Capítulo 07
—Se Wooyeon não estiver aqui, vou andar por aí…
Uma vez, ele andou por aí sem pensar, apenas com a camisa do pijama, e Wooyeon disse: —Papai Yeon, o papai Beom perguntou?— Jung Heeyeon ficou surpreso. Ele ficou ainda mais surpreso porque não sabia como explicar as marcas de mordida que eram óbvias para quem visse. Lendo a verdade em sua expressão, Wooyeon franziu a testa e correu para Yeon Woobeom.
—Papai Beom, eu te odeio!
Então, sem medo, começou a bater nas pernas do pai.
—Wooyeon.
—Por que o papai está machucado?
Ao contrário de Jung Heeyeon, que tentou intervir, constrangido, Yeon Woobeom apenas ergueu as sobrancelhas e ergueu o bebê que batia nele. Então, olhando em seus olhos, perguntou.
—O papai, o papai, o papai mordeu!
Wooyeon bufou.
—Morder é errado, mas o papai Beom mordeu o papai Yeon!
Yeon Woobeom, como se finalmente entendesse a situação, deslizou o olhar para a coxa de Heeyeon. Ele também, como Jung Heeyeon, não esperava que o bebê reagisse assim.
—Papai, vai embora! Não chegue perto do papai Yeon!
Como ele havia ensinado que morder os outros é errado, era difícil dar desculpas.
Graças a isso, os dois tiveram que passar o dia acalmando o bebê que se agarrava a eles, impedindo que o papai Beom se aproximasse do papai Yeon.
A partir daquele dia, ele aprendeu que tinha que ter cuidado até com as ações mais pequenas na frente do bebê. Andar sempre de calça comprida era um exemplo.
Lembrando-se desse dia, ele foi para a sala e viu Yeon Woobeom e Yeon Wooyeon. A diferença do normal era que Wooyeon parecia um pouco emburrado. Suas bochechas estavam inchadas.
Por que ele está de mau humor?
…Wooyeon.
Jung Heeyeon chamou o bebê que fazia careta. Wooyeon virou a cabeça ao ouvir sua voz.
—Papai!
Então, correndo, Wooyeon abraçou suas pernas. Seus braços curtos envolvendo suas pernas já aqueciam seu coração.
—Acordou?
—Sim.
Enquanto Jung Heeyeon acariciava a cabeça redonda de Wooyeon, ele olhou para Yeon Woobeom, que o cumprimentava. Ao contrário do homem, que estava vestido de forma confortável, Wooyeon estava com roupa de sair. Parecia que Shim Soo-cheon estava prestes a chegar.
—Bom dia…?
—Graças a você.
O homem riu lentamente. Seus olhos curvos tinham um toque de brincadeira.
—Água.
—Bebi um copo inteiro.
O homem que se aproximou, como quem diz “muito bem”, baixou a cabeça e beijou o canto de sua boca.
—Ah, papai Yeon. Wooyeon também, Wooyeon também quer um beijo.
Então, Wooyeon aplicou força nos braços que abraçavam suas pernas.
O beijo foi do papai Beom, não meu… Normalmente, ele teria pedido um beijo do Presidente, mas por que ele está agindo assim hoje? Ele levou uma bronca?
—Wooyeon também, beijo.
Jung Heeyeon, achando estranho, curvou-se e beijou a testa branca de Wooyeon.
—Nosso Wooyeon está lindo.
—Sim.
No entanto, Wooyeon parecia ter algo a dizer, respondendo de forma vaga.
—O líder de equipe já vai chegar?
Observando seu rosto, Jung Heeyeon olhou para Yeon Woobeom.
—…Ele deve chegar em 10 minutos.
Ao contrário de Wooyeon, que estava emburrado, Yeon Woobeom estava como sempre.
—Yeon Wooyeon. O papai Heeyeon está cansado, então senta no sofá para esperar.
—Sim.
Jung Heeyeon segurou a mão do bebê, que estendia os braços como quem quer andar de mãos dadas, e sentou-se calmamente no sofá.
—Não parece que ele levou bronca do Presidente.
A atmosfera estava estranhamente tensa.
—Wooyeon. Quando você for brincar, tem que ouvir os tios. Quando os pais não estão, os tios são seus pais.
—Sim.
Por que ele parece tão desanimado?
Jung Heeyeon, fazendo cócegas na palma da mão muito menor que a sua, acalmou o bebê com carinho.
—Ontem você foi ao parque de diversões com os pais, e hoje vai brincar com os tios, então você estava feliz. Mas por que está de mau humor agora?
—O papai Beom…
Wooyeon moveu seus lábios carnudos e depois fechou a boca. Era difícil entender por que ele estava agindo assim.
—Você brigou com o papai Beom?
A palavra “brigar” não parecia se encaixar. Além de Wooyeon ainda ser um bebê, ele era muito apegado aos pais para brigar. Mas, como era a única palavra que vinha à mente, Jung Heeyeon perguntou se ele havia brigado.
—Não. É que o papai Beom e Wooyeon pensam diferente.
Wooyeon balançou a cabeça com uma expressão séria.
—Pensar? Sobre o quê?
—Quando estávamos comendo a carne no parque de diversões ontem.
—Sim.
—Tinha um amigo brincando com um bebê.
—Bebê?
Jung Heeyeon finalmente se lembrou do que aconteceu no parque de diversões. A memória de Wooyeon, que não demonstrava interesse por outras pessoas, olhando fixamente para outra mesa, veio em seguida.
—Sim, o papai também se lembra. Quando eu perguntei o que havia, você disse que não era nada.
—Na verdade…
—Sim.
—Eu estava com inveja.
—Com inveja?
Do que ele tinha inveja? Jung Heeyeon arregalou os olhos.
—Sim.
Foi quando Yeon Woobeom, que havia entrado no quarto, saiu para a sala.
Em sua mão, havia uma pequena bolsa. Como Shim Soo-cheon estava prestes a chegar, ele trouxe a bolsa de Wooyeon. Naturalmente, seu olhar se fixou nele, mas a mão que segurava a sua se apertou. Wooyeon puxou sua mão suavemente.
—Papai Yeon.
Graças a isso, seu olhar caiu sobre o bebê sentado ao lado.
—Sim.
Jung Heeyeon, examinando os olhos que eram a cara de Yeon Woobeom, ergueu os cantos da boca.
—Wooyeon também quer um irmãozinho…
Então, Wooyeon baixou as sobrancelhas e fez uma expressão inocente. A pronúncia que ficava mais arrastada quando ele queria algo escapou por entre seus lábios carnudos.
—Presidente.
Jung Heeyeon, que havia ficado em silêncio por um momento, chamou Yeon Woobeom. O homem, que estava bebendo café, encontrou seu olhar. A mão que tocava seus cabelos não parou até que ele colocasse a xícara de lado.
*****
Depois de mandar Wooyeon embora, eles tomaram um café da manhã tarde que serviu como almoço, tomaram sol no amplo jardim e voltaram para casa há uma hora.
—Vamos sair para um encontro depois de tanto tempo.
Fazia tempo que não passavam um tempo sozinhos. Eles costumavam sair pelo menos uma vez por semana, mas na semana passada Wooyeon estava doente, então eles tiveram que pular.
—Hmm… Hoje vamos ter um encontro em casa.
—Você está cansado?
O homem riu. Não era para perguntar se ele estava cansado por ter ido ao parque de diversões.
—Só quero ficar em casa com você depois de tanto tempo.
Deitar deitado no colo do homem também fazia parte de aproveitar o encontro em casa. Depois de desfrutar de um tempo tão relaxante, uma memória veio à tona.
—Antes de eu acordar, você falou sobre irmãos com Wooyeon?
Yeon Woobeom, como quem já esperava o que viria, respondeu com um rosto calmo.
—Sim.
Era a expressão carinhosa de sempre.
Com a concordância fácil, Jung Heeyeon relembrou o momento em que Wooyeon mencionou irmãos.
Por que ele falou de irmãos de repente?
Enquanto ele olhava para Wooyeon, que falou sobre um assunto totalmente inesperado, a campainha tocou. Shim Soo-cheon havia chegado mais cedo do que o previsto.
—O tio chegou.
—Hmm.
