Capítulo 45
Deep Pivot — Capítulo 45
A refeição de Seojoon não se desviou muito das expectativas de Yeonwoo. Sua refeição inteira consistiu em um pouco de mingau, dois pedaços de tteok-galbi que Yeonwoo cortou em pedacinhos e um pouco de arroz cozido com um ovo cozido.
— Só mais uma mordida, Tenente.
Yeonwoo insistiu enquanto pegava uma pequena porção de yuja danja (bolo de arroz cítrico) da sobremesa. Seojoon, ainda mastigando o bolo de arroz que Yeonwoo lhe dera, balançou a cabeça silenciosamente.
— Uma última vez.
— Você disse que era a última vez antes.
— Esta é realmente a última.
— …
— Que tal só metade?
Yeonwoo reduziu a porção de sementes de romã na colher e olhou para Seojoon. A colher se moveu para a direita, depois para a esquerda, depois para a direita novamente, acompanhada por um som suave vindo dos lábios de Yeonwoo: zuum, zuum.
Seojoon franziu a testa enquanto seguia a colher com o olhar.
— …Você não está me tratando como o Jeongwoo, está?
— Oh.
Yeonwoo soltou um breve zumbido, aparentemente sem ter consciência do que tinha feito.
— Desculpe… isso escapou habitualmente.
Alimentar um homem de 29 anos da mesma forma que ele alimentava um de 9 anos era certamente demais. Seojoon tomou um gole de ponche de canela e pousou o copo.
— Eu não sou criança. Você acha que vai me convencer tão facilmente quanto o Jeongwoo?
— …
Yeonwoo fechou a boca rapidamente enquanto Seojoon fingia estar chateado. Mesmo assim, ele não desistiu completamente e continuou segurando a colher. Seojoon estalou a língua.
— Me dá aqui. Eu como eu mesmo.
Ele pegou a colher de Yeonwoo e a colocou na boca. As sementes de romã e mirtilos, embebidas em suco cítrico, rolaram docemente em sua língua.
— …Pessoas como eu não são muito populares entre os adultos.
Seojoon falou relutantemente, lavando a doçura com água.
— Mas agora que estou por perto, talvez você seja cada vez mais querido?
Seojoon sorriu levemente ao ouvir suas palavras. Ele não se deu ao trabalho de apontar que a única razão pela qual havia melhorado tanto era por causa de Yeonwoo e que as coisas não iriam melhorar muito.
— Eu pago.
Quando Seojoon saiu da sala, ele pegou sua carteira, mas Yeonwoo segurou seu braço.
— Do que você está falando? Se fosse para você pagar, não teríamos vindo para um lugar tão caro.
— Mas você pagou minhas contas do hospital e transferiu Jeongwoo para um quarto melhor.
Seojoon zombou, divertido.
— Você acha que eu deveria deixar um aluno pagar?
— Ainda não gastei meu primeiro salário.
Yeonwoo tirou um cartão do bolso e disse.
— Por favor, deixe-me usar isso para você, Tenente. Eu realmente quero.
Seojoon se divertiu com o orgulho sincero de Yeonwoo e pretendia recusar novamente, mas apenas assentiu. Tendo vivenciado a teimosia de Yeonwoo em primeira mão na noite anterior, Seojoon sabia que mais discussões seriam inúteis.
— Vou deixar você fazer isso uma vez, porque é seu primeiro salário. Mas nem pense em abrir a carteira na minha frente de agora em diante.
Naquele momento, alguém vindo da esquina roçou levemente no ombro de Seojoon. Ele se desculpou por reflexo.
— Desculpe.
— Sem problemas.
Seojoon virou a cabeça quando o homem passou, mas o estranho já havia desaparecido na multidão.
— Tenente, há algo errado? – Yeonwoo perguntou.
— Não, não é nada.
Depois de pagar a conta, os dois foram para fora.
Alguns segundos depois, três homens vestidos de terno preto apareceram. Seus olhares seguiram Seojoon através da janela de vidro.
— Quanto?
Um deles perguntou ao funcionário, tirando a carteira do bolso. Seu sotaque era uma curiosa mistura de coreano padrão e dialeto yanbiano.
N/T: Yanbiano é uma variante da língua coreana falada principalmente na Prefeitura Autônoma Coreana de Yanbian, localizada na província de Jilin, na China.
✽✽✽
O carro parou no estacionamento da loja de departamentos. A compostura de Yeonwoo, que já começava a vacilar no caminho, se dissipou completamente quando entraram no estacionamento. Com uma expressão confusa, ele perguntou.
— Tenente, você tem alguma coisa para comprar?
— Sim, eu tenho.
Seojoon desligou o motor e desafivelou o cinto de segurança. Yeonwoo fez o mesmo e saiu do carro.
— Vamos comprar roupas.
Só então Seojoon acrescentou:
— Roupas para você, Yeonwoo.
— O quê? Minhas roupas?
Os dois ficaram lado a lado e caminharam em direção à entrada.
— Você usou seu primeiro salário para me pagar o jantar. Então, vou usar meu primeiro salário com você.
— Seu primeiro salário?
— É o primeiro salário que recebo este mês, então é meu “primeiro salário”.
— Mas isso…
Yeonwoo não conseguiu terminar o pensamento, sua expressão confusa sugeria descrença.
— E nós compraremos roupas para você usar quando passar a noite na minha casa.
Seojoon continuou falando enquanto subia na escada rolante, sem se incomodar com a reação de Yeonwoo.
— Sempre que vier ao centro, use as roupas que eu comprei para você. É compreensível que você vem direto da aula, mas mesmo assim.
— Você realmente não precisa ir tão longe…
— Vou comprar essas roupas para você não precisar usar o uniforme da escola. Pode receber sem se sentir culpa.
— Você não gosta do meu uniforme?
— Não, eu não gosto.
Yeonwoo pareceu chocado com a resposta imediata. Seojoon percebeu que precisava explicar melhor antes que Yeonwoo continuasse em choque.
— Combina muito bem com você. Mas agora que você é meu guia exclusivo, eu me sentiria culpado.
— …
— Isso torna a orientação estranha.
Yeonwoo olhou para a camisa do uniforme escolar e a tirou, deixando apenas a camiseta branca por baixo. Ele ainda parecia um estudante.
— …Mas não há nada que eu possa fazer sobre isso, Tenente.
Seojoon, percebendo o beicinho crescente de Yeonwoo, o guiou até o andar seguinte.
— Normalmente estou sempre na escola. Por favor, entenda até eu me formar.
Fevereiro do ano seguinte estava a quase meio ano de distância, o que pareceu uma eternidade para Seojoon. Enquanto isso, ao menos Yeonwoo poderia parecer menos um estudante.
— Faltam menos de três meses.
Para a surpresa de Seojoon, a resposta de Yeonwoo não correspondeu às suas expectativas. Ele inclinou a cabeça e deu um leve tapinha no ombro de Yeonwoo.
— Três meses? Ainda estamos em setembro.
— Vou me formar em dezembro.
— …Por que?
— O que?
— Os alunos repetentes se formam mais cedo?
— Como?
A conversa deles sofreu uma pausa confusa antes de Yeonwoo falar hesitantemente.
— Bem… hoje em dia, muitas escolas tem formaturas em dezembro, Tenente.
— Sério?
Yeonwoo olhou para Seojoon com os olhos arregalados, ele notou que aquele era o maior que já tinha visto.
— Quando eu estava na escola… me sinto tão velho dizendo isso, mas nove anos atrás, a norma era me formar em fevereiro.
A percepção da diferença de idade ficou ainda mais evidente com aquele “nove anos atrás”. Embora a intenção de Yeonwoo fosse insinuar o pouco tempo que faltava para a formatura, ele não esperava que Seojoon se sentisse tão velho. Sem saber o que dizer, Yeonwoo simplesmente observou a reação de Seojoon.
— De qualquer forma, ainda vamos comprar roupas para você. Eu quero.
Com essa conclusão simples, Seojoon voltou sua atenção para a frente. Enquanto Yeonwoo observava seu perfil em silêncio, ele falou de repente:
— A propósito, Tenente.
Seojoon olhou para trás.
— O que?
— Você usou meu uniforme escolar no incidente do Yeonseon My Park Mall.
Seojoon estreitou os olhos, tentando se lembrar.
— Sim. Minhas roupas estavam rasgadas.
— Combinou muito com você. Algumas pessoas pensaram que você era estudante.
Seojoon virou completamente para Yeonwoo com uma expressão incrédula.
— …Você está tentando me confortar por ser velho?
— Não…
A tentativa de Yeonwoo de melhorar as coisas não deu em nada, pois percebeu que suas palavras estavam piorando as tudo.
— Vamos começar pela seção de artigos esportivos. Vou procurar algo para mim também enquanto compro os seus.
Seojoon tentou casualmente avaliar o tamanho de Yeonwoo, imaginando que ele seria um pouco maior que o Líder de Equipe Jin. Ele agarrou Yeonwoo pelo braço e começou a levá-lo para a seção de artigos esportivos quando, de repente, ouviu uma voz:
— Se não hoje, então amanhã.
✽✽✽
— Você está dizendo “sem problemas”? Por que não anuncia que é um Joseonjok?
N/T: Joseonjok, refere-se a cidadãos chineses de etnia coreana que vivem majoritariamente no nordeste da China. O personagem deve ter usado um dialeto que entregava sua origem na cena.
— Ah, pare de enrolar. Eu disse que estava errado.
Entre os três homens de terno preto, dois discutiam baixinho. O que estava do outro lado era excepcionalmente baixo e magro, com aparelho dentário multicolorido visível sob o lábio superior torto.
Os olhares dos três estavam fixos em um homem que caminhava à frente. Ele era o alvo. O homem na escada rolante, mantendo certa distância do alvo, alertou seus companheiros.
— Baixem a voz.
O alvo, de frente, virou-se repentinamente para o companheiro. Os três homens abaixaram a cabeça simultaneamente para esconder o rosto.
Um dos homens, que permaneceu em silêncio o tempo todo, murmurou baixinho enquanto descia da escada rolante.
— Esse cara nunca vai embora?
Seu sotaque era quase monótono, o que o fazia soar mais próximo do coreano padrão do grupo.
— Se não hoje, então amanhã.
O homem mais baixo franziu a testa enquanto seu companheiro falava. Sua voz firme de barítono continha um traço de riso.
— Por que levar dois dias só para matar uma pessoa?
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna