Alphega — Extra 19
CAPÍTULO 139
História Paralela 19
Lee Joohoon fez um leve aceno com a cabeça e se acomodou no banco ao lado de Kanghyeon.
— Também estou hospedado neste resort.
Sua voz era tão gentil quanto quando se cumprimentaram no avião. Provavelmente era a máscara educada que ele usava em público, do tipo que caía assim que uma conversa passava de alguns minutos.
Lee Joohoon pediu o mesmo coquetel ao bartender que se aproximou.
Logo um Negroni coberto de sementes de romã, algo longe do padrão, foi colocado diante dele também.
Depois de provar, os olhos de Joohoon se iluminaram. Parecia ter gostado, tomando mais um gole antes de finalmente pousar o copo.
— O senhor disse que era sua primeira vez nas Maldivas, certo? O que achou do resort? Ah, talvez seja cedo demais para perguntar, já que o senhor não está aqui há muito tempo.
Seu tom continuava suave. Na superfície, soava como uma pergunta genuína sobre o resort.
— É aconchegante e confortável. O leve som das ondas também foi agradável.
— A maioria dos hóspedes que chega à noite diz algo parecido. Quando o sol nasce, todos começam a falar do mar.
Kanghyeon se deteve numa palavra que o incomodou.
‘Hóspedes…….’
Percorreu o bar com os olhos e então desviou o olhar para o gerente, que os observava atentamente.
— Então aquela conversa sobre ter um pequeno negócio era só modéstia. Como alguém poderia chamar de pequeno um resort de luxo desse porte?
Diante das palavras de Kanghyeon, Lee Joohoon estremeceu com visível surpresa.
— Como o senhor……?
— O fato de o senhor estar sentado bem ao meu lado é uma pista bem grande.
Lee Joohoon aparecera quase imediatamente depois que Kanghyeon chegou ao bar, como se estivesse esperando.
Perguntara sobre o ‘resort’ em vez de sobre as Maldivas, e se referira aos visitantes como ‘hóspedes’.
O gerente do bar não parava de lançar olhares preocupados.
Era o bastante para montar o quebra-cabeça.
Lee Joohoon claramente administrava um negócio de resorts, transitando entre a Coreia e as Maldivas.
‘Estrangeiros não podem comprar terras nas Maldivas. Ele provavelmente opera por meio de uma empresa local.’
Com esse pensamento, Kanghyeon ergueu seu Negroni. Seus olhos tinham ficado gélidos.
— Mas, mesmo que o senhor seja dono do resort, monitorar os movimentos de um hóspede VIP passa dos limites.
Quem gostaria de ser vigiado em férias destinadas ao descanso?
Baek Kanghyeon era um VIP de longa estadia no quarto mais exclusivo do resort. Se ele fizesse disso um problema, Lee Joohoon se veria numa posição muito constrangedora.
Só então a expressão de Lee Joohoon se fechou.
— Peço desculpas se o deixei desconfortável. O que aconteceu no avião ficou me incomodando…. Eu queria uma chance de me desculpar adequadamente.
— Não precisa se preocupar com isso. Como o senhor é amigo de Kwon Haeil-ssi, vou deixar passar desta vez.
Lee Joohoon baixou o olhar com o rosto rígido. Só voltou a falar depois que mais da metade do Negroni de Kanghyeon tinha acabado.
— O senhor não pergunta nada. Se fossem mesmo um casal, teria de estar curioso sobre o passado um do outro.
— Como eu disse, se houver algo que eu precise saber, pergunto diretamente a Kwon Haeil-ssi. Não preciso necessariamente ouvir do senhor.
Os olhos de Lee Joohoon se contraíram. Como se tivesse tomado uma decisão, ele finalmente ergueu a cabeça e olhou diretamente para Kanghyeon.
— Então perdoe minha ousadia, mas permita-me divagar um pouco por conta própria.
Ele respirou fundo.
— Sinceramente, fiquei chocado quando soube que Haeil se casou com o senhor, senhor Baek. Era tão diferente do Haeil que eu conhecia.
— Não sei se o senhor sabe, mas Haeil sempre foi teimosamente consistente quanto ao que gosta. Ele preferia Ômegas pequenos e fofos, que cabiam perfeitamente nos braços dele.
Kanghyeon não ofereceu réplica.
Ele já sabia algo sobre as preferências de Kwon Haeil antes de se conhecerem. Mesmo no primeiro encontro deles, os Ômegas que se aproximavam de Kwon Haeil no clube eram todos miúdos e bonitos.
‘O completo oposto de mim.’
Kanghyeon ainda achava difícil acreditar que Kwon Haeil o escolhera.
Lee Joohoon claramente sentia o mesmo.
