivesse sido cancelada. Até usamos um RPG-7.]
Uma voz fraca ecoou no receptor.
[Então, esta operação está completamente encerrada.]
O homem olhou para o grupo de Cheong-oh do outro lado da rua.
[Sim, eu vou cuidar deles até que tudo esteja resolvido, depois eu retorno.]
Com passos rápidos, ele desapareceu da vista deles.
Continua…
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✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna