Capítulo 28
Bebê
Yeon Woobeom esperava ansiosamente pelos resultados dos exames. Para os outros, seu rosto frio parecia que ele poderia matar alguém a qualquer momento, mas a emoção que ele sentia era claramente ansiedade.
Ele percebeu imediatamente a anormalidade em Jung Heeyeon. Como ele acordava sempre que seu Ômega se virava durante o sono, quando Jung Heeyeon gemeu baixinho e tateou seu braço, ele já estava em alerta. Ele esperava que ele confirmasse sua presença e adormecesse novamente, mas sentiu uma mudança sutil no cheiro dos feromônios. Foi por isso que ele se levantou imediatamente e verificou o rosto de Jung Heeyeon.
O homem que o ergueu com cuidado, sem se importar se a roupa estava molhada ou não, colocou seu Ômega no carro e foi para o hospital. Graças a ter contatado o médico imediatamente, ele pôde fazer os exames assim que chegou.
Ele queria ficar e observar o exame, mas, ao ouvir que o marido deveria esperar do lado de fora, ele saiu para o corredor.
—Presidente.
Enquanto ele olhava apenas para o quarto de Jung Heeyeon, uma voz familiar foi ouvida.
—Ah, ufa, vim assim que soube que o Sr. Heeyeon estava no hospital.
Era uma colega de faculdade de medicina, e Kim Jiwon correu com o rosto ofegante. Kim Cheolwoo estava atrás. Era óbvio que ele tinha pegado uma carona no caminho, sabendo que havia sido chamado.
—Ele está em exame.
Yeon Woobeom respondeu, passando a mão pelos cabelos caídos.
—Ouvi dizer que a bolsa estourou… É mais comum do que parece, então não se preocupe muito. Muitas grávidas entram em cirurgia depois que a bolsa estoura.
—Presidente. O senhor quer trocar de roupa?
Kim Cheolwoo perguntou com cuidado. Yeon Woobeom ia recusar, mas pegou a sacola de papel que Kim Cheolwoo havia preparado. Ele não queria sair, mas aparecer arrumado seria melhor para tranquilizar Jung Heeyeon.
No momento em que ele voltou, a médica abriu a porta.
—Marido. Pode vir aqui?
Yeon Woobeon a seguiu até o quarto de Jung Heeyeon. Quando ele verificou seu rosto, sua expressão alerta parecia melhor do que o esperado, e um alívio tardio o envolveu.
—A cirurgia está cerca de duas semanas adiantada, mas não há grandes problemas. Vamos fazer um exame de movimento fetal e entrar em cirurgia imediatamente.
Balançando a cabeça com a explicação da médica, ele olhou novamente para Jung Heeyeon. Embora ele devesse estar assustado por ter acordado com a bolsa estourada, Jung Heeyeon sorriu quando seus olhos se encontraram. No entanto, quando viu os tubos de soro nas costas de ambas as mãos, Yeon Woobeom franziu ligeiramente a testa.
—Se você sentir o bebê se mexer, aperte isso.
Um dispositivo foi colocado em sua mão fina. Parecia ser um monitor de movimento fetal.
—Vamos verificar os movimentos com isso e depois entrar em cirurgia.
Yeon Woobeom acenou com a cabeça para a médica que saía e sentou-se na beira da cama. Ele arrumou suavemente seus cabelos desgrenhados e, quando abaixou a mão, Jung Heeyeon inclinou a cabeça e esfregou a bochecha nela.
—Você não sentiu dor quando tomou a injeção?
A agulha que perfurava sua mão pequena e branca o incomodava.
—Não. Acho que é soro. Doeu um pouco, mas é suportável.
—…Você não se assustou?
Foi uma sorte que ele fosse sensível aos sinais do seu Ômega. Embora soubesse que tinha chegado ao hospital no menor tempo possível, a ideia de que ele poderia estar dormindo enquanto Jung Heeyeon se mexia e a bolsa estourava o fazia sentir um arrepio.
—Fiquei surpreso com a umidade, mas o senhor disse para irmos ao hospital imediatamente, então fiquei aliviado. E antes de a bolsa estourar, acho que sonhei com os meus pais… Por isso não me assustei tanto.
Ele se lembrou da voz murmurando
—Os meus pais apareceram.
—Parece que eles te acordaram antes para você não se assustar.
Sem qualquer tom de sarcasmo, o tratamento formal saiu naturalmente.
—Parece que sim. Não me lembro bem, mas acho que foi por causa do sonho feliz, que não me assustei tanto quando a bolsa estourou. E o senhor estava ao meu lado.
—Eu disse para não fazer o papai sofrer, mas nosso bebê está fazendo até o fim.
—Ele deve estar ansioso para nos ver.
Yeon Woobeom finalmente ergueu os cantos da boca. Ele achava que tinha vindo para o hospital em estado racional, mas só depois de ouvir Jung Heeyeon falar calmamente é que ele se sentiu aliviado. A direção foi suave, já que ele estava levando seu Ômega com a bolsa estourada no banco do passageiro, mas a memória parecia ter sido apagada.
—Ah, perguntei à médica, e ela disse que a cirurgia é rápida.
—Hmm. É?
—Sim. Então não se preocupe comigo.
Yeon Woobeom parou a mão que acariciava a bochecha de Jung Heeyeon.
Ele parecia tenso. Ele não queria demonstrar tensão para quem ia entrar na sala de cirurgia, mas talvez sua ansiedade tivesse aparecido em seu rosto.
—Quero ver o senhor e o Gengibre logo, então vou sair rápido.
—Tudo bem.
—Estou curioso para ver você segurando o bebê.
Yeon Woobeom nunca tinha imaginado Jung Heeyeon segurando um bebê. Para ele, o passado, o presente e o futuro, tudo se resumia ao bem-estar de Jung Heeyeon. Foi só depois de ouvir isso que ele ficou curioso para ver Jung Heeyeon com seu filho.
—Eu também estou curioso para ver você com o bebê.
Pensando em algo, Jung Heeyeon franziu a testa.
—Eu posso não conseguir segurá-lo sozinho, então o senhor tem que me ajudar.
—Tudo bem. Vou te ajudar.
Yeon Woobeom sorriu carinhosamente e beijou a testa de Jung Heeyeon.
Logo, um tempo infernal esperando seu Ômega se seguiria, mas ele não tinha a menor intenção de demonstrar seus sentimentos.
Yeon Woobeom observou Jung Heeyeon sem piscar até ele entrar na sala de cirurgia.
Ao contrário de Kim Jiwon, que andava de um lado para o outro repetindo exercícios respiratórios, ele estava calmo. Não tendo tempo para se preocupar com as coisas triviais, ele ficou parado, olhando para a sala de cirurgia, quando Kim Cheolwoo se aproximou e falou.
—Presidente. Entrei em contato com a clínica pós-parto.
A clínica estava com vagas lotadas para o mês, mas ele havia reservado três semanas extras, tanto antes quanto depois, para o caso de uma emergência.
—Cancelei todos os compromissos de amanhã. Vou tentar ajustar ao máximo a agenda da próxima semana.
—Cancele tudo o que puder.
—Sim. E, pelo que perguntei, a cirurgia dura cerca de 20 minutos.
Yeon Woobeom balançou a cabeça com as palavras cuidadosas. Seu olhar ainda estava fixo na sala de cirurgia onde Jung Heeyeon havia entrado.
Não vai dar nada errado.
Não daria. Embora seu corpo fosse frágil, Jung Heeyeon não tinha nenhuma doença grave, e o bebê era saudável. Tão saudável que estava deixando seu Ômega exausto.
Com todos os indicadores normais, era uma cesariana, não um parto normal. Com um cirurgião experiente, não deveria haver grandes problemas.
—Ele vai cortar sua barriga.