— Pelo que ouvi, o gosto dele não tinha mudado até o momento em que conheceu o Presidente Baek Kanghyeon através daquela colaboração do clube… mas será que o gosto dele mudou tão rápido assim?
Lá estava de novo.
Um espinho afiado escondido nas palavras de Lee Joohoon.
Era irritante o bastante para que Kanghyeon não pudesse mais ignorar.
— O que exatamente o senhor está tentando dizer?
Por que Lee Joohoon estava indo tão longe, trazendo à tona assuntos tão pessoais sobre Kwon Haeil?
Kanghyeon desejava que ele falasse às claras. Estava começando a sentir vontade de tirar o homem do caminho de vez.
Como se lesse sua mente, Lee Joohoon foi direto ao ponto.
— O senhor e Kwon Haeil estão realmente apaixonados?
Os olhos de Kanghyeon se arregalaram. Inúmeros pontos de interrogação pareceram flutuar em sua cabeça.
— O que… o senhor quer dizer?
— Exatamente o que parece. O senhor não parece alguém que ama muito o Haeil.
Por um momento, Kanghyeon quase deixou escapar: ‘Eu?’.
‘É assim que parece para os outros?’
Ele se sentiu um pouco injustiçado.
Mesmo em seus momentos mais ocupados, a primeira pessoa que ele procurava em qualquer tempo livre era Kwon Haeil. Sempre que viajava para longe a trabalho, escolhia pessoalmente presentes para ele, toda vez. Agonizara sobre cada detalhe da casa deles, a iluminação, o aroma da roupa de cama, tudo para agradar Kwon Haeil.
A essa altura, não conseguia passar um único dia sem começá-lo e terminá-lo com a presença de Kwon Haeil.
E ainda assim lhe diziam que ele não amava Kwon Haeil?
Se tivesse de classificar os momentos mais absurdos de sua vida, este entraria facilmente na lista.
Kanghyeon o encarou incrédulo. Lee Joohoon confundiu aquilo com ter sido atingido em cheio e continuou com confiança crescente.
— Digamos que o senhor não o ame. Mas, mesmo que seja um casamento de conveniência, forçá-lo a cortar todas as relações pessoais é demais.
Casamento de conveniência. Controle das relações pessoais.
Uma sequência de palavras ridículas.
Kanghyeon sentiu o desagrado subir além do mero absurdo e começou a responder com rispidez, mas parou. Notou a hostilidade que enchia os olhos de Lee Joohoon.
Um pensamento repentino o atingiu.
— Lee Joohoon-ssi… o senhor, por acaso, gosta de Kwon Haeil-ssi?
Lee Joohoon não demonstrou surpresa. Seus olhos apenas endureceram mais.
— Sim. Eu gostava do Haeil. Me declarei e fui rejeitado.
Ele mordeu o lábio inferior, quase zombando de si mesmo.
— Porque sou um Ômega que parece um Alfa.
***
Lee Joohoon conhecera Kwon Haeil no ensino médio.
Kwon Haeil brilhava aonde quer que fosse.
Era o aluno mais popular, um Alfa dominante admirado por todos os alunos com traços na escola.
Lee Joohoon, por outro lado, era um Ômega com o porte e a presença de um Alfa.
Ele se destacava do jeito errado para os dois lados, e as pessoas o tratavam como uma espécie de mutante.
Um distanciamento sutil e olhares ferinos eram rotina diária, às vezes escalando para bullying disfarçado de brincadeira. Até os Betas, que a princípio assistiam com interesse, acabaram se juntando aos portadores de traços para atacá-lo.
Mas esse tratamento injusto era tão familiar que Lee Joohoon não sentia vontade de revidar.
Fora tratado como mutante desde pequeno, então esperava passar pelo ensino médio do mesmo jeito. Se ficasse nas sombras, as coisas passariam. Sempre passavam.
Quem o puxou para a luz foi Kwon Haeil.
— Você é bom no violino, né? Então deve ser bom na guitarra também, já que os dois são de cordas.
Kwon Haeil o arrastara direto para formar uma banda na escola, precisando de um guitarrista e sem demonstrar nenhum traço de preconceito.
Fosse qual fosse o motivo, Kwon Haeil era alguém a quem ele era grato, que o tirara das sombras.
Querendo corresponder à confiança depositada nele com a guitarra, Lee Joohoon praticou noites a fio sem dormir por uma semana.
— Viu? Eu sabia que você ia ser bom.
Era o primeiro amigo que ele fizera, e a primeira pessoa a reconhecê-lo. Enquanto os outros corriam para derrubá-lo, só Kwon Haeil o via como ele era.
Não havia como ele não se apaixonar.
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Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna