Capítulo 121
Oh Jae-yeong estava se arrependendo tarde demais.
No final, tinha terminado por romper a regra de não ter contato com pessoas externas durante um mês.
Claro que, desde o princípio, não era isso o que tinha em mente. Só tentou “provocar” um pouco porque gostava que o chefe Kim lhe prestasse atenção, mas quando ele insistiu que queria vê-lo de novo, sua cabeça deu um nó e acabou por lhe dar seu endereço.
Pensou que não passaria nada, mas apenas recebeu a mensagem de que ele já estava quase chegando, voltou a recuperar o sentido da realidade.
Estou ferrado.
Às pressas mudou o lugar do encontro para um café do bairro, mas inclusive isso lhe dava má impressão. A Oh Jae-yeong só era permitido caminhar pelos arredores do centro ou comer em algum restaurante próximo. Não só era proibido trazer pessoas de fora, como também era encontrar-se com desconhecidos e falar com eles, segundo o contrato. Tinham-lhe explicado que não devia ter nenhum tipo de relação sexual até que seus genitais modificados se manifestassem por completo.
Bom, se não transar basta, não?
Não é como se fossem para a cama de imediato. Só ia ver alguém que conhecia, o quão grave podia ser? Seja o que for, enquanto se comportasse dentro dos limites do senso comum, tudo estaria bem.
Oh Jae-yeong tratou de se acalmar enquanto passava as mãos pelo rosto com força, como se enxugasse com raiva. De todos os modos, tinham-lhe dito que só tinha que aguentar mais um mês para poder sair do centro. E uma vez fora, planejava escolher com cuidado sua primeira parceria sexual como ômega.
Como tinha se tornado meio famoso por um vídeo que postou nas redes sociais, sabia que choveriam idiotas tentando se aproximar. Já tinha recebido várias mensagens de pessoas jogando indiretas para se verem.
Ainda assim, se fosse possível, queria se deitar primeiro com o chefe Kim.
Por isso, como se supunha que ia ignorar suas mensagens? Ele foi quem entrou em contato primeiro, dizendo que estava preocupado, que queria vê-lo.
Com certeza foi porque antes de entrar no centro ele lhe tinha feito uma ligação estranha, sabia disso, mas ainda assim, não podia deixar passar a oportunidade. Pensou que se mantivesse a relação de alguma forma, poderiam se ver de imediato assim que saísse de lá. Essa foi sua forma de raciocinar, e fazia sentido dentro de tudo.
Oh Jae-yeong tentou conter essa mistura estranha de nervos e emoção, e deu um gole no café que tinha à sua frente.
Foi então que viu entrar dois homens no café automático. Assim que reconheceu o rosto do que ia à frente, soltou uma tosse e baixou de golpe a xícara de cerâmica.
Ah, merda… Definitivamente foi uma boa ideia mandar mensagem para ele.
Era justo o seu tipo, sempre que o via.
Não era só porque era bonito. Seu porte era esbelto mas tinha uma forma física muito boa, e sobretudo, esse tom com o qual soltava de repente suas frases… ele adorava.
Talvez porque todos têm mais ou menos o mesmo olho para estas coisas, o hotel estava cheio de caras que tentavam se aproximar dele. Sempre os tratava com frieza para não ir com a maré, mas na realidade, Oh Jae-yeong era quem mais interessado estava em Marvin.
Por isso, ainda mais, emocionava-o pelo fato de ter se tornado alguém com quem Marvin se contatava a título pessoal. Além disso, agora ele era um ômega. Tinha ouvido que entre os disformes era mais fácil se deitar do que uma noite de sexo casual entre não disformes, então, se se vissem algumas vezes, não terminariam na cama logo?
Oh Jae-yeong juntou as mãos diante da boca, cobrindo com elas seus lábios que tinham se aberto sem querer pela emoção, em uma tentativa de acalmar seu peito acelerado. Nesse momento, Marvin se aproximou e se sentou à sua frente. Estava a ponto de cumprimentá-lo com entusiasmo quando, de repente, alguém mais se sentou também.