Yeon Woobeom conhecia a sensação do bisturi frio. Como a cirurgia seria feita após a anestesia, seu Ômega não sentiria a lâmina, mas o simples fato de um objeto de cor sinistra cortar um corpo quente e ver sangue o deixava inquieto. Era um objeto que não combinava com Jung Heeyeon.
Ele se lembrou do corpo que ele cuidava tão bem para que não se machucasse. Como a pele era branca, qualquer hematoma ou ferida chamava a atenção, então ele sempre tomava mais cuidado. Ele não queria que Jung Heeyeon sentisse dor.
Era uma afirmação cara de pau para alguém que era tão bruto durante o sexo, mas, de qualquer forma, Yeon Woobeom fazia o possível para cuidar de Jung Heeyeon. Os hematomas que apareciam em sua pele branca eram apenas os que ele criava durante a noite. E agora, seu filho estava em sua barriga, e ele precisava passar uma faca nela.
Claro, Jung Heeyeon seria bonito mesmo com uma cicatriz. Simplesmente por ser Jung Heeyeon.
No entanto, pensar que aquela cicatriz era causada por ele o fazia se sentir horrível.
—Ah…
Yeon Woobeom, sem perceber que suspirava, esperava ansiosamente o tempo passar. As veias salientes no dorso da mão que ele passava pelos cabelos eram visíveis apenas para Kim Cheolwoo.
—É assim que se sente o inferno?
Ele conhecia bem a fluidez do tempo, pois era especialista em fatiá-lo. Quanto mais ansioso ele ficava, mais devagar o tempo passava.
De repente, Yeon Woobeom lembrou-se das maldições que eram lançadas contra ele. Eram tantas que ele nem se lembrava de quem as tinha ouvido, maldições tão absurdas que só arrancavam risos.
—Vá para o inferno!
A ideia de “ir para o inferno” significava, em última análise, que ele não viveu uma vida limpa. E ainda assim, quem era ele para mandar alguém para o inferno? Ele achou engraçado e ignorou, mas talvez o que eles desejavam estivesse se tornando realidade.
Yeon Woobeom achava que o momento em que ele estava parado, sem fazer nada, era verdadeiramente infernal.
Esse tempo esperando por seu Ômega que entrou na sala de cirurgia.
Ele repetia o movimento de cerrar e abrir as mãos tensas, olhando fixamente para a sala de cirurgia, quando a porta opaca se abriu silenciosamente e duas enfermeiras saíram puxando um carrinho na altura da cintura. Yeon Woobeom, sem pensar, deu passos largos.
—A cirurgia terminou bem. O médico está finalizando, e o paciente sairá em breve. Como está sendo suturado, não há motivo para grande preocupação.
—Ah…
Yeon Woobeom finalmente soltou a respiração que havia prendido e passou a mão pelo rosto.
—Quer segurar o bebê?
Foi só então que ele viu seu filho. E só depois disso ele reconheceu o choro alto.
Yeon Woobeom baixou o olhar e respirou fundo lentamente. Uma vida do tamanho de uma mão, enrolada em um pano, chorava. Apesar de ser vermelho e enrugado, ele conseguia ver imediatamente com quem se parecia.
—O bebê tem uma voz muito alta. Isso significa que ele é saudável. Talvez ele pare de chorar quando sentir o cheiro dos feromônios do pai.—
Então esse é meu filho.
Que Jung Heeyeon deu à luz e que ele protegeria.
Yeon Woobeom estendeu a mão lentamente. Com um toque que surpreendeu as enfermeiras de tão habilidoso, ele apoiou a nuca do bebê e, liberando lentamente seus feromônios, segurou a vida que chorava. A criança parou de chorar como se nunca tivesse começado.
—Ah…
Yeon Woobeom exalou lentamente a respiração que havia inalado calmamente.
Esperando que pudesse abraçar Jung Heeyeon o mais rápido possível.
Jung Heeyeon piscou. Sentiu uma leve dor e uma mão massageando sua perna.
—Acordou?
Percebendo seu movimento, Yeon Woobeom se moveu e arrumou seus cabelos desgrenhados. Jung Heeyeon tateou a barriga inconscientemente.
