Beijo do inferno - Capítulo 51
Yohan sempre ansiou por um final adequado. Lutando para fugir de Valentine, ele queria ser completamente livre, mas nunca quis que algo assim acontecesse. Em sua vaga fantasia, os dois viveriam suas próprias vidas, como sempre fizeram. E foi só quando segurou o corpo ensanguentado de Valentine em seus braços que Yohan percebeu que não poderia fugir completamente dele.
— Ugh… Ugh….
Novas lágrimas deixaram um rastro em suas bochechas já molhadas. Sua cabeça estava quente, como se estivesse excitada por uma leve febre, e seus sentidos, ao mesmo tempo paralisados, despertaram em uníssono e sacudiram seu corpo com tanta intensidade que se tornaram violentos. Yohan engasgou e procurou a mão de Valentine.
— Ah… Ugh, uh….
E de repente algo aconteceu. As pálpebras de Valentine se contraíram como se ele tivesse notado que Yohan estava chorando. E aos poucos, os lindos olhos azuis, que ele temia nunca mais olharem para ele, foram revelados. Yohan olhou para Valentine enquanto ele recuperava a consciência, sem sequer pensar em enxugar o rosto encharcado de lágrimas. Uma voz quebrada passou por seus lábios molhados.
—… Va-Valentine.
—….
— Valentine…
E finalmente, quando seus olhos se encontraram no ar, todas as restrições ao seu redor desapareceram imediatamente. Yohan sentiu uma emoção forte além do ódio e da afeição, do medo e da raiva, do desejo e do ressentimento, e de todas as outras emoções que ele não conseguia nomear. O que sentiu foi o mais puro alívio.
Yohan pegou a mão de Valentine mais uma vez, como se estivesse segurando um colete salva-vidas. Então Valentine baixou os olhos e entrelaçou os dedos com os dele. Seus longos dedos acariciaram suavemente a mão do outro, foi um toque reconfortante, suave, mas claro. Com o calor quente do corpo cobrindo a mão dele, as lágrimas mais uma vez encheram os olhos de Yohan.
***
Graças à sua força física natural, Valentine se recuperou num ritmo consideravelmente mais rápido que o normal. E Yohan esteve ao seu lado o tempo todo. Foi porque Valentine queria assim.
No entanto, isso não significava que Yohan estava especialmente envolvido nos cuidados com Valentine. Com os cuidadores cuidando carinhosamente dele, o único papel de Yohan era permanecer onde os olhos de Valentine podiam alcançar. Independentemente do estado do seu corpo machucado, ele parecia extremamente satisfeito apenas com o fato de Yohan estar ao seu lado.
‘É como se… eu estivesse agindo como uma criança.’
Como uma criança. Mesmo sendo uma palavra que não combinava de forma alguma com Valentine, Yohan não conseguia encontrar uma expressão mais apropriada. Assim que Valentine abria os olhos, ele procurava Yohan como se fosse algo natural, e só fechava os olhos com a certeza de que Yohan estava ali.
—…Yohan.
A situação era a mesma agora. Valentine, que tinha adormecido por um breve momento, abriu os olhos e procurou Yohan como se fosse um hábito. Então Yohan, que estava lendo um livro ao lado da cama, levantou a cabeça no momento certo.
— Você acordou?
Quando seus olhares se encontraram, Valentine sorriu fracamente com o rosto pálido. Yohan, inclinando-se ligeiramente para a frente, o examinou de perto. Mesmo que fosse improvável que sua condição tenha piorado enquanto dormia, ele sentiu que confirmar pessoalmente o deixaria mais aliviado. Piscando. Os olhos azuis que observavam silenciosamente Yohan refletiam um brilho pálido sob a luz do sol.
— Você se sente mal?
— Não estou bem.
Confirmando que a condição de Valentine não era ruim, Yohan recostou-se na cadeira. Foi o silêncio que tomou conta da sala depois que terminaram a vaga conversa. Tinha sido assim recentemente, os dois passavam a maior parte do tempo juntos, mas não conversavam muito. Como se tivessem feito uma promessa implícita, engoliram todas as perguntas que queriam fazer um ao outro, porque naquele momento para ambos bastava o fato do outro existir.
Então, em vez de reviver a conversa interrompida, Yohan levantou-se e baixou as persianas. E imediatamente, a luz que penetrou nos olhos de Valentine foi suavemente bloqueada. Vendo o olhar questionador de Valentine, Yohan encolheu os ombros.
— De qualquer forma, não há mais nada a fazer, então durma mais um pouco. Dizem que dormir o suficiente ajuda a recuperar a força física.
Como se algo não estivesse do seu agrado, os olhos de Valentine se estreitaram levemente.
— Se eu adormecer, o que você vai fazer enquanto isso?
— Não tenho muito o que fazer. Na melhor das hipóteses, vou ler um livro.
— Onde?
—….
— Aqui?
Só então, percebendo o que Valentine realmente queria perguntar a ele, Yohan fechou os lábios. Depois de ficar em silêncio por um tempo, ele sentou-se novamente em vez de responder. E só depois de confirmar que Yohan não iria embora, a testa de Valentine relaxou.
— Yohan.
Foi quando Yohan colocou as mãos de volta no livro que havia colocado virado para baixo, Valentine, que estava em silêncio, moveu os lábios como se estivesse em dúvida. Ele não disse uma palavra depois disso, mas Yohan conseguiu adivinhar até certo ponto o que ele havia engolido. No entanto, Yohan não queria confirmar isso imediatamente. Assim, ele desviou o olhar, ignorando a mirada de Valentine sobre ele.
—….
Mas algo aconteceu naquele momento. Sem motivo algum, de repente ele se lembrou de algo que havia esquecido há algum tempo. No dia em que foi hospitalizado após ser atacado com uma arma por um homem misterioso, Valentine enrolou seu enorme torso no colo de Yohan, como se pedisse permissão para ficar com ele. E Yohan apenas olhou para ele, deitado sobre suas coxas.
Yohan piscou lentamente, lembrando daquela cena. Talvez tenha sido naquele momento que ele quis fazer carinho na cabeça de Valentine. Embora tenha reprimido o impulso, pensando que não deveria fazê-lo, secretamente desejava passar os dedos entre os cabelos que pareciam tão angustiados quanto ele próprio…
E agora Yohan sabia que Valentine poderia desaparecer a qualquer momento. Também era possível que nunca conseguissem concretizar os muitos impulsos e determinações que sempre adiou para o futuro.
Então… mesmo que a situação ao nosso redor mude novamente, não seria bom tranquilizar Valentine agora?
Quando Yohan levantou a cabeça novamente, Valentine imediatamente olhou para ele como se o estivesse observando o tempo todo. Então Yohan, que mordeu os lábios, de repente abriu a boca.
— Durma tranquilo e não pense em nada. — Com a mão, que hesitou por um momento, ele alcançou a bochecha de Valentine. Os olhos de Valentine se arregalaram com o contato inesperado. Os dedos, que tocavam desajeitadamente sua pele, acariciaram sua bochecha branca. Yohan rapidamente retirou a mão, mas embora o contato tenha sido breve, Valentine não conseguiu esconder sua agitação. Então, Yohan baixou os olhos sem jeito e continuou falando. — Mesmo depois que você adormecer, eu… ficarei aqui o tempo todo.
Um brilho estranho apareceu no rosto de Valentine. E gradualmente, um leve sorriso apareceu em seus olhos enquanto olhava para Yohan. Em vez de responder, Valentine fechou os olhos como se fosse uma criança obediente. Não havia mais nenhum indício de ansiedade em seu rosto relaxado.
Yohan, involuntariamente, apertou e depois abriu os dedos, recostando-se relaxadamente no encosto da cadeira. A suave luz da tarde aprofundou-se enquanto se filtrava através das pequenas aberturas da persiana.
***
Durante sua estadia no hospital, o Ano Novo passou. Yohan percebeu esse fato somente depois de encontrar uma velha árvore de Natal enfileirada no jardim do hospital. Parecia que ele estava tão absorto que nem percebeu a mudança de ano, muito menos a passagem do Natal. No final, ele se sentiu um pouco arrependido por não poder confirmar se havia nevado no Natal.
Valentine, que a princípio só conseguia ficar deitado na cama, começou a se mover aos poucos. E um dia, Yohan decidiu que não precisava ficar ao lado dele o tempo todo como fazia até agora.
— Lucas, acho que vou para casa.
Yohan disse para Lucas, enquanto Valentine dormia graças à medicação. E como se fosse uma notificação inesperada, Lucas simplesmente piscou inexpressivamente e então respondeu tardiamente.
— Está bem. Você está no hospital há muito tempo, então é normal que queira fazer isso.
— Sim. Valentina também melhorou muito. Se você puder ficar com ele, gostaria de passar pelo Brooklyn esta tarde. Minha casa está vazia há muito tempo…
Lucas hesitou como se tivesse algo a dizer, mas logo assentiu.
— Sim, vou transmitir isso a ele quando ele acordar. No entanto, a investigação ainda está em andamento no apartamento do Brooklyn, então pode ser difícil para você ficar lá. Se estiver tudo bem para você, que tal se mudar temporariamente para a mansão em Manhattan?
— Eu vou. Mesmo assim, acho que tenho que arrumar minhas coisas.
— Vou chamar um carro para te levar ao Brooklyn. E então você pode ir diretamente para Manhattan depois disso.
— Obrigado, Lucas. Por tudo.
Pouco depois da conversa, um sedã preto atravessou a estrada branca e nevada do hospital. Ele não tinha nada para embalar, tudo o que queria fazer era caminhar um pouco. E aconteceu quando Yohan tinha acabado de colocar uma perna dentro do carro.
— Ei, Yohan…
Ao chamado cauteloso de Lucas, Yohan virou a cabeça. Lucas continuou a falar hesitante, embora não conseguisse esconder pela expressão o fato de não saber se era digno de dizer isso ou não.
— Talvez… seja o fim?
— Que?
Quando Yohan, que não entendeu sua pergunta, o questionou com curiosidade, Lucas continuou em um tom mais rápido que o normal.
— O que eu quero saber é se você vai sair só por um tempinho ou se vai embora para sempre. Ele irá procurar por você assim que abrir os olhos. Pelo menos gostaria de estar preparado para saber o que responder.
Lucas disse vagamente, mas Yohan entendeu o que ele realmente queria perguntar a ele. Você realmente vai…? Yohan se fez essa pergunta. Seus olhos verdes se arregalaram como se ele hesitasse. Mas depois de um breve silêncio, ele simplesmente encolheu os ombros.
— Não sei.
— …
— O que devo fazer? Lucas, o que você faria?
Lucas fechou a boca com uma expressão estranha. Yohan sorriu levemente e disse: — Eu já vou. — Assim, o carro que transportava Yohan partiu para o Brooklyn.
— Nossa…
Ao retornar ao apartamento após tanto tempo, Yohan soltou involuntariamente uma exclamação. O antigo apartamento parecia tumultuado, como se tivesse sido decorado para um set de filmagem. Fitas amarelas estavam coladas ao chão manchado de sangue, formando um contorno que se assemelhava a uma figura humana. A lembrança daquele dia surgiu abruptamente, congelando a expressão de Yohan com uma sensação arrepiante. No entanto, ele rapidamente ergueu a cabeça, como se quisesse afastar as memórias ruins.
Felizmente, não havia ninguém para barrar o caminho de Yohan ao entrar no apartamento. Ao contornar cuidadosamente a cena preservada, ele finalmente percebeu que não tinha passado por nenhuma investigação ou interrogatório. Uma vaga suspeita de que Ryan poderia ter intervindo de alguma forma surgiu em sua mente.
Depois da última conversa no hospital, Ryan não continuou tentando persuadir Yohan ou se justificando. Yohan, por sua vez, encontrava-se indiferente, tratando-o ocasionalmente sem nenhum tipo de raiva ou qualquer sentimento de apego. Parecia que o relacionamento com Ryan estava se acomodando dessa maneira.
O apartamento, que mantinha fortemente as marcas da última vez, estava tão frio quanto o clima lá fora. No meio da estreita sala de estar, Yohan observou o ambiente ao seu redor. Mesmo tendo estado fora por apenas algumas semanas, o espaço familiar agora parecia estranho.
De repente, o olhar de Yohan se voltou para a janela banhada pelo sol. Partículas de poeira refletidas pela luz que penetravam o ambiente flutuavam pelo ar. Ao estender a mão em direção a isso, Yohan parou abruptamente. A sensação de sangue quente e metálico, que ele havia sentido naquele dia em sua palma, veio à mente.
Mesmo sem a sugestão de Lucas, Yohan não tinha intenção de permanecer neste lugar onde as memórias daquele dia ainda estavam tão presentes. Portanto, sem mais delongas, ele entrou no quarto para começar a fazer as malas. Ao abrir uma gaveta antiga, seus olhos se fixaram em uma modesta bolsa de pano que descansava silenciosamente no canto. E de repente ele se sentiu perdido.
—….
Valentine está seguro. Ele vai ficar bem daqui para frente. Então, o que fazer agora? Será que deveríamos continuar a viver nossas vidas separadamente, evitando um ao outro como fizemos até agora?
Se não for assim… Será que é aceitável ceder àquele desejo que, mesmo sabendo ser patético, irracional e sem futuro, foi mantido escondido bem no fundo do meu coração?
Yohan agora sabia que era realmente hora de tomar uma decisão. E essa decisão deveria ser tomada por sua própria vontade, sem a influência de ninguém. Ele não sentia mais medo como antes. Agora, Yohan sabia muito bem o que realmente o assustava.
— …Está nevando.
Após ficar ali por um tempo, Yohan murmurou inadvertidamente. Enquanto estava no carro, não havia sinal de neve, mas em um instante, flocos de neve começaram a cair intensamente do céu escuro.
Yohan se aproximou da janela. Estendeu a mão sobre o vidro, e a respiração branca se formou ao longo da silhueta de sua mão. Sob a luz alaranjada de um poste aceso, grandes flocos de neve flutuavam freneticamente. Foi quando Yohan virou o corpo para começar a arrumar suas coisas novamente.
Bam! Bam! Bam!
De repente, a porta da frente parecia que ia quebrar. Uma voz familiar chegou aos ouvidos de Yohan, que estava endurecido por ter uma memória ruim.
— Yohan!
—….
— Yohan… sou eu. Por favor abra a porta.
A voz impaciente sem dúvida pertencia a de Valentine. Por que ele está aqui, quando ainda precisa se recuperar no hospital…? O corpo reagiu antes mesmo da mente. Yohan, deu um salto e se levantou, foi em direção à porta da frente e a abriu amplamente.
—… Yohan.
Era um dia tão frio que cobriu o mundo de branco com a neve. No entanto, Valentine se vestia de forma simples, usando apenas um fino cardigã sobre o traje de paciente. Seu rosto pálido estava coberto por um suor frio, e sua testa estava franzida devido à dor fisiológica. Lucas, ao seu lado, estava inquieto, apoiando Valentine com uma expressão de preocupação.
Os olhos de Yohan se arregalaram enquanto olhava para ele sem expressão, isso porque a ferida suturada se abriu e o sangue se expandiu gradualmente na área sobre as roupas do paciente.
— Você… sangue, está sangrando. Espere, espere um minuto….
Yohan virou-se apressadamente para pegar uma toalha. Mas naquele momento, Valentine agarrou seu pulso. O corpo dele balançou e girou sob a força de tração, enfrentando um aperto tão forte que ele não acreditou que pudesse pertencer a um paciente. Quer a ferida tivesse doído ou não, Valentine soltou um gemido baixo, mas não relaxou o aperto. Yohan, que tentou detê-lo, ficou petrificado com as palavras que se seguiram.
— Eu arrisquei minha vida… — Valentine respirou fundo e colocou um leve sorriso na boca. —… isso não é suficiente para tocar você?
Ao ouvir essas palavras, Yohan sentiu seu último bastião desmoronar. Inconscientemente, seus lábios finos tremeram. Como que para expressar seu desespero, a mão que segurava Yohan apertou um pouco mais. Valentine continuou com uma voz cheia de impaciência.
— Não estou forçando você. Eu reconheço que fiz tudo errado. E também admito que te causei muito sofrimento. Então, se você diz que não quer mais… Eu vou aceitar.
Yohan, que estava ouvindo Valentine, soltou um suspiro longo e lento. Como que para expressar seu nervosismo, sua respiração que flutuava no ar o deixou com um tremor persistente. Após um momento de silêncio, Yohan calmamente fez uma pergunta.
— Se… se eu te dissesse não, o que você faria?
— Vou esperar e esperar e torcer para que você mude de ideia. Porque essa é a única coisa que eu posso fazer.
A resposta não mostrava nenhum sinal de hesitação. No entanto, a tensão que Valentine estava sentindo era palpável pela mão que segurava seu pulso. Yohan falou de maneira desconexa, forçando para engolir o nó que apertava sua garganta.
— Na verdade… ainda não tenho certeza. Não sei qual é a verdadeira emoção que sinto quando penso em você.
—….
— Estou cansado de tantas brigas e não tenho confiança para continuar enfrentando essa situação ridícula.
—….
— Mas, Valentine… há definitivamente um vazio dentro de mim que só você pode preencher. Essa realidade torna tudo mais difícil.
Depois de terminar seu discurso, Yohan engoliu em seco e baixou a cabeça. Valentine, que o ouvia em silêncio, puxou suavemente seu pulso. Ele não fez isso com muita força, mas Yohan se aproximou dele sem resistência. À medida que a distância diminuía, seus olhos se encontraram firmemente. Valentine abriu a boca na frente de Yohan.
— Você disse que nada mudaria, mas eu acho que podemos. Porque agora eu conheço os sentimentos que não teria conhecido se não fosse por você. Eu sei que tudo parece perfeito quando estou com você.
—….
— Se eu puder fazer você sentir o mesmo que eu sinto, acho que valeria a pena dedicar minha vida a isso.
—….
— Então, Yohan, se você acha que pode precisar de mim mesmo que só um pouco… não seria bom tentar uma última vez? Desta vez, em uma situação onde somos os únicos presentes.
Yohan fechou as pálpebras trêmulas. À medida que sua visão foi bloqueada, o calor que sentiu no pulso, em contraste com o frio ao redor, tornou-se mais pronunciado.
Yohan abaixou as pálpebras trêmulas. Com a visão bloqueada, o calor emanando de seu pulso contrastava vividamente com o frio ao redor. Eles eram seres imperfeitos com partes quebradas e irremediáveis. Yohan estava ciente de que algumas partes deles estavam danificadas além do reparo. Não havia a ilusão de que os dias à frente seriam tranquilos só porque os dois, mesmo estando incompletos, estariam juntos.
Mas… embora o relacionamento deles já tivesse rompido e saído dos trilhos, havia um fato que nunca mudaria. Mesmo depois de terem passado por esse processo difícil, eles ainda precisavam um do outro.
A vida é desenhar uma série contínua de incertezas, e se não sabemos o que a vida reservou para nós no futuro… Pelo menos uma vez, não seria bom apostar em um futuro com Valentine?
Quando Yohan abriu os olhos novamente, a primeira coisa que ele notou foram os olhos azuis que o encaravam intensamente. Parecia que a declaração de estar disposto a dedicar a própria vida a esse propósito não era falsa. Em vez de responder, Yohan retirou a mão de Valentine do seu pulso. Nesse momento, a expressão de Valentine ficou momentaneamente tumultuada, mas assim que Yohan segurou sua mão firmemente, seus olhos tremeram como as ondas.
Yohan falou devagar, enquanto olhava para as mãos entrelaçadas.
— Valentine, se você está esperando por um futuro de conto de fadas, não faça isso. As coisas não vão melhorar magicamente só porque estamos juntos. Pode até piorar. Ainda há conflitos não resolvidos entre nós, e é provável que haja mais no futuro.
—….
— Mas mesmo sabendo disso… eu ainda quero segurar sua mão, será que estou ficando louco?
Somente então, a testa pálida, tensa devido a dor, se endireitou e um sorriso suave começou a se formar lentamente sobre os lábios sem cor. Era um sorriso feito apenas de curvas suaves, sem rastro de distorção.
Era óbvio que muitos obstáculos continuariam a testá-los no futuro. Talvez eles repetiriam os mesmos erros, causando dor um ao outro. A situação ainda era um desastre, e a única coisa que mudou foi que outra interseção foi traçada nas linhas paralelas que representavam suas vidas.
Porém, essa mudança encheu o coração de Yohan, que estava completamente vazio.
E Yohan notou o mundo ao seu redor novamente. Como o céu de inverno é composto por uma variedade de cores, como o frio cortante pode congelar a pele, e quão calorosa é a temperatura corporal de outra pessoa. As sensações que ele pensava ter perdido para sempre estavam voltando sem que ele sequer percebesse.
No final, estavam de volta ao ponto de partida. No entanto, para eles agora, havia uma possibilidade, talvez a possibilidade de estarem juntos sem se machucarem. O impulso de arriscar tudo por essa tênue esperança era irracional, mas ao mesmo tempo, pulsante em seu coração.
Para admitir o desejo de estar com Valentine, Yohan precisava de uma coragem tão grande quanto quebrar a casca e emergir para o mundo. E ao fazê-lo, as contradições que moviam-se violentamente dentro dele desapareceram.
Talvez, apenas isso por si só fosse um começo perfeitamente aceitável. Yohan olhou nos olhos de Valentine e perguntou.
— Acha que vai ficar tudo bem?
Diante de uma pergunta que tinha muitas implicações, Valentine assentiu sem hesitação.
— Vai ficar tudo bem.
—….
— Com você tudo ficará bem.
Diante da resposta confiante de Valentine, um sorriso desconhecido apareceu em sua boca. Yohan não reprimiu o desejo de sorrir, com isso os olhos azuis de Valentine brilharam. Yohan riu mais uma vez, sentindo a força que vinha ao apertar sua mão.
— Bem, como você disse…
—….
—Podemos conseguir isso juntos.
Um murmúrio, ainda não tão certo, fluiu pelos lábios de Yohan, como se ele estivesse fazendo uma promessa. Em vez de responder, Valentine olhou para ele. Não houve necessidade de persuasão ou explicação naquele momento. Através do toque das mãos, os dois trocavam emoções com cores mais vivas que mil palavras.
Então, seus olhares que não estavam mais agitados se voltaram um para o outro.
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{Fim da história principal
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