Capítulo 136
Deep Pivot — Capítulo 136
As expressões das pessoas na tela diminuíram sutilmente com uma mistura de vaga esperança e preocupação.
“Ressonância.” Parecia bom. Uma afirmação muito romântica. Mas confiar apenas nisso para pular por um portão — tamanha loucura não era fácil de compreender, não importava como se encarasse.
Eles fitaram os olhos gentis do guia sul-coreano, que parecia tão jovem e inocente. Para os estrangeiros, Yeonwoo parecia a própria imagem de um adolescente fofo e meigo.
A julgar apenas pela aparência, ele parecia alguém que cairia em prantos com um simples beliscão na bochecha. Era difícil acreditar que um guia tão jovem tivesse realizado algo tão monumental.
[Ouvi dizer que você foi designado guia no verão passado. Então você conhece seu Sem Nome há menos de meio ano, certo?]
— Tenente, hum… não. – Yeonwoo ajustou suas palavras.
— Eu o conheci muito antes de me tornar guia… uh… há muito tempo.
Enquanto Hee-min traduzia e elaborava as palavras de Yeonwoo, ele explicou que Yeonwoo tinha conexões com seu Sem Nome desde a infância e sempre o considerara um salvador. As expressões dos estrangeiros assumiram uma sutil compreensão.
[Então vocês vêm construindo um relacionamento constante desde a infância.]
A conclusão a que chegaram não agradou Yeonwoo. Claro, era verdade que ele admirava e confiava em Seojoon desde pequeno. Mas enquadrar seus sentimentos por Seojoon dessa forma parecia diminuir a importância deles.
— Mesmo sem isso.
Yeonwoo abandonou seu inglês desajeitado e falou.
— Qualquer um pode fazer o que eu fiz. Isso é algo que qualquer um pode fazer. Não importa a aparência do Sem Nome.
A tela ficou em um silêncio pesado.
— …Contanto que você tenha vontade de proteger.
As pessoas chamavam o que ele havia feito de milagre, lutando para encontrar explicações científicas de como aquilo havia sido possível. Mas Yeonwoo só conseguia dizer uma coisa sobre o resultado imprudente que ele havia alcançado.
Ele fez isso porque precisava, porque queria proteger.
Porque ele queria ficar ao lado daquela pessoa, e não havia opção de não fazer isso.
Não foi um milagre isolado e de sorte. Nem porque ele fosse particularmente extraordinário.
Yeonwoo acreditava no poder do amor. Não apenas em si mesmo — ele acreditava que qualquer um poderia fazer o que ele fazia.
Yeonwoo continuou a receber uma enxurrada de perguntas, com Hee-min traduzindo suas palavras. Às vezes, os outros guias, Cheong-oh ou Mingeon, forneciam explicações mais úteis do que as de Hee-min.
[A discussão de hoje foi muito útil.]
[Estamos todos rezando para que seu Joon retorne logo.]
Uma hora depois, os Sem Nomes e seus guias de outros países, ainda com expressões incertas, se despediram e encerraram a vídeo chamada.
[Você se saiu bem hoje, Yeonwoo. Se o seu objetivo é ajudar mais pessoas, oportunidades como essa surgirão com frequência.]
Hee-min, o último a permanecer na ligação, sorriu calorosamente para Yeonwoo através da tela.
— Sim, obrigado.
[O retorno de Seojoon completará esse milagre. É algo que todos esperam, não só você.]
— Sim.
A preocupação brilhou nos olhos de Hee-min enquanto ele olhava para Yeonwoo.
[Te vejo em breve quando eu voltar para a Coreia. Se cuida até lá, Yeonwoo.]
Yeonwoo assentiu com a cabeça para as palavras leves de Hee-min, que pareciam esconder muito do que não foi dito.
— Sim. Adeus.
O aplicativo de vídeo chamada fechou. Depois de fechar o laptop, Yeonwoo se levantou e caminhou até Seojoon, que estava sentado na cama, ainda olhando para a árvore de Natal. Yeonwoo abriu os braços para abraçá-lo e se aninhou nos braços de Seojoon.
— Ae eu for viajar para o exterior com você, terei que estudar inglês com mais afinco.
Yeonwoo pegou a mão flácida de Seojoon e a usou para acariciar sua própria cabeça.
— Eu me saí bem, né? Pratiquei bastante com você.
— …
— Já que me saí bem, me dá um beijo. Diz que sou incrível e faz carinho na minha cabeça.
Ao ouvir a palavra “beijo”, Seojoon abaixou a cabeça. Como um animal treinado, seus lábios encontraram os de Yeonwoo com precisão. Um suave som de “chup” acompanhou o beijo enquanto Yeonwoo fazia um barulho proposital, sorrindo radiantemente.
Os olhos cinzentos de Seojoon, que estavam fixos no rosto sorridente de Yeonwoo, lentamente retornaram à árvore de Natal. Familiarizado com a indiferença de seu amante insensível, Yeonwoo se levantou e se ocupou em arrumar o quarto do hospital.
Na TV, que ele ligou para quebrar o silêncio, duas vozes masculinas podiam ser ouvidas.
― É a manhã do 71º dia desde o desaparecimento do portal, pessoal. Hoje, conversaremos com um especialista em economia sobre o precedente australiano de resolução de desastres…
O locutor e o professor de economia começaram a discussão.
— Yeonwoo, sua entrega de remédios chegou.
Songhee espiou, brincando, pela porta do quarto do hospital. Aceitando um pequeno copo de papel, Yeonwoo agradeceu.
— Seojoon, é hora do seu remédio.
Yeonwoo entregou a xícara a Seojoon e o observou beber. De repente, Jeongwoo correu para perto de Songhee.
— Hyung!
— Ah, Jeongwoo, você já terminou seu tratamento?
— Sim!
Yeonwoo se virou para pegar Jeongwoo, que pulou em seus braços.
— Olha só! Consertei tudo.
Jeongwoo abriu bem a boca, exibindo os dentes que haviam sido limpos após as cáries. Inspecionando sua boca cuidadosamente, Yeonwoo sorriu e acariciou sua bochecha.
— Você cresceu, Jeongwoo. Você não chorou na cadeira do dentista.
— Yeonwoo, você não vai comer? O Diretor Kang não está aqui, então estou entediado.
— Ah, eu comi mais cedo com Seojoon.
— Ah, então vou pedir algo delicioso com o Jeongwoo.
Songhee riu, pegando Jeongwoo de Yeonwoo. Depois de se despedir deles, Yeonwoo voltou para a sala, apenas para ficar paralisado em choque.
Seojoon deveria estar tomando seu remédio!
Yeonwoo correu de volta para o quarto. Seojoon tinha o hábito de mastigar tudo se ficasse sozinho, como na vez em que quase engoliu a cabeça de uma escova de dentes.
— Seojoon! Não! Fala sério—
Ele parou no meio do grito.
Os olhos azuis se encheram de um leve choque. O rosto de Yeonwoo empalideceu enquanto ele encarava a mão de Seojoon pousada frouxamente no lençol.
Seojoon não comeu o copo de papel.
Ele apenas mordeu a borda e amassou-a levemente.
✽✽✽
― O tenente não comeu o copo de papel!
Hee-min, ainda na base de pesquisa da NASA, recebeu uma ligação de Yeonwoo, que acabara de encerrar a videoconferência. Assustado com a exclamação abrupta, Hee-min piscou e perguntou:
— O que você quer dizer, Yeonwoo?
― O tenente não comeu o copo…
— …eu entendi.
Mesmo depois do incidente do “Tenente me beijou!”, Yeonwoo frequentemente soltava declarações aparentemente aleatórias sobre Seojoon. Coisas como “O Tenente enxugou minhas lágrimas” ou “Acho que o Tenente gosta de mim”.
— Bem… uh, sim, ainda bem que ele não comeu.
Como sempre, Hee-min respondeu positivamente, encorajando Yeonwoo, que nunca perdeu a esperança.
― Não é isso… Isso é muito importante, Diretor!
Do outro lado da linha veio um suspiro de frustração.
— É um hábito que ele tem há muito tempo. Mastigar copos é um hábito, não uma tentativa de comê-las.
Será que Seojoon tinha esse hábito? Digitando em seu laptop enquanto segurava o celular entre o ombro e a orelha, Hee-min ouvia distraidamente. Então suas mãos congelaram.
Uma percepção estrondosa o atingiu momentos depois.
— Não é só uma casca, Diretor. O Tenente não é só um boneco que eu fiz. Ele está aqui mesmo… Nosso Tenente ainda está aqui…
A voz trêmula de Yeonwoo, embargada pelas lágrimas, saiu pesarosa. Ao ouvi-la, Hee-min sentiu uma onda de alívio que fez todo o seu corpo tremer.
Dentro do novo corpo que Yeonwoo havia criado, Seojoon permanecia. A própria essência do Seojoon que eles conheciam.
“Isso é suficiente.”
Só isso já era suficiente.
Isso significava que Seojoon não os havia abandonado completamente.
Agora, eles só precisavam esperar o dia em que ele retornaria por completo.
— …
Lágrimas escorriam pelas costas da sua mão enquanto ele digitava. No laboratório de pesquisa compartilhado, cercado por outras pessoas, Hee-min não conseguia chorar abertamente. Em vez disso, ele se alegrava silenciosamente.
— Dr. Kang? Há algo errado?
Ouvindo seu fungar, um colega pesquisador próximo perguntou, preocupado. Enxugando as lágrimas às pressas, Hee-min balançou a cabeça.
— Não, não é nada.
Clique, clique.
O som baixo de digitação preencheu o ar enquanto uma frase inacabada aparecia na tela do seu laptop.
Recuperação completa de um Sem Nome confirmada│
Em breve, ele apresentaria essa frase com absoluta certeza a todos.
Continua…
⌀ ⌀ ⌀
✦ Tradução, revisão e Raws: Yuki&Belladonna