Eh?
Oh Jae-yeong o olhou desconcertado, sem entender nada, e se voltou para Marvin.
— O que foi? Você não ia vir sozinho, chefe Kim?
— Nos encontramos no caminho. Também não é como se vocês não se conhecessem, então pensei em ver vocês juntos.
Sem entender do que falava, olhou fixamente o rosto do homem que acabava de se sentar. Mas não tinha nem ideia de quem era.
Woo Hyeon-woo soltou um breve suspiro ao ver que Oh Jae-yeong não o reconhecia. Era um encontro algo incômodo para explicar com suas próprias palavras. E, além disso, acaso Oh Jae-yeong não tinha passado por uma situação humilhante justo diante deles? Enquanto hesitava se dizia ou não, Oh Jae-yeong espremeu os olhos e começou a examiná-lo de cima a baixo.
— Você mora em Oseong? Trabalhou em Daegyeong?
— Eh? Não, não, não é isso…
Era compreensível que não lhe viesse o rosto de imediato: aquela noite tinha sido escura e caótica. Woo Hyeon-woo desejou que ele não se lembrasse nunca, mas por desgraça, o rosto de Oh Jae-yeong começou a se contorcer.
— Agora que estou vendo, me é familiar. Sss… Ah, o que é? Você me conhece?
— Mais do que conhecer… ou seja…
— Oh, espere um momento. Não me diga que…?
Woo Hyeon-woo esticou os lábios para o centro de sua face e fechou a boca com uma expressão tensa. Já chegou o inevitável.
— Esse… entre os idiotas que estavam na loja do abrigo, o que tinha uma pinta na bochecha… Sim, o que tirou a foto. É você, não é? Eh?
Oh Jae-yeong franziu a testa enquanto tentava alcançar essa lembrança repentina.
— Ah, merda! Sim, você é esse desgraçado! Porra, isto sim é absurdo. O que é isto, uma armadilha? Ei, chefe Kim, você o trouxe sabendo disso tudo? Este maldito me bateu e tirou fotos minhas e tudo, sabe?! E você, com que cara vem até aqui?! O que, agora, o que planeja fazer?
Diante da crescente hostilidade de Oh Jae-yeong, cuja voz ia subindo de volume, Woo Hyeon-woo olhou para Marvin com um apuro evidente. Mas Marvin simplesmente escutava a conversa entre os dois sem mostrar a menor intenção de intervir. Não lhe restava mais remédio do que começar a se justificar, como podia, pela metade.
— Ou seja, no final tudo saiu bem, não é? Você ativou seu traço e tudo. E além disso, depois nós te passamos a ligação do cliente e você mesmo disse que faria. Você estava chorando e tudo, dizendo: ‘Muito obrigado’, já se esqueceu…?
Woo Hyeon-woo resmungava enquanto tentava reconstruir a situação de então.
— Ei, isso é uma coisa! Mas igual você me viu todo aquele dia. E isso sim eu tenho que te cobrar, filho da puta!
Oh Jae-yeong não conseguia acalmar sua raiva, e seguia encurralando Woo Hyeon-woo a ponto de insultos. Então, Woo Hyeon-woo, que tinha estado se segurando como podia, devolveu o golpe.
— Por que você continua me xingando? E saiba que eu também não queria ver você todo, viu?! Foi um incômodo profissional, entende?! Também foi traumático para mim, tá?!
— O que você disse, desgraçado…?
— E pare de gritar, tá?! Já naquela época você era assim. Por que sempre grita como se tivesse engolido um megafone? Está tentando anunciar sozinho que fez papel de bobo?
— E daí? O que importa se não tem mais ninguém aqui além de nós? Além disso, entre o chefe Kim e eu não tem problema em falar destas coisas.
— Nem que fossem um casal, por mais que você diga. Dá para ver que é só você o único caidinho.
— Seu filho da puta… Como se só porque pode falar, tudo o que você diz estivesse certo…
Oh Jae-yeong se mexeu no assento como se fosse se levantar de imediato, mas não foi capaz de ir mais além. Tendo o envolvido justo à frente, não podia inventar que estavam saindo nem se quisessem.
Apertou a mandíbula com força e virou bruscamente a cabeça, como dizendo que ia deixar passar essa. Woo Hyeon-woo, por sua vez, também se calou, como se não tivesse intenção de continuar provocando.
Parecia que aquele escândalo entre os dois por fim estava se acalmando. Com o ambiente mais tranquilo, Marvin lançou um olhar lento ao interior do café.
Tal como tinha dito Oh Jae-yeong, apesar de ser fim de semana, o lugar estava completamente vazio. Apenas passavam carros pela rua, e tampouco se via quase nenhum pedestre. Como se alguém tivesse se encarregado de limpar a área de propósito, ninguém parecia prestar atenção naquele lugar.
Marvin observou em silêncio uma das câmeras de segurança instaladas no café sem funcionários, depois voltou a focalizar a frente. Então, olhando para Oh Jae-yeong — que continuava visivelmente chateado, bufando —, perguntou-lhe:
— Aquele dia… quem te ligou para você ir?
— Eh? Uma ligação? Ah… foi quando fui a Dongyang e me deram um remédio forte. Havia um cara que me fez um exame corporal, lembra? Ele foi o que me ligou. Me disse que o subdiretor Heo tinha algo a fazer, que só tinha que ir pegar o pacote com alguém que o ajudava com recados.
Seu rosto, que tinha se acendido antes, pareceu se acalmar por um momento, mas em seguida voltou a se acender pela emoção.
— Mas o lugar era esquisitíssimo. Merda, para essas coisas eu tenho um pressentimento que nunca falha. Quando cheguei, estava este cara. Por isso foi que liguei para o chefe Kim. Fiquei com medo. Você… aquele dia desligou e veio me procurar?
— Sim. Inclusive fiz uma denúncia de desaparecimento na polícia.
— Sério?
De repente, as narinas de Oh Jae-yeong se alargaram e seus lábios se curvaram para dentro. Parecia realmente contente de saber que alguém tinha se preocupado com ele. Até esfregou o espaço entre o nariz e a boca, murmurando: Sério que você fez isso? Que pena, então.
Woo Hyeon-woo, que observava a cena em silêncio, soltou uma risada incrédula. Dizendo que ia pegar um café, levantou-se de seu assento, e Marvin voltou a lançar outra pergunta a Oh Jae-yeong.
— Então, aquele dia você tomou o medicamento e veio até aqui? E continuou tomando depois?
— Eh… sim. E cerca de uma semana depois, comecei a sentir muita coceira no corpo. Sentia que essa parte estava esquentando ou algo assim. Enfim, parecia aquele tipo de cio que dá quando você toma um ativador de emergência, sabe? Essa sensação durou bastante. Mas merda, no final foi real. Quando assinei o contrato ainda não tinha claro, mas depois vieram os do laboratório, me examinaram e…
— Com quem você assinou o contrato?
— Eh? Ah… isso, bom. Mas por que estamos falando disso? Você também trabalha para a SN Bio, chefe Kim?
Oh Jae-yeong o olhou com desconforto diante da insistência das perguntas. Mas Marvin, em vez de responder, devolveu-lhe outra pergunta.
— Você assinou com a SN Bio? Então a acomodação onde você está agora também deve ser fornecida por eles, certo?
— Um momento. O que é isso? Você estava me sondando?
— Quando fala de “os do laboratório”, a que se refere? Há um prédio de pesquisa dentro do centro onde você está? Ou vêm da sede em Seul?
— Ei, chefe Kim.
— Do que estamos falando? Por sinal, quer xarope?
Enquanto Oh Jae-yeong, nervoso, não sabia o que fazer, Woo Hyeon-woo regressou e colocou um copo de americano à frente de Marvin. A outra xícara ficou com ele mesmo, bebendo a goles enquanto olhava alternadamente para os dois.
Não parecia que estavam brigando. Marvin simplesmente observava Oh Jae-yeong com calma. Era este último o único que tinha o rosto corado e apertava com força a mandíbula inferior, como se fosse uma demonstração clara de sua decisão de não dizer nem mais uma palavra.
Está se esforçando.
Woo Hyeon-woo soltou uma risadinha e voltou a se sentar ao lado de Marvin. Justo então, a porta do café se abriu, e uma mulher que parecia estar na casa dos trinta e poucos anos entrou.
Assim que viu seu rosto, a expressão de Woo Hyeon-woo endureceu de imediato. Sem descolar os lábios da xícara, murmurou em voz muito baixa, só para si mesmo:
— Uau, merda… o que é hoje, o dia especial ou o quê?
O olhar de Marvin e o de Oh Jae-yeong também se dirigiram à mulher. Enquanto Oh Jae-yeong franzia a testa com expressão de “e quem é esta?”, Marvin a reconheceu no mesmo instante.
A secretária Park Sang-hee.
A mesma que tinha encarregado a equipe de Woo Hyeon-woo da invasão de seu apartamento, e quem também tinha dado instruções a partir das sombras para garantir a segurança de Oh Jae-yeong. E inclusive, possivelmente, a responsável por ter feito explodir o carro de Marvin, aquele que estava estacionado em frente ao apartamento de Jang Jin-woo.
Vestia um conjunto de duas peças simples e um sobretudo negro de lã por cima. Seu aspecto era idêntico ao da foto que Woo Hyeon-woo lhe tinha mostrado. Embora sua expressão fosse fria, suas roupas eram comuns, e seu rosto tinha um ar de esgotamento evidente.
Manipulou rapidamente o telefone que levava na mão, guardou-o no bolso e caminhou em direção a eles com passo decidido.
Em algum momento, um SUV preto estava estacionado em frente ao café. Era igual aos que Marvin tinha visto no terminal de ônibus de Oseong. Por sorte, não chegaram em grupo como daquela vez. Um estava estacionado a certa distância, e outro justo em frente à entrada do local.
— Vocês dois, fiquem de pé.
Tirou as mãos do sobretudo e as agitou no ar com firmeza. Woo Hyeon-woo, sempre rápido para captar a situação, levantou-se de imediato e lhe cedeu o lugar, mas Oh Jae-yeong, que não tinha ideia de quem era ela, só a olhou com a testa franzida.
— A você também disse para se levantar. Não entende coreano?
— O que deu em você? Quem é você…?
Diante do tom irritado da mulher, Oh Jae-yeong também esquentou e esteve a ponto de responder com a mesma atitude. Woo Hyeon-woo, alarmado, apressou-se a puxá-lo pelo casaco. De verdade não distingue quando deve ou não se meter… nem uma pitada de senso comum. Não pôde evitar soltar outro comentário, o que terminou por fazer explodir Oh Jae-yeong, que se pôs de pé de golpe e tentou agarrá-lo pelo colarinho.
Aproveitando esse momento, Woo Hyeon-woo arrastou Oh Jae-yeong para uma mesa em um canto. Ali também se desatou outra boa discussão. Mas à secretária Park Sang-hee não pareceu importar em nada: sentou-se tranquilamente no sofá. Diante dela, Marvin a observava com uma expressão surpreendentemente serena.
— Tinha a sensação de que íamos nos encontrar?
— Não. Não sabia.
Diante de sua voz tranquila, ela soltou uma risada leve.
— Você não é bom em mentir, é?
Então tirou um envelope de documentos de sua bolsa.
⚖ ─── Α · Β · Ω ─── ⚖
Continua….
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✦ Tradução, revisão e Raws: Faby&Othello