࿔Capítulo 29
࿔*:・゚ Capítulo 29
No passado, os Espers de frequência atípica que recebiam guiamento de Wonwoo costumavam ter duas reações. Ou não conseguiam conter a comoção e exclamavam ou choravam, ou imploravam para não soltá-lo. A exceção era Seona. Ela reprimia a comoção com força e se comportava como sempre, fingindo que não era nada.
De um jeito ou de outro, não conseguiam esconder a emoção intensa e a demonstravam com palavras, com expressão ou com os olhos. Mas a pessoa a quem Wonwoo acabara de dar guiamento era diferente. Mesmo sendo, entre os Espers, o que estava com a energia em pior estado.
No rosto inexpressivo que o encarava não havia comoção nem alegria. Normalmente, quem estava tão mal assim ficava com os olhos perdidos só de a dor sumir.
Por isso, olhou para o outro com estranheza e cautela. Talvez ele estivesse reprimindo ao extremo as emoções ou escondendo-as completamente. Mas o outro parecia ter só vinte e poucos anos, então, se fosse verdade, a primeira coisa que lhe veio à mente foi que se tratava de alguém perigoso. Embora já tivesse ficado de guarda ao confirmar a enorme quantidade de poder dele.
— É guiamento, sim. Só que o método é diferente.
Acalmar a energia do outro demorou um pouco mais do que pensava, e Wonwoo respondeu com atraso. E, ao mesmo tempo, tentou soltar a mão que segurava. Mas o outro agarrou com força a mão de Wonwoo . Sang Cheon, que assistia ansioso atrás, ia saltar para a frente, assustado, mas a voz de Gye Yoon veio primeiro.
— Nunca ouvi falar de um guiamento assim.
Achou que estava uma voz muito calma. Mas os olhos que encontraram os seus eram tão intensos que chegavam a incomodar, e Wonwoo mudou o que tinha pensado pouco antes. Ele não está reprimindo completamente as emoções.
— Tendo ouvido falar ou não, o que importa é que funcione, não é?
— I-isso. O que importa é que funcione.
Sang Cheon se meteu depressa em apoio a Wonwoo e, depois, perguntou timidamente:
— …Funcionou mesmo, né?
Para Sang Cheon, não houve grande mudança em Gye Yoon, por isso perguntou preocupado, e Wonwoo respondeu por ele.
— Sim, funcionou. Não se preocupe.
A expressão e a voz de Wonwoo voltadas para Sang Cheon eram suaves ao extremo. Gye Yoon viu aquela suavidade sumir por completo, como se apagasse com borracha, quando se voltava para ele. Na hora, ficou de péssimo humor. Wonwoo avisou friamente para ele:
— Terminou. Solte a mão.
— Não terminou.
Muitos dos que recebiam o guiamento de Wonwoo se agarravam a ele assim e não o soltavam, então ele não ficou desconcertado. Mas, se aqueles o seguravam por urgência e desespero, a pessoa diante dele era diferente. Dentro do calor intenso, havia também uma lâmina fria como gelo.
— Como fez isso?
Desta vez, Sang Cheon não aguentou e saltou para a frente.
— Isso não se pergunta! O contrato, esqueceu o contrato? E solte logo, solte a mão.
Ele gritou ao lado, aflito, mas Gye Yoon só encarava Wonwoo fixamente. Em vez disso, Wonwoo virou a cabeça para Sang Cheon e sorriu.
— Chefe, aquela bebida que o senhor me deu antes. Tem mais?
— Refrigerante? Ah, aquele eu peguei na máquina do andar de baixo, agora não tem. Por que isso de repente?
— Porque estava gostoso.
Diante disso, Sang Cheon se virou como quem vai correr para a porta, mas logo hesitou. E examinou com olhos preocupados Gye Yoon, que continuava encarando só Wonwoo .
— Posso pegar até cem, mas agora…
— Um basta. Dei guiamento e fiquei com sede.
— Então tem que beber!
Sang Cheon sumiu porta afora na hora, fazendo o chão retumbar. Assim que ele saiu, Wonwoo , com o rosto agora inexpressivo, olhou para a mão presa.
— Como nos encontramos na fazenda, vai ser fácil explicar.
— O quê?
Wonwoo ergueu os olhos e encarou as pupilas negras que o fitavam de forma incômoda.
— Qual você acha que é a minha habilidade?
Gye Yoon, em vez de responder, baixou os olhos devagar para as mãos. A mão de Wonwoo , presa na dele, se torceu e, entrelaçando os dedos, segurou com força a mão dele. E então o poder voltou a escoar de dentro do corpo.
Se, no guiamento de pouco antes, ele escoara devagar, como água saindo da banheira sem a tampa, desta vez o poder saiu de uma vez, como se o fundo inteiro da banheira tivesse se rompido. Junto com uma tontura de montanha-russa, sentiu que o corpo ia desabar. Mas foi só por um momento. Como se só quisesse lhe dar uma amostra, o poder que escoara parou e, ao contrário, voltou a se acumular camada sobre camada. Foi então que ouviu a voz calma de Wonwoo .
— Os Espers que recebem guiamento de mim não conseguem soltar a minha mão com facilidade. Para eles, devo ser a galinha dos ovos de ouro. Mas eu também posso ser um falcão capaz de despedaçar Espers com o guiamento. Claro, para a maioria dos Espers, sou um falcão.
Gye Yoon não sabia quem ele era, mas tinha uma vaga ideia do método de guiamento dele. Provavelmente acalmava a energia drenando o poder e depois devolvendo-o. Era também o jeito mais rápido de acalmar uma água agitada.
De repente, lembrou de quando Wonwoo dissera que o método de ajustar dele era diferente e que conseguia dar guiamento a todos os Espers. Então era verdade. Só agora entendeu por que ele enfrentava os Espers sem medo.
Quando ele drenava o poder durante o guiamento, o Esper ficava fraco. Wonwoo devia querer adverti-lo disso. Se eu estiver segurando sua mão, posso te despedaçar como um falcão. Mas será? Gye Yoon mal conteve o riso que queria escapar. Porém, com as palavras seguintes, o riso sumiu por completo.
— Quem despedaçou a Hong Eun-tae fui eu.
— …Você?
Pela primeira vez, a emoção apareceu de leve na voz de Gye Yoon. Wonwoo olhou para os olhos afiados do outro e assentiu com tranquilidade.
— Fui eu.
Como? Gye Yoon pensou na pergunta afiada e encontrou a resposta na mão presa. Ele consegue drenar a energia de um Esper sem nem tocar. Desta vez, foi um choque e tanto. Por isso, um frisson se espalhou a ponto de arrepiar a espinha.
Mas não era um arrepio desagradável. Pelo contrário, era um estímulo excitante, que fazia o baixo-ventre formigar. E o membro dele começou a endurecer. Gye Yoon cerrou com força a outra mão, segurando a vontade de puxar a mão que segurava. Para esconder isso, baixou o olhar, de modo que os olhos não aparecessem.
— Ah, é?
Havia calor na voz baixa. Mas não era uma reação intensa, por isso Wonwoo olhou para ele com cautela. Será que ele está escondendo mesmo as emoções? Então Gye Yoon desviou a atenção dele com outra pergunta.
— Mandou o chefe Hwang sair para contar isso?
— O chefe Hwang se preocupa muito. Se os segredos aumentarem, ele vai ter indigestão de estresse.
O que tem de mais em não conseguir comer direito? Gye Yoon não entendeu, mas Wonwoo falava daquilo com seriedade, como se fosse mais grave do que ter despedaçado a grandiosa Hong Eun-tae. Só então Gye Yoon percebeu, tarde, por que Wonwoo lhe dera guiamento.
Porque Sang Cheon pedira. Só por esse motivo. Ele não era nada para Wonwoo . De repente, como numa reação em cadeia, lembrou de algo que Wonwoo dissera antes. Provavelmente quando, como Nani, conversava com ele e criticara a família Ji. Wonwoo tinha respondido assim:
“Talvez eu seja ainda pior. Mesmo que todos os Espers do mundo que não são dos meus estivessem para morrer, eu só ia assistir.”
Os meus. Wonwoo dissera isso várias vezes. Agia como alguém que se movia unicamente pelos seus. A cabeça de Gye Yoon, mais clara do que nunca, começou a girar rápido. Para segurar aquela mão de novo, só havia um jeito. Tornar-se um dos dele.
Por isso, Gye Yoon mobilizou ao máximo sua paciência. Abriu a mão à força e, devagar, tirou a mão entrelaçada dos dedos dele.
Com a sensação de as peles se roçarem lentamente, o prazer formigante voltou a se concentrar no baixo-ventre. O membro ainda estava duro de excitação, mas nada transparecia no rosto inexpressivo dele. Em vez disso, perguntou com cara de pau:
— Quando nos vemos de novo?
— Não vai acontecer.
— Vai. Porque, para mim, aqui é,
Gye Yoon olhou ao redor o escritório de Sang Cheon e acrescentou devagar:
— Praticamente a minha casa.
— Nunca te vi aqui.
— Porque eu estava de férias.
Mas nos olhos de Wonwoo ainda havia desconfiança. Gye Yoon perguntou devagar, como se fosse um hábito:
— Não acredita?
— Como vou acreditar, senhor Gye Yoon?
Quando seu nome foi pronunciado, um sorriso se espalhou devagar no rosto de Gye Yoon. Mas, ao contrário da expressão, ele fitava Wonwoo com olhos que não sorriam nada.
— Só acredite.
Ha. Wonwoo engoliu uma risada incrédula e se esforçou para esconder o desconcerto. É mesmo o Gye Yoon? No instante em que segurou a mão dele e sentiu seu poder, soube de imediato que era de nível S. Aquele poder absurdamente vasto não tinha outra explicação senão o nível S. O problema era quem.
No mundo de Wonwoo , havia só quatro de nível S. Dois deles morreram quando Wonwoo era pequeno. Porque eram da família Gye do Norte. Se este mundo fosse igual, só um Esper de nível S se encaixaria nessas condições. O vice-chefe da família Gye, chamado de Bruto.
E não tinham dito que a família Gye era inimiga mortal da família Ji? Talvez por isso Sang Cheon nem tivesse contado a Gye Yoon que ele ia receber guiamento. E devia ter tentado esconder de Wonwoo , até o fim, quem era Gye Yoon. Wonwoo não tinha sentimento nenhum quanto a ele ser da família Gye ou da família de cão, mas o outro devia ser diferente, então não pôde deixar de perguntar.
— Você sabia que eu era filho do Ji Geuno; por que não foi embora já na porta?
— Você e o Ji Geuno são praticamente estranhos.
— …
— Não são?
Eram, praticamente estranhos. Era uma resposta que daria com prazer a quem perguntasse, mas, diante de Gye Yoon, ela não saía com facilidade. Não conseguia se livrar do pressentimento de que, no instante em que admitisse, ficaria envolvido com ele. Ali, Wonwoo só queria viver em paz, protegendo os seus.
Mas, se se envolvesse com a família Gye, talvez acabasse se lançando de novo no caos. Como o silêncio de Wonwoo se prolongou, Gye Yoon torceu de novo o canto da boca. Continuava um sorriso em que os olhos não riam, mas combinava bem com o murmúrio suave e baixo.
— Do que será que tem medo.
— Não tenho medo de nada.
Assim que Wonwoo rebateu, a pergunta de antes veio de novo, como se ele só esperasse por isso.
— Você e o Ji Geuno são praticamente estranhos, certo?
— …E se somos?
— Vai ser algo que me deixa de bom humor.
A opinião franca dele foi meio inesperada. Por isso, Wonwoo também foi franco.
— Para mim, nem um pouco. Porque não quero me envolver com a família Gye.
O olhar de Gye Yoon pareceu escurecer, mas logo voltou à indiferença e ele olhou para o vazio. E retrucou devagar:
— Não estamos envolvidos pela família Gye, e sim pelo chefe Hwang, nós dois.
— Não nos envolva por conta própria. Pensando bem, qual é a sua relação com o chefe Hwang?
— E a sua?
Não tinha o que dizer. Pensando bem, era praticamente Wonwoo quem corria atrás dele sozinho. Sentindo que tinha perdido antes mesmo de responder, a resposta saiu meio resmungada.
— O chefe Hwang é só alguém de quem eu gosto e que eu admiro.
— Ganhei.
O quê? Quando Wonwoo arregalou os olhos, surpreso, Gye Yoon torceu o canto da boca e sorriu. Ergueu só um dos cantos, e parecia zombaria, mas, para Wonwoo , pareceu um sorriso de quem se divertia. Achou que era ciúme que o deixava de mau humor, mas, mesmo assim, ia perguntar que diabos de relação era aquela para vencê-lo.
Mas, antes disso, ouviu o rangido da porta de ferro. Logo, Sang Cheon entrou correndo, ofegante, com os braços cheios de latas de bebida. Correndo como se fosse cair, a primeira coisa que fez foi verificar as mãos sobre a mesa. No instante em que, ao ver as mãos dos dois separadas, ele se aliviou, a voz de Gye Yoon ressoou em resposta.
— O chefe Hwang é como um pai para mim.
✧˖°. ༄ Continua no Volume 3!
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✦ Tradução, revisão e Raws: Belladonna,Yuki&Faby