Beijo do inferno - Capítulo 34
— Argh…!
Outro pesadelo cruel e feio atingiu Yohan. Ele, que estava convulsionando em seus membros, reagiu ao toque que o acordou. O cuidador olhou para ele com uma expressão preocupada.
— Ethan, você está bem? Você está assim há um tempo, está com dor? Oh minha nossa, olhe para este suor…
— Ah… Hmph…
Yohan olhou em volta sem entender enquanto o cuidador enxugava a testa encharcada de suor. Das grandes paredes emolduradas às janelas iluminadas pela lua e aos umidificadores que emitiam vapor, tudo estava como antes de dormir. As feras que morderam seus pescoços um tempo atrás não passavam de ilusões. Mas ele ainda se atrapalhou e abriu os lábios com medo.
— Agora, que horas são…
— É uma hora da manhã. Dormiu menos de duas horas. Durma um pouco mais.
O cuidador entregou um pouco de água a Yohan e disse gentilmente. Depois de esvaziar o copo, Yohan seguiu sua orientação e se deitou silenciosamente na cama. Mas o medo de sufocar o homem novamente veio sobre ele.
— …
Um silêncio terrível atacou Yohan com um barulho insuportavelmente alto. Tomando algumas respirações trêmulas, ele cobriu os ouvidos, e se enrolou. A ansiedade que arranhava por dentro junto com o zumbido agudo era extremamente intensa. Era doloroso. Havia apenas um nome que me veio à mente neste momento.
— … Valentine.
Yohan estremeceu com o nome que pronunciou sem perceber. E sentiu uma solidão tardia.
Por que eu…
Yohan contorceu o rosto e cerrou os punhos com força. Era um fato inaceitável que Valentine fosse o objeto que vinha à mente para escapar do medo agressivo. Mas fora isso, ninguém veio à mente. Porque ninguém neste mundo jamais invadiu o mundo de Yohan com a mesma intensidade que Valentine.
Valentine quebrou Yohan, mas ao mesmo tempo, ele estava ferozmente ansioso para ter o último pedaço seu. Assim como tudo se torna sem sentido quando viciado em uma droga forte, o calor escaldante de Valentine finalmente deixou Yohan completamente louco.
… Porra.
Yohan reconheceu a derrota com um sentimento de reconhecimento. Sabendo que precisa de Valentine neste momento. Sozinho, ele não conseguiu superar o medo que perfurou seu coração. Foi sua própria fraqueza que encurralou Yohan.
Um grunhido, como um soluço, fluiu sob sua cabeça enterrada. Depois de se enrolar por um tempo, Yohan baixou as pernas cambaleantes no chão. Seus passos cambaleantes pareciam representar sua psicologia instável.
— Onde você está indo?
Um funcionário que estava sentado no saguão encontrou Yohan andando pelo corredor como um fantasma e se levantou, gritando. Yohan disse com um rosto pálido e cansado.
— Vou tomar um ar fresco e volto.
— A essa hora?
A pergunta do homem implicava descrença, e Yohan, que a sentiu, sorriu levemente.
— Está bem. Estou cansado e não consigo dormir bem.
— Então deixe-me chamar um ajudante…
— Não, eu quero organizar meus pensamentos sozinho. Está tudo bem porque entrei em contato com Valentine anteriormente.
Yohan casualmente inventou uma mentira. A tenacidade da equipe se esvaiu como balão desinflando em reação a menção do nome de Valentine. O nome de Lindbergh era como um feitiço mágico. Não havia para onde ir que não funcionasse. Um sorriso prematuro tocou os lábios de Yohan.
— O caminho do jardim é brilhante, mas tome cuidado para não cair e, se precisar de ajuda, me chame.
O funcionário hesitante acabou permitindo que Yohan saísse. Não era provável que ele fizesse algo louco de repente, mesmo que ele estivesse bem de qualquer maneira, e havia guardas que ficavam de guarda por 24 horas enquanto tomavam uma ação repentina. Yohan sorriu como se não se preocupasse e saiu do prédio.
E o lugar para onde Yohan se dirigiu não era para passeio, mas para o portão leste. Enquanto caminhava pela grama, seu colarinho ficava molhado devido ao orvalho que caia. Quando ele finalmente chegou em frente ao alto portão de ferro, como esperado, os guardas bloquearam a frente.
— Você não pode sair.
— Meu guardião está a caminho.
— Sinto muito, Sr., mas nunca recebi uma ligação assim.
— Obedeça. É algo que foi decidido antes que eu chegasse aqui.
Apesar das mentiras naturais de Yohan, os guardas permaneceram impassíveis.
— Se você não acredita em mim, confira você mesmo. O carro de Lindbergh chegará em breve.
Foi só depois que eles pegaram o celular que eles ficaram um pouco assustados. Um dos homens trocando olhares abriu a boca.
— Eu entendo o que você está dizendo, mas ainda precisamos de confirmação devido aos regulamentos internos. Você poderia, por favor, esperar um momento?
— Faça o que quiser.
Logo depois que o homem saiu, uma van preta parou em frente ao hospital. Yohan deu de ombros e disse ao guarda restante.
— Eu disse a você, o carro chegaria em breve.
— Sinto muito, mas eu tenho que pegar sua assinatura para um passeio que não está registrado no computador. Você pode esperar enquanto eu pego os documentos?
— Claro. Mas vou esperar no carro.
A porta de ferro, que estava firmemente fechada, se abriu e Yohan entrou na van. Quando ele abriu a porta do passageiro, uma música alta estourou. Um jovem com muitas tatuagens estava mascando chiclete no banco do motorista.
— Você é um cliente que vai para o Queens?
Yohan entrou na van e assentiu.
— Sim, por favor, vá embora.
— É meio estranho ser chamado por um paciente com uniforme em um momento como esse.
— Bem, eu não escapei de um hospital psiquiátrico.
— Fico feliz em saber disso.
O motorista estourou um chiclete grande e assentiu. No caminho para o portão, Yohan chamou uma van. Estava preocupado em seu coração que uma mentira tão desajeitada não funcionasse, mas surpreendentemente, parece que é fácil enganar as pessoas.
É de manhã cedo, então não poderá entrar em contato com Valentine imediatamente. Mas não importava se ele descobrisse sobre sua fuga. Porque o alvo do qual Yohan queria escapar não era Valentine, mas seu coração dependia dele.
E havia apenas um lugar que aceitava sua fuga.
A van que estava funcionando há muito tempo parou em uma área residencial tranquila no Queens. Quando entregou o maço de notas, o motorista respondeu com um piscar de olhos.
— Tenha uma noite quente.
Depois que a van desapareceu com uma saudação enganosa, Yohan olhou para o prédio. A preocupação com a presença de Elaine naquele momento foi rapidamente substituída pelo alívio. Porque havia uma luz fraca no último andar.
Esperando não interromper o sexo apaixonado de Elaine e Jonah, Yohan bateu na porta da frente. Sentiu uma sensação de familiaridade por dentro, e então a porta se abriu. Elaine olhou para Yohan parado no corredor e arregalou os olhos.
— Ethan?
— Como você tem estado?
— Você não atendeu o telefone desde aquele dia… Espere um minuto, Ethan, que porra é essa…!
Para parar a voz crescente de Elaine, Yohan cobriu os lábios com a palma da mão e sorriu com paciência.
— Aconteceu algumas coisas. Como pode imaginar, no dia da festa do cruzeiro, houve um acidente a caminho de casa.
— …
— Não é nada de especial, então não há necessidade de se preocupar. Mais deixa isso para lá, Elaine você tem alguma droga? Me dá um pouco.
— Ethan, do que você está falando de repente, você está bem?
Assim que sua boca ficou livre, Elaine gritou alto, sem esperança de parar. Com a mão estendida, Yohan tremeu e recuou. Ele sabia que não poderia se machucar, mas sua rejeição instintiva estava além de seu controle. Ciente da atmosfera constrangedora, Yohan colocou um sorriso artificial em seu rosto pálido.
— Eu estou bem… não se preocupe. Primeiro me dê a droga.
Para onde foi a Elaine, que geralmente é calma, e agora está com uma expressão séria no rosto? Elaine, que estava calada, balançou a cabeça de um lado para o outro.
— É estranho. Você não usa isso. E agora aparece assim e de repente pede…
— Se é dinheiro, há o suficiente aqui.
— Ethan.
— Me dê algo puro que tenha efeito imediato, não o barato que você vende.
O dinheiro que Valentine lhe deu foi suficiente. Yohan estendeu um maço de notas de cem dólares para Elaine e cerrou os dentes. Aos poucos, o limite da paciência estava chegando. Elaine arregalou os olhos para o dinheiro e balançou a cabeça novamente.
— Mesmo se você me der um milhão de dólares…
— Porra, Elaine! Se apresse, me dê logo!
Baam !
Yohan, incapaz de superar seu temperamento, esmagou a parede com o punho. Elaine, que nunca tinha visto Yohan enlouquecer daquele jeito, calou a boca em choque. Yohan soltou um suspiro e falou com uma voz fraca que estava prestes a sair.
— Elaine… Por favor me ajude.
— …
— A droga… Eu preciso, me dá.
Incapaz de enfrentar a decepção de Elaine, Yohan baixou a cabeça. Elaine, que ficou em silêncio, finalmente soltou um suspiro baixo.
— … Entre e sente-se.
Elaine, que deu um tapinha no ombro de Yohan, virou-se rapidamente e entrou na sala. Logo depois, um barulho de gavetas roeu as orelhas de Yohan.
***
Yohan recebeu a droga de Elaine e foi direto para Manhattan. A cobertura, de volta depois de muito tempo, estava fria, sem calor humano, mas isso realmente não importava.
Yohan tirou a tampa da vodca que comprou no supermercado. Então ele bebeu a vodka enquanto o comprimido em sua língua derretia. Por um tempo, houve uma agitação ultrajante no estômago, que havia sido alimentado regularmente com alimentos leves e saudáveis.
— … Haah.
Como pediu algo puro para Elaine, o efeito mudou muito rapidamente. Yohan descansou a cabeça no sofá com uma expressão relaxada no rosto. Provavelmente é da classe das anfetaminas, e depois de um tempo, a adrenalina correu pelo seu cérebro. A excitação elevada inundou, calafrios e calor alternadamente fazendo cócegas e acariciando todo o seu corpo.
Não parecia um simples êxtase. Isso porque a velocidade com que as alucinações e despertares aparecem era muito rápida. Yohan jogou sua visão embaçada na visão noturna cintilante, e seu corpo inteiro caiu.
— Urgh…
De repente, lembrou-se do tempo em que esteve em Monterrey. Naquela época, Yohan usava drogas sem hesitar para fugir da realidade. Quando usava droga, todas as suas preocupações iam embora e se sentia forte. Quando veio para os Estados Unidos, parou de usar drogas porque queria viver bem, mas se ia ter um final tão ruim, não fazia sentido.
— Olá querido.
Uma ômega em uma fantasia de leopardo que viu em uma festa a bordo um tempo atrás estava de pé sobre o corpo de Yohan. Ele piscou e olhou para ela. A mulher que estava dançando em voltas e sensualizando imediatamente sentou-se na cintura de Yohan. Ele sorriu para ela enquanto ela abria o zíper das calças.
— Desculpe desapontá-la… mas eu… eu… sou ômega.
— Não me importo.
— Haah.
A ômega sentou em sua cintura e penetrou o pênis de Yohan nela, enquanto a cabeça de Yohan estava inclinada, um calor lânguido subiu da parte inferior do seu corpo. Yohan soltou um suspiro e esfregou a nuca no sofá. Uma sensação de flutuar no ar e prazer acompanhado de cócegas o invadiu.
E quando Yohan inclinou a cabeça novamente, a mulher leopardo já havia se transformado em Valentine. Yohan, que havia penetrado a mulher, agora estava sendo penetrado por Valentine. Vestindo o fraque da festa do baile, ele tinha um rosto jovem, e quando seus olhos se encontraram, ele sorriu inocentemente como um novo broto na primavera.
— Yohan, me permita marcar você?
— Argh…
As palavras sussurradas, como se confessando amor, permaneceram em seus ouvidos. Ao mesmo tempo, Valentine começou a mover sua cintura violentamente. O prazer que ele sentiu apenas uma vez invadiu o corpo de Yohan. Ele balançou a cabeça enquanto Valentine balançava a cintura. O clímax que fazia seu coração acelerar estava se aproximando.
— …
Com uma última exclamação, Yohan caiu inconsciente.
Quando Yohan acordou novamente, estava estirado no sofá. Como se tivesse enlouquecido, o amanhecer estava chegando. Ele, que estava prestes a levantar a parte superior do corpo, soltou um longo gemido e deixou o corpo cair novamente. Sua cabeça latejava como se milhões de pica-paus estivessem bicando-a.
— Humph…
Depois de gemer sozinho por um tempo, seu estômago de repente torceu e revirou. Yohan inclinou-se apressadamente para debaixo do sofá e, ao mesmo tempo, o vômito caiu no chão de mármore. Após várias vezes de náusea e evacuação do suco gástrico, ele se encolheu. Havia um calafrio insuportável percorrendo seu corpo, cuja temperatura corporal havia caído.
Em vez de… Se ao menos conseguisse resistir.
Foi quando o desesperado Yohan fechou os olhos. Ouviu-se um bipe e o som da fechadura totalmente automática sendo liberada.
— Yohan… !
Achou que podia ouvir o som de sapatos pisando no chão com pressa, e então algo forte agarrou o ombro de Yohan. Assim que viu os olhos azuis olhando para ele de perto, Yohan sentiu uma sensação aterradora. Era porque a força da droga que ainda permanecia dentro dele perturbava seus nervos.
— Va… Valen…
Yohan entrou em pânico e empurrou Valentine para longe. Para Yohan, possuído pela visão, parecia que ele estava rindo dele.
— Por favor, por favor, me deixe ir!
Apesar da dor de seu braço quebrado, Yohan lutou tanto quanto sua força permitia. A mão estendida casualmente arranhou e espancou Valentine, mas ele não afrouxou o aperto na mão de Yohan. No final, Yohan, que estava convulsionando como um louco, ficou exausto.
— Haah, ugh…
Yohan caiu nos braços de Valentine, exausto e sem forças. Então, como se Valentine estivesse esperando, ele esfregou suas costas com gentileza. O tremor de seu corpo, gradualmente diminuiu.
Quando o tempo se passou, a razão começou a voltar lentamente à cabeça de Yohan. Seu braço esquerdo estava formigando por algum motivo, e suas roupas encharcadas de vômito tinham um cheiro nojento. Yohan, reconhecendo sua situação tardiamente, apertou os lábios em descrença. Então, seus dedos bem cuidados envolveram seu queixo como se o parassem.
— Está lúcido?
Quando Yohan não respondeu, Valentine apertou seus braços ao redor dele. Uma camisa fina foi colocada no meio e a temperatura corporal de uma pessoa viva foi sentida. Os tremores diminuíram e a respiração irregular que parecia ser cortada circulou adequadamente.
Quando Yohan levantou a cabeça, Valentine sorriu levemente com um rosto distorcido. Seu cabelo loiro, que sempre teve um brilho suave, estava bagunçado, e havia pequenos arranhões em suas bochechas e lábios. O terno luxuoso também estava amassado e sujo de vômito. Yohan soltou um gemido baixo para o caos que ele havia criado.
— Valentine…
— Sim, Yohan.
Em uma voz misturada com auto-piedade, Yohan falou de forma intermitente.
— Olhe para mim agora. É lamentável… Parece que me tornei um lixo irrecuperável.
— …
— Então você po… Tire suas mãos disso.
Em vez de responder às palavras exaustas e calmas que continuaram, Valentine o segurou em seus braços. Valentine caminhou direto para o banheiro e cuidadosamente deitou Yohan na espaçosa banheira.
— Mesmo que seja desconfortável, seja paciente.
Apenas no caso dele querer tocar no trauma de Yohan, Valentine removeu cuidadosamente o uniforme bagunçado de paciente. Mas Yohan não sentiu resistência ao fato de estarem tirando suas roupas. Ele havia esgotado todas as suas forças para resistir.
Mesmo que ele nunca tivesse ouvido falar de Valentine cuidando de outras pessoas, ele, que habilmente envolveu o braço de Yohan em plástico, ligou o chuveiro. Logo depois, água morna caiu sobre o corpo nu de Yohan. Água limpa correu para meus quadris e tornozelos.
— É melhor você fechar os olhos.
Valentine disse enquanto apertava o xampu na palma de sua mão. Então, uma mão suave tocou seu cabelo molhado. Ele silenciosamente lavou o cabelo de Yohan, e depois disso, ele limpou completamente seu corpo bagunçado. Depois de lavar e secar Yohan como se estivesse cuidando de um bebê, Valentine o levou para o quarto.
Quando Yohan caiu na cama, Valentine puxou uma cadeira e se sentou ao lado dele. Valentine, que olhou para ele com olhos fundos, abriu a boca com indiferença.
— Comida de hospital, pode ser boa para a saúde, mas não tem um gosto bom.
— …
— Eu não sabia que seria tão ruim que você poderia até mesmo escapar.
Embora a piada ocasional fosse engraçada, Yohan, que havia esgotado a energia para rir, fechou os olhos em silêncio. Uma mão molhada tocou sua bochecha. Suas mãos grandes cheiravam a sabonete líquido de seu próprio corpo. Yohan calmamente agarrou o pulso de Valentine. Podia sentir a tensão na pele sob a palma da sua mão.
Na luz azul brilhante, seus olhos estavam entrelaçados. As emoções complexas se dispersaram em fios e eventualmente se fundiram em um. Um silêncio profundo tomou conta deles. Com o olhar fixo em Yohan, Valentine colocou o dedo em sua camisa. Um por um, dedos delicados desabotoaram os botões. Na penumbra, o corpo suavizado foi refletido em branco.
As roupas molhadas caíram no chão, e Valentine levantou o edredom. Ele subiu na cama e colocou o braço atrás do pescoço de Yohan. O hálito doce se espalhou em sua testa, e o cheiro familiar do passado roçou levemente a ponta de seu nariz. Valentine sussurrou lentamente, inclinando sua bochecha contra o cabelo molhado de Yohan.
— Acho que acabou de ter um sonho ruim.
— …
— Depois de uma boa noite de sono, tudo ficará bem.
Na recitação silenciosa, Yohan sentiu uma leve dor surda no peito. Mas a ansiedade que o havia levado ao limite não era mais sentida. Como se houvesse quietude no local onde o salto perigoso foi interrompido, Yohan, que havia entrado em um vácuo, fechou os olhos. Um calor corporal quente envolveu Yohan como se o confortasse.
E, inacreditavelmente, Yohan dormiu muito tempo nos braços de Valentine. Eles adormeceram trocando a temperatura corporal e o cheiro do corpo um do outro como se tivessem retornado aos dias de Heritage. Quando Yohan abriu os olhos com uma vaga familiaridade, a primeira coisa que viu foram olhos azul puro.
