⌀ — Capítulo 5
Volume 2 – Reunião
↫─Capítulo 5
Embora ele estivesse em uma idade em que ações impulsivas eram comuns, Tennessee não esperava dirigir por mais de quatro horas seguidas por pura raiva. Com uma leve risada, Tennessee esperou por um cochilo.
Ele sofria de privação crônica de sono. Era uma insônia severa. Ele costumava se virar com cochilos curtos de cerca de três horas. A insônia era terrível, mas pelo menos ele estava vivo, ele se consolava, um resultado melhor do que retornar à América como um cadáver do Afeganistão.
Depois de deixar a América, sua insônia atingiu o ápice. Agora, um cochilo era como um deleite raro para ele. E, ultimamente, ele não conseguia sequer tirar um cochilo curto. Tennessee passava a maior parte de suas noites lutando para pegar no sono.
Ele levava seu corpo ao limite daquela forma, e então desabava em um sono longo em um belo dia. Era um ciclo de sono parecido com esse. Assim que acordava, ele não conseguia voltar a dormir, mas se não fizesse isso, sua cabeça doeria como se estivesse prestes a quebrar.
Sentindo a presença de Amber, Tennessee previu que provavelmente não seria capaz de dormir hoje também. Não que a presença de Amber fosse desconfortável, mas sim porque ele era muito sensível à presença de outros e sua insônia era muito severa.
“Tennessee”
Ele achou ter ouvido alguém chamando seu nome baixinho em algum lugar.
Estranhamente, junto com suas preocupações com a insônia, Tennessee foi instantaneamente levado a um sono profundo. A sensação era quase como ser arrastado para o fundo enquanto seu tornozelo era firmemente agarrado como uma obsessão.
“Já senti essa sensação antes”, pensou Tennessee com a mente confusa. “Quando foi? Eu estava segurando alguém que estava tremendo? Lembro-me da temperatura corporal contra meu estômago e peito.”
“Tennessee.”
“Senti sua falta.”
Bem quando estava prestes a responder àquelas palavras fracas, Tennessee abriu os olhos.
Havia algo errado. Ele tinha apenas fechado os olhos por um momento, mas os arredores estavam tão claros como se estivessem pegando fogo.
— Tennessee.
Franzindo a testa diante da luz ofuscante do sol, Tennessee levantou a parte superior do corpo.
Fazia quanto tempo que não sentia sua mente tão limpa? Ele protegeu os olhos com a mão e olhou para o relógio. Depois, fechou os olhos por um longo tempo e os abriu novamente.
“O relógio está errado? Não pode ser.”
— Você acordou?
Era uma voz suave. Excepcionalmente atordoado, Tennessee olhou ao redor. Era o sofá onde ele havia caído no sono ontem. Era uma tarde ensolarada.
“…Eu dormi por mais de dez horas?”
Tennessee passou a mão pela testa, sem acreditar.
Mas vendo o sol ardente e o cenário de uma tarde plena, não parecia um sonho.
Tennessee levantou-se lentamente. Amber já havia se aproximado dele. Ele estava deixando no lugar uma sacola com o nome de um restaurante perto da casa escrito nela.
— Eu estava preocupado porque você não acordava.
A voz de Amber estava calma. Havia um leve toque de alívio nela.
— As chaves estão aqui.
Tennessee olhou fixamente para o pedaço de metal prateado caindo em sua palma.
— Como você sabia onde as chaves estavam?
— O Tennessee me contou. Eu perguntei antes, e você me contou.
— ……
Ele contou enquanto dormia. “Eu fiz isso?”
Tennessee percebeu que, se houvesse coisas suspeitas demais, sua cabeça poderia ficar confusa. Depois de lavar o rosto de qualquer jeito, Tennessee se lembrou de que guardava as chaves e o revolver na mesma gaveta.
— ……Você tocou na arma?
— Não.
— Nem chegue perto dela.
— Você me disse para atirar antes.
Amber, que murmurou baixinho, empurrou a comida em direção a Tennessee. Era um sanduíche e salada com não muito molho, e água. E oposto a ele, havia uma pilha de fast-food que parecia que te daria uma doença cardiovascular se você comesse.
— ……A Elizabeth não me deixava comer isso.
Ele adicionou, envergonhado. Vendo que ele comprou tanta comida, estava claro que ele estava com fome, mas Amber não se moveu. Ficava claro que ele estava esperando Tennessee comer primeiro.
— Coma.
Tennessee, que se levantou, checou as chamadas perdidas, a hora e a data novamente.
— Eu contatei a Elizabeth. Disse a ela que eu almoçaria e iria mais tarde.
Lavar o rosto com água fria pareceu limpar sua cabeça um pouco. Tennessee jogou o cabelo molhado para trás de qualquer jeito e retornou para o sofá.
Amber, a quem ele via novamente com a mente limpa após um sono precioso, estava um pouco diferente de ontem. Ele parecia ter enterrado uma raiva ou ansiedade silenciosa.
Tennessee estudou o rosto de Amber. Como se tentasse gravar em sua mente o quanto ele havia mudado em relação à sua memória.
Exceto por seu cabelo e olhos, quase tudo sobre a aparência de Amber havia mudado. Mas o seu ar de garoto único permanecia intacto. Tennessee conseguia sentir a vitalidade que vinha se mostrando em sua audácia e resignação, como uma fragrância.
— Estou feliz que você voltou saudável.
Amber prontamente soltou tamanha sinceridade para uma pessoa tão indiferente. Tennessee sentou-se no sofá sem responder, mas Amber sorriu abertamente.
Desfrutando do sol da tarde, Tennessee e Amber tiveram um almoço pacífico.
Amber empilhou e comeu montanhas de comida como hambúrgueres. Ele devorou a comida em um instante, como convinha à sua idade de crescimento, mas estranhamente não era nem um pouco glutão.
— O que?
Amber, que estivera comendo silenciosamente, respondeu, envergonhado, como se sentisse o olhar de Tennessee.
— Nada.
Com isso, eles ficaram em silêncio durante todo o almoço. Era uma atmosfera quieta, mas não havia nenhuma estranheza para ser encontrada.
Enquanto comia, Tennessee deu uma risada contida consigo mesmo porque achou cômico o fato de ser tão indulgente com Amber. Vir até aqui sem um plano. Estritamente falando, era um incômodo, mas Tennessee não achava Amber irritante ou incômodo.
— Você não sentiu minha falta?
Amber perguntou a Tennessee, que estava bebendo água depois de terminar o almoço. Foi uma pergunta que surgiu após um longo silêncio. Tennessee esvaziou uma garrafa inteira de água, mas não abriu os lábios. Vendo seus lábios, que estavam tão firmemente fechados quanto a sua natureza, Amber baixou o olhar.
— Você não tem nada para me perguntar? Nós não nos vemos há quase três anos.
Ele perguntou calmamente, mas na verdade, o interior de Amber estava queimando. Seu coração estava confuso. Metade dele queria se ressentir com a indiferença de Tennessee imediatamente, e a outra metade queria implorar para que ele entendesse seu coração.
Amber tinha emoções tão contrastantes. Ele queria abraçar Tennessee logo, e também queria ficar com raiva e deixá-lo para sempre. Tennessee era sempre difícil para Amber. Amber sorriu amargamente e continuou.
— Eu consegui uma namorada.
Tennessee ergueu uma sobrancelha.
— Que bom pra você. Pelo menos não é gay.
Era uma piada do próprio Tennessee, mas Amber não sorriu nem um pouco.
— Na verdade, é mentira. Eu não tenho uma namorada.
Amber disse.
— Tennessee, acho que sou gay.
“Ou talvez bissexual? Na verdade”, Amber não tinha certeza. Mas como ele definitivamente gostava de alguém do mesmo sexo, ele estava pelo menos seguro de que era gay.
A mão de Tennessee, que estava abrindo a segunda garrafa de água, parou. Depois, ele bebeu a água como se nada tivesse acontecido.
— Ok.
Isso foi tudo. Amber de repente ficou com raiva porque ele era taciturno demais. Amber queria saber tudo sobre ele. O que ele estava pensando, como estava se sentindo, do que gostava e não gostava, o que queria fazer no futuro e se havia algo de que se arrependia.
“…Eu sou especial para você, assim como você é especial para mi? Ou o sentimento de ser especial sequer existe para você?”
— É só isso? Você não está desapontado?
— Por que eu estaria? O que os seus pais dizem?
— Eles apoiam.
— Bom pra você, então. Você tem ótimos pais.
Estranhamente, Amber não queria falar sobre os pais dele na frente de Tennessee. Talvez fosse porque isso o fazia perceber ainda mais o abismo entre eles. O abismo entre o Tennessee independente e ele próprio, que ainda precisava se esconder num ninho feito por outros.
— Quando foi isso?
Amber ergueu os olhos quando Tennessee perguntou novamente.
