Capítulo 97
Capítulo 97
A coleta de evidências começou a partir do navio que chegara ao Cais de Oseong. A polícia, que esperara em terra firme, empilhava a montanha de drogas de manifestação de curto prazo que não parava de emergir. Em seguida, os membros algemados da facção da Dongyang foram transferidos para as viaturas policiais, e as ambulâncias carregavam os feridos.
Representantes da Jingang Maritime, que haviam corrido para lá após receber o chamado, também estavam misturados no meio deles, suando frio em pleno inverno enquanto tentavam gerenciar a cena. O navio fora atracado e toda a carga fora confiscada. A expressão do gerente encarregado, que fazia ligações freneticamente para todos os lados em meio aos policiais desconhecidos de Daejeon, era de puro terror. Jornalistas que vieram de Seul, tendo descoberto a notícia de alguma forma, já haviam até começado a cobertura.
Marvin, que desembarcara do navio de patrulha da Guarda Costeira, esperava brevemente perto de uma ambulância. Dissera-se a ele múltiplas vezes que deveria passar no hospital para um check-up por precaução, mas ele recusara firmemente.
O paramédico que retornara bem no momento certo, após o contato íntimo e caloroso de Marvin com Jang Jin-woo, tomara sua temperatura e ficara surpreso. Ele até dissera que a recuperação de Marvin era notável. Não parecia que haviam sido pegos no flagra, mas Marvin, sentindo-se culpado, mantinha suas palavras ao mínimo.
Marvin soltou uma baforada de ar frio, olhando para as calças de moletom que revelavam seus tornozelos. Sua cabeça parecia um pouco pesada. Um socorrista da ambulância entregou alguns remédios a Marvin.
— Tome estes e descanse bem. Se sentir muita tontura ou algo assim, você deve ir ao hospital. Pode não ser apenas um resfriado.
— Como devo devolver as roupas e a manta?
— Você pode apenas ligar para este número quando tiver tempo mais tarde e trazer de volta.
Ele entregou um cartão de visitas. Marvin vestia apenas um conjunto fino de roupas de treino, sem nem mesmo roupas íntimas, coberto por uma única manta. Sua condição não era das melhores, mas não estava ruim ao ponto de ir para o hospital. Parecia que ele ficaria bem se apenas descansasse profundamente, como sugerido.
Após se despedir do paramédico, Marvin olhou ao redor à procura de Jang Jin-woo. Sua própria aparência estava um caos, então pretendia dizer que iria para casa primeiro. Ele localizou Jin-woo facilmente em meio à multidão ao longe, gerenciando a cena. Havia ainda mais investigadores à paisana agora. Todos tinham expressões coradas e animadas enquanto se moviam, tirando fotos das evidências sem parar.
Parece que toda a equipe da Promotoria de Oseong foi mobilizada. Ou é só minha imaginação?
Marvin zombou internamente e assistiu à comemoração privada deles.
— Oh, você está a salvo. Você está bem?
Ele se virou ao som da voz de alguém. O Investigador Kim Ho-seok avistara Marvin e se aproximara. Eles haviam se encontrado apenas algumas vezes, mas talvez por terem trabalhado em uma operação juntos, ele se sentia sutilmente satisfeito em vê-lo. Sentia até um sentimento de camaradagem não dita.
— Estou bem. Parece que o senhor também está bem, Investigador. É um alívio. E a operação foi um sucesso.
— Um sucesso? Foi uma grande bolada! Nesse ritmo, eu não ficaria surpreso se o nosso promotor for chamado de volta para Seul imediatamente. Hahaha.
Ele riu e repetiu “40 bilhões, 40 bilhões!” várias vezes. Marvin sorriu junto, concordando, mas murmurou para si mesmo:
Ele não pode ir embora ainda.
Ele se jogara para ajudar na prisão porque julgara que isso em última análise o beneficiaria também. Para descobrir a verdade por trás das drogas de manifestação de segundo estágio, ele precisava seguir a pista de baixo para cima. Mas ouvir tal conversa o deixou em um estado de espírito estranhamente inquieto. Para ele, aquilo era apenas o começo, mas os objetivos de Jang Jin-woo já pareciam estar se materializando.
Olhando para as costas de Jin-woo no meio da multidão, Marvin foi pego por um sentimentalismo desnecessário. Estava ao mesmo tempo satisfeito e ansioso pelas vitórias sucessivas de Jin-woo.
— Você por acaso tem um cigarro?
— Um cigarro? Oh, só um momento. Um cigarro…
O investigador esticou o final de suas palavras como se estivesse cantando enquanto procurava nos bolsos aqui e ali. Ele não conseguia esconder seu bom humor. Felizmente, restavam-lhe alguns cigarros. Marvin pediu um e acendeu, dando uma tragada profunda. O gosto estava especialmente bom, talvez porque ele acabara de passar por uma provação física.
Enquanto ele soltava a fumaça nebulosa do cigarro, Jang Jin-woo se virou para olhar na direção deles no momento exato. Seus olhos se estreitaram ligeiramente como se estivessem focando e, ao avistar Marvin parado com o investigador, caminhou lentamente até eles.
Apesar do tempo frio, todos os botões de seu sobretudo estavam abertos. Alfas se aproximando do rut tendem a sentir muito calor. Marvin se lembrou dos seus próprios dias de Alfa, que pareciam uma vida passada.
— As pessoas que dirigiram os caminhões não estão aqui.
Jang Jin-woo, que agora se aproximara dos dois, perguntou ao Investigador Kim Ho-seok.
— Sim. Parecia que levaria tempo, então eu os mandei para casa por enquanto. Peguei as informações de contato deles separadamente. Sss… Ah, aqui está.
— Verifique se eles são autônomos ou afiliados a alguma empresa e prepare-se para convocá-los como testemunhas. Junto com todas essas pessoas.
Jang Jin-woo entregou-lhe uma anotação. Ela listava os nomes do chefe do escritório do porto, fiscais sanitários do Ministério dos Oceanos e Pesca e outros servidores públicos. Sua determinação em reformular completamente a situação era evidente.
Terminada a conversa de trabalho, Jang Jin-woo voltou sua atenção para Marvin. Ele analisou lentamente a aparência de Marvin, envolto em uma manta e vestindo roupas de treino folgadas.
— Disseram que não tem problema não ir ao hospital?
— Sim. Só disseram para descansar bastante. Que posso pegar um resfriado.
— Certo. Então vá para casa e descanse primeiro.
Em seguida, ele tirou arbitrariamente o cigarro da boca de Marvin. Não houve tempo nem para Marvin reagir com um “Hã?”. Jang Jin-woo imediatamente sinalizou para o Investigador Kim segui-lo.
— Investigador, esteja preparado para virar noites a partir de hoje. Vamos dar entrada no pedido de mandado de busca e apreensão para a Jingang imediatamente. Você sabe quem é o juiz de plantão hoje?
— Ah… É o Juiz Kim I-ye hoje? Só um momento.
O investigador pegou o celular para checar algo. Assim mesmo, os dois deixaram Marvin sozinho e naturalmente voltaram os passos em direção à cena do crime. No meio do caminho, o Investigador Kim Ho-seok olhou para trás uma vez.
— A propósito, você mora com aquele seu amigo?
Diante de sua pergunta ouvida vagamente, Jang Jin-woo respondeu que eles moravam juntos.
— Ah, entendi.
Confrontado com sua atitude totalmente confiante, o Investigador Kim Ho-seok não pôde alimentar nenhuma outra suspeita e rapidamente mudou para outro assunto.
Tendo ouvido a conversa sem querer, Marvin ficou parado e observou as costas de Jang Jin-woo se afastando. Então é assim que vivem as pessoas que não têm medo de nada no mundo. Ele não esperava que ele simplesmente admitisse a coabitação abertamente. Porque ele não se importava nem um pouco com o que os outros pensavam, ele não despertava suspeitas.
Marvin caminhou lentamente até o estacionamento. Então olhou para trás mais uma vez em direção a onde Jang Jin-woo havia desaparecido.
Mesmo assim, com o rut se aproximando, está tudo bem ele ficar assim?
Claro, estava evidente que a situação atual era especial. Como ele dissera ao investigador, provavelmente teria que trabalhar durante várias noites. Comparando uma situação pessoal como um ciclo de rut com o trabalho, o trabalho parecia ter prioridade para ele.
Acho que ele tem supressores.
Marvin murmurou para si mesmo e entrou no carro. Segurando o volante, sentiu uma pontada de desgosto pelo cigarro tirado tão de repente por Jang Jin-woo. Pensou em parar em uma loja de conveniência no caminho para comprar um, mas desistiu, achando que não seria bom para o seu resfriado.
Dirigindo o carro de Jang Jin-woo, que esfriara, Marvin foi sozinho para o apartamento dele. Ao fazer isso, achou sua situação novamente ridícula. O carro, o apartamento, até as roupas que vestia… nada era seu. Ele ficava cada vez mais curioso para saber se haveria um fim para essa existência fantasmagórica.
Marvin aqueceu o corpo em um banho quente, depois pegou uma lata de cerveja na geladeira. Sentindo-se lânguido e derretido, deitou-se no sofá e fechou os olhos. Parecia ter cochilado por um momento, mas o som do código da porta de entrada sendo digitado o trouxe de volta à consciência.
Alguém abriu a porta. Marvin abriu os olhos e se sentou. O rosto de Jang Jin-woo apareceu através da porta interna aberta.
— Ah, pensei que você não conseguiria voltar hoje.
Depois de ouvir a conversa sobre virar noites, ele pensara que Jin-woo poderia nem voltar. Olhando para o relógio, passava da meia-noite. Jang Jin-woo largou-se no sofá onde Marvin estivera deitado, parecendo um pouco cansado. Em seguida, olhou para a lata de cerveja na mesa.
— Continuando a fazer coisas que fazem mal para o resfriado.
Assim mesmo, a cerveja também foi confiscada. Ele tomou a cerveja quase no fim de uma vez só e colocou a lata de volta na mesa. Ele se afundou no sofá. O frio de fora emanava de suas pernas e ombros onde se tocavam. Como Marvin pegara o carro, ele devia ter tido que esperar por um táxi esse tempo todo.
Jang Jin-woo estava de olhos fechados. Ele não estava dormindo. Marvin olhou em silêncio para seu rosto sereno e perguntou:
— A cena do crime já foi resolvida?
— Provavelmente. Eu também não fiquei até o fim; estou voltando da promotoria. Como não houve nenhum chamado em particular, deve ter sido encerrado.
— Eu vi jornalistas lá também. Vai ficar barulhento em breve.
Ele apenas assentiu concordando, ainda de olhos fechados.
— O senhor vai ficar ocupado, Promotor.
— De qualquer forma, isso é em uma escala grande demais para eu lidar com a acusação sozinho. Mais alguns promotores serão destacados… Mas, como você pode ver, minha condição atual não é das melhores.
Com uma respiração curta, ele abriu ligeiramente os olhos. Suas íris estavam mais claras do que antes. Nesse ritmo, seu rut provavelmente começaria amanhã de manhã. Não era da conta de Marvin, mas ele estava curioso.
— O senhor pediu licença?
— Ainda não.
Seu olhar, subindo para Marvin, continha uma intenção clara. Era uma pergunta sobre o que ele queria que ele fizesse. Jang Jin-woo tinha várias opções. Ele podia tomar supressores, ou podia contatar seu parceiro em Seul.
Mas ele viera para casa. Esse fato inquietou Marvin.
Deitado, Jang Jin-woo ergueu o braço silenciosamente e acariciou a bochecha de Marvin. A força de atração não era muito forte. Deixava espaço, como se dissesse para ele escolher por sua própria vontade. Era semelhante à situação que ocorrera ali um mês atrás. No entanto, Marvin sentia profundamente que a resolução que tomara consigo mesmo naquela época já havia ruído sem deixar vestígios.