Yeon Woobeom, carregando a bolsa do bebê em um ombro, ergueu o corpinho. Então, sem dar tempo para Jung Heeyeon se despedir, ele entregou Wooyeon a Shim Soo-cheon e voltou.
Ou seja, Wooyeon havia saído para encontrar os tios depois de fazer manha, então ele se preocupou se ele poderia estar causando problemas para os outros, mas, felizmente, Wooyeon parecia estar se divertindo. Há uma hora, ele recebeu uma foto de Wooyeon almoçando com os tios.
—Você também disse ao Presidente que queria um irmão de repente? Quando eu saí, suas bochechas estavam mais inchadas que o normal. Não sei ao certo, mas ele parecia um pouco bravo…
Só depois de ouvir o pedido com a pronúncia arrastada é que ele entendeu por que Wooyeon parecia emburrado. Incluindo o motivo pelo qual ele pediu um beijo a ele, e não ao papai Beom.
Ele mencionou irmãos ao pai, foi ignorado, ficou bravo e, quando o outro pai apareceu, fez manha.
—…Quando eu o troquei e saí, ele falou sobre o parque de diversões de ontem e disse que queria um irmão.
—O que o senhor disse?
Foi apenas uma pergunta por curiosidade, mas o homem, pensando que ele queria saber sua intenção, franziu os olhos. Ele parecia um pouco constrangido, mas não desviou o assunto.
—Eu disse que um irmão não é um brinquedo, que você não pode ter só porque quer.
—Mas por que ele ficou bravo…?— Outros bebês podem ser diferentes, mas Wooyeon era uma criança que entendia esse tipo de conversa.
—Ele disse que os bebês nascem quando os pais se amam, então por que ele não podia ter um?
Com a continuação, Jung Heeyeon soltou um “ah”. Ele achava que entendia por que Wooyeon reagiu com tanta indiferença. Os pais que ele conhecia se amavam, e, se se amam, é natural que um bebê nasça, mas como o papai Beom respondeu que não, ele deve ter ficado confuso.
—Adiante o presente de Dia das Crianças do ano que vem para acalmar o irmão.
Yeon Woobeom, como se ainda achasse inacreditável, fez um som de ar escapando e continuou.
—Presente de Dia das Crianças do ano que vem? Não sabia que ele tinha ido tão longe.
O fato de ele ter mencionado o presente de Dia das Crianças significava que ele realmente queria um irmão.
—É porque você o criou com muito carinho, como eu.
Yeon Woobeom baixou a mão que acariciava seus cabelos e segurou sua bochecha. A ponta dos dedos que pressionava suavemente sua bochecha era agradável, e Jung Heeyeon ficou em silêncio, apreciando o toque.
—Mas Wooyeon raramente pede coisas…
Como ele vivia uma vida com tudo o que precisava, ele nunca tinha sido particularmente ambicioso por objetos. Quando Hae-rim, que veio visitar um dia, quebrou um brinquedo com que ele brincava com frequência, ele também reagiu com indiferença.
—Hmm, Haerim ainda é um bebê, então tudo bem. E o tio Haejin também comprou um presente para Wooyeon.
Para ser mais preciso, talvez ele não tivesse apego. Dizem que os bebês dessa idade choram quando os brinquedos quebram por causa do apego.
—Contanto que eu ou o Presidente brinquemos com ele, ele gosta de tudo.
Se for para listar, parece que ele só tem apego pelos pais.
Por isso, foi ainda mais inesperado. Ele nunca havia mencionado irmãos na frente de Wooyeon e, se perguntasse como seria ter um irmão, ele esperava que a resposta fosse “não”.
—Por isso achei que ele nunca diria que queria um irmão.
Yeon Woobeom também parecia ter pensado o mesmo. Afinal, ele nunca tinha mencionado irmãos antes.
—Será que no parque de diversões ele achou que ter um irmão era melhor?
Ele pensou que Wooyeon iria querer todo o amor dos pais para si, mas parece que ele estava disposto a compartilhar.
—Vou ter que pensar em como explicar isso quando Wooyeon voltar. Ele pode pensar que não temos um irmão porque não nos amamos.
Mesmo que não seja isso, Wooyeon é teimoso, então ele certamente vai querer ouvir uma resposta.
Enquanto ele pensava em como explicar, Yeon Woobeom parecia ter pensado em outra coisa, erguendo as sobrancelhas.
—Você não ia insistir para eu ter um segundo filho, já que Wooyeon disse que queria um irmão?
Jung Heeyeon finalmente entendeu por que o homem havia feito uma expressão constrangida durante toda a conversa. Os cantos de seus lábios se ergueram levemente.
—O senhor estava preocupado que eu fosse pedir um segundo filho?
—Mais do que preocupado…
O homem acariciou seus cabelos novamente. O toque cuidadoso era adorável.
—Estava pensando em como te convencer.
—Mas o senhor não precisa me convencer…
Jung Heeyeon falou em um tom calmo.
—Para ser honesto, eu queria ter um filho que se parecesse com o Presidente.
Seus olhos de cor clara estavam fixos no homem que o observava.
—Mas não quero deixar o senhor ansioso por causa da minha vontade.
Surpreso com as palavras inesperadas, a mão que acariciava seus cabelos parou.
—Eu já sou muito feliz.
Jung Heeyeon sorriu radiantemente.
Desde o momento em que conheceu Yeon Woobeom, ele estava aprendendo o que é a felicidade. Não houve um único dia em que ele não foi feliz depois de conhecer o homem, mas ele não era tolo o suficiente para esquecer o valor do que era familiar.
E ele aprendeu tudo isso através de Yeon Woobeom.
—Isso é o que eu digo na ausência de Wooyeon…
Um sussurro brincalhão escapou por entre seus lábios cheios de felicidade.
—Claro que eu também amo Wooyeon, mas a pessoa que eu mais amo no mundo é o senhor. Então, mesmo que não houvesse um bebê entre nós, eu ainda seria feliz.
Alguém disse que ter um filho traz uma felicidade diferente, mas Jung Heeyeon não sentia essa diferença.
Ele queria ter um filho do homem, e, como seu desejo se realizou, ele o criava com felicidade, mas, se não houvesse um filho, ele seria igualmente feliz. Contanto que Yeon Woobeom estivesse ao seu lado.
Foi por isso que ele não considerava a felicidade depois do nascimento de Wooyeon como algo especial. Ter um membro a mais na família era, sem dúvida, feliz. Ver o bebê crescer era divertido e gratificante.
Mas, embora conseguisse imaginar uma vida sem o bebê, ele não conseguia imaginar uma vida sem Yeon Woobeom.
—Não desisti completamente de ter um filho que se pareça com o Presidente…
A expressão de Yeon Woobeom era ilegível.
—Mas não vou usar o fato de Wooyeon querer um irmão como desculpa para pedir um segundo filho, então não se preocupe.
Uma coisa era certa: ele parecia estar ouvindo suas palavras com atenção.
—Acho melhor ter um segundo filho quando o senhor também se sentir confortável com a ideia, e quando tiver certeza de que não se sentirá ansioso.
Estranhamente, ele tinha certeza de que o homem não se oporia até o fim. Porque a ansiedade não tem força diante da felicidade.
—Ah, é verdade.
No momento em que terminou de falar, ele se lembrou de outro assunto importante. Jung Heeyeon se levantou.
—Eu ia abrir o presente de Dia das Crianças que o senhor me deu ontem com Wooyeon, mas esqueci.
Virando a cabeça, ele viu os presentes no mesmo lugar de ontem.
—Podemos ver à noite. Ou quer abrir agora?
—…Acho melhor esperar Wooyeon e abrir juntos enquanto falamos sobre irmãos.
—Sim, então.
O homem riu silenciosamente. Por causa da luz do sol que entrava suavemente na sala, ou por causa da visão enquanto ele se levantava, seu rosto parecia muito mais relaxado do que há pouco.
Era também o rosto que Jung Heeyeon amava.
—Presidente.
Suas bochechas se arredondaram com um sorriso.
—Eu te amo.
Mesmo com a confissão repentina, Yeon Woobeom, como se estivesse acostumado com essas demonstrações de afeto, esticou os lábios.
—Mas eu amo mais você.
As palavras “eu te amo” que escapavam também pareciam muito familiares.
—Nosso Heeyeon também divide seu amor com o bebê.
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna