Beijo do inferno - Capítulo 49
Sua vida cotidiana pacífica, mas infeliz, fluía em um ritmo entorpecido, o tempo passou como se nada tivesse acontecido. O final do ano estava chegando, as primeiras canções de Natal circularam pelas lojas e os comerciais foram veiculados na televisão, enfatizando o amor entre amantes e familiares. O mundo inteiro estava animado e parecia que Yohan era o único que não conseguia aceitar o fato de que o ano estava chegando ao fim.
Valentine desapareceu completamente da vista dele, e embora a princípio tivesse dúvidas sobre isso, Yohan não teve escolha senão admitir, com o tempo, o fato de que o havia abandonado. No final das contas, não demorou muito para que Yohan lentamente aceitasse seu final com Valentine.
Quando Valentine partiu, Yohan foi libertado de toda a dor que o levou ao extremo. As emoções que acompanhavam a raiva, a frustração e a dor desapareceram imediatamente, como se nunca tivessem existido. Porém, ao mesmo tempo, ele parecia ter perdido a essência da vida, tudo ao seu redor tornou-se acromático, como se sempre tivesse sido assim.
O mundo mais uma vez deu as costas a Yohan, que remontou a fina camada que o isolava do exterior. Ele voltou a trabalhar no centro de idiomas de Kyle e, nas horas vagas, malhava ou estudava. Às vezes ele encontrava seus amigos e ficava bêbado o suficiente para cair.
No entanto, nenhuma ação parecia vívida. O ar frio tocando sua pele, a dor aguda ao cortar acidentalmente o dedo, e até mesmo as risadas animadas das crianças no centro pareciam distantes. Imerso em uma sensação amortecida como flutuar na água, Yohan suportou cada dia, fingindo desesperadamente estar bem.
Permanecer na mansão providenciada por Valentine naquele estado era insuportável para Yohan. Ele havia compartilhado tempo demais com o homem lá. Ao deitar na cama espaçosa, ao pegar leite da geladeira, ou ao entrar no banheiro para tomar banho, as memórias com Valentine surgiam sem aviso, atormentando Yohan implacavelmente.
Então Yohan finalmente decidiu deixar toda a administração do apartamento para um advogado e mudou-se para o Brooklyn, como se estivesse fugindo. Seu antigo apartamento estava em mau estado, mas num espaço vazio e sem memória, Yohan sentiu que conseguia respirar.
Como se fossem produzidos em série, dias idênticos se sucediam. Num dia que não diferia dos outros, Yohan, ao despejar água na cafeteira, viu seu próprio reflexo no espelho. Na poeira acumulada do espelho, um homem de rosto inexpressivo, cuja casca parecia ser tudo o que restara, estava parado ali.
Seus olhos estavam vazios como uma floresta seca e sua boca, que já não sorria, desenhava uma curva sombria. Yohan, que estava se olhando no espelho há algum tempo, riu brevemente. De repente, ele sentiu que o futuro que lhe estava reservado se desenhava diante de seus olhos.
É assim que viverei no futuro. Sem verdadeira alegria, sem dor, separado do mundo, sem saber o que quero, com a vaga esperança de ser encontrado por alguém… Você vai fechar os olhos enquanto vive assim.
—….
Tal consciência deixou Yohan gelado até os ossos. Ele balançou os ombros e abaixou a cabeça. Não importa o quanto tentasse esvaziar sua mente, se estivesse um pouco desprevenido, voltaria a cair em depressão. Não se assuste com ideias inúteis. Yohan se criticou e pressionou as mãos na mesa. Quando ele fechou as pálpebras pesadas, uma leve imagem residual apareceu em seu campo de visão escurecido.
O tempo era justo para todos e, no final, Yohan ficaria bem.
Então… você não deveria ter medo de nada.
Tentando pensar assim, ele segurou uma xícara de café.
TOC Toc.
Uma batida fraca, mas aguda, chegou ao ouvido de Yohan. Virando a cabeça, ele olhou para a porta da frente. Seu coração calmo de repente começou a bater em um ritmo instável. Já era tarde da noite e ninguém podia visitá-lo naquele horário.
—….
Será…
Não acho que isso vá acontecer.
Assim que o rosto de um homem apareceu em sua cabeça, Yohan, sem se dar conta, deu um grande passo à frente. Ele não podia se permitir pensar profundamente. Só quando chegou à porta foi que Yohan tentou recuperar o fôlego. Ele lentamente agarrou a maçaneta em sua mão, o sangue circulando em seus vasos sanguíneos a uma velocidade insuportável deixou sua cabeça tonta, Yohan respirou fundo e virou a cabeça.
E o que aguardava Yohan era um corredor vazio mergulhado na escuridão. A única luz vinha da claridade que escapava do apartamento, destacando o chão desgastado. Segurando a maçaneta da porta de entrada, Yohan piscou perplexo, derramando um suspiro melancólico.
— ….uhhh.
O que diabos eu esperava?
Por um breve momento, sentiu-se patético por ter indulgido em devaneios sem sentido. Yohan sacudiu a cabeça e beliscou a bochecha, sua pele aderente à palma da mão estava quente. Parecia que ele precisava de mais tempo para recobrar o juízo, apesar de ter insistido tanto para Valentine aceitar o fim… quando, na verdade, ele próprio ainda estava afundado no passado.
Yohan entrou no apartamento e balançou a cabeça. Sem motivo algum, ele ainda estava sorrindo. Foi justamente quando pegou a xícara que acabara de colocar sobre a mesa. Sem qualquer prenúncio, ele se lembrou da conversa que teve com Valentine no passado.
‘Se eu estivesse realmente morto… o que você teria feito?’
Yohan piscou lentamente e tentou lembrar a resposta de Valentine. O que Valentine disse naquele momento…?
‘Talvez… eu simplesmente tivesse sobrevivido.’
‘Como uma concha, com um vazio por dentro.’
No momento em que se lembrou da voz que estava tentando esquecer, seu coração se partiu com firmeza. Ironicamente, agora que tudo havia acabado, ele conseguia entender um pouco do que lhe contara.
Valentine se sentia assim? Foi por isso que ele tentou me segurar tão desesperadamente? Eu não tenho confiança para suportar uma vida inteira tão entorpecida sem alegria, tristeza ou dor….
—….
Com tal pensamento, Yohan de repente perdeu a confiança. Ao imaginar os incontáveis dias que se acumulariam em seu futuro, ele foi dominado por um medo tão profundo que esmagou seu coração. Uma força que ele nem reconheceu invadiu a mão que segurava a xícara. Então, a superfície do café tremeu em um ângulo instável, como se representasse sua ansiedade.
***
Ao entrar no mercado, Yohan interrompeu seus passos ao avistar um nome familiar nas manchetes do jornal pendurado no estande. Após entregar o dinheiro à atendente, ele pegou o jornal. Seus olhos, percorrendo a página, tremularam ligeiramente ao ler as notícias.
O pequeno artigo no topo do jornal era sobre Valentine. A questão é que o único sucessor de Ryan Lindbergh, Valentine Lindbergh, teve que renunciar ao corpo diretivo, e um CEO profissional seria em breve nomeado para substituí-lo o mais rápido possível. Como se estivesse consciente dos investidores, o artigo incluía a opinião de que a L&T iria empreender um enorme fortalecimento da gestão no início do ano, uma vez que está a atrair activamente investimentos para os EUA.
… então, você vai voltar para a Inglaterra?
Naquele momento, Yohan sentiu que a massa indomada de emoções não resolvidas em seu peito aumentou rapidamente. O artigo continha apenas fatos objetivos, mas ao olhar fixamente para ele, como se esperasse que mais informações se revelassem, Yohan leu a breve notícia repetidas vezes. No entanto, a única coisa que ele descobriu foi que Valentine não tinha mais motivo para permanecer em Nova York.
Foi bom poder pensar nisso racionalmente. Se ele fosse embora, não teria mais que se lembrar todas as manhãs, ao abrir os olhos, de que ambos respiravam sob o mesmo céu. O fato de Valentine morar na mesma cidade, com a possibilidade de encontrá-lo por acaso em uma rua, impediu que Yohan fechasse a porta para o que já havia acontecido e abrisse uma nova.
No entanto, as emoções se comportaram de maneira diferente da razão. Não importa o quão bem Yohan tentasse se convencer, ele realmente sentia como se um pedaço de seu coração tivesse sido arrancado. Ele estava nervoso sem motivo e sua mente estava agitada. No final das contas, ele cometeu uma série de erros no centro de idiomas naquele dia e teve que sair do trabalho mais cedo, em meio às preocupações de seus colegas.
—…Haa.
Yohan, que foi para a cama cedo, foi tomado por pensamentos impensados, enquanto olhava para a luz fraca do poste de luz. Assim como ele, Valentine estava retornando à sua posição original. Portanto, não havia necessidade de ficar ansioso. Com o passar do tempo, ficou claro que a dor que ele sentia atualmente iria diminuir. Se eu não acreditasse nisso, não aguentaria.
…. Espero poder ser livre então. E que seja o mesmo para você também.
Mesmo com esses pensamentos, Yohan não conseguiu dormir até o amanhecer.
Exceto pelo fato de que em breve seria um novo ano, sua rotina diária continuava normalmente. O único evento que se destacou foi a pequena festa de Natal organizada por Kyle. A maioria das crianças do centro eram crianças imigrantes e os seus pais trabalhavam em supermercados, lavandarias e restaurantes. Em vez de seus pais, que não podiam relaxar, Kyle planejava passar o Natal com os pequenos.
Kyle queria estar com as crianças durante todo o processo de preparação da festa, para que seus funcionários tivessem mais trabalho a fazer do que o normal. Yohan também ajudou Kyle a preparar a festa depois da escola. Ao decorar desajeitadamente os painéis e fazer cartões de Natal, ele conseguiu liberar um pouco da angústia que o dominava.
— Então, até depois de amanhã.
Passadas as oito da noite e completadas as tarefas do dia, Yohan se levantou da cadeira, cumprimentando Kyle. Acompanhando-o até o hall, Kyle tossiu como se tivesse algo a dizer, e Yohan, percebendo isso, interrompeu seus passos. Kyle coçou a ponta do nariz e perguntou com cuidado.
— Ethan, você realmente pretende passar o natal no centro? Bem, é que no Natal, as pessoas normalmente passam esse tempo com seus namorados ou amigos…
Ao ouvir as palavras de Kyle, Yohan sorriu levemente e balançou a cabeça.
— Lamento desapontá-lo, mas não vejo sinais de ter um amante ainda. Além disso, todos os amigos com quem saio nesse dia têm seus próprios planos.
— Quero dizer…, se você está se esforçando demais sobrecarregado só para tentar agradar as crianças, não quero que se sinta pressionado sem necessidade, não hesite em se libertar disso. Afinal, o Natal é especial para todos.
Yohan sorriu e balançou a cabeça diante da gentil consideração de Kyle.
— De verdade. Se você não tivesse me convidado, tenho certeza que estaria preso no meu apartamento bebendo cerveja nesse dia.
— Bem…se isso for verdade, não tenho nada a dizer, mas é estranho. O fato de um homem tão jovem como você não ter alguém.
Como se entendesse do ele que estava falando, Yohan sorriu e perguntou de volta.
— Quem gostaria de sair com um homem que não conquistou nada de importante nesta idade?
— Ethan, você realmente acredita nisso? Porque se esse for o caso, só posso pensar que estou diante de uma pessoa que vê a realidade de uma forma excessivamente distorcida.
Kyle estava falando sério, mas Yohan apenas soltou uma risada leve. Uma expressão de pena passou pelos olhos de Kyle ao encará-lo. Kyle esperava que Yohan pudesse tratar a si mesmo tão bem quanto tratava os outros, mas logo lembrou que não tinha o direito de se intrometer na vida de Yohan e mudou de assunto.
— De qualquer forma, Ethan, eu entendo. Bem como durante a festa de Natal eu sempre fico muito ocupado. Acho melhor te dar algo agora, então espere e veja.
— Que?
Quando Kyle reapareceu depois de ficar ausente por um tempo, Yohan, perplexo, o viu carregando um saco de papel vermelho na mão. Kyle suportou seu escrutínio e franziu a testa timidamente.
— É Natal. Este é o seu presente.
— Kyle, eu não… não preparei nada.
Yohan, que arregalou os olhos, logo murmurou com uma voz envergonhada. Kyle, que fez ele segurar o saco de papel, piscou e disse.
— Você perceberá ao abri-lo que não é um presente caro. No entanto, Jenny escolheu com muito cuidado. Como você sabe, meus bolsos não são tão grandes, então não é caro.
— Posso abrir agora?
Kyle assentiu prontamente, e Yohan cuidadosamente abriu a embalagem lacrada. Dentro dela, havia um suéter verde, com um design simples sem padrões, e apenas as mangas eram acentuadas em preto. O suéter se encaixava bem em Yohan, e ao olhar para ele Kyle sorriu orgulhosamente ao ver que ele gostou.
— Afinal, os olhos de Jenny estavam certos. Realmente combina com você.
— Kyle, eu gostei muito. Obrigado. De verdade.
— Eu sou muito grato a você. Ethan, conhecer você foi meu maior presente este ano.
Ao ouvir suas palavras, a expressão de Yohan mudou estranhamente. A energia quente penetrou em seu coração, que estava vazio há muito tempo. Já fazia muito tempo que não sentia cócegas no afeto de alguém. Yohan franziu os lábios e riu.
—…Eu também penso o mesmo, Kyle. A única coisa boa que aconteceu comigo este ano foi conhecer você, Jenny e as crianças do centro.
A única coisa boa.
No momento em que ele disse isso, curiosamente, Valentine passou pela sua cabeça. Sempre que olhava para ele, seus olhos azuis brilhavam com calor e suas mãos estendiam-se para ele sem hesitação. Em um instante, seu coração começou a bater loucamente. Yohan, que sem saber havia endurecido sua expressão devido à tristeza que fazia seu estômago apertar, demorou a colocar a máscara que havia desmoronado. Kyle, que olhava para o agitado Yohan, com olhar calmo, logo sorriu e tocou seu ombro carinhosamente.
— Muitas coisas melhores aconteceram no futuro.
—….
— Seu próximo ano será mais feliz que este.
Yohan, que tinha ido às compras a caminho de casa, esvaziou a geladeira assim que chegou ao apartamento. Não era uma tarefa demorada, já que a maior parte era comida instantânea e tudo que precisava fazer era empilhá-la. Depois de uma refeição rápida e um banho, Yohan sentou-se no sofá com uma garrafa de vinho na mão. Desde que quase se afogou, ele parou de beber álcool conscientemente, mas em noites como aquela precisava de intoxicação moderada.
Yohan tomou um gole de vinho enquanto observava pela janela. O clima estava frio, mas não havia neve caindo. Ele se perguntou se teriam um Natal branco este ano. Não é que ele particularmente gostasse de neve, mas o Natal do ano passado passou sem nenhum acontecimento especial, então talvez um pouco de neve este ano fosse bem-vinda.
Perdido em pensamentos sem sentido, Yohan encostou a testa na janela. A cada expiração calorosa, pequenos traços brancos apareciam e desapareciam na janela como manchas em um castelo de neve. Ele fechou os olhos lentamente. As coisas que realmente queria saber, mas deliberadamente evitava, agora fluíam para fora à medida que sua mente relaxava.
O que Valentine está fazendo agora? Ele já voltou para a Inglaterra? Será véspera de Natal em dois dias, então com quem ele vai passar o dia? Como Ryan disse naquela época, ele estaria se preparando para uma nova vida com sua noiva…?