— Quando você percebeu isso, quero dizer? Ou talvez você soubesse inconscientemente desde jovem.
— …Havia alguém.
Amber se lembrou do dia em que ele se deu conta de seus sentimentos por Tennessee. Talvez, como Tennessee disse, ele já soubesse inconscientemente.
Quando ele estava sofrendo enquanto esperava pelas raras ligações de Tennessee, quando estava olhando infinitamente para as costas dele, quando estava escutando sua voz baixa, porque as emoções de todos aqueles momentos não eram surpreendentes.
Pode ter começado com admiração no início. Mas ele já não era uma criança, e não era difícil distinguir entre admiração e outras emoções.
— Me desculpe, David.
— Ryker……
David abraçou Amber, que estava com a cabeça baixa. Mesmo sendo abraçado por sua família, que o amava sinceramente, um lado do coração de Amber estava sempre vazio. Ele não deixava ninguém entrar, e ninguém conseguia entrar. Porque ele sabia quem estava ocupando essa parte.
Não houve momento em que ele esperou tanto pela ligação de Tennessee quanto ali. Amber queria fazer dezenas de milhares de perguntas a Tennessee. Ele estava tão sobrecarregado e confuso.
“Talvez fosse como uma ligação afetiva. Será que o amor deveria ser assim?”, Amber perguntou a si mesmo.
“Não há esperança à vista, então eu não deveria seguir em frente, esquecendo-o, em vez de reabrir essa ferida purulenta? Assim como todo mundo faz.”
Embora ele não conseguisse imaginar Tennessee retribuindo seus sentimentos de forma alguma, Amber não conseguia encontrar outra realidade.
Isso era mais como um Imprinting. Ele pensava que, se baixasse a guarda, aquilo criaria raízes, e num momento de descuido poderia desmoronar se fossem arrancadas.
Tennessee, que checou a hora, disse a Amber para se preparar para voltar. Era um sinal de que a conversa havia terminado. Amber acenou com a cabeça.
Tennessee, que saiu após tomar um banho, gesticulou em direção ao banheiro enquanto olhava para Amber. Era a vez dele, então estava dizendo para ele ir se lavar.
Tennessee estava planejando apenas se sentar por um momento enquanto esperava por Amber. Apenas por um momento. Seu corpo parecia estranhamente inerte. Apoiando-se no encosto do sofá, Tennessee fechou os olhos por um momento.
Ele estava prestes a cochilar naquele estado. Como se tivesse sido lavado em água fria, uma pele fria tocou o dorso de sua mão. Tennessee lutou para superar a sonolência repentina e abriu os olhos. Era Amber.
— Você está com sono, Tennessee?
— Um pouco.
— Então durma. Eu aviso a Elizabeth de novo. Ainda não está muito tarde.
Tennessee olhou para o relógio. Embora tivesse se sentindo sonolento durante a tarde, Tennessee nunca tirava cochilos. Ele havia fechado brevemente os olhos devido à privação de sono, mas aquilo era mais próximo de seu corpo colapsando por um momento por não conseguir superar o excesso de trabalho do que um cochilo.
Ele originalmente não era do tipo que dormia muito, então não deveria estar com muito sono hoje. Mas, estranhamente, o sono o estava invadindo como uma onda. No início, era uma sonolência fraca, mas quanto mais ele tentava superá-la, mais forte se tornava a força que o puxava. Era como cair em areia movediça.
Tennessee fechou lentamente os olhos enquanto se apoiava no encosto.
Durma bem. Ele pensou ter sentido um aroma na ponta do nariz junto com essas palavras. O corpo dele cresceu tanto, mas seu perfume único não mudou. Com esse pensamento, Tennessee adormeceu lentamente.
Tennessee abriu os olhos de repente por causa de uma buzina repentina. A buzina soou várias vezes e depois diminuiu. A comoção foi breve, mas Tennessee já estava acordado.
Sem se levantar, ele apenas virou a cabeça e viu Amber sentada à sua frente. Ele estava lendo algo no sofá. Amber ergueu os olhos, sentindo a presença de Tennessee. Seus olhos azuis encontraram os dele.
—Olá, Tennessee.
Amber o cumprimentou. Mantendo o olhar fixo em Amber, Tennessee sorriu levemente.
—Oi, Amber.
Tennessee finalmente sentiu a realidade do reencontro. Já haviam se passado 3 anos.
↫─☫ Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Lᥙ꧑ᥲ Hᥲrtzᥣᥱr