— Bom Dia.
Revirando os olhos de brincadeira, Valentine deu a ele uma saudação relaxada. Yohan sorriu secamente e lambeu os lábios levemente.
— Não importa como você olha para isso… Acho que não é de manhã.
Com o sorriso de Yohan, a expressão de Valentine mudou estranhamente. Como um menino que encontrou um ovo de pássaro em um ninho que ele não esperava. O calor se infiltrou em seu olhar, que havia sido solto um momento atrás. Valentine, que levantou a parte superior do corpo, olhou para Yohan e perguntou.
— … Posso beijar você?
A mão que tocou os olhos de Yohan desceu aos lábios como se pedisse uma resposta. Um dedo bem cuidado tocou levemente na carne grossa dos seus lábios com um toque gentil. Yohan piscou lentamente e baixou as pálpebras. Logo sua visão foi bloqueada, e um pedaço de carne quente tocou seus lábios entreabertos. O toque como uma pena deixou Yohan tonto como se fosse morrer.
Eles não se moveram como se o tempo tivesse parado. Apenas respirações minuciosas giravam pelo espaço entre seus lábios. Mas lentamente, os lábios se abriram, e a língua quente separou cuidadosamente os lábios secos. A mão de Yohan agarrou o lençol à medida que a língua de Valentine deslizava na membrana mucosa.
— …Hmph.
A língua que cavou em sua boca, se moveu incrivelmente suave. Não havia desejo na língua, que tateava as mucosas como se estivesse dando um consolo desajeitado.
Os olhos que haviam sido distorcidos pelo medo gradualmente se afrouxaram, e a respiração trêmula se dispersou na boca que tocou. Yohan pensou com a cabeça tonta. É como cair em um vazio sem fundo.
Valentine costumava postar todos os seus horários de trabalho no portal da empresa. É claro que o direito de consulta era limitado por departamento e cargo, mas ele achava que a tomada de decisões basicamente relacionada ao trabalho deveria ser feita em uma mesa aberta.
No entanto, a programação da tarde de hoje estava toda bloqueada como ‘Fechada para ocasiões particulares’. Valentine, que havia deixado toda a programação, seguiu para o Bronx, localizado no norte de Manhattan.
Um Lincoln Continental fez fila atrás de um Rolls Royce preto e atravessou a cidade velha. Um grupo de carros funcionando sem problemas parou em um escritório decadente perto de um hospital libanês. Quando Valentine saiu do carro, uma dúzia de guarda-costas armados se alinharam atrás dele. Lucas, inquieto, ficou ao lado de Valentine.
— Não tenho certeza se é certo ir sozinho. Me permita lidar com isso da minha própria maneira…
— Vai tudo ficar bem.
— Mas…
— Acho que devemos nos encontrar pelo menos uma vez, mesmo que estejam encurralados.
Ao contrário de sua expressão calma, as palavras que ele falou com um sorriso brilhante eram cruéis. Desistindo de qualquer persuasão, Lucas o seguiu silenciosamente.
— Quem são vocês?
No primeiro andar do prédio em ruínas, um grupo de homens fumavam cigarros, expressando sua cautela. Estavam no final da adolescência até os vinte e poucos anos, todos eles vestiam pequenas camisetas, mas vendo grandes tatuagens de cobras em seus pescoços, antebraços e até bochechas, uma ou duas pessoas devem ter um histórico de enviar pessoas para outro mundo.
— O que é isso?
Havia um olhar amargo nos olhos dos homens na atmosfera incomum. Alguns deles portavam armas. Mas Valentine abriu a boca sem nenhum sinal de agitação.
— Estou aqui para ver Emiliano Silva.
Emiliano Silva não era um nome de fácil menção. Os homens, que conduziam a feia atmosfera como se tentassem suprimir o ar pesado, trocaram olhares. Valentine, que não tinha intenção de perder seu precioso tempo lidando com seres baixos, deu um aviso final.
— A coragem é imaginária, mas minha paciência é curta. Então fique longe.
Ao mesmo tempo, os guarda-costas atrás deles ergueram suas armas ao mesmo tempo. Enquanto a confusão se espalhava pelos rostos dos homens, um homem saiu correndo do prédio, vacilante com sua barriga grande balançado. Era Aitor, subordinado de Emiliano.
— Você veio. Eu estava esperando.
A voz clara de Aitor embranqueceu os rostos dos jovens. Aitor bloqueou Valentine quando ele estava prestes a entrar no prédio sem demora. Ele olhou ao redor dos guardas e disse.
— Hm, aqueles que não tem nada a ver com o assunto, esperem aqui.
— Eles vão me acompanhar.
— Acho que Emiliano não irá gostar.
— Não me faça repetir.
— Mas Sr. Lindbergh.
— A vida não é importante para um inseto como você?
Valentine, que abriu o traço alfa como uma nuvem azulada, falou suavemente. Aitor, que parou por um momento, estreitou os olhos como se para medi-lo, e então deu de ombros.
— Então, por favor, entenda que não temos escolha a não ser corresponder à nossa condição.
Valentine e Emiliano estavam sentados frente a frente em um escritório mal construído e sombrio. Atrás de cada um havia homens armados e guarda-costas, alinhados em alerta. Do outro lado do prédio, franco-atiradores se escondiam em caso de acidente.
Foi Emiliano quem quebrou o pesado silêncio.
— Espero que entenda que está visitando um lugar pobre, então isso significa que a recepção não é das melhores.
Apesar das palavras modestas, era possível sentir a arrogância escondida nela. Valentine sorriu e cruzou suas longas pernas.
Isso é tudo que ele está fazendo agora, se exibindo. Emiliano Silva era o chefe intermediário da MU001, que supervisiona a distribuição de drogas em Nova York e na área de Long Island. E foi só então que ele recebeu uma ligação de Lucas usando um número que ele usava apenas dentro da organização.
Emiliano ficou furioso com a descoberta de seu número pessoal por um garoto não identificado, mas ficou bastante intrigado quando soube que ele era o secretário direto de Valentine Lindbergh.
Como em todas as coisas, MU001 também tinha algumas conexões secretas no mundo político e empresarial. Eles e o grupo Lindbergh também tinham uma relação simbiótica moderadamente tácita. O embaraço de Emiliano aumentou quando Lucas apresentou os fatos como eram, em um tom clerical e duro.
— Alguns desgraçados tocaram em algo precioso do herdeiro Lindberg!
Assim que desligou o telefone, Emiliano explodiu de raiva. Incapaz de vencer, ele quebrou os troféus orgulhosamente exibidos na mesa e aplaudiu.
— Mesmo que vocês, seus desgraçados, tenham dinheiro no bolso, precisam ficar atentos! Tragam eles para mim agora mesmo! Agora mesmo!
Os homens de Emiliano começaram a suar frio para encontrar os idiotas envolvidos no incidente, mas já haviam sido comidos por peixes no meio do Atlântico Norte. E a verdade revelada uma após a outra fez o estômago de Emiliano doer ainda mais.
Estragou a festa do pessoal colocando vários agentes no meio, então também seria fácil descobrir quem foi o cliente que encomendou tudo. Quando Emiliano soube da causa do incidente, chutou seus homens. Aitor suou frio e disse a verdade.
— Eu disse que não achava necessário contar ao chefe. Para falar a verdade, você está certo em não saber que a pessoa era alguém relacionada à família Lindbergh…
Nesse mesmo dia, dois dos bandidos foram baleados e mortos.
A família Lindbergh não podia deixar de se sentir sobrecarregada, mas não podia trair um parceiro com o qual construíram um relacionamento comercial por muitos anos. Emiliano se debateu na encruzilhada, sentindo que ia enlouquecer.
E antes que ele pudesse se decidir, Valentine entrou no escritório. Emiliano sentiu muito estresse com essa maldita situação, mas não demonstrou nada. Ele fez a única escolha que um homem encurralado poderia fazer. Era um jogo que ele não conhecia.
Valentine enrolou os lábios mais uma vez, como se estivesse lendo os pensamentos internos de Emiliano.
— Já que não temos tempo um para o outro, vamos direto ao ponto. Quem é?
— … Eu realmente sinto muito por isso. Mas Sr. Lindbergh, eu realmente não sei. Logo depois que ouvi a história, corri atrás dos meus homens, mas as pessoas envolvidas não são mais pessoas neste mundo, entende?
Houve uma acusação no olhar direcionado a Valentine. Valentine respondeu com um sorriso.
— Apenas devolvi o a favor direcionado a um amigo. Se tivesse sido concluído a tal nível, você pode adivinhar quem pagaria o preço.
Enquanto ele olhava ao redor do escritório lentamente, sua frieza afiada foi revelada. Emiliano, assustado por um momento, xingou ao perceber que foi dominado por uma criança. Ele disse com uma expressão um pouco mais séria.
— Não estou reclamando. No entanto, eu realmente não consigo entender como isso aconteceu internamente…
— Entregue o livro-caixa. Depois disso, eu resolvo.
— … Olhe, Sr. Lindbergh, você não sabe que está falando bobagem? De qualquer forma, não podemos dizer nada.
Emiliano, que jogou fora as maneiras condecoradas, abaixou o tronco ameaçadoramente. Seus olhos grossos cobertos de carne brilharam com uma luz perigosa.
— O que estamos falando é sobre credibilidade. Você sabe muito bem que se vazar um boato de que entreguei um cliente, estarei arruinado.
— …
— Apenas tome isso como um erro cometido por pessoas ignorantes e me perdoe.
O sorriso desapareceu do rosto de Valentine com o que soou como uma ameaça feita à mão. Como já estava afiada como se fosse cortar os nervos, mesmo que fosse um pouco descuidada, corria solta como um animal selvagem indomável.
Ele pensou que queria quebrar o pescoço do monstro peludo na frente de seus olhos, mas Valentine lutou para suprimir seus desejos. Em vez de enfiar a pistola em seus braços na boca daquele animal, ele ofereceu um compromisso.
— Então você pode responder sim ou não à minha pergunta?
— É também sobre nossa credibilidade
— Emiliano, por quanto tempo você pretende viver com drogados chupando o cu deles?
— O que você disse?
Com o comentário insultante, o rosto de Emiliano de repente ficou sério. Valentine sorriu e bateu na mesa com os dedos.
— Você sabe que estou cozinhando Watson agora.
— Existe alguém que não saiba disso?
Apesar da resposta direta, Valentine continuou sem hesitar.
— Depois de acabar com ele, pretendo começar a sério um negócio de distribuição de filmes. Até onde eu sei, não é seu desejo abrir uma lojinha e colocá-la na indústria do entretenimento?
Com essas palavras, a voz de Emiliano, que estava sorrindo e evitando o assunto, mudou. Como ele disse, MU001 estava no ramo de entretenimento. Embora tenham feito pequenos esforços para estabelecer um selo com foco em artistas de hip-hop do gueto, ainda não viu nenhum resultado concreto.
A propósito, Valentine, um grande jovem no mundo da mídia, estava trazendo a história por conta própria. Ele está apenas perguntando? Sem chance. Os empresários simplesmente não sabiam disso. Então…
Valentine perguntou baixinho para Emiliano, que podia ver sua cabeça trabalhando.
— Vou perguntar de novo. Você pode responder sim ou não?
Desta vez Emiliano, como um mudo choroso, não respondeu. Vendo-o contrair seus pequenos olhos, Valentine riu amargamente. Então Emiliano riu também. Ele em nenhum momento imaginou seu próprio destino, um que teria inveja até dos porcos do matadouro.
A cena no Bronx, quando o crepúsculo começou a se pôr, evocou um luto sombrio. Um grupo de homens saiu do prédio de costas para o céu coberto com o brilhante pôr do sol. Não havia nada escrito no rosto de Valentine depois que a conversa terminou, mais tarde do que o esperado.
Emiliano, que estava balançando o pêndulo em sua cabeça, pode tê-lo inclinado para um lado e, desde então, abordou o interrogatório de Valentine de maneira muito cooperativa. Ele não mencionou o nome diretamente para garantir a rota de fuga final, mas Valentine foi capaz de descobrir o que estava por trás disso com apenas algumas dicas que ele admitiu.
A tez de Valentine estava pálida como um cadáver enquanto ele estava sentado no Rolls Royce esperando. Lucas, que estava sentado no banco do passageiro, olhou para trás e perguntou com cuidado, em um tom que julgava se ele era o sujeito de tal afirmação.
— Você está bem?
Em vez de responder, Valentine lançou um olhar brilhante e gelado para Lucas. Lucas imediatamente percebeu seu erro, mas logo depois, Valentine apenas olhou pela janela como se nada lhe interessasse. Os carros deixaram o Bronski um após o outro na mesma ordem em que entraram.
Ao contrário do exterior aparentemente digno, havia uma tempestade furiosa dentro de Valentine. Quando colocou Finn Miller na boca com esperança, Emiliano fez uma expressão exagerada como se tivesse levado uma facada no rosto.
Naquele momento, Valentine provou o choque que atingiu a parte de trás da cabeça. Sem saber interpretar seu silêncio, Emiliano gaguejou e falou besteira.
— Fala sério, eu não faço ideia do porque ele tocou no seu amante. Por que ele faria uma coisa tão ruim…?
— Ethan não é meu amante.
—…
—Se você repetir isso, terá que dizer olá para Finn numa vala.
Emiliano disse que não sabia por que Finn fez algo tão óbvio, mas não era óbvio. Valentine nunca sonhou que Finn sabia quem era Yohan.
… Por que eu não pensei nisso?
Mesmo sabendo que Finn Miller era um idiota que faria qualquer coisa extremamente estúpida por causa do orgulho mesquinho, Valentine acabou sendo complacente. Mesmo que se sentisse alienado de ver olhos injetados de sangue e bobagens febris toda vez que se encontravam no conselho de administração.
O grau de causalidade que Finn tocou em Yohan poderia ser facilmente estimado. A parte que precisava de confirmação era como ele sabia a identidade de Yohan. Suas memórias após o desaparecimento dele eram escassas, mas ele sabia que Ryan havia trabalhado diligentemente para apagar seus rastros.
Naquela época, os funcionários de Lindbergh tinham que assinar um juramento com uma cláusula de confidencialidade e, em troca, recebiam uma grande entrada. Além disso, os alunos da Heritage que estavam de alguma forma relacionados ao caso tiveram que enfrentar o advogado de Lindbergh. Desktops, laptops, telefones celulares, homepages pessoais e até servidores em nuvem estavam todos sujeitos à censura, e todos os vestígios de Yohan desapareceram.
— Lucas.
— Sim.
— Verifique onde Finn está fuçando ultimamente. Terei que falar com Martin o mais cedo possível amanhã.
— Tudo bem.
Foi por causa de Yohan que Valentine veio para a América. E, ao contrário do ímpeto apressado no início, foi também por causa de Yohan que ele deixou o espaço para um compromisso com Watson.
Desde que o encontrou, não havia necessidade de correr para o trabalho. No final, foi graças a Yohan que Finn ainda foi capaz de usar o brasão do vice-presidente e ajudar.
Mas ele ousou tocar em Yohan.
Foi um salto absurdo, mas pelo menos para Valentine era evidente. Não havia mais necessidade de ser gentil. Enquanto Valentine estava organizando uma agenda para discutir com Martin em sua cabeça, ele parou de respirar por um instante.
Não, na verdade, como conseguir Finn e como adquirir Watson era uma questão secundária. Valentine admitiu que estava evitando incomumente a essência.
O que realmente importava era o fato de que Yohan estava prestes a ser quebrado novamente.
É também por causa de coisas relacionadas a ele.
— …Haa.
Valentine soltou um longo suspiro e dobrou seu torso. Foi então que ele percebeu que sua mão estava tremendo um pouco. Valentine, que soltou um palavrão suave entre os dentes, cerrou o punho com força para ver quem podia vê-lo. As veias azuis nas costas de sua mão branca se contraíram.
Yohan estava lentamente, mas gradualmente abrindo seu coração. Foi uma jornada infinitamente longa e distante, mas ao mesmo tempo esperançosa. O relógio de Valentine, que parou depois que Yohan desapareceu, também estava funcionando novamente.
Mas, se Yohan… se ele souber disso. Os dois olhos de Valentine afundaram sombriamente.
A luz azul que perdeu sua vitalidade como se não fosse de um humano vivo estava vazia o suficiente para parecer estranha só de olhar para ele. Foi uma contradição brutal, mas um evento que quase mergulhou a vida de Yohan no abismo mais uma vez acabou sendo uma oportunidade para Valentine. Porque através desse evento, Yohan abriu a porta de seu coração que estava firmemente trancada. Valentine não conseguiu acompanhar. Quanto a saber se esse incidente poderia ser chamado de acidente que não teve nada a ver com ele, ou se ele também foi um perpetrador indireto.
— Argh, foda-se.
Uma dor de cabeça familiar corroeu seu cérebro novamente. Valentine, que balançou a cabeça com um zumbido, olhou para as costas de sua mão. As costas de sua mão, que deixaram os vestígios da hedionda automutilação, era um símbolo da falta que ele lembrava ao perder Yohan.
Foi no dia em que ouviu sobre a morte de Yohan que sua razão, que estava intimamente ligada, foi completamente cortada. Ryan, que segurava a coleira de Valentine sob o pretexto da localização de Yohan, perdeu o controle dele. A realidade inimaginável de perder Yohan para sempre esmagou sua alma. Havia mais dias em que não estava sã do que dias em que estava. Valentine caia mais fundo a cada dia.
Foi o mesmo naquele dia. Embriagado de drogas, ele encontrou insetos se acumulando nas costas de sua mão. Enquanto um drogado feio ria, os insetos começaram a cantar em coro, irritados com o som do riso deles.
— Você matou Yohan!
— Você ainda ri?
— Parabéns, seu monstro imundo!
— Abrace as memórias do passado e se masturbe para sempre!
— Ha ha! Olhe para aquele idiota!
— Por que você não morre também?
— Faça seu pedido, como um demônio no inferno!
A acusação que apunhalou seus pulmões e limpou o sorriso do rosto de Valentine. E quando ele acordou com um grito agudo, as costas de sua mão com uma caneta-tinteiro estavam horrivelmente cravadas.
— …Haah.
Valentine soltou a respiração que estava segurando e inclinou a cabeça. Um suor frio brotou em sua testa, e sua testa estava enrugada até o limite. Como resolveria isso. Valentine derramou arsênico com o conselho vazio. Era uma questão de não ter outras opções para pensar de qualquer maneira. A conclusão seria sempre a mesma.
O tempo que passaria com Yohan no futuro era ilimitado. Haveria muitas oportunidades para compensar isso. Ele ia dar-lhe tudo o que tinha. E agora que as coisas aconteceram, Valentine pretende usar todas as cartas que tem para segurar Yohan.
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Continua….