Quanto mais seus pensamentos cresciam, mais difícil era respirar, como se a pressão na boca do estômago estivesse aumentando. A mão que segurava o copo aumentou sua força espontaneamente. Yohan suspirou e encolheu os ombros. Ter esse tipo de sentimento residual não fazia sentido. Queria começar bem o próximo ano.
Para fazer isso, ele precisava deixar o passado de lado. Então… Ele queria parar de fazer aquelas coisas patéticas que o faziam sentir dor no peito ao se lembrar de Valentine.
Esvaziando lentamente a garrafa de vinho até tarde da noite, Yohan limpou a bagunça da mesa do sofá. Já passava da meia-noite. Aconteceu quando ele estava quase terminando de organizar tudo e se preparava para dormir.
TOC Toc.
De repente, alguém bateu na porta da frente. Yohan enrijeceu com um barulho tão claro que não poderia ser considerado uma alucinação auditiva. Algo semelhante havia acontecido com ele antes, mas parecia que ele só tinha tido uma simples ilusão naquele momento. Yohan ficou em seu lugar e olhou para a porta da frente. E como se zombassem dele, a batida na porta soou novamente, tão claramente que não pôde ser ignorada. Seu coração, que estava calmo há pouco, de repente começou a bater violentamente.
— …Quem é?
Yohan se aproximou da porta da frente e falou baixinho. Mas não houve resposta. Sua boca ficou seca e seus nervos ficaram subitamente excitados, então ele se sentiu um pouco tonto. Desamparado, Yohan lentamente aproximou os olhos do olho mágico. No entanto, a única coisa que ele conseguia ver era a escuridão, e por isso não sabia quem estava ali.
Devo sair ou…
A mão que segurava a maçaneta tremia. Não, provavelmente não é. Quem quer que seja… não creio que seja ele. Mesmo pensando isso, seu coração apertou e sua respiração ficou superficial. Depois de hesitar por um longo tempo, Yohan deslizou lentamente a corrente da fechadura. O som do metal se chocando quebrou o silêncio.
Click….
A porta da frente finalmente se abriu e o frio lá fora tocou suas bochechas quentes. Yohan engoliu em seco e levantou a cabeça. Porém, ao contrário de suas expectativas, a pessoa que estava do lado de fora da porta era um homem que ele não conhecia.
— Quem…
O homem, com um gorro puxado para baixo, tinha uma estrutura óssea robusta e uma expressão feroz. Em seu pescoço largo, uma grande tatuagem destacava-se, uma cobra envolvendo a letra ‘M’. Yohan sentiu uma sensação estranha ao olhar a tatuagem grotesca que se estendia até mesmo em suas bochechas.
— Você é Ethan?
Enquanto Yohan permanecia imóvel diante da situação inesperada, o homem falou com um sotaque hispânico perceptível em sua voz. Yohan, recuperando-se um momento depois, respondeu.
— …Quem é você?
— Você se lembra de Paul?
Yohan, que desconhecia totalmente o nome, piscou os olhos sem expressão. No entanto, ele podia intuir instintivamente que a situação era perigosa. Em resposta à reação estúpida de Yohan, o homem cuspiu grosseiramente no chão com um som de desprezo. Em seguida, ele abaixou profundamente o gorro, usando um tom carregado de hostilidade, proferiu:
— Merda, você nem sabe o nome dele. Paul era meu irmão. Ele foi esmagado por causa de você, perdeu o emprego até que tudo desmoronou. Ele morreu. Não conseguimos encontrar o corpo nem nada.
— …O que? Mas….
— Nunca esqueci o ressentimento que permaneceu alojado em meu coração. Dedicarei estas quatro balas à lápide do meu irmão.
Os olhos de Yohan se arregalaram. Foi porque o homem tirou do bolso uma pistola com silenciador e apontou para ele. Yohan não conseguia entender o que o homem estava dizendo. Todo o seu corpo, que estava se recuperando da tensão agora, congelou imediatamente, ele não conseguia nem mover um dedo devido à sua fraqueza. Tudo o que Yohan pôde fazer foi olhar para a arma apontada para ele.
— Adeus, filho da puta.
O homem o amaldiçoou com seu último adeus e empurrou a arma para o lado. Yohan estava vagamente rígido e não conseguiu demonstrar qualquer reação. De maneira nenhuma. Minha vida vai acabar dessa maneira ridícula? Aconteceu quando Yohan estava pensando sobre isso sem entender.
— Yohan…!
Uma voz desesperada ecoou no corredor escuro e silencioso. Seu coração reagiu antes de sua cabeça. A voz que penetrou em seus ouvidos era claramente uma voz que ele conhecia muito bem.
— Uhg…!
Ao mesmo tempo, o homem que apontava a arma para Yohan caiu no chão como se tivesse sido empurrado. Uma grande figura humana subiu sem hesitar no corpo do homem, que rolou no chão sem se defender. Os olhos de Yohan se arregalaram ao limite. O cabelo loiro, que brilhava quase branco na escuridão, deixou uma imagem deslumbrante em suas pupilas.
Era Valentim.
— Droga, você… O quê!
O homem reagiu tarde e lutou para tirar Valentine de cima dele. A partir disso, uma briga inesperada aconteceu no chão, no meio do corredor escuro. Yohan, cujas pernas perderam a força, caiu indefeso na varanda. Seu olhar vazio se concentrou nos dois homens que rolavam de um lado para outro. Seu coração, que ele pensou ter parado por um momento, batia descontroladamente e ressoava em seus tímpanos.
— Filho da puta!… Ugh…!
Valentine torceu o pulso do homem que estava sentado no chão. Apesar do homem estar armado e ter uma constituição robusta, ele estava indefeso naquele momento, sendo subjugado impiedosamente por Valentine. Bam! O punho de Valentine fez a cabeça do homem se torcer até o limite, seguido por um gemido doloroso que irrompeu como o uivo de uma fera.
— …Argh!
O homem, cujo osso do nariz foi atingido, cobriu o rosto e ergueu a parte superior do corpo. Valentine não perdeu a oportunidade, subiu nas costas do homem e agarrou-o pelo pescoço para quebrá-lo. O homem, cujo pescoço estava dobrado como se fosse quebrar, sacudiu todo o corpo com brusquidão, fazendo seu gemido saltar, puxou o braço dele para trás e tentou de alguma forma se livrar de Valentine.
Enquanto os dois brigavam, a arma que estava a seus pés rolou pelo corredor. Yohan tardiamente recobrou o juízo e rastejou de quatro para agarrá-la.
— Ah…!
O homem, percebendo a presença de Yohan, estendeu a mão e agarrou o cabelo de Valentine na tentativa de tirá-lo de cima dele, então ele levantou a cabeça naquela posição e bateu a cabeça na testa de Valentine. O corpo de Valentine tremeu e ele perdeu o equilíbrio devido ao impacto direto no crânio. Sem hesitar, o homem que o empurrou correu em direção à arma mais rápido que Yohan.
— Huh….
Os olhos de Valentine, que estavam tontos, se arregalaram. A mão do homem tocou a arma e seus olhos malignos olharam alternadamente para Valentine e Yohan. Como se ele estivesse pensando em quem atiraria primeiro. E naquele momento, Valentine correu em direção a Yohan sem hesitar. Com a mão estendida e desesperado, ele puxou o braço de Yohan e assim que o segurou nos braços, um tiro surdo ecoou pelo corredor.
Bang…!
— Valentine…!
O corpo que abraçava Yohan convulsionou como se tivesse entrado em choque. Seus joelhos dobraram e ele desabou. No momento em que Yohan percebeu que Valentine havia levado um tiro, seu mundo desabou. Bip! Em um instante, seus tímpanos foram bloqueados e ele não conseguia ouvir nada além de um bipe agudo. — Haa, haa, haa…. — Yohan respirou fundo e abraçou Valentine.
— Ah! Seu desgraçado, como você ousa…!
°
°
continua…