—O bebê.
—O Gengibre nasceu saudável.
—Ele se parece com você?
Perguntando o que mais lhe interessava, Yeon Woobeom riu baixinho.
—Você está curioso?
—Sim.
—Vou trazê-lo daqui a pouco. Quero ver meu marido primeiro. Sua barriga não está doendo?
Jung Heeyeon balançou a cabeça. Ele estava tão focado no rosto de Yeon Woobeom que só percebeu a presença do soro na mão com um atraso. Parecia ser a injeção de anestesia que haviam explicado antes da cirurgia.
—Está um pouco dolorida, mas acho que a injeção está ajudando.
—Sua garganta não está seca? Não pode beber água agora, o que fazer.
—Tudo bem.
Yeon Woobeom beijou seus lábios secos. Jung Heeyeon observou o rosto do homem em silêncio. Antes de entrar na sala de cirurgia, sua expressão não parecia boa, mas agora parecia melhor, o que era um alívio. Ele terá segurado o bebê? Ele perguntou sem hesitar.
—O senhor segurou o Gengibre?
—Sim. Ele parou de chorar assim que o segurei.
—Ele deve ter reconhecido o pai.
Ouviu-se dizer que os feromônios expostos durante a gravidez são importantes, e como ele não apenas recebeu os feromônios de Yeon Woobeom, mas também usou suas roupas, talvez o bebê tenha reconhecido o pai. Jung Heeyeon, após um momento de reflexão, fez a pergunta.
—Como foi quando você o segurou?
Yeon Woobeom franziu a testa e fez uma careta, como se fosse uma pergunta difícil.
—Bem.
Jung Heeyeon esperou sua resposta em silêncio.
—Pequeno, e… tive vontade de segurar o Heeyeon também. Para ser honesto, estava mais preocupado com você do que com o bebê.
A resposta honesta fez seu coração disparar. Jung Heeyeon engoliu as palavras que queria dizer e falou outra coisa.
—Eu também quero segurar o bebê.
—Quer ver agora?
—Sim.
—Tudo bem. Vou trazê-lo.
Jung Heeyeon observou as costas do homem que acariciou sua bochecha e se afastou.
A espera não seria longa. Yeon Woobeom nunca o fazia esperar.
Jung Heeyeon piscou, como quando havia acordado.
—E o bebê?
Ele estava esperando o bebê, mas Yeon Woobeom apareceu com um cachorro-quente enrolado em um pano branco. Como ele estava segurando com uma mão, e sua mão era tão grande, o pano branco parecia um cachorro-quente.
—Aqui está, nosso bebê.
—Ah… Não é um cachorro-quente?
—Depois do Gengibre, vem o Cachorro-quente?
O homem, rindo baixinho, se aproximou e abaixou lentamente o pano branco que segurava. Jung Heeyeon só então percebeu que o pano branco que Yeon Woobeom segurava não era um cachorro-quente, mas o Gengibre. Ele olhou para o bebê, que estava aninhado em uma posição estável, e fechou a boca.
—…..O bebê é tão vermelho.
Sua primeira impressão do bebê foi… que sua pele era vermelha.
—É porque ele nasceu há pouco. Quanto mais vermelho, mais branco ele fica depois.
—Eu não consigo ver com quem ele se parece…
—Não consegue?
Para Jung Heeyeon, era difícil distinguir. O bebê estava dormindo com os olhos fechados, o que tornava ainda mais difícil. Seus olhos longos tinham cílios igualmente longos, seu nariz era empinado e seus lábios eram rosados. E seus cabelos pretos eram abundantes.
—Ele se parece com você?
Yeon Woobeom riu alto.
—Ele tem muito cabelo. Dizem que os bebês geralmente têm pouco cabelo.
—Todos pareciam surpresos com a quantidade de cabelo. Talvez seja porque os pais são dominantes.
—Ah, ele não precisa ficar na incubadora? A cirurgia foi duas semanas antes…
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Continua
☾ Tradução, revisão e Raws: Faby & Belladonna