↫─Capítulo 10
↫─Capítulo 10
O tempo de Heeyeon ↫─Parte 03
O homem trincou os dentes e ergueu a cabeça para frente. Sua cabeça parecia latejar por causa do cheiro de feromônio desgraçado que se misturava por todos os lados. Através das fendas enferrujadas em forma de losango da grade, via-se um Alfa parado com as mãos atrás das costas. Sentindo o olhar feroz, o olhar do Alfa que parecia ser de meia-idade dirigiu-se ao homem. O canto dos lábios que subia de forma fria era típico de um vendedor de cães que vendia bastardos.
— Hng… — Perto da jaula onde os Alfas estavam presos, gemidos frágeis fluíam incessantemente. Ao baixar as pálpebras, viu um Ômega encolhido como um camarão, ofegante. Seus lábios, que estavam pálidos de tanto morder, estavam manchados de sangue vermelho. O calor refletido nos olhos do Ômega que tivera o Cio desencadeado não era desejo. Era raiva, ódio e impotência. O nome era Lee Haejin, se não me engano.
O Ômega jogado diante deles para treiná-los a serem Alfas que não se deixavam levar pelo feromônio era digno de pena.
O método de treinamento era simples. Bastava jogar um Ômega no Cio em um lugar onde as mãos dos Alfas não pudessem alcançar. O argumento do homem do lado de fora da jaula, o Sr. Jung, era que o corpo do Alfa pararia de reagir ao feromônio do Ômega após sofrer com o desejo sexual insaciável.
A asneira de que eles não passariam de vira-latas se não conseguissem controlar habilmente o feromônio também fora proferida por aquele homem que os observava do lado de fora da jaula.
O fato de ele não parar de tratar as pessoas como cães e dividi-las em classes como cães de briga ou vira-latas para vendê-las era verdadeiramente ridículo. Sendo ele mesmo um Alfa, não era cômico que um fosse humano e os outros fossem cães de briga?
O homem, que não tinha sequer registro de nascimento e era chamado de qualquer jeito, levantou o olhar que mantinha meio baixo.
Se Lee Haejin soubesse que ele o olhara com pena, certamente faria um escândalo. Era melhor engolir o ódio observando o homem que agia de forma nobre sozinho do lado de fora da jaula.
— Porra. Que merda. Feromônio maldito. — Uma voz rouca de xingamento veio de trás dele. Era uma situação de merda, como Nam Su-hyeon dissera. Não tinha como não ser uma merda ver Alfas agindo como feras arranhando o pescoço, levados pelo feromônio do Ômega.
O homem, que já se acostumara um pouco com o treinamento do Sr. Jung, embora ficasse de pau duro, não perdia a razão pelo feromônio. No entanto, nem todos os Alfas presos na jaula estavam na mesma situação que ele.
— Que porcaria. — O homem franziu o nariz ao sentir os feromônios de outros Alfas misturados ao feromônio do Ômega no Cio. Era melhor ficar sobre a esteira rolante, movendo as pernas incessantemente.
O lugar para onde os Alfas vendidos como garantia eram revendidos após passarem pela jaula era principalmente grupos que usavam a força física. Atualmente, com a máfia controlando a Coreia, havia ainda mais lugares para usar a força.
Alfas que nasciam com corpos superiores aos Betas eram valiosos a ponto de o preço ser estipulado por quem vendia, e se fossem lúpus, nem se fala.
O Sr. Jung, o único Alfa fora da jaula, treinava os Alfas que comprara para vendê-los por um preço ainda maior. Um dos treinamentos era caminhar incessantemente sobre uma esteira rolante inclinada. Como os braços estavam amarrados para trás e a corrente conectada à coleira estava presa no teto, se não se movesse, o pescoço seria enforcado. Ele tinha que caminhar naquela esteira infinita até a exaustão, mas era melhor do que ser exposto ao feromônio do Ômega como agora.
Nem o feromônio do Ômega no Cio, nem o feromônio de outros Alfas ofegando como feras eram suportáveis. Tudo era repugnante. No entanto, o fato de não se render ao feromônio do Cio não significava que o homem esquecera sua própria essência.
Alfas e Ômegas eram feras. Que passavam pelo Cio. Era uma sensação terrível e repugnante que ele não provaria se tivesse nascido Beta. Embora, se tivesse nascido Beta, nem teria sido trazido para um lugar como este.
O único motivo pelo qual o homem não negava sua própria natureza era este: o desejo de estraçalhar o homem atrás da grade era porque a natureza Alfa era uma fera. Um humano não seria capaz de abrigar tal ódio.
O homem achava ridículo que uma fera, tal como ele, agisse como humano do lado de fora da jaula e reinasse sobre eles.
O Alfa sem nome escondeu seus dentes silenciosamente enquanto esperava o momento. Feras devem viver como feras. O Alfa fora da jaula não era exceção.
O homem também sabia como prevalecer entre as feras. É pisoteando a fera que age como dono e ficando acima dela.
Yeon Woobeom franziu o cenho ao mesmo tempo em que levantava o tronco. Ele cobriu os olhos inconscientemente e sentiu o toque da cicatriz sutil na ponta dos dedos. Talvez por ter encontrado o Presidente Jung, memórias muito antigas que desapareceram sem deixar rastro grudaram em sua mente através de um sonho.
Era uma memória terrível, mas o sentimento que ele sentiu foi apenas desconforto.
Era uma memória de mais de dez anos atrás. Ele não tinha uma personalidade frágil a ponto de ficar preso ao passado sentindo raiva ou dor. Era uma memória que desbotara enquanto ele vivia como um jovem mafioso, como um mafioso que era guarda-costas apenas de fachada, como Presidente de uma empresa de segurança e como empresário de transações de armas.
Como ele estava pronto para segurar e balançar o pescoço do velho Alfa, não precisava sentir raiva novamente. O sentimento de desconforto também vinha do fato de ter visto aquele rosto repugnante até em sonhos, não tinha significado além disso.
O corpo desprotegido que acabara de acordar e os nervos aguçados despertaram o antigo hábito do Alfa. Assim que sentiu a presença de outra pessoa que não deveria estar no quarto, Yeon Woobeom moveu o corpo. Simultaneamente, o corpo robusto do Alfa projetou-se sobre o corpo do intruso.
— ……!
A mão que avançava naturalmente em direção ao pescoço do intruso parou o movimento instantaneamente. Foi graças ao fato de o hábito ter sido bloqueado por uma certa intuição. Seu coração começou a bater violentamente. Era um movimento duas vezes mais forte do que quando percebera a presença alheia pela primeira vez.
— Ha. — Yeon Woobeom soltou uma risada nasal curta enquanto olhava para os olhos castanhos que piscavam mansamente. O fato de não ter pressionado o corpo como se fosse o antigo hábito fora uma sorte. O corpo frágil e pequeno ocupava a cama de forma pacífica, tal como no início.
— Yeon Woobeom . — Jung Heeyeon chamou Yeon Woobeom com os olhos bem abertos. Ele acordara há pouco. Foi pelo fato de o homem que o abraçava ter virado as costas em um dado momento. Antes que pudesse sentir mágoa, percebeu que ele estava tendo um pesadelo.
Jung Heeyeon ia se levantar da cama junto com Yeon Woobeom enquanto pensava se seria bom acordá-lo. Se o corpo do Alfa não tivesse bloqueado seu movimento instantaneamente, ele já teria se levantado. O fato de uma expressão desconhecida ter passado pelo rosto de Yeon Woobeom também foi instantâneo.
Jung Heeyeon levantou o braço cuidadosamente e entrelaçou seus dedos na mão do homem. A mão que avançava de forma ameaçadora, como se fosse agarrar um ponto vital, estremeceu de forma incomum diante dos dedos brancos que se infiltraram ali. Logo, os dedos longos moveram-se para acariciar suavemente o dorso da mão macia de Jung Heeyeon. Apesar do toque terno, Yeon Woobeom tinha um rosto que parecia um pouco em apuros.
— …Desculpe. Te assustei? — O homem conseguiu finalmente abrir a boca.
Por ter se arrastado por muito tempo no lamaçal, Yeon Woobeom era sensível a presenças alheias. Não era algo para se sentir culpado, mas o problema era que a outra pessoa era Jung Heeyeon.
Com certeza ele se assustara. Pois nunca acontecera algo assim antes. Ainda mais que ele seria sensível à aura feroz do Alfa por causa da experiência de ter sido abusado.
Yeon Woobeom remoeu a culpa e a ansiedade enquanto manuseava a pequena mão que lhe dera espaço.
— Vou sair agora, então durma aqui.
Se não fosse por Jung Heeyeon, a situação já teria passado do limite e ele teria partido para a agressão física. Felizmente, não tocou em um único fio de cabelo, mas o pequeno ômega sob o seu corpo deve ter interpretado os movimentos ferozes e o porte físico imponente do alfa como uma ameaça. Para um ômega, um alfa era exatamente esse tipo de existência. Ele deveria ter sido cuidadoso, mas, por estar com os nervos à flor da pele, não teve tempo de impedir que seu corpo se movesse por hábito.
— Ah…
Somente após alguns segundos de silêncio, Jung Heeyeon abriu a boca. Com aquela voz que parecia um suspiro, os músculos do braço do alfa que sustentavam seu corpo estremeceram de tensão. Parecia que ele deveria sair dali imediatamente. Foi no momento em que Yeon Woobeom ia retirar o braço.
— Diretor.
Jung Heeyeon moveu os lábios, escolhendo as palavras por um instante. Ele apenas estava encarando o rosto feroz de Yeon Woobeom , que via pela primeira vez fora do sexo, achando aquilo curioso. Não estava assustado nem com medo, mas parecia que o diretor havia entendido errado.
— Eu não me assustei.
Jung Heeyeon tocou levemente o braço do homem posicionado ao lado de seu rosto e proferiu as palavras lentamente. O homem, que em situações normais sorriria e diria: “Hum, não se assustou?”, permaneceu em silêncio, baixando um olhar persistente sobre ele. Era uma expressão que tentava sondar as verdadeiras intenções de Jung Heeyeon.
— É verdade… Eu não tenho medo do senhor.
Ao segurar firmemente o braço do alfa, sentiu nitidamente os músculos latejarem.
— O senhor jamais faria algo assustador comigo.
— …….
— E é normal reagir assim ao ter um pesadelo. Eu chorei da última vez, não chorei?
Cada pessoa deve ter uma forma diferente de lidar com pesadelos. Jung Heeyeon pensava que, ao ter um sonho ruim, alguém poderia chorar ou reagir de forma agressiva. Talvez suas palavras tenham sido convincentes, pois o homem abriu os lábios devagar.
— Heeyeon. Você não ficou com medo?
— Não. Eu confio no senhor, por isso não tenho medo.
Yeon Woobeom percorreu obstinadamente o rosto límpido de Jung Heeyeon. Ele jamais conseguiria imaginar Jung Heeyeon mentindo. Ao encontrar apenas a verdade naquele rosto manso, soltou um suspiro fraco e enterrou o rosto na curva do pescoço de Jung Heeyeon. O feromônio adocicado invadiu seus pulmões. Era um aroma corporal completamente diferente do cheiro repugnante de todos os tipos de feromônios misturados que sentira no sonho.
Jung Heeyeon soltou cuidadosamente a mão que segurava o braço de Yeon Woobeom e envolveu as costas largas do homem como se o abraçasse. Era uma pena que, pela diferença de físico, fosse difícil abraçá-lo com apenas um braço. Se pudesse, queria estender a mão esquerda também para abraçá-lo apertado, mas como a mão esquerda estava segurando a de Yeon Woobeom , não era possível.
— Diretor. O senhor teve um pesadelo?
Só então Yeon Woobeom ergueu levemente a cabeça. Era uma distância tão curta que as pontas de seus narizes quase se tocavam. O homem, que levantou um pouco mais o tronco, soltou as mãos entrelaçadas e acariciou o cabelo bagunçado do ômega. O cabelo macio e a pele quente de quem acabara de acordar eram arrepiantemente bons.
Se ele teve um pesadelo. Yeon Woobeom não achava que seu sonho fosse um pesadelo. Como poderia ser um pesadelo algo que não lhe trazia sofrimento nem lágrimas? No entanto, o ômega ingênuo parecia acreditar que a reação ríspida do homem era por causa de um pesadelo.
— Quer que eu te dê um “carinho”?
— Carinho?
Yeon Woobeom repetiu a palavra como se a saboreasse. Na voz baixa e profunda, havia um traço sutil de riso.
— Sim. Eu disse da outra vez que, se o senhor tivesse um pesadelo, eu faria carinho.
— Se eu disser que tive um pesadelo, você vai me fazer carinho agora?
— Sim? Sim.
— É. Eu tive um pesadelo.
Dando o nome de pesadelo a um rastro sem importância do passado, o homem respondeu descaradamente.
— Então hoje eu vou te fazer carinho.
Sussurrou Jung Heeyeon, estendendo os braços. Diante da voz calma e serena que combinava perfeitamente com o meio da noite, em vez de o homem abaixar o corpo, ele colocou as mãos por trás das costas do ômega que estava sob ele. Sem dificuldade, ele sentou Jung Heeyeon sobre suas coxas.
Jung Heeyeon se debateu um pouco, mas ao perceber que a posição de estar no colo de Yeon Woobeom era mais confortável para consolá-lo, ele se aninhou no peito do homem. Ao apoiar o queixo no ombro largo, ficou muito mais fácil abraçá-lo. Jung Heeyeon abraçou Yeon Woobeom apertado e começou a dar tapinhas rítmicos e lentos naquelas costas largas. Por algum motivo, parecia uma cena diferente do carinho que o diretor costumava fazer nele, mas a posição atual não era nada má. Afinal, o ato de afagar as costas era o mesmo.
Yeon Woobeom deu uma risadinha ao sentir a sensação do ômega, que cabia inteiro em seus braços, dando tapinhas como se o estivesse acalmando. Ao abraçar aquele corpo pequeno e quente, o desagrado que estava grudado nele como algo viscoso desapareceu em um instante. Apenas Jung Heeyeon o trataria como alguém de coração tão frágil.
— Heeyeon. O que você vai fazer quando terminar o carinho?
Diante da pergunta leve lançada sem intenção, Jung Heeyeon começou a refletir. Ele apenas pensara vagamente que deveria vigiá-lo até que o diretor dormisse bem. Após considerar seriamente o que seria bom fazer, a resposta veio mais fácil do que imaginava. Achou que seria bom fazer exatamente o que o diretor fazia com ele.
— Quer que eu te dê carinho?
Jung Heeyeon parou a mão que dava os tapinhas e encontrou o olhar de Yeon Woobeom . Como se nunca tivesse estado afiado, o rosto do homem que encontrou era extremamente gentil. Era a expressão mais familiar para Jung Heeyeon.
— Como você vai me dar carinho?
Yeon Woobeom prolongou o final da frase ao sentir os pequenos dedos em suas costas se movendo diligentemente.
— Eu vi que…
Sem perceber, a mão que se moveu para frente envolveu a bochecha do alfa sem hesitação.
— Isso aqui também é uma forma de dar carinho.
Um toque macio e quente encostou no canto dos lábios que esboçavam um sorriso enviesado. Yeon Woobeom riu levemente enquanto abraçava o ômega em seu colo.
— Beijo é algo que fazemos todo dia, Heeyeon.
— Não vou dar só um beijo…
Jung Heeyeon levou a sério a fala dita em tom de brincadeira.
— Hum. Não vai ser só um beijo?
— Não. Vou fazer outras coisas também.
O olhar do alfa, que sorria relaxado, tornou-se estreito e afiado em um instante. Foi porque a mão de Jung Heeyeon se enfiou por baixo de sua roupa.
A mão pequena e quente tateava o corpo rígido com cuidado. Jung Heeyeon ergueu levemente a cabeça para observar o rosto de Yeon Woobeom . Por estar com um olho semicerrado, a cicatriz sobre a pálpebra parecia excepcionalmente nítida hoje. No entanto, não houve nenhuma ordem para parar. Jung Heeyeon, como quem ganha coragem, engoliu em seco e moveu a mão um pouco mais para cima.
Ao tatear com a ponta dos dedos, sentiu vividamente os músculos pulsando. O corpo composto por uma estrutura óssea sólida e músculos parecia uma escultura perfeitamente esculpida. Será que o corpo de todos os alfas é assim? Uma dúvida passou por sua mente, mas parecia improvável que existissem muitos com um corpo tão perfeito quanto o do diretor. Enquanto ele acariciava o corpo em silêncio, a força que puxava sua cintura tornou-se gradualmente mais intensa. Como se a força não estivesse apenas nos braços, a coxa do homem sobre a qual ele estava sentado estremeceu intensamente.
— Heeyeon. O que mais você vai fazer?
Yeon Woobeom perguntou fingindo languidez. Embora ele fosse do tipo que aprendia tudo rápido, não imaginava que ele saberia provocar alguém desse jeito.
— Eu quero fazer sexo com o senhor…
Jung Heeyeon expressou o que desejava com um rosto límpido. O tom de voz pausado saía suave por entre os lábios cheios.
— Dizem que existem muitas formas de dar carinho entre namorados, e o sexo está incluído nisso.
Namorados? O sulco entre as sobrancelhas densas de Yeon Woobeom se aprofundou com a palavra “namorados”. Era uma palavra excessivamente doce para ser aplicada a ele. Exatamente como quando ouviu a palavra “beijinho” da boca de Jung Heeyeon pela primeira vez.
Por ser uma palavra que nunca teve relação com sua vida, ele jamais havia definido a relação com Jung Heeyeon como namoro.
— …O senhor e eu não somos namorados? O Hyung Haejin disse que não se deve fazer sexo antes de virarem namorados. Ele disse que quem transa com alguém e depois joga fora é um desgraçado.
Talvez interpretando mal o silêncio, o ômega em seu colo perguntou franzindo levemente o cenho. O tom era mais de confirmação do que de dúvida. Como se fosse impossível que Yeon Woobeom dissesse que não.
O homem, que nunca recebera um afeto cego, mal conseguiu erguer o canto dos lábios enquanto olhava fixamente para aquele rosto manso. Uma dor aguda, que ele não sabia como nomear, revirava seu interior.
Como ele pode enviar um afeto tão cego assim? Yeon Woobeom pensou que talvez devesse nomear aquela dor que agitava seu interior de “adorabilidade”. Era um sentimento que nunca experimentara em toda a sua vida e que jamais pensou que sentiria.
— Heeyeon.
Uma voz lenta escapou por entre os lábios abertos.
Yeon Woobeom não era tolo ao ponto de negar tudo apenas por ser algo desconhecido. Ele era um empresário calculista e, ao mesmo tempo, um homem ganancioso que precisava ter o que desejava.
— Somos namorados, sim.
Significava que ele não era uma pessoa boa o suficiente para recusar uma situação em que o objeto de seu desejo de monopólio total se referia a si mesmo como namorado. Ainda mais se esse objeto fosse tão adorável a ponto de arranhar seu interior.
O Diretor Yeon engoliu sem hesitação a pequena e preciosa criatura que caminhara por conta própria para dentro de sua zona de perigo. Ao rir baixo, baixando os lábios até o cenho levemente franzido, Jung Heeyeon o segurou antes que ele se afastasse e lhe deu um selinho que fez um estalo. Como se tivesse ouvido a resposta que queria, seus olhos redondos se curvaram lindamente. O Diretor Yeon sabia que aquela era uma expressão mostrada apenas para ele.
— Então você vai me dar carinho?
— Sim.
— Acho que vai ser difícil aguentar.
Diante do rosto do homem que parecia um pouco em apuros, Jung Heeyeon se lembrou de uma noite já distante. Por estar perdendo os sentidos de tanto ofegar, não conseguia lembrar detalhadamente de tudo o que aconteceu naquele dia, mas sabia muito bem que o diretor havia se controlado. Talvez por ele ter dito que sua barriga estava cheia, o homem não inseriu tudo até o fim e, mesmo quando ele implorou para fazer de novo, o homem recusou dizendo que seria demais para o seu corpo.
Ele aprendera que os alfas não conseguem recusar quando um ômega insiste, então sentiu-se um pouco curioso. Se fosse apenas algo que aprendera enquanto vivia dentro dos muros, ele poderia ter esquecido, mas como Lee Haejin dissera algo semelhante, não devia estar totalmente errado.
Embora tivesse doído, fora bom, então o diretor certamente não devia ter ficado satisfeito. Jung Heeyeon queria que o diretor se sentisse tão bem quanto ele se sentira. Além disso, hoje era o dia em que ele deveria dar carinho a Yeon Woobeom .
— Como sou eu quem está te dando carinho, o senhor pode fazer o quanto quiser.
O Diretor Yeon sorriu de forma sutil ao olhar para o ômega de rosto inofensivo. Dizer para fazer o quanto quisesse era uma declaração perigosa.
Na verdade, para o Diretor Yeon, o sexo era um ato sem muito significado. Por ter nascido alfa, não podia ignorar completamente o período de cio, então não passava de um ato ritualístico realizado para lidar com o incômodo. Se não fosse o rut, ele tendia a não fazer sexo e, mesmo assim, passava muito mais dias tomando supressores. Por controlar seus feromônios de forma obsessiva, não podia passar sempre apenas com supressores, então costumava ceder à sedução de algum ômega quando os feromônios se acumulavam.
Ele nunca perdera a razão por um simples ato de envolver corpos, mas teve o pressentimento de que com Jung Heeyeon não seria assim. No momento em que perdesse a paciência, seus olhos escureceriam e ele agiria conforme sua vontade, e era óbvio que machucaria aquele corpo não acostumado ao sexo.
O desejo de posse e de exclusividade em relação ao ômega era a própria natureza do alfa, e Yeon Woobeom era um homem que não conhecia a satisfação. Por mais habilidoso que fosse em controlar feromônios, não seria capaz de desviar nem mesmo dos instintos de alfa.
Era uma sorte não ser o rut. Se fosse, ele já estaria fazendo Jung Heeyeon chorar.
— Se eu fizer o quanto quiser, meu namorado vai sofrer.
Ao rolar deliberadamente a palavra “namorado” na ponta da língua, os olhos límpidos se arregalaram ainda mais. O Diretor Yeon deu uma risadinha e envolveu o queixo e a bochecha de Jung Heeyeon com uma mão.
— Eu sou forte, então está tudo bem.
— Hum. Você é forte?
— É sério… Argh.
A língua do alfa entrou, abrindo os lábios do ômega que alegava ser forte. O homem, que envolveu a nuca de Jung Heeyeon com uma mão e todas as costas com a outra, deitou o corpo que estava em seu colo sobre a cama e subiu por cima dele. O som viscoso que escapava por entre os lábios que se separavam era extremamente obsceno.
Chup, chup. A massa de carne que explorava o interior da boca estreita à vontade recuou lentamente. Então, a pequena língua de Jung Heeyeon, que estava sendo pressionada arbitrariamente, apareceu por entre os lábios entreabertos. O significado de querer ser beijado novamente era óbvio.
Yeon Woobeom , em vez de sobrepor completamente os lábios, esfregou a massa de carne avermelhada que saltava levemente com a ponta da língua. Jung Heeyeon encolheu o corpo e soltou um gemido baixo.
— Ah, hum…
Os braços que estavam grudados na roupa do homem envolveram lentamente seu pescoço. Diante do movimento de aproximar o corpo, Yeon Woobeom riu por dentro. A massa de carne grossa que esfregava a ponta da língua rastejou para baixo da pequena língua, deixando um som úmido.
O movimento de serpente não parou por aí. A língua, que nadava lentamente como se saboreasse, transformou-se instantaneamente em uma serpente capturando sua presa. A massa de carne quente envolveu a pequena língua e a sugou. Era um movimento astuto, como se quisesse engoli-la para dentro de seus próprios lábios.
O som que saía úmido com a saliva misturada tornou-se um pouco mais bruto seguindo o movimento de sucção. O Diretor Yeon moveu a mão ferozmente ao sentir os feromônios do ômega escaparem como se estivessem prestes a explodir. Os dedos que entraram pelo pijama bem fechado esfregaram sem hesitação os pequenos mamilos escondidos sob a roupa.
— Argh! …Diretor.
— Sim, Heeyeon.
Diante do toque que o empurrava, o Diretor Yeon soltou prontamente o ômega sob seu corpo e respondeu gentilmente. O olhar do homem permanecia fixo nos lábios cheios e brilhantes de saliva. Jung Heeyeon começou a desabotoar o pijama por conta própria enquanto arquejava.
— Heeyeon. Você está tirando a roupa?
Ao perguntar em tom de provocação, Jung Heeyeon piscou os olhos. Era uma expressão de quem não entendia por que ele estava provocando. Os dedos que se moviam para desabotoar eram bastante diligentes.
— Sim? Sim. Se o senhor for tocar no meu peito, é melhor tirar, não é?
— Haa…
— Da última vez que fizemos sexo, o normal era sugar o peito… Ah!
Jung Heeyeon se debateu confuso. Foi porque Yeon Woobeom baixou a língua sobre o pijama e lambeu o mamilo. Graças ao pijama de seda fino e macio, a sensação úmida e quente foi transmitida diretamente para a carne sensível. Quando o mamilo ereto grudou no pijama encharcado de saliva, sentiu uma sensação estranha. O Diretor Yeon sugou o peito de Jung Heeyeon por cima do pijama enquanto terminava de desabotoar.
— Heeyeon, você gostou que eu sugasse seu peito?
O homem, que tirou o pijama com facilidade, pressionou o mamilo levemente úmido de saliva com a ponta do dedo enquanto perguntava. Ele esperou pela resposta de Jung Heeyeon enquanto tirava as calças com a outra mão. O pedaço fino de pano caiu no chão ao lado da cama junto com a roupa íntima.
— Sim. Ah, eu gosto.
— Hum. Você gostou?
Yeon Woobeom olhou para o ômega que arquejava de prazer e estendeu a mão em direção à dobra do joelho. Os lábios do homem pousaram com um estalo sobre o joelho onde o osso se destacava. Foi simultâneo ao momento em que os feromônios de alfa começaram a vazar sutilmente. Como o seu interior estava ficando úmido, Jung Heeyeon abriu os lábios como se soltasse um suspiro baixo.
— Diretor, argh, ah… Tire a sua roupa também.
Diante da ordem bastante ousada, o Diretor Yeon deu uma risadinha e baixou a calça de moletom. Quando o pênis, que já estava ereto, saltou de forma intimidadora, Jung Heeyeon estremeceu sem perceber. Como suas pernas estavam em contato com as coxas de Yeon Woobeom , o pênis pulsante parecia que tocaria suas nádegas a qualquer momento.
— Diretor. Os alfas são todos grandes assim?
Em vez de responder, o Diretor Yeon soltou um riso baixo. Era um sinal de que não. Jung Heeyeon lançou um olhar para o pênis do homem. Como sentira da outra vez, certamente não era um pênis bonito como o do diretor. A massa de carne que parecia que pesaria se fosse colocada na palma da mão não parecia nada gentil, ao contrário do homem carinhoso.
Achou novamente incrível como algo tão grande entrou em seu corpo. Jung Heeyeon, esquecendo-se de que o Diretor Yeon o observava fixamente, baixou a mão e tateou o lugar por onde o homem entraria em breve. Como não podia ver diretamente, queria pelo menos ter uma noção pelo tato, mas não era fácil, pois seus dedos estavam pegajosos por causa do lubrificante que jorrava.
— Haa…
O Diretor Yeon soltou um suspiro profundo e afastou o cabelo que caíra. Jung Heeyeon estava observando seu pênis enquanto tateava a própria entrada. Como nunca havia se masturbado pela frente, não devia ser a intenção dele se masturbar por trás. Parecia que ele estava tocando por curiosidade de como o pau entrou naquele buraquinho.
A ação de agir conforme o que pensava por não conhecer a vergonha estimulava o desejo sexual do alfa. Se dependesse de sua vontade, ele enfiaria os dedos agora mesmo e, assim que abrisse caminho, o estocaria com seu pênis, mas para Jung Heeyeon, que não estava acostumado ao sexo, ainda era demais. O Diretor Yeon proferiu entre os dentes, como se rosnasse:
— Heeyeon. Eu vou gozar uma vez antes de começarmos, então…
A mão do homem agarrou a mão branca que tateava a entrada.
— Ah…
Jung Heeyeon percebeu vagamente o significado do que o Diretor Yeon dissera. Dizer que ia gozar uma vez antes de fazer sexo era o mesmo que dizer que ia se masturbar.
— Por quê? O senhor pode gozar dentro de mim…
— Estou fazendo isso porque você pode se machucar.
Logo a mão entrelaçada com a do homem tocou a massa de carne quente. Yeon Woobeom começou a percorrer o próprio pênis diretamente, mantendo os dedos entrelaçados com os de Jung Heeyeon.
— Haa…
Diante da cena erótica que se desenrolava diante de seus olhos, Jung Heeyeon piscou e mexeu os dedos dos pés. O pênis que tocava a palma de sua mão estava tão quente que parecia que ia queimá-lo. Cada vez que a mão presa se movia, sentia vividamente o formato das veias saltadas sobre a haste. Não era a primeira vez que tocava o pênis de Yeon Woobeom , mas era uma sensação completamente diferente de quando apenas encostara. Seu interior começou a formigar e queimar.
— Heeyeon. Abre um pouco a boca.
Jung Heeyeon abriu a boca obedientemente e mostrou levemente a língua que repousava tranquila lá dentro. O maxilar de Yeon Woobeom ficou ainda mais tenso, e a força na mão que percorria a haste aumentou. Quando a palma de sua mão foi pressionada entre a mão do homem e o pênis rígido, Jung Heeyeon arquejou sem perceber. Embora estivesse apenas observando o alfa se masturbar, suas coxas tremiam. Sua entrada latejante jorrava lubrificante continuamente.
Yeon Woobeom aumentou a velocidade rapidamente enquanto observava obsessivamente o rosto de Jung Heeyeon, os lábios entreabertos e a língua rosada lá dentro. Estar se masturbando diante do namorado que queria fazer sexo tornava a camiseta incomodando as costas de sua mão algo irritante. Ao puxá-la e mordê-la com os dentes, Jung Heeyeon mordeu os lábios. O rosto que era apenas branco ficou rubro. O homem, com os olhos semicerrados, sorriu abertamente para ele.
— Haa… Meu bebê quer se banquetear com o diretor?
Jung Heeyeon inspirou levemente. Embora fosse uma palavra que ouvia pela primeira vez, não era difícil deduzir o significado. As sobrancelhas franzidas e os dentes mordendo a roupa, o maxilar tenso e os músculos bem definidos visíveis sob a camiseta. Nada ali deixava de ser obsceno.
Cada vez que os músculos da coxa que tocavam suas nádegas tremiam, o som de algo molhado na mão tornava-se mais intenso. O fluido pré-ejaculatório que escapava da ponta do pênis intimidador penetrava na palma da mão e escorria até a base.
— Sim. O senhor está sexy…
— Quem é que está sexy? Haa, toca na sua frente. Eu te ensinei da outra vez.
Jung Heeyeon começou a segurar e balançar o próprio pênis, embora de forma desajeitada. Era desconfortável segurar o pênis de Yeon Woobeom com uma mão e tentar se masturbar com a outra, mas o alfa diante dele estava tão sexy que seu corpo se excitou por si só. Ele estava ansioso para colocar por trás em vez de apenas tocar na frente.
— Ah, ha…
Yeon Woobeom , olhando para o Jung Heeyeon que gemia, exigiu ferozmente:
— Solte alguns gemidos, Heeyeon. Quero ouvir sua voz enquanto gozo.
— Ah, hum… Argh, ah!
Como a voz baixa do homem era sexy, Jung Heeyeon soltou gemidos sem perceber. O sêmen branco caiu sobre sua barriga branca. Sua visão ficou turva devido ao prazer que veio de uma vez, mas Jung Heeyeon não desviou o olhar de Yeon Woobeom . Cada vez que ele arquejava, sua cintura tremia levemente. “Puta merda”, o homem soltou um palavrão e começou a mover a mão rapidamente. Com o aumento da força, o pênis que tocava a palma da mão estremeceu intensamente.
— Haa…
Ao mesmo tempo em que Yeon Woobeom soltava um suspiro lânguido, o líquido espesso espirrou. Jung Heeyeon lambeu inconscientemente o líquido que espirrou sobre seus lábios.
— Por que você está comendo isso, Heeyeon?
Apesar de ser ele quem imaginava enfiar aquilo na pequena boca, Yeon Woobeom franziu um olho e limpou o sêmen que despejara. Ele baixou os lábios sobre o pequeno corpo que arquejava após a ejaculação e enfiou os dedos dentro da entrada que transbordava feromônios.
— Ah… Argh.
Jung Heeyeon gemeu fracamente. Era um gemido carregado puramente de prazer, não de dor. A entrada, que estava relaxada e amolecida, engoliu dois dedos com facilidade. Como ele acabara de acordar e estava em uma situação onde feromônios de alfa eram despejados, além de ter ejaculado, não era estranho que seu corpo estivesse relaxado e lânguido.
Quando ele inseriu mais um dedo enquanto lambia avidamente o mamilo que não fora sugado, Jung Heeyeon implorou:
— Diretor, ah, ah… Em vez dos dedos, ah, eu quero colocar outra coisa…
Yeon Woobeom estava igualmente apressado. O homem estendeu a mão para a mesa lateral e pegou uma caixinha. Ao abri-la levemente com uma mão, viu o conteúdo guardado. Yeon Woobeom tirou um deles.
— Haa…
Jung Heeyeon olhou para o homem que rasgava a embalagem com os dentes e perguntou com a voz meio sem forças:
— Argh… O que é isso?
— Camisinha.
Por que usar camisinha?
— O senhor não precisa usar camisinha…
— Não pode.
O homem, que nunca recusara um pedido de Jung Heeyeon, respondeu com firmeza e colocou a camisinha no pênis ereto. Só então Jung Heeyeon percebeu que no primeiro sexo o homem também não havia ejaculado dentro dele. No momento em que estava prestes a ficar um pouco magoado, algo escorregadio tocou a sua entrada. Talvez por causa da camisinha, a sensação era completamente diferente da massa de carne que penetrara seu corpo da última vez.
— Ah… Ah!
Antes que pudesse dizer que não queria camisinha, o objeto do homem penetrou, abrindo a entrada que tentava se fechar. As paredes internas, que já estavam relaxadas, estremeceram como se dessem as boas-vindas ao pênis. O Diretor Yeon franziu um olho e riu baixo.
— Nosso Heeyeon… Haa.
— Ah, hum…, argh.
— Você se adapta rápido, tendo feito apenas uma vez.
Ao empurrar para frente a mão que colocara atrás dos joelhos, pôde ver a entrada sugando o pênis repetidamente. O buraquinho, dilatado até o limite, estava engolindo bem o pênis com as veias saltadas. O lubrificante da camisinha e o fluido lubrificante se misturavam, e o som molhado ecoava na escuridão silenciosa.
— Argh, Di, diretor… É muito grande.
— Vou fazer devagar para não te machucar.
Jung Heeyeon disse que era demais, mas sua entrada apertou o pênis com força, como se dissesse o contrário. Quando inseriu metade, Yeon Woobeom empurrou o pau que estava inserido de forma um pouco mais rápida. A carne inchada prendeu na ponta da glande.
— Ah! Ah!
— E aprende rápido o sexo também.
O corpo que já provara o prazer uma vez abria-se facilmente mesmo a estímulos pequenos. Jung Heeyeon contorceu a cintura e amassou o lençol que suas mãos alcançaram. Como o seu corpo reagia de forma tão sensível apenas com a inserção, ele ficou assustado de repente. Quando estendeu os braços como se pedisse um abraço, o homem inclinou o tronco e lambeu a lágrima que pendia no canto de seus olhos.
— Ah, fundo…!
— Quem é que age de forma tão fofa assim? Hum?
Graças a isso, a inserção ficou profunda. Quando o pênis foi empurrado um pouco mais para dentro da barriga cheia, seu corpo inteiro tremeu como se tivesse uma convulsão, sem que pudesse evitar. Foi simultâneo ao momento em que uma dor sutil se espalhou pelo interior da barriga. No instante em que abriu os lábios para morder as costas da mão, a massa de carne quente invadiu sua boca.
— Hum…
Jung Heeyeon se esforçou para acompanhar a língua do alfa que lambia as membranas mucosas suavemente, como se o consolasse. Intuitivamente, sentiu que Yeon Woobeom havia entrado mais fundo do que da última vez. Quando suas pernas se debateram sem rumo, a mão do homem as guiou para envolverem sua cintura.
Diante do som de riso que vinha de logo acima, Jung Heeyeon conseguiu abrir as pálpebras. Ao contrário dos olhos castanhos cheios de lágrimas, os olhos de Yeon Woobeom estavam extremamente ferozes. Diante daquela aparência animalesca, um calafrio instintivo o percorreu e o prazer subiu sem limites. O homem, que se afastou após morder levemente os lábios inchados, inclinou a cabeça lateralmente enquanto acariciava a bochecha macia.
— Heeyeon.
— Sim…
O pênis, que saiu levemente, cutucou o interior novamente com um estalo. As pernas, que ganharam força reflexivamente, apertaram a cintura do alfa, incitando a união dos corpos.
— Você disse que ia dar carinho para o diretor.
Yeon Woobeom consolou Jung Heeyeon com uma voz que ele tentou tornar a mais gentil possível. Ele não estava acostumado a um sexo atencioso. Embora nunca tivesse feito sexo sádico segurando um ômega que não quisesse, ele tendia a ser bruto quando envolvia corpos e, em uma situação onde restava apenas o instinto, Jung Heeyeon não seria exceção.
Nem mesmo o próprio Yeon Woobeom podia garantir quanto tempo sua paciência duraria. Acima de tudo, o problema era que sua fome estava aumentando. Se não tivessem começado, seria uma coisa, mas eles já eram parceiros sexuais. Era como a situação de um desgraçado que passara dias com fome e tinha diante de si a comida que acabara de provar um pouco. Quanto tempo mais ele conseguiria aguentar? Era óbvio que, à medida que a fome e a sede aumentassem, ele se tornaria violento.
— Hum?
Ao contrário do toque gentil que seguia a voz carinhosa, havia um ar de ferocidade nas coxas do homem. Jung Heeyeon arfou e envolveu a bochecha de Yeon Woobeom . Erguendo o rosto com dificuldade, ele beijou o maxilar tenso do homem e deu a resposta que o alfa queria:
— Pode entrar todo. O senhor pode, está tudo bem… Ah!
Com um som de impacto, sua cabeça foi jogada para trás. A arma grande e rígida começou a entrar, abrindo as paredes internas que tentavam se fechar. Diante dos feromônios despejados de forma explícita, Jung Heeyeon tossiu levemente.
— Ah, hum…
— Heeyeon.
Somente após ouvir a voz gentil chamando seu nome, Jung Heeyeon conseguiu piscar. As lágrimas acumuladas nos olhos úmidos escorreram pelas bochechas. Como se nunca tivesse ficado rígido pelo impacto que atingiu suas entranhas, o corpo do ômega começou a aceitar plenamente as sensações que o alfa proporcionava. Jung Heeyeon piscou novamente. Somente após as lágrimas rolarem por suas bochechas é que ele viu Yeon Woobeom com o cenho franzido.
— Desculpe. Doeu? Quer que eu pare?
— Snif, argh… Parar, não…
— Entendi. Vou parar. Não chore.
Jung Heeyeon agarrou apressadamente Yeon Woobeom , que tentava sair. Ao mover os braços, o homem deixou-se segurar prontamente.
— Não, não é para parar, argh. Vamos continuar…
— Hum. Você quer continuar?
— Sim. Não vá, snif, embora.
Felizmente, o corpo que aceitara os feromônios relaxou aos poucos. Yeon Woobeom recuou a cintura e avançou suavemente, repetidamente. O interior, que apertava com força como se fosse decepar o invasor, amoleceu com os feromônios, tornando o movimento muito mais fácil.
Yeon Woobeom segurou o pênis semi-ereto de Jung Heeyeon e o esfregou suavemente enquanto mordia de leve o mamilo bem ereto. Como o pênis se movia devido à inclinação do tronco, o corpo sob ele gemeu fracamente.
— Ah, argh…
Jung Heeyeon gemia com uma voz frágil. Os lábios inchados abriram-se vagamente. O interior, por onde o pênis saía pela metade, estava latejante. Ele aprendera que se um alfa fizesse o knotting, a entrada do útero se abriria, mas como ele não estava no Cio e o diretor não estava no rut, parecia algo distante por enquanto.
Graças ao lubrificante e à camisinha, sentia o seu interior escorregadio. Suas entranhas doíam como se tivessem virado mingau, mas devido ao toque que acariciava seu pênis e seu corpo inteiro, seus pés começaram a se encolher gradualmente.
Ao mesmo tempo em que Yeon Woobeom lambia seus lábios úmidos, o sêmen escorria do pênis de Jung Heeyeon. Enquanto o corpo tremia pela sensação de orgasmo, ouviu-se o som de peles se chocando com força.
— Ah, ha…
Enquanto o corpo que não conhecia bem o prazer ejaculava, Yeon Woobeom começou a mover a cintura violentamente. Ele pretendia diminuir a dor estocando o pau enquanto o corpo estava mergulhado no prazer.
— Porra.
Ao entrar abrindo forçadamente o corpo que ejaculava, as paredes internas tiveram convulsões e apertaram o pênis ereto e rígido à vontade. Mesmo engolindo os palavrões que saíam naturalmente, Yeon Woobeom observava cuidadosamente a reação de Jung Heeyeon. O pênis liso, sem nenhum pelo, estava semi-ereto. Os olhos do alfa se estreitaram instantaneamente.
Ao estocar como se esmagasse o ponto de prazer, Jung Heeyeon soltou um som arquejado e moveu a cintura.
— Heeyeon. Está gostando?
— Ah, sim… Estou gostando.
Jung Heeyeon assentiu. O interior ainda doía, mas o fato de o diretor ter entrado era maravilhoso. Tanto o rosto lânguido que parecia satisfeito, quanto o pênis tão cheio que parecia que ia atravessar sua barriga, e até a sensação dos pelos pubianos ásperos — que ele não possuía — tocando sua pele sensível, tudo era bom. Ao mover um pouco as nádegas, Yeon Woobeom soltou um palavrão.
— Porra, Jung Heeyeon.
— Ah, ah!
Diante do movimento de intenção óbvia, Yeon Woobeom estocou para cima sem piedade. Os feromônios de ômega misturando-se no ar e o pênis rosado completamente ereto eram a prova de que Jung Heeyeon estava devidamente excitado. Agora que confirmara que não haveria problema em enfiar até o fim, não havia o que temer.
Puck, puck, puck, puck! O som das peles se chocando tornou-se gradualmente mais forte.
— Di, diretor… Muito, ah! Ah… rá, rápido.
— Heeyeon. Haa, você disse que ia dar carinho para o diretor.
— Ah, sim! Carinho, ah…!
— Eu me controlei durante esse tempo, então me perdoe. Hum?
A entrada, que tremia como se tivesse espasmos, dilatou-se até o limite e engoliu o pau do alfa até o fim. O fluido lubrificante que escorria por ali saltava arbitrariamente seguindo o movimento de cintura do homem. O pênis, que saía completamente, repetia o ato de estocar o interior até fazer um som seco. O som de algo molhado, o som de algo viscoso e o som de peles se chocando misturavam-se de forma obscena.
Yeon Woobeom olhou para o pau branco que escorria sêmen e segurou a cintura que cabia facilmente em uma de suas mãos. Como se o prazer subisse mesmo com estímulos fracos, o pequeno ômega tremia o corpo repetidamente.
— Haa…
Segurando a cintura, ele moveu o corpo como se o estivesse atingindo com força. O corpo frágil sob o porte intimidador do alfa balançava impotente seguindo os movimentos de Yeon Woobeom . O pensamento de que, se não fosse por ele mesmo, outro alfa poderia ter possuído Jung Heeyeon, passou subitamente por sua mente. Palavrões sem filtro escaparam por entre seus dentes.
— Só de pensar já é uma merda.
Era uma sorte que ele tivesse caído em suas mãos antes disso.
— Heeyeon. Haa… Isso aqui… só se faz com o namorado, hum?
— Ah… Hum…
Jung Heeyeon só recobrou os sentidos após ouvir o som de seu nome sendo chamado. Após interpretar lentamente o significado das palavras de Yeon Woobeom , esforçou-se para assentir. Ele balançou o rosto de cima para baixo, mas não sabia se sua cabeça balançava empurrada pelo movimento do homem ou se movia por sua própria vontade.
Finalmente, Jung Heeyeon conseguiu abrir os lábios e despejar palavras:
— Só com o, argh, senhor… ah, ah!
— É. Tem que fazer só com o diretor.
Como se nunca tivesse doído, cada vez que a arma quente estocava suas entranhas, um calor ardente tomava conta de sua mente. O corpo inteiro estava viscoso e doce, como se tivesse derretido em açúcar e grudado. Jung Heeyeon pressionou inconscientemente a pele da barriga onde o pênis do homem estava inserido. Era onde ficaria o útero.
— Porra. Jung Heeyeon, você faz isso de propósito?
Como se tivesse sentido aquela pressão sutil, a força das estocadas tornou-se ainda mais intensa.
— Ah, ah! Ah… Di, diretor, snif, ah… não quero.
Palavras que não passaram pela mente escaparam diretamente pelos lábios.
— Não quer? Heeyeon. Passou a não gostar mais do diretor?
A voz do homem tornou-se afiada como a de uma fera prestes a atacar.
— Não… o diretor não… snif, não quero camisinha… ah, ah… quero fazer só sentindo o pau do diretor, ah.
— Onde foi que você aprendeu essas palavras?
Jung Heeyeon expressou sem hesitação o pensamento que mais dominara sua mente ultimamente.
— Ah, hum… eu quero ter um bebê do senhor.
A palavra que saiu por entre os lábios inchados e vermelhos estimulou violentamente os instintos do alfa.
— Fuuu… porra…
Puck, puck!
Junto com o impacto que atingiu seu corpo inteiro, o homem parou de se mover. Jung Heeyeon soube instintivamente que Yeon Woobeom estava ejaculando.
— Ah, ah… tem que gozar dentro para poder engravidar…
O homem, que lambeu seus lábios em vez de responder, retirou o pênis lentamente. Após jogar a camisinha em qualquer lugar, ele estendeu a mão novamente para a mesa lateral. Era onde estava a caixa de camisinhas.
— Heeyeon.
As novas camisinhas que estavam dentro da caixa caíram sobre a cama com um ruído seco.
— Hoje eu só vou te soltar depois de usar todas estas.
Sentindo a língua quente entrando por entre seus lábios arquejantes, Jung Heeyeon envolveu o pescoço do homem com os braços. A respiração dos dois se entrelaçou em um instante.
* * *
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna