Capítulo 38
Sang Ning ficou paralisada por um momento.
O carro do pai dele?
O garoto, carregando a mochila, entrou pelas portas da Huiyao com um ar de desafio. Sem sequer parar na recepção, passou o cartão e foi direto para o elevador.
Dois minutos depois, Sang Ning entrou e se aproximou da recepção.
— O presidente He está disponível? Vim entregar uma coisa para ele.
Ela acabara de enviar uma mensagem para He Siyu, mas ele não havia respondido.
— Posso perguntar quem é você…?
— Meu nome é Nan Sang Ning.
A recepcionista assentiu rapidamente.
— Ah! Senhorita Nan, o assistente Yan mencionou você esta manhã. Por aqui, por favor. Vou acompanhá-la até lá em cima.
— Obrigada.
Sang Ning seguiu a recepcionista até o elevador, onde ela apertou o botão do último andar.
O elevador subiu rapidamente, como se fosse um elevador expresso exclusivo, sem parar nenhuma vez até chegar à cobertura.
Quando as portas se abriram, o assistente Yan já estava esperando do lado de fora.
— Senhorita Nan.
Sang Ning saiu e o cumprimentou educadamente.
— Olá, assistente Yan.
— O presidente He está em uma reunião no momento. Provavelmente vai levar mais meia hora para terminar. Quer que eu a leve para a sala de espera enquanto isso?
Era uma reunião urgente e de última hora, pois o primeiro lançamento de produto havia enfrentado um problema.
Sang Ning balançou a cabeça.
— Não precisa. Só vim deixar uma coisa. Como o presidente He está ocupado, não vou incomodá-lo.
Ela tirou um relógio de pulso da bolsa e o entregou ao assistente Yan.
Ele o pegou, hesitando por um momento. Considerando a sequência de problemas inesperados que o presidente He havia enfrentado naquele dia, era difícil dizer quando ele estaria livre. Por isso, não insistiu para que ela ficasse.
— Então eu entregarei a ele, senhorita Nan.
Sang Ning assentiu.
— Obrigada.
Ela se virou e entrou novamente no elevador, apertando o botão do primeiro andar.
O assistente Yan observou os números do elevador descerem, soltando um suspiro profundo antes de se virar e voltar para o escritório do CEO.
Ele bateu à porta e a abriu. Lá dentro, um garoto desleixado e convencido estava esparramado no sofá, mexendo no celular.
— Jovem mestre, a reunião do presidente He provavelmente vai levar mais meia hora. Por favor, espere mais um pouco.
— Hum.
O garoto nem levantou a cabeça, ocupado pesquisando no celular: O que significa “bonito de um jeito único”?
Resposta do Baidu: Significa alguém cuja beleza alcança novos patamares.
Os olhos do garoto brilharam, e ele sorriu presunçosamente.
“Então era um elogio, afinal.”
Meia hora depois, a porta do escritório se abriu novamente. Uma figura alta entrou a passos largos, vestindo calça social preta e camisa branca.
Ele abriu a porta com uma mão enquanto afrouxava a gravata com a outra. No instante em que seu olhar pousou sobre o moleque esparramado no sofá, seu humor, que já estava péssimo, piorou ainda mais.
— Por que você voltou?
O garoto imediatamente largou o celular e se sentou um pouco mais ereto, embora seu tom continuasse desafiador.
— As aulas estão de férias.
“Estamos em setembro. Que férias? O semestre acabou de começar. A Austrália nem sequer comemora o Dia Nacional.”
— He Yun’an, estou lhe dando uma última chance — disse He Siyu friamente.
He Yun’an cedeu um pouco, embora seu tom ainda estivesse emburrado.
— Eu não quero ir para a escola.
— Então o que você quer fazer? Virar um andarilho sem-teto?
He Siyu franziu a testa ao ver seu estado desleixado.
— Acabei de sair de um voo de quatorze horas e vim direto ver você — murmurou He Yun’an, seu habitual tom de moleque mimado carregando uma leve mágoa.
He Siyu soltou uma risada de desdém.
— Devo ficar comovido?
He Yun’an permaneceu em silêncio.
He Siyu se aproximou a passos largos, sua voz impaciente.
— Arrume suas coisas e volte para a escola. Agora.
— Fui suspenso por brigar — admitiu ele finalmente.
He Siyu: “…”
— Então vá para casa!
— Não quero. — He Yun’an virou a cabeça para o outro lado. — Não é como se alguém me quisesse lá mesmo.
—
Sang Ning tinha acabado de sair da Huiyao quando seu celular vibrou, uma mensagem de Ji Yan.
Você não tem aula hoje, certo? Vamos sair.
Sang Ning abriu a conversa e estava prestes a responder quando a ligação de Ji Yan chegou.
Ela atendeu.
— Não posso ficar esperando você digitar devagar. Vamos conversar. Venha fazer compras comigo. É raro você ter um dia livre.
Sang Ning assentiu.
— Na verdade, estou fora agora. Quer almoçar comigo?
— Onde você está?
— No CBD.
— Já estou indo!
Ji Yan reservou um restaurante no shopping do outro lado da rua, a uma curta caminhada para Sang Ning.
Era um bistrô de estilo ocidental, com um ambiente elegante e sofisticado. Em vez de escolher uma sala privativa, Sang Ning escolheu uma mesa próxima às janelas do chão ao teto, na área principal do restaurante.
Na época da dinastia Zhou, as mulheres precisavam jantar em salas privativas quando saíam, sempre presas a restrições. Agora, ela preferia a animação de estar cercada por pessoas, aproveitando abertamente os pequenos detalhes da vida cotidiana.
Depois de esperar um pouco, Ji Yan chegou.
— Senhorita Nan, finalmente você está livre! Ultimamente, você tem estado mais ocupada do que um chefe de Estado. É um milagre eu ter conseguido você hoje — reclamou Ji Yan assim que se sentou, sem sequer parar para tomar um gole de água.
Sang Ning sorriu, desculpando-se.
— Desculpe, minha carga de estudos tem sido intensa ultimamente.
Ela tinha acabado de começar as aulas e estava tendo dificuldades para acompanhar, passando seu tempo livre colocando as aulas on-line em dia. Além disso, havia toda a confusão com a família Nan, e He Siyu também não era exatamente uma pessoa fácil de lidar. Como resultado, Ji Yan acabara sendo deixada de lado.
— Não olhe para mim desse jeito. Eu vou acabar cedendo.
Sang Ning: “???”
Ji Yan não resistiu e apertou sua bochecha.
— Sinceramente, você devia fazer manha para os seus pais. Esse seu jeito delicado e frágil é muito mais de cortar o coração do que a atuação da sua irmã.
Sang Ning: “…”
“Vou considerar isso um elogio.”
— É claro que é!
Ji Yan estava de ótimo humor.
— Ah, falando nisso, o que trouxe você para cá?
— O presidente He deixou uma coisa para trás ontem. Eu só vim devolvê-la.
Sang Ning fez uma pausa e então perguntou, hesitante:
— A família He… tem um bisneto?
Os olhos de Ji Yan se arregalaram, brilhando instantaneamente de empolgação com a fofoca.
— Como você descobriu?!
Sang Ning ficou surpresa.
— Então é verdade?
— Pessoas de fora não sabem. Só quem é do nosso círculo ouviu alguns rumores. O garoto deve ter uns dez anos agora.
Sang Ning franziu a testa.
— Mas ouvi dizer que nenhum dos irmãos He é casado.
— Por que você acha que eles esconderiam isso? — Ji Yan baixou a voz até quase sussurrar. — Ele é ilegítimo.
As pupilas de Sang Ning se dilataram.
— De quem é o filho?
— Obviamente, do He Siyu! Quem mais na família He faria uma coisa dessas?
Na verdade, até mesmo dentro de seu círculo social, poucas pessoas ousavam mencionar o garoto. Era um assunto particular da família He, e eles nunca o reconheceram publicamente. A maioria dos detalhes não passava de especulação.
Todos sabiam vagamente que a família He tinha um filho, mas ninguém sabia quem era o pai ou a mãe.
Ainda assim, instintivamente, aqueles que sabiam do assunto presumiam que só poderia ser filho de He Siyu.
Ji Yan disse, com toda a naturalidade:
— O irmão mais velho dos He era um aluno exemplar, disciplinado e sério. O segundo irmão é gentil e refinado, o mais tranquilo de todos. Só He Siyu, aquele encrenqueiro indisciplinado, é um pequeno demônio desde criança. Ninguém mais da família He faria uma coisa tão escandalosa.
A testa de Sang Ning se enrugou ainda mais.
“Não é à toa…O garoto tem exatamente o mesmo temperamento maldito de He Siyu.
Espera. Mas isso significaria que… He Siyu teve um filho ilegítimo antes mesmo de chegar à maioridade?”