Alphega — Extra 21
CAPÍTULO 141
História Paralela 21
Cada sílaba que Baek Kanghyeon forçava para fora fazia seus feromônios surgirem ainda mais rápido. O latino que momentos antes estava tão cheio de si começou a tremer sobre os próprios pés.
— M-mas os feromônios dele estavam claramente bem fracos há pouco. Como……?
— Não me diga que ele é um Alfa dominante…?
Kanghyeon não se deu ao trabalho de responder. Simplesmente continuou liberando seus feromônios sem fim, com força suficiente para pôr os três homens de joelhos.
‘Isso. Esse homem… é um Alfa dominante.’
Como Alfas dominantes eram tão raros, ele demorara a perceber.
O fato de que Baek Kanghyeon, um Alfa dominante, estivera suprimindo suavemente seus feromônios o tempo todo, tanto no avião quanto ali.
Seus feromônios Alfa, contidos a um grau extremo que poderia ser confundido com recessivo, não tinham afetado nem um pouco o Ômega Lee Joohoon, sentado bem ao seu lado. Como Alfa dominante, Baek Kanghyeon poderia ter subjugado Lee Joohoon com um estalar de dedos se quisesse.
Mesmo agora, Baek Kanghyeon controlava meticulosamente seus feromônios.
A pressão avassaladora mirava apenas os três Alfas à sua frente.
Para Lee Joohoon, que acabara sob a proteção de Baek Kanghyeon, a única sensação era uma leve embriaguez pelo forte aroma de tomilho. Não havia estimulação intensa nem pressão opressiva dos feromônios.
Só então Lee Joohoon percebeu que Kanghyeon fora atencioso com ele. Pareceu tão absolutamente natural que ele nem notara, o que o deixou atônito.
Só conseguia vê-lo como alguém que tinha consideração por Ômegas entranhada nos ossos.
Enquanto encarava as costas de Baek Kanghyeon em choque silencioso, os três homens que perceberam que ele era um Alfa dominante ergueram as mãos, com o orgulho ferido.
— Tá bom. A gente vaza, então… ugh, dá para recolher os feromônios agora? Está difícil de… respirar.
— Primeiro vocês precisam pedir desculpas.
Diante do comentário frio de Baek Kanghyeon, a expressão dos homens azedou. Mas não conseguiam aguentar a pressão, então, com caras relutantes, olharam por trás de Kanghyeon para o Lee Joohoon protegido e pediram desculpas.
— Ei, Ômega. Desculpa. Sério.
Não havia um pingo de sinceridade, mas Lee Joohoon não tinha vontade de fazer daquilo algo maior.
Assentiu levemente para Kanghyeon, que olhara para trás. Naquele instante, os feromônios Alfa que tinham se espalhado como se fossem devorar os três homens desapareceram por completo. Não foram retirados aos poucos; foram contidos de uma só vez, um controle preciso que só um Alfa dominante conseguiria.
No momento em que a pressão se dissipou, os três homens cambalearam brevemente, os rostos vermelhos, e deixaram o lounge às pressas.
Só depois que eles desapareceram completamente Baek Kanghyeon voltou a se sentar. Ofereceu um pequeno sorriso a Joohoon, que o observava com olhos tensos. Não havia traço de hostilidade nele.
— O senhor acha mesmo que Kwon Haeil-ssi rejeitou sua declaração porque o senhor é um mutante?
Lee Joohoon franziu a testa diante da pergunta repentina.
‘Por que trazer isso agora?’
Ele piscou para ele, confuso.
— …Então o senhor está dizendo que não foi?
— Sim. Não acho que esse seja o motivo.
Ao contrário de Lee Joohoon, que hesitava, Kanghyeon falou sem pausa.
Então palavras familiares escaparam de sua boca.
— Mutante. Traço defeituoso.
Os ombros de Lee Joohoon deram um solavanco. Ele ouvira aquelas palavras vezes demais. Por um momento, achou que fossem dirigidas a ele.
— Foi assim que as pessoas me chamaram depois que revelei que sou um Alphega.
Mas não eram.
— Mas Kwon Haeil-ssi me disse que ‘especial’ combinava muito mais comigo do que essas palavras.
Na mente de Lee Joohoon, formou-se naturalmente uma imagem de Kwon Haeil dizendo aquelas palavras.
— Como amigo dele, o senhor também deve saber. Kwon Haeil-ssi não é do tipo que divide as pessoas entre anormais e normais ou as discrimina.
Lee Joohoon já ouvira algo assim de Kwon Haeil uma vez. Na época, logo depois da rejeição, ele tinha atribuído aquilo a um consolo vazio. Agora já não tinha tanta certeza.
— Ele é uma pessoa que corrige os outros com firmeza, chamando de ‘especial’ mesmo quando muitos rotulam como mutante.
Os olhos de Kanghyeon se suavizaram por um momento, lembrando-se da pessoa que o chamara de especial.
— Acho que entendo por que o senhor gostava de Kwon Haeil-ssi.
Os dois ficaram em silêncio por um momento, cada um imaginando a mesma pessoa em sua mente.
Lee Joohoon foi o primeiro a falar.
— O senhor está bem tranquilo com isso. Está dizendo que alguém como eu nem valia a pena ser considerado rival?
— É difícil tratá-lo como um quando se trata do passado.
— Eu gostava dele.
Tinha sido claramente no passado.
Baek Kanghyeon adivinhara o que aquilo significava desde o início.
— Kwon Haeil-ssi tem um amigo muito bom.
Um homem capaz de confrontar implacavelmente qualquer um, não importava quem fosse, por alguém de quem gostara.
Do ponto de vista de Kanghyeon, alguém tão livre quanto Kwon Haeil precisava de um amigo como Lee Joohoon, do tipo que pensava demais e tendia a se fixar nas coisas.
Kanghyeon sorriu suavemente para Lee Joohoon, cujos lábios estavam bem apertados. Sua expressão e sua aura pareciam bem diferentes de antes.
— Desta vez, deixe-me fazer uma proposta.
Kanghyeon estendeu a mão para Joohoon, cujo rosto parecia complicado.
— O senhor poderia me ceder um momento por volta das 11 da manhã?
Isso deixava menos de oito horas.
Era um prazo bem apertado, se ele pretendia dormir.
— Há algo que preciso confirmar. E algo que o senhor também precisa confirmar.
Mesmo assim, Lee Joohoon assentiu.
Por algum motivo, sentia que precisava aceitar aquela proposta.
***
O píer de hidroaviões do resort nas Maldivas.
Tum-tum-tum-tum!
O som de passos correndo pela ponte de madeira ecoou nitidamente.
— Amor!
Baek Kanghyeon, que saíra para recebê-lo no horário, estremeceu com o chamado repentino de Kwon Haeil.
Antes que Kanghyeon pudesse responder, Haeil correu até ele num salto e o puxou para um abraço feroz. Os feromônios Alfa tão familiares e os braços fortes seguraram o corpo de Kanghyeon com força.
Haeil beijou seu rosto e pescoço aqui e ali, ainda o segurando junto a si.
— Senti sua falta, Baek Kanghyeon-ssi. Espera, você ficou mesmo tão pequeno só de não me ver por alguns dias?
— É impressão sua.
— Olha como seu rosto está abatido! Está prestes a desmaiar, desmaiar.
— Eu disse que é impressão sua.
— Você pulou refeições e noites de sono de novo sem mim por perto, né? Sei sem nem olhar.
— Isso também é impres…
As réplicas de Kanghyeon pararam no meio da frase quando Haeil segurou seu rosto com as duas mãos e o olhou fixamente com olhos estreitados.
— Te peguei. Hã? Olha só você evitando meus olhos. Assim não dá.
— Mm.
Kanghyeon fechou a boca, incapaz de argumentar.
Na verdade, ele pulara a maioria das refeições do voo e não comera nada decente depois de chegar ao resort. No máximo, alguns copos de água e um Negroni.
Quando trabalhava, fazia questão de comer para aguentar a agenda exigente. Mas, quando tinha tempo livre assim, simplesmente não sentia necessidade. Pular algumas refeições mal afetaria alguém tão robusto quanto ele.
Ainda assim, havia uma coisa que ele se recusava a deixar passar.
Kanghyeon estreitou os olhos do mesmo jeito e encarou Haeil.
— Deixe-me corrigir uma coisa. Não foi que eu escolhi não dormir. Eu não consegui.
— Por quê?
— Você realmente não se lembra do que disse?
Haeil inclinou a cabeça, piscando de forma fofa.
— Porque eu não estava lá?
— Sim.
Foi uma resposta muito curta, mas o bastante para derreter a expressão de Kwon Haeil.
Ele envolveu Kanghyeon nos braços de novo, ainda mais apertado do que antes.
— Ai, o que eu vou fazer com você, Baek Kanghyeon-ssi?! Você virou alguém que não consegue viver sem mim! Mas fico feliz com isso.
— Dá para não dizer coisas assim tão alto?
— E daí? Não estamos na Coreia.
Kanghyeon soltou um suspiro baixo e o empurrou. O abraço era tão forte que, mesmo empurrando com vontade, só criou uma pequena brecha. Ele se perguntava como Haeil sempre voltava ainda mais forte depois de um tempo separados.
— Mais importante, tem alguém que eu quero que você encontre.
— Hã? Alguém que você quer que eu encontre?
Os olhos de Kanghyeon se curvaram levemente quando ele viu Lee Joohoon se aproximando por trás de Haeil. A mistura de confusão e incredulidade em seu rosto era digna de ver.
— Seu amigo, Kwon Haeil-ssi.
— Do que você está falando? Amigo……?
Haeil ainda parecia intrigado quando Lee Joohoon parou bem atrás dele.
— Haeil-ah.
— Puta merda, que susto do caralho!
Assustado com o chamado inesperado de seu nome, Haeil se virou bruscamente. Manteve uma mão segurando firmemente a de Kanghyeon.
— Quê…? Lee Joohoon?
A julgar pelo choque que tomava seu rosto, ele claramente não esperava encontrá-lo ali.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna