Capítulo 64
Sang Ning ficou surpresa, um tanto espantada.
Ela hesitou por um instante antes de entrar no carro. Afinal, ele a havia ajudado no incidente envolvendo Zhan Yijun da última vez.
— Senhor He — cumprimentou Sang Ning educadamente.
He Siyu lançou um olhar de lado para ela, já cansado de ouvir aqueles cumprimentos mecânicos e ensaiados.
— O que você está lendo? — Ele reparou no livro em sua mão.
— Memorizando vocabulário.
Sang Ning fechou o livro e mostrou a capa para ele: 3000 Palavras em Inglês.
He Siyu: “…”
Então ela havia passado os últimos dois dias desaparecida só para se enterrar naquele inútil livro de vocabulário?
— Você é bastante dedicada — comentou ele, com secura.
Sang Ning sorriu discretamente.
— Só estou dando o meu melhor.
He Siyu de repente se sentiu ainda mais irritado.
O celular de Sang Ning tocou, e ela atendeu. — Tio Zhang, combinei de jantar com uma amiga hoje e me esqueci de avisá-lo.
— Sim, não precisa vir me buscar. Pode ir direto para casa.
He Siyu virou o rosto para olhá-la. Sua expressão estava perfeitamente tranquila, e ela mentia com tanta naturalidade, sem sequer piscar, que aquilo chegava a ser uma habilidade por si só.
Depois de desligar, Sang Ning olhou para He Siyu, mas ele já havia desviado o olhar, encarando a janela à esquerda.
Percebendo que ele não parecia disposto a conversar, ela também não o incomodou e voltou ao seu livro de vocabulário.
O motorista entrou em um pátio, e He Siyu e Sang Ning desceram do banco traseiro.
— A senhorita Nan chegou — cumprimentou calorosamente uma empregada. — A Senhora He estava justamente perguntando quando você chegaria.
Sang Ning sorriu docemente. — Babá Zhao.
— Por favor, entre, senhorita Nan.
Assim que Sang Ning abriu a porta, ouviu a voz da Senhora He.
— Sang Ning chegou?
— Vovó He! — chamou Sang Ning alegremente.
A Senhora He abriu um sorriso radiante.
— Pensei que você já estaria aqui a essa altura. O jantar está pronto.
Todos foram para a sala de jantar, onde Sang Ning avistou as almôndegas em caldo claro de que tanto gostava, já servidas à mesa.
— Obrigada pelo convite, vovó He. Eu estava justamente com vontade de tomar sua sopa de almôndegas — disse ela com um sorriso.
— A babá Zhao cozinha muito bem. Coma à vontade.
— Hum!
He Siyu veio logo atrás, com uma expressão sombria. Agora ela estava subitamente tagarela, mudando de humor mais rápido do que se vira uma página.
A vovó He puxou Sang Ning para se sentar ao seu lado, antes de perceber He Siyu vindo atrás delas. Ela franziu a testa.
— Por que está com essa cara emburrada? Estamos prestes a comer.
He Siyu: “…”
Sang Ning se virou para ele com um sorriso radiante, dessa vez visivelmente mais sincero.
O olhar dele ficou mais frio enquanto puxava uma cadeira e se sentava.
A vovó He serviu uma almôndega para Sang Ning antes de perguntar, preocupada:
— Ouvi dizer que você quase foi atingida por uma estrutura de taças de champanhe no banquete da família Zhan. Você se machucou?
Sang Ning piscou, surpresa por a vovó He saber do incidente.
Ela balançou a cabeça.
— Não, o Segundo Jovem Mestre Pei me puxou a tempo. Não me machuquei, só fiquei com um pouco de vinho derramado em mim.
He Siyu espetou uma almôndega com os hashis e deu uma mordida.
A expressão da vovó He ficou sombria.
— Aquela Zhan Yijun é completamente sem vergonha! Como ela pôde fazer uma coisa dessas? Uma coisa é ficar fazendo bobagens, mas tratar a vida humana com tamanha negligência…!
Sua voz ficou severa.
— Já liguei para a família Zhan. Eles precisam educar a filha como devem. Não sei como conseguiram criar uma criança tão imprudente.
Sang Ning lançou um olhar para He Siyu antes de assentir em concordância.
— É verdade.
A sobrancelha de He Siyu se contraiu, e ele a encarou com um olhar gélido.
Mas Sang Ning não olhou de volta. Em vez disso, falou atenciosamente com a vovó He.
— Não foi nada tão grave. Não me machuquei, então, por favor, não se preocupe.
— Isso só aconteceu porque você teve a sorte de Songhan ter protegido você. Caso contrário, com todos aqueles estilhaços de vidro caindo, e se seu rosto tivesse sido ferido?
A vovó He ficava cada vez mais irritada à medida que falava. Havia um motivo para ela nunca ter gostado de Zhan Yijun: a malícia daquela garota era profunda.
Além disso, todos daquele círculo social sabiam que Sang Ning era uma convidada de honra dela. A família Zhan ousar tratá-la daquela maneira era um insulto direto.
Ela podia estar velha, mas ainda estava viva e bem.
— Não se preocupe. Já avisei a família Zhan. Eles não se atreverão a intimidar você novamente.
Ao ouvir a vovó He defendê-la daquela maneira, Sang Ning sentiu uma leve pontada no peito.
Ela nunca sequer esperara receber tamanho apoio da própria família Nan, mas aquela senhora, que não tinha nenhum laço de sangue com ela, a tratava com tanta bondade.
Tendo crescido cercada pela indiferença, Sang Ning aprendera a manter a guarda erguida. Nunca depositava esperanças demais em afeto genuíno, sempre ponderando tudo com cuidado.
Receber sinceridade era um presente inesperado.
Seus lábios se curvaram em um sorriso de gratidão.
— Obrigada, vovó He.
— Boa menina, coma mais.
Depois do jantar, a vovó He manteve Sang Ning conversando por um bom tempo.
Às oito e meia, Sang Ning se despediu.
— Deixe A-Yu levar você para casa. Hoje você não veio de carro — sugeriu a vovó He.
Sang Ning olhou para He Siyu. O humor dele era imprevisível. Quem sabia se o jovem mestre estaria disposto a levá-la?
Para sua surpresa, He Siyu concordou de maneira incomum. Ele se levantou e saiu sem protestar.
— Vamos.
A vovó He também ficou surpresa com a obediência repentina dele.
Sang Ning se despediu dela.
— Vovó He, estou indo embora.
— Vá, e tenha cuidado no caminho.
— Até logo, vovó He.
Ela alcançou He Siyu e o viu ocupar o banco do motorista, então abriu a porta do passageiro.
A vovó He observou pela janela enquanto o carro se afastava, compreendendo a situação apenas naquele momento.
He Siyu andava estranhamente obediente ultimamente.
Uma coisa era ele voltar para casa com frequência, mas ele nem sequer havia reclamado uma única vez por ter que servir de motorista.
Seus olhos se estreitaram, desconfiados.
“Será que… ele está interessado em Sang Ning?”
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He Siyu saiu pessoalmente de Wisteria Lane dirigindo.
Sang Ning o lembrou educadamente:
— Pode me deixar perto da região de Guomao. Vou pegar um táxi para voltar.
He Siyu respondeu despreocupadamente:
— Vou levar você direto para casa.
— Não seria bom se minha família me visse com você — disse ela, sem querer criar problemas desnecessários.
— Eles não vão reconhecer este carro.
Sang Ning fez uma pausa, só então percebendo que ele havia trocado de veículo novamente. Ela olhou para o emblema no volante: um Land Rover.
Para ele, aquilo era discreto.
“Será que ele trocou de carro de propósito?”
Ela piscou e se virou para observá-lo. Sua expressão continuava tempestuosa, como se ela lhe devesse dinheiro.
Quem sabia o que o deixava tão descontente?
He Siyu parou o carro perto da residência dos Nan.
— Chegamos.
Sang Ning hesitou antes de falar:
— Ouvi dizer que a mão de Zhan Yijun ficou ferida.
Ela encontrou o olhar dele, com um tom incomumente sincero.
— Obrigada por me defender.
A voz de He Siyu era preguiçosa.
— Como você sabe que fui eu?
Quem mais recorreria a métodos tão extremos?
Seus olhos límpidos transmitiam sinceridade.
— Só alguém tão bondoso quanto o senhor faria isso, senhor He.
Ele arqueou ligeiramente a sobrancelha, e sua expressão suavizou um pouco, embora o tom continuasse indiferente.
— Hum.
Sang Ning esperava que ele dissesse algo mais, mas ele parecia pouco disposto a continuar a conversa. Ela abriu a porta do carro.
— Vou indo.
Ela desceu, fechou a porta atrás de si e acenou para ele antes de se virar em direção à residência da família Nan.
He Siyu observou em silêncio a figura dela se afastando. Dois segundos depois, abriu repentinamente a porta do carro e saiu.
— Nan Sangning.
Sua voz grave soou atrás dela. Sang Ning se virou para olhá-lo, com os olhos cheios de confusão.
— O senhor He ainda tem algo a dizer?
Ele deu um passo à frente, parando bem diante dela, com um tom frio.
— Um simples “obrigada” é tudo o que você consegue oferecer, apenas movendo os lábios?
Sang Ning ficou surpresa. Não tinha sido ele quem ficara calado antes?
— Então, como devo…
Antes que pudesse terminar, ele estendeu a mão de repente, passou um braço em volta da cintura dela e a puxou para seu abraço. Ele se inclinou, apertando-a contra si, com o queixo enterrado na curva do pescoço dela.
— Um abraço é a maneira adequada de expressar gratidão, Nan Sangning. Você não conhece as regras?
[N/T: AAAAAAA *surtos internos* FINALMENTE!! Isso ai Siyu tem que ser pró-ativo!]