Alphega — Episódio 93
Haeil, com o rosto perdido, entreabriu os lábios e depois olhou para o celular.
Era estranho.
Com certeza era o número de Baek Kanghyeon, e também sua voz, mas só aquela frase que acabara de ouvir parecia de outra pessoa. Era o quanto ele não conseguia entender o que tinha acabado de ouvir.
Haeil, com um sorriso sem graça, gaguejou:
— Ei, senhor Baek Kanghyeon? Não entendi bem o que… Desculpa, acho que ouvi alguma coisa errada, será que dá pra falar de novo…?
Mesmo pedindo para que repetisse, torcia para que ele não respondesse. Diferente da negação que seu coração ordenava, sua mente lembrava com clareza o que Kanghyeon havia dito.
Baek Kanghyeon, mesmo devendo ter percebido o quanto a voz de Haeil tremia, falou com frieza, como se não se importasse nem um pouco com isso.
— A gente já dormiu junto o suficiente, sendo os dois alfas.
Num instante, um arrepio gelado o percorreu, doendo até na espinha. A nuca ficou dormente, como se tivesse levado água fria na cabeça, e sua nuca latejou com uma pontada.
Para negar de novo, dizendo que tinha ouvido errado, a voz de Baek Kanghyeon era vívida demais.
Os funcionários da casa noturna, percebendo o clima, se calaram e ficaram atentos, cada um observando de canto de olho. Só de ver a mudança repentina no clima de Haeil, dava para perceber que algo estava terrivelmente errado.
A partir da atmosfera que envolvia tudo ao redor, a expressão de Haeil também foi se transformando aos poucos. De um rosto frio, sem nenhum resquício de sorriso, escorria uma aura assassina sinistra.
— Senhor Baek Kanghyeon, sabe direito o que está dizendo agora?
Será que ele realmente queria parar de vê-lo?
Aquelas palavras, dizendo que, sendo os dois alfas, deviam parar por aí e encerrar as coisas — será que vinham mesmo do coração de Baek Kanghyeon?
Haeil, com o estojo de acessório na mão, se levantou.
— Onde você está? Vamos nos encontrar e conversar.
— …
Fez-se um silêncio, como se ele estivesse se preparando para dizer uma última frase, de verdade destinada a encerrar tudo.
Sem conseguir esperar em silêncio, Haeil gritou de repente:
— Não sei o que você está pensando, mas…!
Antes mesmo que a frase se completasse, a voz de Baek Kanghyeon o interrompeu.
— Foi divertido enquanto durou.
Aquela frase, curta a ponto de ser desoladora, foi a última.
Do outro lado do celular, não se ouvia mais nenhum som.
Mesmo sabendo que a ligação havia sido encerrada, Haeil ainda mantinha o celular junto ao ouvido.
— Senhor Baek Kanghyeon…? Baek Kanghyeon…
Haeil, chamando o nome de Kanghyeon repetidas vezes, encarou o celular com o rosto tomado de confusão e ansiedade. Ligou às pressas para o mesmo número.
— O aparelho está desligado. Após o sinal…
— O aparelho está desligado…
— O aparelho está…
Tentou ligar várias vezes, mas a mensagem que voltava era sempre a mesma.
Só então Haeil conseguiu remoer, de novo, a breve conversa que tivera com Kanghyeon.
— …O que é isso.
Haeil não conseguia entender aquela estranha sensação de perda que o havia atingido de repente. Todo tipo de sentimento se desfazia, e sua mente desmoronava de forma miserável, a ponto de ficar zonzo.
Uma emoção terrível, nunca sentida antes, parecia apertar sua garganta.
— Porra, o que é isso, caralho!
No momento em que gritou, deixando os sentimentos explodirem, ouviu-se um estalo — algo se quebrando em sua mão. Ao baixar o olhar, viu o estojo, deformado de forma lastimável pela força excessiva.
Olhando para aquele estojo, Haeil se lembrou, de repente, com que sentimento o havia preparado.
Kwon Haeil detestava profundamente o fracasso. Por isso, se fosse para fracassar, nem se dava ao trabalho de olhar para a coisa.
Alguém, olhando para ele assim, talvez o difamasse de várias formas — dizendo que era mais medroso do que parecia, que só buscava o sucesso, que não tinha espírito de desafio.
Ainda assim, Kwon Haeil não se importava. Sabia que, justamente por causa desse seu jeito de ser, sempre conseguira ter sucesso quando enfrentava algum desafio. Em outras palavras, se não tivesse certeza de que teria sucesso, nem tentava.
Por isso, também dessa vez, achava óbvio que teria sucesso. Fora justamente por acreditar que teria sucesso que, pela primeira vez, preparara até um objeto como aquele.
Ele mesmo sabia melhor do que ninguém que sentimentos Baek Kanghyeon nutria por ele.
Por isso, surgiu a dúvida.
Diante daquele aviso repentino de separação, como o de agora.
Só então sua cabeça, que ardia com um calor incontrolável, começou a esfriar um pouco.
‘Baek Kanghyeon não é do tipo de traçar limites de forma tão grosseira, assim.’
Mesmo que fosse verdade que seu coração se afastara e chegasse o momento de terminar, ele não cortaria a relação com apenas algumas palavras desse jeito. Pensando no jeito de ser de Baek Kanghyeon, ele teria, no mínimo, mantido a educação, e certamente acrescentaria um pedido de desculpas tão respeitoso que até deixaria o outro lado com pena.
Pensando assim, todas as palavras que Kanghyeon dissera, e sua voz fria, começaram a parecer estranhas.
Haeil, imerso em pensamentos, deu uma ordem ao gerente Park, que esperava tenso ao seu lado.
— Gerente Park, solte os garotos.
Diante da fala de Haeil, o gerente Park fez um sinal com os olhos para um dos seguranças por perto. Este, acenando com a cabeça em sinal de compreensão, virou-se para reunir os outros seguranças.
Haeil, soltando um suspiro profundo e passando a mão pelos cabelos na testa, continuou:
— Investiguem tudo: os lugares que Baek Kanghyeon frequentou recentemente, as pessoas com quem esteve. E também descubram como está andando o processo de sucessão.
— Entendido.
O gerente Park, aceitando a ordem sem questionar, com toda a educação, perguntou:
— E os caras do lado Baek Cheong que estavam lá fora, o que faço com eles?
Ao ouvir a fala do gerente Park, Haeil se lembrou de um carro estacionado perto da casa noturna. Era um carro estranho, com o vidro tão escuro que nem dava para ver quantas pessoas estavam dentro. Era também o carro que o seguira sem parar durante todo o tempo em que fora à joalheria.
Pelo modelo do carro, o grau do vidro escuro, a distância adequada para vigilância e os movimentos, era razoável supor que fossem parte do grupo que fazia a segurança de Baek Kanghyeon. O gerente Park também parecia ter percebido isso.
— Por enquanto, finja que não sabe. De qualquer jeito, parece que Baek Kanghyeon está agindo assim de repente por causa dessa gente.
Haeil, de bom faro, pensou que o motivo de terem, de repente, posto vigilância sobre ele e a declaração de separação de Kanghyeon estavam conectados.
Tinha vontade de agarrá-los ali mesmo e questioná-los sobre o que estava acontecendo, mas, no fim das contas, eles só estavam fazendo o que eram pagos para fazer. Mesmo que interrogasse os subordinados, não chegaria ao cerne da questão. Pelo relatório deles, o distanciamento com Kanghyeon poderia se aprofundar ainda mais.
Haeil apertou com força o estojo deformado. Ouviu-se um crac dentro de sua mão.
‘Parar de se ver? Por vontade de quem?’
Nos olhos afiados de Haeil, tremeluzia a última imagem de Baek Kanghyeon que ele havia visto.
Baek Kanghyeon, na saída do trabalho de ontem, com o mesmo lindo sorriso de sempre, dissera para ele, que ia sair, que tivesse uma boa ida. Disse também que hoje conseguiria sair do trabalho sem se atrasar muito, e sugeriu que jantassem juntos.
Pensava em, jantando juntos assim, dizer algo carinhoso pela primeira vez na vida, mas nunca imaginara, nem em sonho, que aquilo desabaria em pedaços daquele jeito.
Por isso, não conseguia ficar parado.
‘Acha que eu vou deixar assim, dócil?’
Precisava descobrir, com as próprias mãos, o que tinha feito Baek Kanghyeon dizer aquilo.
˚˚˚
— Foi divertido enquanto durou.
Kanghyeon, na trilha fora do hospital, longe dos olhos da equipe de segurança, encerrou a ligação com essa frase. Assim que confirmou que a chamada tinha sido cortada, desligou o celular na hora.
Só depois que a tela, antes brilhante, ficou completamente preta, percebeu que estava com as mãos tremendo.
‘Eu disse.’
Kanghyeon olhou para o próprio reflexo na tela apagada do celular. Não tinha dito mais que algumas frases, mas seu rosto estava tão arrasado que parecia alguém à beira da morte.
‘Provavelmente… ele ficou magoado.’
Kanghyeon, lembrando-se da voz de Haeil que ouvira há pouco, fechou os olhos com força.
A voz de Haeil, diante daquele aviso repentino, tremia tanto quanto suas próprias mãos. Sua voz, que carregava até uma aura assassina, como se estivesse extremamente irritado, ainda cravava dor em seu peito.
Mas não havia como evitar.
Não tinha tempo, então precisava fazer isso naquele instante.
Naquele momento, as pernas de Kanghyeon perderam força e cederam.
— Hyung!
— Diretor-Geral!
Taerim e Wonwoo, que observavam a ligação de Kanghyeon a uma certa distância, correram apressados. Os dois amparam juntos Kanghyeon, que quase caiu sentado, olhando preocupados para seu rosto pálido.
Kanghyeon, dizendo que estava bem, entregou a Wonwoo o celular que tinha na mão.
— Confirme se a ligação de agora foi gravada direito e relate ao meu pai. Diga que a relação com Kwon Haeil foi encerrada.
Wonwoo disse que entendia e pegou o celular pessoal de Kanghyeon.
Com esse celular, as únicas pessoas com quem Kanghyeon trocava contatos pessoais, além de seus três irmãos mais velhos, eram Seong Taerim e Kwon Haeil.
Como o conteúdo das ligações era gravado e salvo automaticamente, tudo o que já haviam conversado estava ali. Felizmente, entre o que trocaram por esse celular com essas duas pessoas, não havia nada de perigoso.
Por isso, Kanghyeon decidiu usar esse celular como uma espécie de prova.
Prova importante de que ele e Kwon Haeil, embora tivessem, sim, tido uma relação pessoal, agora estava completamente encerrada.
O rosto de Haeil ficava tanto na sua cabeça que quase o deixava tonto. Apoiou a cabeça, que parecia ter ganhado febre de repente. As mãos, geladas como gelo pela tensão e ansiedade excessivas, esfriaram um pouco o calor de sua cabeça.
Kanghyeon, lembrando-se da equipe de segurança e vigilância que, dali de onde estava, não conseguia ver, pensou:
‘Mas eles vão continuar vigiando eu e o Kwon Haeil por um bom tempo. Talvez o Kwon Haeil já esteja sendo vigiado também.’
Só de pensar que Kwon Haeil, por sua causa, estaria sendo vigiado por pessoas estranhas, o peito voltou a doer de forma sufocante.
— Na verdade, eu também tenho algo pra falar, que bom.
O que Kwon Haeil quisera dizer naquele momento?
Será que teria sido melhor ouvir aquilo antes de falar?
Talvez fosse algo que ele nunca mais voltasse a dizer.
— Senhor Baek Kanghyeon, sabe direito o que está dizendo agora?
Será que isso tinha sido o melhor caminho?
Será que não havia mesmo outro jeito?
Não haveria uma forma mais razoável de resolver a situação sem machucar Kwon Haeil?
Quanto mais remoía as palavras de Haeil, mais um arrependimento incontrolável vinha como uma onda enorme.
— Hyung…?
Kanghyeon, virando a cabeça ao chamado de Taerim, percebeu, com atraso, uma umidade quente escorrendo pelo rosto. Num instante, sua visão ficou tão embaçada que nada mais se distinguia, e as lágrimas começaram a cair sem parar.
Ao mesmo tempo, o rosto de Kanghyeon, que mal se sustentava até então, desmoronou de uma vez.
⊱✿⊰ ─── Α · Β · Ω ─── ⊱✿⊰
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna