Capítulo 41
— Esta missão é minha, então não é da sua conta — disse Daisy com firmeza.
— Como não é da minha conta? O Chefe provavelmente me enviou porque sabia que você ficaria deprimida desse jeito! — Rose rebateu.
Daisy estava convencida de que a interferência de Rose só sabotaria seus planos. Quando recusou categoricamente a oferta, Rose explodiu.
Ela podia transar, simplesmente escolheu não fazer. Por que ela está fazendo esse escândalo todo?
— N-Nós… nós nos beijamos — Daisy gaguejou, suas bochechas vermelhas de vergonha.
É verdade que havia um lençol entre eles, mas se tocaram intimamente. E por causa daquele incidente ridículo com o creme, ela até tocou o peitoral do homem. Tinham feito tudo, exceto transar. Por que Rose estava agindo como se nada tivesse acontecido?
— Beijo é só beijo, as pessoas também fazem isso em casamentos! O verdadeiro problema é que você não conseguiu seduzi-lo mesmo depois de tudo isso! — exclamou Rose.
— …
— Ele claramente não estava tendo dificuldades no dia do seu casamento. Metade da Capital viu a reação dele na frente de todos aqueles convidados.
‘Quando essa mulher foi ao meu casamento?’
Rose parecia obcecada por cada detalhe da vida de Daisy. E se testemunhou aquele momento humilhante, significava que todos os convidados da cerimônia presenciaram a… reação entusiasmada de Maxim. A cabeça de Daisy latejou.
— Você tem mau hálito? Ou talvez faça uns barulhos estranhos quando beija?
— Pare de ser ridícula — repreendeu Daisy.
— Ainda bem que sua irmã mais velha está aqui para ajudar. Thereze te mimou como uma princesa, então você só sabe se mimar e não presta para mais nada.
Ela nem sabe a história toda.
Tanto faz. Daisy fechou a boca, irritada demais para continuar discutindo.
— Não é como se eu pudesse te ensinar anos de técnicas de sedução da noite para o dia e você dominar tudo instantaneamente.
— …
— Isso não vai funcionar. Vou conseguir algo especial… um ‘reforço’ com meus contatos. Algo que vai te tornar irresistível.
— Tome você. Não preciso de nada assim.
Ela já estava lutando para controlar desejos indesejados. Adicionar algum afrodisíaco à mistura a faria perder completamente o controle. A ideia a assustava, e ela balançou a cabeça vigorosamente.
— Vamos planejar a festa. Você vai abandonar esse visual provinciano e se vestir para matar. Algumas taças de champanhe para dar coragem. Perfeito. Sua irmã mais velha vai deixar tudo preparado com antecedência.
— Eu disse para você nã—
— Você nunca pensa em nada além de si mesma. É por isso que eu tenho que cuidar de você assim. Devia tentar ser mais independente.
Daisy observou com desgosto enquanto Rose enfiava desajeitadamente cosméticos caros nos bolsos, como se estivesse fazendo um grande favor:
— E se contar qualquer coisa disso ao Chefe, você está morta.
Uma batida repentina na porta fez as duas congelarem.
— Vossa Graça, é Marigold.
Finalmente, poderia respirar de novo. Com Marigold presente, Rose não poderia importuná-la tão livremente.
Daisy balançou o punho ameaçadoramente para Rose, então casualmente colocou a mão de volta na água do banho, fingindo que nada havia acontecido.
🌸🌸🌸
Quando Daisy abriu os olhos, Maxim já havia ido embora.
Despertada cedo pelo canto dos pássaros, ela olhou para o teto por um momento antes de se sentar lentamente. A cama parecia incrivelmente vasta para apenas duas pessoas, mas ela tinha desenvolvido o hábito defensivo de dormir encolhida numa bolinha apertada, ocupando apenas um cantinho, mal dando espaço para uma pessoa.
Ela observou a roupa de cama do lado de Maxim. Tudo estava perfeitamente arrumado, como se ninguém tivesse dormido ali.
— Será que ele ao menos veio para a cama ontem à noite?
Pelo estado impecável dos travesseiros, era impossível dizer.
— Ele deve estar ocupado — murmurou para si mesma.
Ele havia mencionado estar atolado em trabalho e reuniões durante a estadia na capital. Ainda assim, sempre mantinha as manhãs livres para tomarem café juntos. E antes disso, havia aqueles rituais matinais constrangedores.
“Dormiu bem, querida?” ele perguntava preguiçosamente, apoiado nos cotovelos com o queixo nas mãos, seu peito magnífico propositalmente exposto pela abertura do roupão. Ela tinha certeza de que ele fazia isso de propósito.
Mas hoje, a cama estava vazia. Então Daisy voltou ao velho hábito de falar com o retrato do marido em vez do marido real.
— Suponho que esteja apenas mais ocupado do que o normal — disse para o rosto pintado em cima da mesa de cabeceira.
Embora o retrato não capturasse seu magnetismo real, ainda assim mostrava um homem devastadoramente bonito olhando fixamente de volta para ela.
‘Sinceramente, isso não é da minha conta. Por que eu deveria me importar?’
Ela balançou a cabeça, tentando dissipar os pensamentos inúteis que continuavam surgindo.
— Ainda assim, a ocasião é bastante suspeita.
Tinha sido logo após aquele desastroso incidente do “Sabor do Céu”, com ela gritando como uma peixeira. Era significativo demais para ser coincidência, e a ocasião era suspeitamente perfeita.
No começo, ela ficou aliviada por evitá-lo, mas com o passar dos dias, não conseguia se livrar da sensação de ter cometido um erro terrível. Será que algo fundamental havia mudado entre eles?
Por mais que odiasse admitir, se pegava imaginando no que Maxim estava pensando.
‘Bem, ele foi longe demais naquela noite…’
Naquela noite, ela e o Grão-Duque estavam como uma chaleira prestes a ferver. Lembrar o quão perto chegaram da consumação a deixava tonta. Sua vagina pulsava e formigava com a memória. Mas quando o tesão se tornou insuportável, ela o xingou e começou a chorar.
Ela tinha adormecido de mãos amarradas, deixada assim enquanto ele foi cuidar de si mesmo, já que ela havia se recusado a cooperar. Quando acordou, seus pulsos estavam livres, exatamente como ele havia prometido. Mas Maxim havia desaparecido.
Se lembrou das palavras amargas que ele sussurrou achando que ela dormia:
“Esqueça rezar por salvação. Vamos simplesmente para o inferno juntos. Com você, até o inferno seria mais divertido que o paraíso.”
Era mesmo necessário ir tão longe assim? Aquela noite foi puro tormento, pior do que qualquer missão que ela já havia enfrentado.
Definitivamente foi longe demais.
Os beijos ficaram desesperados, os toques imprudentes, e as palavras duras que ela soltou sem controle criaram uma noite febril dividida entre extremos.
Se Maxim havia passado por alguma mudança em seu coração, era impossível prever em qual direção isso poderia tomar.
— Não sei. Já que ele não aparece, suponho que não queira me ver.
Essa era a única conclusão lógica. Nenhum sinal dele, nenhuma aparição pela manhã. Se ele passou a noite fora…
Um pensamento repentino a atingiu, e ela se sentou mais ereta.
— Será que… você tem uma amante?
O retrato do marido não responderia, mas ela perguntou mesmo assim. Foi uma pergunta impulsiva, mas quanto mais pensava, mais sentido fazia. Ela revisou tudo o que sabia sobre ele:
Muitas mulheres na alta sociedade admiravam Maxim von Waldeck. O homem era excepcionalmente apaixonado. Devastadoramente bonito, mesmo para os padrões da nobreza. Portanto, sua natureza intensa atrairia as mulheres que já o admiravam.
‘É claro. Ele tem uma amante.’
A conclusão era óbvia. Tendo despertado desejos que não podia satisfazer com a esposa, fazia sentido buscar satisfação em outro lugar.
‘Funcionou. Realmente funcionou.’
Ela vinha se preparando meticulosamente para o divórcio, memorizando aquela lista obtida com tanto esforço de possíveis candidatas e pesquisando o histórico de cada mulher. Mas, de alguma forma, o sucesso tinha caído no seu colo sem nenhum esforço da sua parte. Ela se sentiu estranhamente desorientada.
‘Não se apresse. Confirme primeiro. Isso pode ser tudo imaginação.’
Certo. Fique calma. Não adianta fazer planos até verificar a verdade. E se estivesse errada? Talvez estivesse tirando conclusões precipitadas.
Sentindo-se tonta, Daisy saiu da cama e se sentou no sofá da área de estar. Sobre a mesa de chá havia uma caixa de presente e um envelope.
— O que é isso?
Ela abriu cuidadosamente a caixa e encontrou sapatos requintados adornados com safiras.
[Use isto para um novo começo, Izzy. — Maxim von Waldeck]
‘Um novo começo?’
Ela releu o bilhete várias vezes, tentando entender seu significado. Ela se lembrou de um artigo de uma revista da sociedade sobre o significado de presentear sapatos…
Sapatos bonitos te levarão a lugares bonitos.
Em outras palavras, uma vez que Daisy von Waldeck fosse embora para o seu “lugar bonito”, alguém novo preencheria sua posição como Grã-Duquesa.
— Aquele desgraçado… ele realmente fez isso.
O último desejo dele era dormir com ela — e agora que conseguiu, estava pronto para seguir em frente.
— Parabéns, querido — disse ao retrato com sarcasmo.
— Espero que vocês sejam muito felizes juntos.
Era como pegar um rato por acidente enquanto armava uma armadilha para outra coisa. Mas, desde que alcançasse seu objetivo, o que importavam seus sentimentos?
Ainda assim, por que fazer o pedido de divórcio de forma tão indireta? Isso deixou um gosto amargo.
Nobres e seu jeito indireto de falar…
‘Pro inferno com esse modo indireto.’ Então era divórcio afinal. Quase fez seu coração disparar à toa. Os apoiadores da corte real eram tão covardes como sempre.
Quanto ela deveria pedir na separação? Um milhão de ouro parecia razoável.
Deveria fazer um escândalo quando oficializassem? Ou aceitar com um sorriso?
‘Não é como se ele fosse realmente meu marido.’
Enquanto esses pensamentos confusos giravam, Daisy se sentiu atordoada, como se tivesse levado um golpe.
‘Então… no fim… estou livre?’
Sua garganta estava seca. Pegou o jarro e bebeu um copo cheio de água, bebendo tudo em um gole.
— …
Talvez a água estivesse muito morninha. Uma sede estranha persistia, junto com uma aperto persistente no peito que não desaparecia. Ela serviu outro copo e o bebeu com a mesma rapidez.
— Ah…
Será que estava com indigestão? Até ficou sem sutiã naquela manhã já que aquele libertino não estava por perto. Estranhamente, ele nunca a incomodara enquanto ela dormia, então se sentia mais à vontade.
‘É possível ter indigestão por água?’
Deitar deveria ajudar. Daisy voltou para a cama e se jogou no centro, rolando antes de afundar o rosto no travesseiro de Maxim.
— Adeus, meu marido de um milhão de ouro, Maxim von Waldeck.
Ela sussurrou sua despedida particular. Talvez tenha sido repentino demais. Esperava sentir alívio, mas, em vez disso, sentia um vazio estranho.
Continua…
Tradução e Revisão: Elisa Erzet