Capítulo 19
Enquanto cozinhava, ele pegou algumas frutas para comer, e depois colocou o arroz frito em uma marmita. Era uma marmita que ele comprou com Yeon Woobeom no piquenique da primavera passada.
Colocou o ovo frito, com a clara e a gema ligeiramente misturadas, sobre o arroz frito, e encheu o espaço restante com frutas e sobremesas individuais. Ficou uma marmita bem decente. Agora que tinha terminado o que planejou sentado na cama, era hora de ir para a empresa e surpreender Yeon Woobeom.
Como tinha câmeras, ele já deve ter visto? A dúvida passou por sua mente rapidamente, mas, de qualquer forma, ir até a empresa era muito mais rápido do que esperar por ele.
—Talvez ele nem veja… O Presidente está ocupado, não vai ficar olhando, vai?
Com fome novamente, ele aqueceu uma salsicha no micro-ondas e, enquanto tirava a embalagem, lembrou-se do dia em que Yeon Woobeom mencionou as câmeras pela primeira vez.
—Heeyeon. Tenho um pedido.
—Sim, diga.
Foi alguns dias depois que ele soube da gravidez.
—Você se importa se eu colocar uma câmera em casa?
—Em casa?
—Sim. Pode recusar se for desconfortável.
Parecia um pouco estranho instalar uma câmera dentro de casa, e não na porta da frente, mas como dizem que casas com cachorros ou bebês instalam câmeras, não era algo totalmente absurdo. Jung Heeyeon balançou a cabeça obedientemente.
—Não, tudo bem. Não é desconfortável.
—Você não vai nem perguntar o motivo?
Yeon Woobeom franziu a testa, rindo, como se não esperasse que ele concordasse tão facilmente. Jung Heeyeon arregalou os olhos e respondeu.
—Não preciso de motivo… Se o senhor quer fazer, eu estou bem com tudo.
Não era como se Yeon Woobeom o estivesse tratando como um cachorro, então não importava o motivo. Ele queria fazer tudo o que o homem desejasse.
—Ah, mas outras pessoas não podem ver. Eu não gosto que outros vejam.
Quando ele falou calmamente, aninhado nos braços do homem, Yeon Woobeom riu e tocou sua bochecha.
—Por que eu mostraria para outros, isso.
—Então está bem.
—Ele disse que está bem, como se soubesse o que eu vou fazer.
No riso baixo, havia um tom de satisfação.
—Quando estamos juntos, tudo bem, mas às vezes saio sozinho. Se você estiver sozinho em casa e algo acontecer, é difícil verificar, então pensei em colocar.
—Sim, pode instalar. Mas só o senhor pode ver.
Ouvindo isso, pareceu ainda melhor. Como Yeon Woobeom também seria filmado, e a maioria dos dias eles sairiam juntos, ele não teria muito o que olhar. Além disso, como estava escondido, não incomodava.
Jung Heeyeon comeu a salsicha quentinha e acenou para a câmera. Depois de terminar a salsicha e escovar os dentes, ele começou a se preparar para sair.
Vestiu o casaco, pegou apenas o celular e a marmita, chamou um táxi e saiu. Yeon Woobeom havia dito para ligar se precisasse sair quando estivesse sozinho, que mandaria alguém, mas como ele queria fazer uma surpresa, hoje ele iria escondido.
Felizmente, o táxi chegou rápido, então ele não precisou esperar muito no vento frio.
—Vamos ver o papai, Gengibre.
Já estava bem acostumado a falar com o bebê sozinho.
Enquanto olhava a paisagem nevada e conversava com Gengibre sobre isso e aquilo, quando estava quase chegando ao prédio familiar, o telefone tocou. Como estava falando com Gengibre, Jung Heeyeon percebeu a vibração com um segundo de atraso.
—Chegamos.
—Ah, obrigado.
Ele ia atender, mas o táxi parou suavemente. Jung Heeyeon guardou o celular no bolso, agradeceu e desceu. Quando fechou a porta e verificou, a ligação já havia sido encerrada.
—Já que cheguei, é melhor subir e cumprimentá-lo.
— Balançando a marmita, ele estava prestes a entrar no prédio.
—Ah? Sr. Heeyeon!
Um carro elegante parou e a janela do motorista desceu lentamente. Jung Heeyeon cumprimentou Shim Soocheon, que ele não via há algum tempo.
—Olá, Líder Shim Soocheon. Onde o senhor vai?
—Tenho uma viagem de negócios. Mas ouvi dizer que hoje o senhor não viria com o Presidente hoje.
—Vim escondido do Presidente.
Shim Soocheon piscou.
—O quê? Pode repetir?
—Vim escondido do Presidente.
—…..Por acaso o Presidente não atendeu às suas ligações?
—Ah, ele ligou agora, mas caiu. Vou subir e cumprimentá-lo.
Assim que ele terminou de falar, o rosto de Shim Soocheon ficou pálido. Jung Heeyeon observou o homem tatear o celular, pensando: por que ele está assim?
—Sr. Heeyeon. Fique aí um momento. Ah, não. Está frio lá fora. Quer esperar no banco do passageiro por um momento?
Ele estava prestes a abrir a porta do passageiro quando um som agudo foi ouvido não muito longe do carro de Shim Soocheon. Era o som de um carro freando bruscamente.
Por instinto, ele virou a cabeça e viu a porta do passageiro se abrir e uma perna longa tocar o chão. Assim que confirmou a presença de Yeon Woobeom, Jung Heeyeon sorriu radiantemente.
—Presidente!
O homem, com uma expressão séria, aproximou-se e o ergueu imediatamente.
—Ah.
No suspiro, sentiu-se um tom de alívio.
—Heeyeon. Por que não atendeu o telefone?
—Ah, estava conversando com o Gengibre e só percebi a vibração depois. Eu ia atender, mas a ligação caiu enquanto eu descia do táxi.
—Por que nosso bebê veio de táxi até aqui sem ligar?
Parecia que seu rosto estava pálido, então Jung Heeyeon acariciou a bochecha de Yeon Woobeom.
—Porque eu queria fazer uma surpresa para o senhor.
—Surpresa?
—Sim. Trouxe uma marmita. Para comer com o senhor.
O vento frio soprava, então Yeon Woobeom entrou rapidamente no prédio. Graças a isso, Jung Heeyeon, que estava em seus braços, pôde ver Shim Soocheon e Kim Cheolwoo sobre o ombro do homem. Ambos pareciam tensos, mas aliviados.
—Ah…
Jung Heeyeon inclinou levemente a cabeça para trás e encarou seu Alfa. Ele sentiu que tinha feito algo errado.
Carregado por Yeon Woobeom, ele entrou no elevador e chegou rapidamente à sala do Presidente. Jung Heeyeon mexeu os dedos e abriu a boca com cuidado.
—Presidente. O senhor se assustou?
—Você não colocou o relógio.
—…Fiquei tão ocupado fazendo o arroz frito que esqueci. Estava com pressa, acho que acabei esquecendo.
—Arroz frito?
—Trouxe na marmita. O senhor sempre faz comida para mim, eu me sinto culpado…
—Por que você só tem pensamentos bonitos?
Ah, a marmita. Só então ele se lembrou da voz que mencionava a marmita junto com a palavra “surpresa”. Yeon Woobeom só se acalmou depois de inalar o cheiro de Jung Heeyeon várias vezes. Quando seu Ômega saiu de casa sem avisar e ele não conseguiu contatá-lo, sua mente ficou em branco.
Yeon Woobeom tentou agir da forma mais racional possível, mas, apesar de seus esforços, um canto de sua mente não estava em sã consciência. Quando avistou Jung Heeyeon saindo do prédio, ele pensou que sua mente perturbada estava vendo coisas.
Ele abraçou o corpo quente e, enquanto inalava calmamente o cheiro dos feromônios, eles se tornaram mais intensos.
—…..O senhor achou que eu tinha sumido?
Yeon Woobeom só percebeu que Jung Heeyeon havia liberado mais feromônios de propósito quando o Ômega segurou seu rosto e olhou em seus olhos. Ele queria acalmá-lo.
Será que eu parecia tão mal? Ele escolheu as palavras para não transparecer impaciência.
—Achei que algo tinha acontecido. Meu amante, que liga assim que acorda, não atendeu, saiu de casa sem avisar, e eu não conseguia contatá-lo.
Sua obsessão por Jung Heeyeon não era novidade, mas desde que aquele corpo pequeno engravidou, seus nervos ficaram ainda mais sensíveis. Ele se preocupava que, com um corpo já frágil e um bebê dentro, qualquer descuido pudesse piorar sua saúde.
—Desculpe. Não sabia que o senhor se preocuparia tanto. Queria fazer uma surpresa, mas acho que fui imprudente.
Jung Heeyeon beijou seus lábios com um estalo.
—…Da próxima vez, vou avisar direito.
—E usar o relógio?
—Sim.
É normal ficar tão ansioso?
Yeon Woobeom refletiu sobre as últimas semanas. Seu Ômega parecia não estar sentindo nada, mas ele se sentia como se estivesse à beira de um precipício. Com medo de que algo acontecesse com Jung Heeyeon, e não com o bebê.
Ele sabia que era uma preocupação infundada, mas, como era a primeira vez que sentia que algo era realmente seu, a ansiedade não diminuía facilmente.
Se ele tivesse vivido uma vida normal, poderia ser menos obcecado? De repente, ele se preocupou se Jung Heeyeon poderia se cansar desse seu lado.
—Heeyeon. Você se cansa do seu marido agindo assim?
—O quê?
—Parece que sou muito obsessivo.
Quando ele perguntou, fingindo fraqueza, Jung Heeyeon balançou a cabeça energicamente.
—Não. Eu gosto que o senhor seja obsessivo comigo.
Então, ele tocou sua barriga magra e continuou.
—Por isso que engravidei do senhor.
Com a resposta carinhosa, Yeon Woobeom riu e colocou a mão sobre a dele. Embora ele tivesse engordado um pouco ultimamente, sua barriga continuava lisa.
—Já se acalmou?
—Não. Só vou me acalmar quando meu marido ficar mais tempo nos meus braços.
—Mas você precisa comer a marmita… Posso alimentá-lo? O senhor almoçou?
—E você?
—Ainda não comi. Mas comi algumas frutas enquanto cozinhava e uma salsicha antes de sair.
—Você comeu lanche em vez de refeição. Vamos comer juntos.
Yeon Woobeom sentou-se no sofá com familiaridade. Jung Heeyeon, que ainda segurava a bolsa da marmita com força, mexeu-se e tirou a marmita. E, no momento em que a tampa foi aberta, Yeon Woobeom teve que morder a língua para controlar a expressão.
De repente, seu estômago embrulhou.
Jung Heeyeon examinou a tez de Yeon Woobeom com uma expressão inquieta.
—Presidente. O senhor está bem?
—Estou.
O homem franziu ligeiramente a testa e, com uma das mãos grandes, cobriu as duas bochechas. Como os lábios estavam escondidos pelas palmas, a expressão geral não era visível, mas era claro que ele estava com o estômago ruim. Jung Heeyeon pensou se seria melhor assim.
—Acho melhor comermos separados por um tempo…
—Não pode, um marido grávido comer sozinho na mesma casa. Quer água?
—Não, tudo bem.
Jung Heeyeon só começou a comer depois que o rosto de Yeon Woobeom melhorou um pouco. Ele não podia comer rápido para não ter indigestão, mas, em vez disso, movia o queixo diligentemente. Quanto mais rápido ele comesse e limpasse os vestígios, menos o Presidente sofreria.
O fato de Yeon Woobeom ter começado a ter enjoos no lugar de Jung Heeyeon já fazia duas semanas. No começo, nem Yeon Woobeom nem Jung Heeyeon sabiam que era enjoo. Jung Heeyeon, especialmente, não fazia ideia, e o fato de Yeon Woobeom ter comido o arroz frito de kimchi como de costume foi o que impediu que ele notasse algo estranho. A sorte foi que sua barriga estava vazia rapidamente, então ele acabou comendo a maior parte da marmita.
—Heeyeon. Coma devagar.
Pensando que responder tornaria a mastigação ainda mais lenta, Jung Heeyeon apenas balançou a cabeça enquanto mastigava.
—O Kim Jiwon disse que, quando o enjoo começa, a pessoa mal consegue beber água…
Ele ouviu dizer que era extremamente doloroso, mas, vendo a atitude de Yeon Woobeom, parecia que ele estava melhor do que o esperado, e ele ficou aliviado. Mesmo assim, como não queria fazer seu Alfa sofrer, Jung Heeyeon comeu diligentemente.
Ele só percebeu o enjoo de Yeon Woobeom dois dias depois de ouvir o diagnóstico de Kim Jiwon:
—Presidente. Por acaso, o senhor não está tendo enjoos no lugar do Sr.. Heeyeon? Às vezes acontece. É chamado de síndrome de Couvade…
Foi quando ele acordou no meio da noite, percebendo que, mesmo comendo mais, sua barriga continuava vazia. Por reflexo, ele tateou ao lado e Yeon Woobeom não estava lá.
—Quatro da manhã. Ele tem algo urgente?
Antes, ele acordava sempre que Yeon Woobeom saía do quarto, mas depois da gravidez, seus sentidos pareciam ter ficado mais lentos, e ele nem percebeu que ele tinha saído. Pensando que ele devia estar trabalhando, Jung Heeyeon saiu da cama. Estava com fome e precisava comer alguma coisa.
Ele foi para a cozinha e encontrou Yeon Woobeom.
—Por que ele está cozinhando a essa hora?
Parecia que ele estava preparando os acompanhamentos para o café da manhã, mas sua expressão não era boa. Cada vez que ele segurava o rosto e refogava a comida, franzia a testa, como se estivesse com o estômago embrulhado. Além disso, ele estava tão concentrado em suportar o enjoo que nem percebeu que Jung Heeyeon tinha saído.
—Presidente.
Quando ele o chamou, Yeon Woobeom virou a cabeça com um sorriso carinhoso, como se nunca tivesse feito uma careta.
—Acordou com fome?
Jung Heeyeon observou o homem em silêncio. Por que ele está cozinhando de madrugada? Ele estava acostumado a ver Yeon Woobeom cozinhar, mas não a essa hora. Era como se ele não quisesse mostrar que estava cozinhando. Quando seus pensamentos chegaram a esse ponto, uma palavra veio à mente.
—O senhor está com enjoo?
O fato de ele estar segurando a bochecha como se estivesse com o estômago ruim, e ter saído de madrugada para não cozinhar na frente dele, parecia enjoo. Como ele lia alguns livros sobre cuidados infantis desde que engravidou, ele não podia deixar de saber o que era enjoo.
Jung Heeyeon percebeu que estava certo ao ver o rosto de Yeon Woobeom se franzir ligeiramente. O primeiro pensamento foi:
—O que fazer, ele deve estar sofrendo.
—Presidente. Pensei bem e acho melhor comprarmos comida pronta por um tempo.
Jung Heeyeon comeu o acompanhamento que o Alfa lhe ofereceu e abriu o assunto com cuidado. Yeon Woobeom ergueu uma sobrancelha.
—Por quê? Não está gostoso?
Não havia como não estar gostoso. Yeon Woobeom cozinhava bem, mesmo sem provar.
—Não é isso, é que o senhor se esforça muito fazendo comida todos os dias. Vamos pedir marmitas. Acho melhor, porque o cheiro é menor.
—Você está desconfortável comigo assim? Quer que eu fique no quarto?
Jung Heeyeon balançou a cabeça. Ele não queria que Yeon Woobeom sofresse, mas, separado disso, ele preferia muito mais comer com ele do que sozinho.
—Não é desconfortável, é que estou preocupado com o senhor.
—Tudo bem. Cozinhar me faz sentir menos enjoo. Acho que o cheiro da comida de fora me faria passar mal.
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Continua
☾ Tradução, revisão e Raws: Faby & Belladonna