Capítulo 91
Capítulo 91
— Espera, o navio está se movendo?
— Eles ficaram loucos?
A polícia e as autoridades que acabavam de chegar à doca ficaram atônitas. O navio de carga de 1.000 toneladas subitamente roncara vida afora, seus motores estrondando enquanto ele começava a virar a proa, afastando-se do píer.
— Ei, peguem as cordas! As cordas!
Alguns policiais do choque mais ágeis correram para a frente e agarraram as cordas de amarração, mas foi inútil. Os cabos já haviam sido afrouxados deliberadamente do convés, os nós se desfazendo até desaparecerem na água escura. Enquanto isso, as portas do compartimento de carga na popa haviam sido seladas, e o navio estava se distanciando da doca.
— Que diabo…
— Inacreditável…
A polícia, que correra para o local com as sirenes uivando, ficou com as mãos nas cinturas, suspirando de frustração. Eles vieram esperando uma prisão fácil, sem jamais imaginar que o navio simplesmente iria embora.
Mas a pessoa mais em pânico era o investigador Kim Hoseok, que esteve operando os controles da rampa. Ele só pretendia isolar o navio temporariamente para atrasar o descarregamento, nunca esperando por isso. Perder as drogas era uma coisa, mas Marvin ainda estava naquele navio.
— Isso é ruim.
Ele murmurou, pegando o celular. Jang Jin-woo estava em outra chamada. Urgente demais para esperar, ele enviou uma mensagem de texto rápida. Nesse momento, ouviu alguém por perto praguejando alto.
— Esses desgraçados acham mesmo que podem debochar da polícia coreana?
Ele olhou para cima e viu o comandante do esquadrão do choque parado ali, espumando de raiva.
— Chame o capitão pelo rádio! E liguem para a empresa de navegação, tragam alguém aqui agora! Detenham todos nesta doca! Quero documentos, depoimentos, tudo!
A frustração era compreensível. Eles haviam deixado o navio escapar bem diante de seus narizes. A doca virou um caos enquanto a tripulação e os trabalhadores do porto que já haviam desembarcado eram encurralados um a um. Entre eles estavam os motoristas de caminhão que eles haviam convencido a cooperar.
Nenhum dos dois parecia feliz. Eles sabiam que a carga era suspeita, mas concordaram em transportá-la de qualquer maneira. Se a polícia investigasse a fundo, eles não teriam defesa.
O investigador Kim Hoseok apressou-se até eles. Ele e Marvin haviam feito uma promessa ao convencê-los a cooperar: se eles entrassem no jogo, seriam tratados como informantes voluntários. Ele não podia simplesmente abandoná-los agora.
— Bom trabalho, oficiais. Estes senhores nos relataram a situação mais cedo. Eles têm sido muito cooperativos.
— Ah, Investigador!
Os motoristas se animaram ao ver o rosto familiar. Kim Hoseok assentiu para eles antes de se voltar para a polícia.
— Estes homens foram os primeiros a denunciar o problema para nós. Eles estão ajudando na investigação.
— Exato! Nós contamos tudo a eles assim que descobrimos que eram da Promotoria!
Na empolgação, eles erraram a ordem dos fatos. Kim Hoseok corrigiu os detalhes rapidamente.
— Não exatamente. Vocês denunciaram primeiro, lembram? Voluntariamente.
— Hã? Ah, claro! É, nós entramos em contato com você primeiro. Isso mesmo.
Era uma encenação frágil, mas eles não tinham escolha a não ser entrar na onda. A polícia lhes deu um olhar cético enquanto checava suas identidades. Kim Hoseok assentiu de forma reconfortante para os motoristas ansiosos, sinalizando que tudo ficaria bem.
— De qual Promotoria você disse que era?
A pergunta do policial fez Kim Hoseok se virar. O PM ainda estava ocupado cruzando os números das placas, sem se dar ao trabalho de olhar para cima.
— Promotoria do Distrito de Oseong, Divisão Criminal.
— Da equipe do Promotor Jang Jin-woo?
— Sim, exatamente.
O policial usou o rádio. — Líder de Equipe, encontrei o cara daquela promotoria. — O relato indiferente foi respondido com um estalido e uma resposta ríspida: — Mande ele entrar. — O policial encarou Kim Hoseok, esperando que ele se movesse. — Pode ir entrando.
Que garoto mimado.
Kim Hoseok ignorou a atitude desnecessária e deu um tapinha reconfortante no ombro dos motoristas antes de sair.
Ao se aproximar da administração do porto, viu o esquadrão do choque aglomerado, com os narizes vermelhos por causa do vento marítimo cortante. A atmosfera ainda era de caos. Eles haviam garantido o local, mas estavam claramente sem saber o que fazer em relação ao navio que escapara.
Lá dentro, o comandante do esquadrão do choque e os detetives da Agência Policial de Daejeon se voltaram para olhar para ele assim que ele entrou.
— Venha aqui e explique a situação.
Eles pularam as cordialidades e foram direto ao ponto, como se ele fosse um suspeito. Kim Hoseok não teve escolha a não ser dar um resumo conciso. A expressão do comandante se contorceu em irritação.
— Então você está me dizendo que ainda há um civil naquele navio?
— Bem, não exatamente um civil, está mais para um amigo do promotor. Estávamos apenas tentando ganhar tempo em uma situação apertada.
— Um amigo do promotor? Isso é um cargo oficial agora?
Os detetives deram risadinhas entre si. O rosto de Kim Hoseok endureceu diante da grosseria repetida.
— Não, não foi isso que eu quis dizer. Ele foi o primeiro a receber a denúncia dos motoristas de caminhão. Como não podíamos reportar oficialmente à Delegacia de Polícia de Oseong, ele estava nos ajudando do jeito dele. Mas temos mesmo tempo para isso? Não deveríamos estar lançando um barco para persegui-los agora mesmo?
Por que aquelas pessoas estavam agindo de forma tão arrogante? Debochando dele, olhando-o de cima: achavam que podiam simplesmente descartá-lo só porque ele era de uma comarca do interior? Sua frustração era palpável.
O comandante, percebendo a tensão no rosto de Kim Hoseok, soltou um comentário desdenhoso.
— Já estamos em contato com a empresa de navegação. É uma embarcação de bandeira coreana. Para onde eles vão fugir?
— Mas nós não temos tempo! Quando o sol nascer e encontrarmos aquele navio em águas chinesas, todas as provas terão sumido! Qual é o sentido de pegá-los depois? Ah, Promotor! Aqui!
Kim Hoseok, exasperado, de repente avistou um rosto familiar. Jang Jin-woo estava entrando na administração do porto, ainda em seu terno alinhado, como se tivesse vindo às pressas de uma reunião importante. Sua expressão era sombria. Ele devia ter lido a mensagem de Kim Hoseok e compreendido a situação. O comandante o reconheceu e estendeu a mão primeiro.
— Você é quem ligou mais cedo? Sou o Oficial Kwak Jongsoo, da Agência Policial de Daejeon.
Jang Jin-woo olhou para a mão estendida antes de dar um aperto breve.
— Promotor Jang Jin-woo, da Promotoria do Distrito de Oseong. O senhor já foi informado da situação?
— Sim. Como pode ver, o navio escapou. Há algo de estranho nisso, mas o representante da empresa de navegação está a caminho.
— Envie uma embarcação de patrulha da Guarda Costeira.
A exigência imediata de Jang Jin-woo fez o comandante franzir a testa, esfregando a sobrancelha em hesitação.
— Bem… isso não é algo que possamos decidir por conta própria. Precisamos avaliar a situação e reportar aos nossos superiores primeiro.
— O senhor precisa avaliar mais alguma coisa? Eles ouviram as sirenes da polícia e viraram o navio imediatamente. Solicite o apoio da Guarda Costeira. Precisamos agir rápido se quisermos pegá-los antes que cruzem para águas internacionais. Investigador, venha comigo.
Jang Jin-woo ignorou a hesitação do comandante como se não houvesse mais nada a discutir. Ele então conduziu Kim Hoseok para fora.
O comandante ficou olhando para eles, perplexo. O que foi aquilo? O desrespeito flagrante de Jang Jin-woo pela autoridade dele o deixara sem palavras. Kim Hoseok segurou um sorriso de canto. Finalmente alguém que coloca esse cara no lugar dele.
Do lado de fora, Jang Jin-woo perguntou imediatamente sobre o paradeiro de Marvin. Kim Hoseok começou a explicar a situação em detalhes. Enquanto ouvia, a expressão de Jang Jin-woo ficava cada vez mais preocupada.
Uma rajada de vento os açoitou, castigando seus rostos. O tempo estava piorando a cada minuto.
— De qualquer forma, esse seu amigo… ele tem nervos de aço, é ex-forças especiais ou algo assim. Bolou estratégias na hora. Mas está sozinho, e isso é perigoso. Chamar a Guarda Costeira foi a decisão certa.
Jang Jin-woo não disse nada. Ele tirou o celular do bolso do sobretudo e ligou imediatamente para Marvin. Sem resposta. Tentou mais duas vezes, mas ainda assim não houve retorno. Ele soltou um suspiro curto.
— Você confirmou as mercadorias?
— Sim. Supressores de curto prazo, embalados em sachês. 10 toneladas no total, valendo cerca de 40 bilhões de won.
— 40 bilhões?
O rosto de Jang Jin-woo mostrou um vislumbre de surpresa. Marvin lhe dissera que eles estavam tentando desovar tudo, mas não esperava que fosse nessa escala. Ele soltou uma risada seca, como se tivesse acabado de ser pego de surpresa da melhor maneira possível.
Nesse momento, um policial veio correndo de longe em direção ao escritório.
— Líder de Equipe! Tem uma pessoa no porta-malas de um carro! Devemos chamar uma ambulância? O estado dele é grave!
O relato atraiu o comandante para fora. Jang Jin-woo e Kim Hoseok também voltaram a atenção naquela direção.
⚖ ─── 𝛂 · β· Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello