š¼ CapĆtulo 5.3 š¼
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ā Ah, sim. Obrigado.
ā Se precisar de qualquer coisa, fique Ć vontade para me contatar a qualquer momento. Estarei aguardando.
O Diretor Park disse enquanto ele mesmo abria a porta do carro. Se tivessem se conhecido num ambiente social normal, ele teria sido sem dúvida superior a Seowoon tanto em idade quanto em cargo, mas agora estava ocupado abaixando a cabeça repetidamente. Do voo de primeira classe à atitude excessivamente deferente daquelas pessoas, essas eram coisas que Seowoon jamais teria vivenciado se não fosse por Yijin .
O carro bem Ć sua frente era um exemplo disso. A porta sobeā¦? Era fascinante e incrĆvel. Aquela era a primeira vez que ele via um carro assim de perto. Enquanto Seowoon ficava parado sem entrar, o Diretor Park perguntou com urgĆŖncia.
ā Sr. Seowoon , por acaso hĆ” algum problema com o carroā¦?
Tump! De repente, Yijin fechou a porta do carro. Arf! O funcionÔrio mais novo soltou um gritinho, e o rosto do Diretor Park ficou pÔlido. Então ele abriu a porta de novo. Dessa vez, Yijin abriu a porta do passageiro ele mesmo.
A porta do carro subiu mais uma vez. Uhh. Quando Seowoon soltou um som de admiração, Yijin fechou a porta de novo. Então abriu de novo. Ele repetiu isso umas duas vezes.
ā O teto abre tambĆ©m?
ā VocĆŖ estĆ” se referindo Ć capota? Sim, abre.
ā Uhh! Abre!
ā Por favor, espere um momento.
Vrummm. Soou quase como um aviĆ£o decolando. A luz do sol do HavaĆ entrou pela capota escancarada. Uau! Era uma cena que arrancou uma exclamação por conta própria. ā Vamos entrar, rĆ”pido! ā um Seowoon empolgado apressou Yijin . Seguindo Seowoon , Yijin tambĆ©m se enfiou no carro Ć s pressas.
ā Dirige, Jinny!
Para onde raios tinham ido seus sentimentos desconfortÔveis? Para o Oriente Médio, quem sabe? Tendo visto aquilo em algum lugar antes, Seowoon rapidamente sacou seus óculos escuros e gritou, cheio de empolgação.
ā VocĆŖ afivelou o cinto de seguranƧa?
Esta Ć© a parte em que vocĆŖ deveria só afivelar pra mim, Jinny. Dizer aquilo em voz alta seria ridĆculo, entĆ£o Seowoon colocou o cinto sozinho. Clique. A fivela travou no lugar com um som alegre. Um momento depois, Yijin deu partida no motor.
Com a capota escancarada, os dois desceram a interminĆ”vel estrada litorĆ¢nea. Ao lado, ondulaƧƵes gigantes formavam ondas infindĆ”veis e, Ć frente, o cĆ©u de um azul vivo e a estrada de asfalto cinza se encontravam para formar uma fronteira nĆtida. CĆ©u, terra e mar. A separação perfeita, com nenhuma parte cedendo um centĆmetro, fez sua visĆ£o se abrir.
A luz do sol na pele era quente, mas o ar não era úmido, então a brisa era fresca. O vento salgado do mar fazia cócegas em seu cabelo, e o belo cenÔrio exótico coloria sua visão esplendidamente. Parecia que cada um de seus sentidos estava vibrantemente vivo. Seowoon abriu bem os braços. Ele queria sentir o ar e o aroma daquele exato momento com o corpo inteiro.
Fechando os olhos e esticando os braços, ele conseguia sentir o mar por perto. O cheiro salobro e salgado com que ele nunca conseguia se acostumar e o som das ondas rolando fizeram Seowoon ficar progressivamente eufórico. A emoção parecida com um seixo rolando em seu peito não era pÔreo para aquilo.
Ele queria saborear aquela sensação mais livremente. Mas o desejo de Seowoon de se levantar no assento do passageiro e sentir o vento feito o protagonista de um filme nunca se realizou. A pessoa ao seu lado não o deixava desafivelar o cinto de segurança de jeito nenhum, então ele não teve escolha a não ser fazer aquilo sentado.
Um ar exótico, completamente diferente do da Coreia, envolveu Seowoon de todos os lados. Eles só estavam dirigindo em terreno plano, mas seu peito se inflou como se ele tivesse alcançado o cume de uma montanha. Seu coração se inflou também, como o de alguém à beira de um novo começo. O pequeno seixo que vinha vasculhando seu peito à vontade não podia mais ser sentido.
ā Seowoon , isso Ć© perigoso. Por favor, abaixe um pouco os braƧos.
Mesmo com aquele belo cenÔrio à sua frente, Yijin não conseguia tirar os olhos de Seowoon . Enquanto suas mãos estavam firmemente plantadas no volante, ele estava ocupado olhando de relance para Seowoon no retrovisor. Ele não conseguia relaxar, sem saber quando Seowoon poderia desafivelar o cinto e se levantar.
Era isso que era tão engraçado. O jeito como ele repetia as mesmas palavras feito uma mÔquina, e como ele não conseguia tirar as mãos do volante em meio a tudo aquilo.
Estou casado. Só entĆ£o Seowoon realmente sentiu que estava casado. Ele tinha um marido. Ele tinha uma famĆlia.
* * *
Não havia nada que ele tivesse que fazer, nenhuma programação definida. A lua de mel deles era para ser uma viagem completamente livre. Isso se devia em grande parte aos desejos de Seowoon . Numa situação em que ele talvez nem tivesse conseguido uma confirmação até o dia do casamento, ele não quisera se apressar a planejar um roteiro. Aquela era uma lua de mel única na vida da qual ele lembraria pelo resto da vida. Tinha que ser mais prazerosa e empolgante do que qualquer outra viagem.
Eu tinha esse lado romĆ¢ntico? AtĆ© Seowoon achou essa versĆ£o de si mesmo estranha. Para ser preciso, nĆ£o era tanto que Seowoon fosse romĆ¢ntico, mas que suas dificuldades passadas o tinham deixado com um desejo profundamente arraigado de se divertir. Mas Seowoon nĆ£o era calmo o suficiente para se dar ao trabalho de analisar detalhes desses. Ele possuĆa uma mente relativamente racional, mas tambĆ©m um lado contraditório e impulsivo que a traĆa.
Fosse como fosse, altas expectativas levam a grandes decepƧƵes, entĆ£o Seowoon vinha tentando conscientemente suprimir sua expectativa. Parecia ter sido uma causa perdida desde o momento em que ele entrou na sala VIP do Aeroporto de Incheon, mas ele com certeza tinha tentado. Aquele esforƧo foi limpamente varrido para longe na estrada litorĆ¢nea cercada pelo PacĆfico Norte.
Ao chegar ao hotel, a empolgação de Seowoon atingiu o auge. Ele tinha viajado de primeira classe numa companhia aĆ©rea nacional, as portas do carro abriam para cima, e o quarto de hotel era uma suĆte com vista para o mar.
Isso Ć© insano. Isso Ć© loucura! Seowoon abandonou Yijin e a equipe do hotel e caminhou atĆ© a janela. Um cĆ©u e um mar tĆ£o lĆmpidos e limpos que ele conseguia esquecer que o vidro sequer estava ali se desdobraram diante de seus olhos.
Puta merda, o que eu faço? Estou tão empolgado. O quarto era tão espaçoso que ele nem ouviu a funcionÔria sair. Uma vez que finalmente estava a sós com Yijin , o leve receio que tinha permanecido sumiu por completo. Seowoon gritou.
ā Ć o oceano!
ā Sim. Ć o oceano. Para ser preciso, Ć© o PacĆfico Norte. O nome da praia Ć©ā¦
à porque ele é uma IA? Ele estava se ligando sozinho quando ninguém tinha nem o acionado. Seowoon desligou o interruptor ele mesmo.
ā A gente vai mesmo ficar aqui? AtĆ© voltar para a Coreia?
ā Isso mesmo. Se vocĆŖ nĆ£o estiver satisfeito com o hotel, vocĆŖ pode a qualquer momentoā¦
ā NĆ£o estou satisfeito. NĆ£o estou satisfeito por ter que voltar para a Coreia. Uau, o que eu faƧo? Isto Ć© tĆ£o ótimo, sĆ©rio.
Seowoon era honesto, mas não completamente. Ele era só honesto o suficiente, só o quanto necessÔrio. Sua idade não tão jovem era parte disso, mas era também sua disposição bÔsica. Podia ser por causa de sua criação, ou de seu ambiente familiar. Fosse qual fosse o motivo, até Seowoon achou essa versão de si mesmo estranha. Ele até ficou espantado, pensando: Então eu era alguém que conseguia expressar meus sentimentos tão livremente assim.
Dinheiro é realmente o melhor. Mostra-me o dinheiro! Vida longa ao capitalismo! Graças a isso, Seowoon atribuiu tudo ao trabalho Ôrduo do dinheiro. De certa forma, era um rumo de ação natural. Cair num sentimento romântico do tipo à por causa dessa pessoa era um pouco demais quando os dois só tinham se encontrado cinco vezes. Eles estavam casados, então ele era legalmente seu marido, mas⦠bom, estar casado significava que eles também podiam se divorciar, então era cedo demais para se sentir seguro. Além do mais, eles nem tinham registrado o casamento. Não, espera. Eles tiveram uma cerimÓnia de casamento, então isso conta como união estÔvel?
Seu fluxo de consciĆŖncia era o mais calmo possĆvel, mas ele só estava empolgado demais no momento. Seowoon nĆ£o conseguia tirar os olhos do cenĆ”rio do lado de fora da janela. Ele queria capturar aquela vista magnĆfica numa foto, mas a janela era larga demais para caber na lente. Seowoon mudava de postura para lĆ” e para cĆ”, diligentemente tirando fotos.
Clique! Clique! Clique! O som do obturador era alto no quarto de hotel silencioso. Ele jÔ era o único empolgado e, com os sons da câmera acrescentados por cima, não poderia ser mais constrangedor.
ā Seowoon .
Ele se assustou quando seu nome foi chamado justo quando estava se sentindo constrangido. Yijin estava bem atrÔs dele, embora ele não o tivesse notado se aproximar. Ah, não. Fui eu que me aproximei dele. Era o resultado de diligentemente andar para trÔs para conseguir uma foto ampla.
ā VocĆŖ tem um momento?
ā Claro que tenho. O que foi?
Tempo era algo que ele tinha de sobra. Pelas próximas seis noites e oito dias, Seowoon estaria passando tempo a sós com o Alfa à sua frente. O fato o fez se sentir tão sem graça que ele simultaneamente respondeu e colocou alguma distância entre si e Yijin . A distância entre eles aumentou por exatamente aquilo. Yijin falou.
ā Por quanto tempo seria bom para vocĆŖ?
ā HĆ£? Que tempo?
ā Deixa pra lĆ”. Vamos só dizer que vocĆŖ pode ficar o quanto quiser. HĆ” uma diferenƧa de fuso com a Coreia, entĆ£o se vocĆŖ precisar de qualquer coisa, pode contatar o Diretor Park.
ā HĆ£? SĆ©rio? Isso estĆ” mesmo de boa?
ā Sim. EstĆ”.
ā HĆ£, mas⦠vocĆŖ nĆ£o estĆ” ocupado, Yijin ? Se vocĆŖ estĆ” se forƧando demaisā¦
O que foi que eu acabei de ouvir? MaƧos de dinheiro voaram por sua mente. Aquilo era mesmo possĆvel? Uma braƧada de suas cĆ©lulas da razĆ£o calma morreram diante daquele esbanjamento sem precedentes. Eu aprovo esse casamento pra caralho! alguĆ©m gritou, pisoteando as cĆ©lulas da razĆ£o mortas.
ā Para mim nĆ£o importa. Por favor, faƧa como vocĆŖ se sentir confortĆ”vel, Seowoon .
ā Mesmo assim⦠vocĆŖ nĆ£o precisa exagerarā¦
ā NĆ£o estou exagerando. Vou voltar para a Coreia primeiro, entĆ£o vocĆŖ pode ir com calma. Só me avise sua data de volta com antecedĆŖncia. Vou deixar um motorista esperando por vocĆŖ de acordo com o horĆ”rio do seu voo.
Claro. Isso Ć© a sua cara. O que raios eu estava esperando? Ele nem estava bravo. Era só absurdo. Em termos mais grosseiros, era ridĆculo pra caralho. Pensar que alguĆ©m conseguia soltar bobagem dessas com tanta sinceridade ā realmente, nĆ£o havia fim para o aprendizado. Seowoon tinha aprendido mais uma coisa hoje.
ā Ah, sim. Entendi. Vou pensar sobre isso.
ā Se vocĆŖ quiser trocar de hotel, pode fazer isso.
ā Ah, sim.
ā Que tal experimentar um carro diferente? Devo preparar outro conversĆvel para o próximo?
ā Sim, claro.
ā Entendido. Vou contatar o Diretor Park.
O que eu vou fazer com ele? O desempenho da InteligĆŖncia Artificial era bom demais. ā NĆ£o. NĆ£o faz. Vou pensar mais um pouco antes de decidir ā Seowoon ponderou com Yijin com calma. Ele nĆ£o queria estragar o pacĆfico fim de expediente do diretor e do funcionĆ”rio jĆŗnior.
ā VocĆŖ só precisa dizer a palavra e eu imediatamenteā¦.
ā EstĆ” de boa.
ā Vou te dar o contato do Diretor Park. Quando vocĆŖ quiser, Seowoon ā¦.
ā Eu disse que estĆ” de boa, nĆ£o disse? Jinny, para. Alto. Se acalma.
Ele ainda não conseguia compreender como Yijin conseguia chegar a conclusões dessas, mas ao menos ele era obediente. Aquilo bastava. Seowoon rapidamente mudou de assunto.
ā Vamos desfazer as malas primeiro.
ā Entendido. Vejo vocĆŖ na sala de estar quando vocĆŖ terminar.
ā Combinado. AtĆ© mais.
ā Vejo vocĆŖ em breve.
Os dois homens seguiram caminhos separados, cada um puxando uma mala. Seowoon se dirigiu para o quarto, e Yijin para o escritório. O escritório? Tem um escritório numa suĆte? Seowoon parou a caminho do quarto, se virou e seguiu Yijin . Ele nĆ£o conseguiu se convencer a ser óbvio demais sobre aquilo, entĆ£o só espiou de uma distĆ¢ncia.
O escritório era decorado como uma pequena e antiquada livraria estrangeira. Tinha uma atmosfera acolhedora no geral, com uma grande escrivaninha posicionada no meio da sala. Ele também conseguia ver uma cadeira estilo presidente. Livros enchiam as prateleiras aqui e ali. Ele tinha presumido que fossem todos livros estrangeiros, mas havia livros coreanos misturados. Por que tem livros coreanos? Ele estava curioso. Mas Yijin só estava diligentemente desfazendo as malas. Seu notebook, tablet e três celulares rapidamente encheram a escrivaninha. Nesse ritmo, ele parecia prestes a começar a trabalhar.
ā Uau, tem um escritório?
No fim, Seowoon foi quem se manifestou. Era dolorosamente óbvio para qualquer um que ele estava atuando, mas felizmente sua plateia era Yijin . Ele não vai notar a diferença de qualquer forma.
ā VocĆŖ gostaria de dar uma olhada?
ā Posso?
ā Se vocĆŖ quiser.
Ele recebeu permissão prontamente. Era o que ele esperava, então não se surpreendeu. Pensando bem, Yijin sempre era favorÔvel a ele. Seu jeito de interpretar as coisas era um pouco peculiar, mas Seowoon nunca ouvira uma palavra negativa dele. Isso. à verdade. A nova percepção o fez ver Yijin sob uma nova luz. Seowoon naturalmente caminhou até uma estante. E atuou.
ā Tem livros coreanos aqui?
ā Sim, tem.
ā O nosso paĆs ficou bem famoso agora⦠ah, isto Ć©ā¦.
Ele tinha tido uma intuição, mas não era um livro novo. Estava até surrado. Os outros livros eram iguais. Todos mostravam sinais claros de terem sido manuseados por mãos humanas. Entre eles havia livros que pareciam livros didÔticos de universidade. SerÔ que� Yijin acenou com displicência.
ā Isso mesmo. SĆ£o meus livros. SĆ£o todos dos meus anos de graduação.
ā Como vocĆŖ trouxe todos esses? NĆ£o estavam pesados?
ā Estavam com certeza pesados. EntĆ£o eu só os deixei no escritório. Selecionei só os que eu leio com frequĆŖncia.
ā ā¦Isto nĆ£o Ć© um hotel?
ā Ć.
ā Masā¦?
ā Eu fiquei neste quarto toda vez que vim Ć filial do HavaĆ. Venho desde os meus dias de graduação, entĆ£o jĆ” faz um bom tempo.
Ele era diferente. Num patamar totalmente diferente. NĆ£o havia necessidade de perguntar por quĆŖ, nem havia mais nada com que ficar curioso. Ah, entendiā¦. E com isso, a conversa terminou. Sentindo-se um pouco atordoado, Seowoon voltou para o quarto sozinho. A grande cama que o tinha empolgado momentos antes, o interior antigo do quarto ā era tudo igual, mas de algum modo seu coração ficou calmo.
Ele viu a própria mala, abandonada logo depois da porta do quarto. Diferente da mala de Yijin , que era espartana, a de Seowoon estava abarrotada até a borda de coisas como chinelos para a praia, um traje de banho e uma boia em formato de abacaxi.
AtĆ© o fato de Yijin desfazer as malas no escritório dizia tudo. Quando Seowoon tinha sugerido que desfizessem as malas, as primeiras coisas que Yijin tinha tirado eram seus aparelhos eletrĆ“nicos. A essa altura, era difĆcil dizer se aquilo era uma lua de mel ou uma viagem de negócios.
Aquela era a primeira vez de Seowoon no HavaĆ, sua primeira vez voando de primeira classe numa companhia aĆ©rea nacional. Era sua primeira vez num hotel daqueles, sua primeira vez ficando numa suĆte. O que Yijin devia ter pensado quando Seowoon , tĆ£o diferente de si mesmo, tinha empolgadamente tirado fotos do quarto de hotel? E que dizer de quando ele tinha se maravilhado com o carro de teto retrĆ”til?
Uau, eu devo ter parecido um bobo de verdade. Se ele tivesse mencionado a refeição de bordo por cima de tudo aquilo, teria ficado verdadeiramente constrangido. Seowoon silenciosamente terminou de desfazer as malas. Conforme a mala ia ficando bem vazia, sua mente se sentiu um pouco mais assentada.
ā VocĆŖ terminou de desfazer as malas?
ā Sim.
Quando Seowoon terminou, Yijin jÔ estava lÔ fora na sala de estar. Para ser preciso, ele estava na sala de estar, olhando para o tablet. Seowoon não sabia o que ele estava fazendo, mas pela atmosfera, qualquer um percebia que ele não estava só relaxando. Sem tirar as mãos do tablet, Yijin falou.
ā VocĆŖ deve estar cansado. Vamos descansar um pouco antes de sair para uma refeição?
Ele nem tinha conseguido comer a refeição de bordo e passara fome o voo inteiro. Para ser sincero, ele queria encher o estÓmago imediatamente. Mas quando Yijin colocava daquele jeito, ele não sentia muita vontade de comer. Ele parecia ocupado também. Fosse como fosse, Seowoon docilmente concordou com a sugestão de Yijin .
ā Beleza, claro.
ā O que acha das 18h30? EstĆ” tudo bem para vocĆŖ?
ā Sim.
ā EntĆ£o vejo vocĆŖ mais tarde. Vamos nos encontrar na sala de estar de novo.
Conforme Yijin voltava para o escritório, Seowoon ficou sozinho na sala de estar. Parado sozinho no cÓmodo vazio, ele começou a sentir fome de novo. Ah, entendi. Não é que eu não queira comer, é que eu não quero comer com ele. Naquele humor, o que quer que ele comesse só o deixaria desconfortÔvel.
Agora sozinho, Seowoon alegremente começou a explorar o quarto de hotel para valer. Ele vagou por ali, olhando todas as partes do quarto que não conseguira ver por causa de Yijin . (Ele entrou em todos os cÓmodos exceto o escritório.)
A comida de boas-vindas devia ser diferente para cada categoria de quarto, porque a variedade era incrĆvel. Seowoon comeu a comida de boas-vindas e jogou um jogo no celular atĆ© as 18h30. Ele só tinha comeƧado a matar tempo, mas acabou ficando extremamente concentrado. Tanto que nem notou que Yijin tinha chegado.
ā Uau, vocĆŖ me assustou. VocĆŖ estava esperando? VocĆŖ devia ter dito alguma coisa.
ā NĆ£o, estĆ” de boa. VocĆŖ parecia estar concentrado, entĆ£o esperei.
Ć exatamente esse tipo de consideração que eu nĆ£o quero. Primeiro as selfies de beleza, agora o joguinho de celular ā ao menos havia uma certa consistĆŖncia.
Seowoon terminou seu jogo e saiu do hotel com Yijin . Yijin perguntou se estava tudo bem ir a um lugar que ele conhecia, e Seowoon concordou. Onde quer que fosse, seria caro e bacana. Mesmo que a comida fosse ruim, seria um banquete para os olhos. Seowoon seguiu a lideranƧa de Yijin sem reclamar, pensando coisas como: Ainda bem que eu nĆ£o planejei nosso roteiro. Se ele tivesse diligentemente pesquisado na internet restaurantes famosos no HavaĆ, só teria acabado parecendo ridĆculo.
O sol estava comeƧando a se pƓr. Parecia que eles seriam sugados direto para dentro do pƓr do sol se continuassem dirigindo pela estrada. A cena grandiosa e bela era de tirar o fƓlego. Mesmo com o sol se pondo, o vento permanecia quente e, depois de tanto tempo no ar-condicionado, parecia perfeito.
Não hÔ criação maior que a natureza. Só de olhar aquele cenÔrio ele sentia que vir ao Havaà tinha sido a decisão certa. Ele queria compartilhar aquele sentimento, mas era um mistério se a pessoa sentada ao seu lado sentia o mesmo. Pelo que ele sabia, até aquilo era só uma ocorrência comum e cotidiana para Yijin . Seowoon silenciosamente saboreou o sentimento sozinho. Mesmo com o belo pÓr do sol à sua frente, ele teve que admirÔ-lo tudo sozinho em seu coração.
ā A gente estĆ” quase chegando.
ā Ah, tĆ”.
ā Reservei uma mesa com uma boa vista do pĆ“r do sol.
ā Ahā¦
Seowoon respondeu sem muito entusiasmo. O carro foi gradualmente desacelerando, e um prédio que parecia um restaurante surgiu à distância. Conforme se aproximavam dele, Yijin falou.
ā Espero que vocĆŖ goste, Seowoon .
ā¦HĆ£? Incapaz de encontrar uma resposta, ele olhou para Yijin . Yijin agarrava o volante com as duas mĆ£os, os olhos fixos na estrada Ć frente.
ā Para ser sincero, Ć© a minha primeira vez indo lĆ” tambĆ©m, entĆ£o nĆ£o sei como vai ser a comida.
Aquilo foi um pouco inesperado. Ele tinha naturalmente presumido que Yijin o levaria a um lugar que ele frequentava. ā EstĆ” de boa. Tenho certeza de que vai ser delicioso. ā Dessa vez, ele respondeu com um pouco mais de alma, e Yijin respondeu com sinceridade.
ā Para a nossa primeira refeição, o apropriado seria te levar a um lugar de que eu possa dar fĆ©, mas eu nĆ£o fui a nenhum restaurante, entĆ£o tive que confiar em recomendaƧƵes. PeƧo desculpas.
ā O que isso importa? Estou tĆ£o faminto agora que tudo vai ter gosto bom. EstĆ” de boa.
ā VocĆŖ estava com fome?
ā ā¦Bom, só um pouco? Por que vocĆŖ nĆ£o foi a nenhum restaurante, Yijin ?
Ele deixou a pergunta que nĆ£o queria responder passar da forma mais natural possĆvel e jogou uma de volta. As habilidades de sobrevivĆŖncia social arraigadas em seu corpo automaticamente vieram em sua defesa, e só entĆ£o um pensamento surgiu em sua cabeƧa. Ah, serĆ” que fui intrometido demais?
Mas era estranho, nĆ£o era? Ele vinha aqui com frequĆŖncia suficiente para ter deixado suas próprias coisas na suĆte do hotel, entĆ£o por que nenhum restaurante? Felizmente, Yijin respondeu prontamente, sem sinais de descontentamento.
ā Nunca senti necessidade.
ā A necessidade? Que necessidade?
ā A necessidade de ir a um restaurante. O deslocamento leva tempo, assim como esperar a comida ser servida. Ć ineficiente de vĆ”rias formas.
ā¦O que foi que eu acabei de ouvir? Antes que a dĆŗvida pudesse criar raiz, os dois chegaram ao restaurante. Um homem que aparentava ser o gerente, aparentemente tendo sido avisado com antecedĆŖncia, saiu e lhes deu boas-vindas suntuosas.
O exterior fedia a dinheiro, sem falar no cheiro do mar. Só pelo cenÔrio ao redor, ele conseguia adivinhar a faixa de preço, mas o interior era ainda mais bem decorado. Quer dizer, um lustre precisa mesmo ser tão grande� Ele se perguntou se ficaria intimidado demais para sequer engolir a comida.
O gerente, com olhos exóticos que lembravam o mar, os guiou atĆ© a mesa. Justo como Yijin dissera, era um lugar com uma vista panorĆ¢mica do pĆ“r do sol. ā Uau! ā Um suspiro escapou dos lĆ”bios de Seowoon sem ele perceber. Era uma vista que o faria pagar de bom grado, por mais terrĆvel que a comida acabasse sendo.
ā EstĆ” do seu agrado?
Continua….
ā ā ā
⦠Tradução, revisão e Raws: Faby&Belladonna